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Didática da Alfabetização e do Letramento - Resumo dos Temas 1 ao 10

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Anhanguera Licenciatura Pedagogia – 3º Semestre 
Matéria: Didática da Alfabetização e do Letramento 
Resumo dos Temas 1 ao 10 (dicas de estudo para prova) 
 
 
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Tema 1 
História da Língua Escrita 
Escrita Pictográfica: utiliza figuras para representar cada objeto (Exemplo: 
desenhos em cavernas, inscrições rupestres) Pode remeter a vários significados, já 
que existem muitas formas diferentes de se “ler” um desenho. 
 Escrita Ideográfica: o homem passou a utilizar uma imagem (ou figura) que 
representasse uma ideia (como desenhos estilizados e padronizados), e não mais 
rabiscos e figuras associados à imagem que se queria registrar. 
Na escrita ideográfica, a intenção não era apenas representar uma ideia, mas 
também os sons com que tais objetos ou ideias eram nomeados em cada idioma, 
facilitando a leitura e o registro dos fatos. Essa estratégia de escrita é conhecida como 
rébus. 
Nesse contexto, com o signo passando a ter um valor fonético, foi possível 
exprimir todas as formas linguísticas, até mesmo as mais abstratas, em símbolos 
escritos. 
Escrita Silábica: utiliza os símbolos para representar os sons da fala como, por 
exemplo, as sílabas. 
Como há, em média, 30 tipos de sílabas diferentes por língua, o sistema de 
símbolos necessário para representar as palavras através das sílabas ficou muito 
reduzido e fácil de ser memorizado. 
Escrita Alfabética: O alfabeto foi uma criação única que mudou a história da 
humanidade. A invenção do sistema de escrita alfabético se deu graças a noção de que 
a escrita poderia ser mais bem organizada se cada som individual fosse representado 
por um sinal específico, o que reduziria, consideravelmente, a quantidade de sinais 
utilizados para representar a escrita. 
A invenção do papel contribuiu decisivamente para o desenvolvimento da 
escrita. 
 A Escrita no Contexto Escolar 
Vemos, com frequência, nos anos iniciais e em classes alfabetizadoras, um 
exercício mecânico do ato de escrever e ler, deixando de lado a linguagem escrita 
propriamente dita, ou seja, o “sistema particular de símbolos e signos cuja dominação 
 
 
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2 Anhanguera - Pedagogia - 3º Semestre - Didática da Alfabetização e do Letramento 
prenuncia um ponto crítico em todo o desenvolvimento cultural da criança”, 
segundo Vygotsky. 
Num primeiro momento, a linguagem falada regula, organiza a linguagem 
escrita que, posteriormente, prescinde da linguagem falada para converter-se, ela 
mesma, num sistema de signos que passa a representar essa linguagem falada. 
Como a aquisição de um sistema tão complexo de signos pode ocorrer de 
maneira mecânica, imposta e tão precoce como observamos nas escolas? 
O que não pode ocorrer é que essa prática seja exclusivamente mecânica e 
artificial. 
Para Vygotsky, a aquisição da escrita resulta de um longo processo de 
desenvolvimento das funções superiores do comportamento infantil, etapa a qual o 
autor dá o nome de Pré-história da linguagem escrita. 
A história da língua escrita tem início com o surgimento do gesto como um 
signo visual para a criança, seguido do desenvolvimento do simbolismo no 
brinquedo, no desenho e, por fim, na escrita. 
 Gestos e Signos Visuais 
Durante essa etapa pictórica da criança, há um momento em que ela começa a 
desenhar objetos mais complexos, representando as qualidades reais destes como, 
por exemplo, o registro do redondo. 
Segundo Vygotsky “essa fase do desenvolvimento coincide com todo o aparato 
motor geral que caracteriza as crianças dessa idade e que governa toda a natureza e o 
estilo dos seus primeiros desenhos”. 
 O Desenvolvimento do Simbolismo no Brinquedo 
É a segunda etapa que une os gestos e a linguagem escrita. Nessa etapa, a 
criança confere significado aos gestos, aos objetos e à brincadeira. 
Durante essa etapa, quanto menor for a criança, mais gestos ela utilizará para 
se comunicar; e quanto maior ela for, mais a fala vai predominando, enquanto os 
gestos diminuem. 
 O Desenvolvimento do Simbolismo no Desenho 
Nesse momento, a criança costuma desenhar o que vê e o que ela sabe que 
existe, como, por exemplo: barriga, blusa, a carteira no bolso etc. 
A criança também desenha o que fala, e este nível de produção exige abstração 
e memória, sendo uma etapa anterior ao desenvolvimento da escrita. 
 
 
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3 Anhanguera - Pedagogia - 3º Semestre - Didática da Alfabetização e do Letramento 
No decorrer desse processo, há um momento relevante durante a passagem dos 
rabiscos para os desenhos que já expressam, representam ou significam algo. 
 O Simbolismo na Escrita 
Por considerar a escrita uma atividade simbólica, Vygotsky aponta que 
atividades igualmente simbólicas tais como o gesto, o jogo e o desenho (mediados 
pela fala) vão compondo a gênese da escrita na criança. 
Essas atividades simbólicas, portanto, revelam fases da Pré-história da escrita 
e contribuem para o surgimento da própria escrita. 
Com base em experimentos realizados com crianças, Vygotsky aponta que a 
simbolização da escrita vai evoluindo gradativamente. 
Partindo de simples traços indiferenciados (sinais indicativos, traços 
imitativos, rabiscos simbolizadores e marcas topográficas), a representação gráfica 
da criança avança para pequenas figuras e pequenos desenhos (tentativas de marcar 
o ritmo das frases, e transcrições de quantidades, tamanhos, formas, cores), como 
numa pictografia primitiva. 
Seguindo-se à representação pictográfica, as crianças iniciam a escrita 
simbólica, criando maneiras de expressar informações difíceis de serem desenhadas, 
substituindo, ao final do processo, os desenhos por signos, conforme referem 
Fontana e Cruz (1999, p. 204): 
Para superar os limites que encontravam no desenho, as crianças passavam do 
registro do conteúdo da fala para o registro de uma ideia. Nesse processo, o desenho 
deixa de ser o desenho de alguma coisa para ser o desenho de palavras. Esse 
procedimento aparentemente simples envolve um grau considerável de 
desenvolvimento intelectual e abstração. A criança percebe que a fala também pode 
ser desenhada. Ao longo das tentativas de utilização da escrita, as crianças, que 
inicialmente não compreendiam o significado da escrita e tentavam utilizá-la por 
imitação de uma atividade do adulto, foram elaborando e aprimorando técnicas 
primitivas de registro, diferenciando-as gradualmente, até chegar ao significado 
funcional do símbolo. 
No processo de alfabetização da criança, segundo Vygotsky e Luria 
(VYGOTSKY, 1999), há uma relação entre a escrita primitiva (pictográfica) infantil e 
a escrita convencional, pois, em seus experimentos, foi possível constatar que as 
crianças iam fazendo diferenciação gradual entre os símbolos usados pra escrever, 
como afirmam Fontana e Cruz (1999, p. 205): 
No processo de alfabetização, a criança, interagindo com os usos e formatos da língua 
escrita, pela mediação do adulto, de quem recebe informações sobre o sistema 
 
 
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4 Anhanguera - Pedagogia - 3º Semestre - Didática da Alfabetização e do Letramento 
convencional de escrita, tenta utilizar as letras para ler e produzir textos. Ela imita o 
adulto nos atos de ler e escrever e segue suas instruções. Ela confronta suas técnicas 
primitivas de escrita com as regras da escrita convencional. Assim ela vai se 
apropriando dos mecanismos da escrita simbólica culturalmente elaborada. O 
domínio do sistema de escrita convencional vai substituindo, então, suas técnicas 
primitivas de escrita. 
O que se espera com esse processo de aquisição da escrita, esclarecido por 
Vygotsky, o qual procuramos representar aqui, é oferecer situações

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