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Opioides (farmacologia)

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oral. Ela aumenta 
a pressão biliar e causa também constipação, mas menos do que a morfina. 
• Ela é prontamente absorvida após administração oral, é biotransformada no fígado e excretada quase 
exclusivamente nas fezes. A metadona é muito lipossolúvel, levando ao acúmulo nos tecidos 
gordurosos. A meia-vida da metadona varia de 12 a 40 horas. Pode se estender por até 150 horas, 
mas a duração real da analgesia varia de 4 a 8 horas. Consequentemente, o tempo necessário para 
um paciente alcançar o estado de equilíbrio pode variar de 35 horas a 2 semanas. 
• Após dosificações repetidas, os níveis de metadona podem acumular devido à longa meia-vida 
terminal, levando à toxicidade. 
• A metadona pode prolongar o intervalo QT e causar torsades de pointes, possivelmente por interagir 
com canais de potássio no coração. Deve ser usada com cautela em pacientes com história pessoal ou 
familiar de prolongamento do intervalo QT e naqueles que usam outras medicações que podem 
prolongar esse intervalo. 
A meperidina é um opioide sintético de menor potência estruturalmente não relacionado à morfina. 
• É usado contra dor aguda e atua primariamente como agonista κ com alguma atividade μ. 
• A meperidina é muito lipofílica e tem efeitos anticolinérgicos, resultando em incidência elevada de 
delírio, comparada com outros opioides. A duração de ação é ligeiramente menor que a da morfina e 
outros opioides. 
• A meperidina tem um metabólito ativo (normeperidina) excretado por via renal. A normeperidina 
tem ação neurotóxica significativa e pode causar delírio, hiper-reflexia, mioclonia e possivelmente 
convulsões. 
• Devido à ação breve e ao potencial de toxicidade, a meperidina não deve ser usada contra a dor por 
períodos curtos (menos de 48 horas). Outros fármacos são preferidos. 
• A meperidina não deve ser usada em pacientes idosos ou naqueles com insuficiência renal, 
insuficiência hepática, comprometimento respiratório preexistente ou de modo concomitante ao 
IMAO, ou após sua administração recente 
Os agonistas parciais se ligam ao receptor opioide, mas têm atividade intrínseca menor que a dos 
agonistas totais. Existe um teto para os efeitos farmacológicos desses fármacos. 
Os fármacos que estimulam um receptor e bloqueiam outro são denominados agonistas-
antagonistas. Os efeitos desses fármacos dependem da exposição prévia a opioides. 
• Em indivíduos que não receberam opioides (pacientes virgens), os agonistas-antagonistas possuem 
atividade agonista e são utilizados no alívio da dor. 
• Em pacientes dependentes de opioides, os fármacos agonistas-antagonistas podem apresentar 
principalmente efeitos bloqueadores (produzem sintomas de abstinência). 
• A buprenorfina é classificada como agonista parcial e atua no receptor μ. 
• Ela atua como a morfina em pacientes virgens, mas também pode provocar abstinência em usuários 
de morfina ou outros agonistas opioides totais. 
• O uso principal é na desintoxicação opioide, pois tem sintomas de retirada menos graves e mais 
curtos em comparação com a metadona. 
• Ela causa pouca sedação, depressão respiratória ou hipotensão, mesmo em doses elevadas. 
 
 
 
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• Em contraste com a metadona, disponível apenas em clínicas especializadas, a buprenorfina é 
aprovada para desintoxicação ou manutenção ambulatorial. 
• A buprenorfina é administrada por via sublingual, parenteral ou transdérmica e tem longa duração 
de ação, devido à sua forte ligação ao receptor µ. 
o Comprimidos de buprenorfina são indicados para o tratamento da dependência opioide e também 
estão disponíveis em produtos associados contendo buprenorfina e naloxona. A naloxona foi 
adicionada para evitar o abuso de buprenorfina por administração IV. 
o A forma injetável e o adesivo transdérmico de uso semanal são indicados para o alívio da dor 
moderada e intensa. 
• A buprenorfina é biotransformada pelo fígado e excretada na bile e na urina. 
• Os efeitos adversos incluem depressão respiratória que não é facilmente revertida pela naloxona e 
redução (ou, raramente, aumento) de pressão arterial, náuseas e tontura. 
• A pentazocina age como agonista nos receptores κ e é um antagonista fraco nos receptores µ e δ. 
• Ela promove analgesia ativando receptores na medula espinal e é usada no alívio da dor moderada. 
• Pode ser administrada por via oral ou parenteral. 
• A pentazocina produz menos euforia comparada à morfina. Em doses mais altas, provoca depressão 
respiratória e reduz a atividade do TGI. Doses altas aumentam a pressão arterial e podem causar 
alucinações, pesadelos, disforia, taquicardia e tontura. 
• Apesar de sua ação antagonista, a pentazocina não antagoniza a depressão respiratória causada pela 
morfina, mas pode provocar abstinência no dependente desse fármaco. 
• Desenvolvem-se tolerância e dependência no uso continuado. 
• A pentazocina deve ser usada com cautela em pacientes com angina ou doença coronariana, pois pode 
aumentar a pressão arterial pulmonar e sistêmica e, assim, aumentar o trabalho cardíaco. 
• A nalbufina e butorfanol são agonistas-antagonistas opioides mistos. 
• Como a pentazocina, eles têm papel limitado no tratamento da dor crônica. 
• O butorfanol está disponível como formulação nasal usado para cefaleias intensas, mas também foi 
associado com abuso. Nenhum deles está disponível para administração oral. 
• Sua predisposição para causar efeitos psicotomiméticos (ações que mimetizam os sintomas de 
psicose) é menor do que a da pentazocina. 
• A nalbufina não afeta o coração nem aumenta a pressão arterial, em contraste com pentazocina e 
butorfanol. 
• A vantagem dos três fármacos é o fato de eles apresentarem um efeito teto na depressão respiratória. 
• O tapentadol, um analgésico de ação central, é agonista μ opioide e inibidor da captação de 
norepinefrina. 
• Tem sido usado para combater dor moderada e intensa, crônica e aguda. 
• O tapentadol é biotransformado principalmente a metabólitos inativos por glicuronidação e não inibe 
nem induz o sistema isoenzima CYP450. Como o tapentadol não produz metabólitos ativos, não é 
necessário o reajuste de dosagem em insuficiências renais leves ou moderadas. 
• O tapentadol deve ser evitado em pacientes que receberam IMAO nos últimos 14 dias. 
• Está disponível em formulações de liberação imediata e estendida. 
• O tramadol é um analgésico de ação central que se liga ao receptor opioide µ. 
• O fármaco sofre extensa biotransformação via CYP2D6, resultando em um metabólito ativo com 
afinidade muito maior pelo receptor µ do que o composto original. Além disso, ele inibe fracamente 
a captação de norepinefrina e serotonina. 
• É utilizado no manejo da dor moderada ou moderadamente intensa. 
• Sua atividade depressora respiratória é menor do que a da morfina. 
• A naloxona só reverte parcialmente a analgesia provocada pelo tramadol ou seu metabólito ativo. 
• Dose excessiva ou interações com outras medicações, como ISCS, IMAO e antidepressivos tricíclicos, 
podem causar toxicidade no SNC, manifestada por excitação ou convulsões. 
• Como outros fármacos que se ligam ao receptor opioide μ, o tramadol é associado com mau uso e 
abuso. 
 
 
 
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Os antagonistas opioides se ligam com alta afinidade aos receptores opioides, mas não ativam 
a resposta mediada pelo receptor. 
A administração de antagonistas opioides não produz efeitos significativos em indivíduos normais. No 
entanto, em pacientes dependentes de opioides, os antagonistas revertem rapidamente o efeito dos 
agonistas, como a morfina e outros agonistas µ totais, e precipitam os sintomas de abstinência de 
opioides. 
• A naloxona é utilizada para reverter o coma e a depressão respiratória causados pela dose excessiva 
de opioides. Ela rapidamente desloca todas as moléculas opioides ligadas ao receptor e, assim, é 
capaz de reverter o efeito da dose excessiva de morfina. Dentro de 30 segundos após a injeção IV de 
naloxona,