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KIERKEGAARD_Soren_O_Conceito_de_Ironia_Constantemente_referido_a_Socrates

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"Quando o mundo estiver unido na busca do conhecimento, e não mais lutando
por dinheiro e poder, então nossa sociedade poderá enfim evoluir a um novo
nível."
1. O CONCEITO DE IRONIA
2. PARTEI
1. PROTÁGORAS
1. O MÍTICO NOS PRIMEIROS DIÁLOGOS
PLATÔNICOS COMO INDÍCIO DE UMA
ESPECULAÇÃO MAIS ABUNDANTE
2. XENOFONTE, PLATÃO E ARISTÓFANES
3. Esta concepção é necessária
1. 66) Poderia parecer como se a gente
pudesse caract
3. PARTE II
1. FRIEDRICH SCHLEGEL
O CONCEITO DE IRONIA Constantemente referido a Sócrates
Coleção
PENSAMENTO HUMANO
Volumes já publicados:
CONFISSÕES - Santo Agostinho
SER E TEMPO (Parte I) - Martin Heidegger
SER E TEMPO (Parte li) - Martin Heidegger
SONETOS A ORFEU E ELEGIAS DE DUÍNO - R.M. Rilke
A CIDADE DE DEUS (Parte I: Livros I a X) - Santo Agostinho
A CIDADE DE DEUS (Parte II: Livros XI a XxII) - Santo Agostinho
O LIVRO DA DIVINA CONSOLAÇÃO (e outros textos seletos) -
Mestre Eckhart
O CONCEITO DE IRONIA - S.A. Kierkegaard
OS PENSADORES ORIGINÁRIOS - Anaximandro, Parmênides e
Heráclito
A ESSÊNCIA DA LIBERDADE HUMANA - F.W. Schelling
Coordenação Emmanuel Carneiro Leão
Conselho Editorial Hermógenes Harada Sérgio Wrublewski Gilvan
Fogel Arcângelo R. Buzzi Gilberto Gonçalvez Garcia Marcia C. de Sá Cavalcante
S. A. KIERKEGAARD
O CONCEITO DE IRONIA
Constdntemente referido d Sóemtes
APRESENTAÇÃO E TRADUÇÃO Álvaro Luiz Montenegro Valls
Petrópolis
1991
1991, Editora Vozes Ltda. Rua Frei Luís, 1OO 25689 Petrópolis, RJ Brasil
Este é o vol. I das Obras Completas de Soren Aaby e Kierkegaard. A presente
tradução é feita diretamente da 3a edição. Título do original dinamarquês: Om
Begrebet Ironi med stadigt Hensyn til Socrates, af S. A. Kierkegaard,
Kjobenhavn 1841, SV(1) XIII 95.
Copidesque Orlando dos Reis
Revisão
Shirley Nabarrete Nataline
Diagramação Daniel Sant’Anna
ISBN 85.326.O483-8
Esta obra foi composta e impressa nas oficinas gráficas da Editora Vozes Ltda.
em novembro de 1991.
SUMÁRIO
Apresentação - Álvaro Luiz Montenegro Valls, 7 Teses, 18 Parte I:
O ponto de vista de Sócrates concebido como ironia, 21
Introdução, 23
Capítulo I. Esta concepção é possível, 27 Xenofonte, 28 Platão, 36
Considerações preliminares, 37
O abstrato nos primeiros diálogos platônicos se arredonda na ironia,
44
O Banquete, 44 Protágoras, 54 Fédon, 61 A Apologia, 75
O mítico nos primeiros diálogos platônicos como indício de uma especulação
mais abundante, 86 Livro I da República, 94 Retrospectiva justificativa,
101 Xenofonte e Platão, 107 Aristófanes, 108
Xenofonte, Platão, Aristófanes, 124
Capítulo II. Esta concepção é real, 127 O demônio de Sócrates, 127 A
condenação de Sócrates, 133
l. Sócrates não reconhece os deuses reconhecidos pelo Estado e introduz novas
divindades, 134 2. Sócrates seduz a juventude, 144 Capítulo III. Esta concepção é
necessária, 156 Apêndice: A concepção hegeliana de Sócrates, 169 Em que
sentido Sócrates é fundador da moral?, 172
Parte II:
Sobre o conceito de ironia, 209
Introdução, 211 Observações orientadoras, 214
A validade histórico-universal da ironia, a ironia de Sócrates, 224 A ironia após
Fichte, 235 Friedrich Schlegel, 247 Tieck, 259 Solger, 264
A ironia como momento dominado. A verdade da ironia, 275
APRESENTAÇÃO
O último número de International Kierkegaard Newsletter nos anuncia, à p. 67, a
publicação da tradução italiana de O Conceito de Ironia (Milano 1989). Em
língua francesa este texto já era acessível pelo menos desde 1975, quando as
Oeuvres Complètes, das Editions de TOrante, nos proporcionaram a tradução de
PaulHenri Tisseau e de sua filha Else-Marie Jacquet-Tisseau. Os japoneses não
precisaram esperar tanto para ler a Dissertação de 1841 em sua língua: já em
1935, entre as primeiras versões japonesas, comparece O Conceito de Ironia.
Antes disto, quem não lia dinamarquês só tinha acesso a este texto através das
duas traduções alemãs de 1929: a de Shaeder e a de Kütemey er. Adorno,
em 1929/30, utilizava a primeira, como o faz também Jean Wahl nos Etudes
Kierkegaardiennes, de 1949. Pierre Mesnard, o outro pioneiro de língua francesa,
utiliza a segunda para seu longo comentário sobre a Dissertação de 1841, em #e
vrai visage de Kierkegaard (Paris 1948). Mais recentemente, Michael Theunissen
cita também a tradução de Kütemeyer, além do original dinamarquês, em sua
dissertação de 1954, sobre o conceito de seriedade.
De lá para cá, todos os pesquisadores de Kierkegaard trataram de aprender a ler
dinamarquês, seguindo o bom exemplo do velho Unamuno. Mesmo assim, O
Conceito de Ironia não foi imediatamente valorizado como merecia. Até hoje,
ainda é comum ver-se a obra de Kierkegaard mencionada sem a Dissertação,
sem a polêmica final de O Instante e sem os Papirer. Mas agora, graças ao
trabalho meritório de Gregor Malantschuk, ucraniano que adotou como sua a
pátria de Kierkegaard, trabalho prosseguido na França por Henri-
Bemard Vergote e apropriado no Brasil por Ernani Reichmann, Kierkegaard
começa a ser lido inteiro.
A presente tradução se baseia na 3a edição dinamarquesa (Samlede Vaerker,
Bind I, Gy ldendal, Copenhague 1962). O original é de 1841, tendo aparecido uma
2a edição em 19O6, voltando a figurar, no mesmo ano, no volume XIII da
primeira edição das Samlede Vaerker e no da segunda edição, em 1930. A
tradução foi discutida, frase por frase, com a Profa. Ruth Cabral, a
grande animadora deste trabalho. O texto final da tradução foi
editado eletronicamente, com o programa Word4, pelos professores Luís Carlos
Petry e Mário Fleig.
A história da recepção de um autor num outro país depende, para os mortais
comuns, das opções e preferências dos tradutores. Os primeiros alemães a
traduzirem Kierkegaard eram pastores em luta com sua igreja, daí vermos
predominando por muito tempo um Kierkegaard “escritor religioso”(aliás, o
“único à altura do destino de seu tempo”, como diz Heidegger em Ser e Tempo).
Já os franceses se apaixonaram antes pelo sedutor, pelo literato, pelos chamados
romances, de modo que o Kierkegaard de Paris é, durante décadas, muito
diferente do alemão. (Daí o mérito da tradução completa de Paul-Henri
Tisseau.) Os japoneses, mais prudentes, já na década de 30, ao mesmo tempo
em que descobriram Heidegger, trataram de traduzir uma seleção com nove
diferentes títulos bastante representativos da produção kierkegaardiana. Em
idioma português, a situação ainda é precária e indefinida. Em 1911 aparece em
Portugal o Diário do Sedutor. Depois vão surgindo textos esparsos, em Portugal e
no Brasil, como O Desespero Humano (por Adolfo Casais Monteiro, em 1936), O
Conceito de Angústia (duas traduções), O Matrimônio, O Banquete, Temor e
Tremor e mais um ou outro, traduções esporádicas, com títulos às
vezes imprecisos, geralmente pertencentes à obra pseudônima, e em
geral traduzidas do francês. Recentemente, as Edições 70, de Lisboa, lançaram o
Ponto de Vista Explicativo da Minha Obra de Escritor (acompanhado por Dois
Pequenos Tratados Ético-Religiosos). Embora confessadamente traduzidos do
francês (dos Tisseau), não