A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
9 pág.
Bases éticas da relação médico-paciente

Pré-visualização | Página 1 de 4

Cap.01: AS BASES ÉTICAS DA RELAÇÃO MÉDICO-PACIENTE
 Desde a origem da medicina,a relação médico-paciente ocupou lugar de destaque na análise dessa disciplina.Atualmente,com a medicina científica,essa relação foi observada sob diversos ângulos que deixam clara a importância de sua existência.
 A atenção médica,sintetizada em um princípio do Cristianismo ( ''Ama o próximo como a ti mesmo''),é base para o estabelecimento dessa relação.Muitas vezes essa atenção com o semelhante ultrapassa a simetria da igualdade,colocando tanto o médico quanto o profissional em um nível acima de si mesmo,isso pode ser observado quando um profissional envolve-se muito com um caso,e passa a acreditar que será capaz de curar uma doença, até então incurável.
 Em uma de suas líricas Camões expressa uma propriedade da atenção solidária,mostrando a importância do interesse pelo próximo nas intereções humanas.A presença do semelhante em um momento de abandono e descrença gerados pela doença,promove a diminuíção do isolamento,quando o paciente sente-se refém da condição mórbida.Esse fato justifica a afirmação de que o homem é um ser social,que precisa interagir com o próximo,e no caso da relação médico-paciente,é uma interação amparada por conhecimentos e habilidades médicas,que visa a promoção da saúde e sempre em nome do bem.
 O sustentáculo da relação médico-paciente está no juramento de Hipócrates,que recomenda ao médico fazer o bem e evitar o dano ao paciente,refletindo no artigo 2 do Código de Ética Médica,ao dispor que o médico deve atuar em benefício do paciente com máximo de zelo e capacidade profissional.
 A relação profissional médico-paciente,do ponto de vista biológico,está abaixo da relação macho e fêmea,que tem o propósito de manutenção da espécie,mas trata-se de uma relação de resultados.Caracterizada pela busca do benefício(cura)pelo paciente,a relação médico-paciente é quiparada com a relação homem/divindade.Por outro lado,essa relação deve buscar preservar o indivíduo,sem a contaminação do instindo erótico.Nesse sentido o médico deve aproximar-se do paciente de modo imparcial,mas com humanidade e cuidado,porque é isso que deciciu fazer ao escolher a profissão,e não olhar para o paciente como se estivesse fazendo um favor ou dando esmola.
 A atenção médica está apoioada em alguns pontos críticos:
I)Sigilo: está vinculado ao pincípio da autonomia e da justiça,na medida em que a informação obtida sobre o paciente é destinada ao uso exclusivo em favor do paciente e em circunstâncias excepcionais,em defesa de ''um bem maior''.A violação do sigilo não configura apenas delito de deslealdade,mas uma expropriação,ao trazer desvantagens para o violado.O Sigilo presume respeito incondicional à confidência,sendo o médico proprietário fiel e digno da confiança.
II) Respeito ao pudor : Por tratar-se de uma relação de fraternidadee ajuda técnica,o profissional deve impedir tanto uma simples manifestação de pulsões da espécie quanto o toque no corpo alheio,com intenções extra-semióticas ou terapêuticas.No entanto o assédio ao médico é compreensível,devido à imagem sedutora do médico como detentor do conhecimento.O respeito ao pudor denota o mais rigoroso trato e continência nas observações feitas a respeito do paciente e suas funções.
III) O empenho de meios : Trata-se de um empenho bilateral,que une médico e paciente em uma relação de parceria,no esforço comum de alcançar a cura.Esse compromisso de resultados pode gerar insatisfações no paciente,ao colocar toda sua fé no médico,visto por este,como curador de todos os males.Por isso é necessário evitar a propaganda enganosa e má-fé,evitando a idéia da infabilidade pofissional,capaz de frustar profissional e paciente.
IV)A expectativa cerimonial : é um direito fundamentado no princípio da justiça que tem o paciente de identificar no médico imagem de um ente supremo e todo-poderoso.Isso faz parte do acervo humano,expectativa que abrange o ritual,o ambiente e a elegância nas maneiras e atitudes.
V) O consentimento esclarecido : Aspecto essencial na relação médico-paciente,basedo na explicação do médico sobre o procedimento diagnóstico,terapêutico,seus riscos e benefícios,feita em uma linguagem clara,amena e acessível ao paciente,colocando o paciente à parte de sua situação.Esse preceito fortalece o vínculo de parceria entre os envolvidos e exige aproximação do profissional ao paciente,revelando seu interesse e sua humanidade e desmitificando a imagem do médico como uma máquina,fria e sem emoções.
VI) A busca da verdade : Da parte do paciente,é vista como a necessidade de oferecer a verdade em busca de um diagnóstico correto,da parte do médico torna-se a busca obsessiva da verdade diagnóstica como detentor de uma terapêutica correta e eficaz sob o crivo da racionalidade.
VII) A beneficiência : Presume toda a conjunção da qualidade de meios e empenhos na busca do bem pretendido e não se limita à qualidade dos resultados.Começa no empenho do médico em usar o melhor progresso científico que ofereça mais atenção e zelo ao paciente.
VIII) A não-maleficência : Configura uma relação sem agravos e danos entre as partes,em que o médico mostra-se sábio sobre o que não deve fazer,guiado pela prudência e perícia,observando os deveres essenciais(informação,vigilância,atualização e abstenção de abuso),reduzindo a possibilidade de insucesso.
IX) A autonomia do paciente : transparece o direito de ser ouvido e decidir sobre suas conveniências,atuando como proprietário exclusivo de seu corpo,das suas parte ou funções.Não se trata da vontade absoluta ou do capricho do paciente em submeter o poder da medicina à sua conveniência leiga e emocional,mas da sua vontade a partir da explicação médica sobre os procedimentos.Por sua vez,o profissional deve busca o melhor resultado com menos desconforto,ao menor preço e o mais rápido possível.A autonomia do paciente tem como limite externo a autonomia do médico e,como limite interno,o núcleo basilar da sua própria dignidade.
X) A atenção ao paciente : Refere-se a oitiva,o interesse,a demonstração de entusiasmo com o relato e com a situação do paciente.Significa a consideração de quem pode mais,no sentido de ouvir e quem pode menos e muito precisa,além de anular uma relação de submissão e constrangimento.Esse encontro não deve ser ditado pelo interesse ou conveniência das partes,mas como a necessidade de um e a vocação humanitária do outro,numa relação de compromisso com o bem.
XI) O exame físico : Demonstra a importância do contato físico e a observação direta entre médico e paciente,sendo que aquele deve ser capaz de observar e descobrir até mesmo oque não foi dito pelo paciente,através da análise de expressões faciais e corporais,com o fim de descobrir o problema.Esse contato também transparece relação de confidência e acolhimento mútuo,na curta distância,com certo grau de intimidade clínica,mas sem despertar emoções.
XII) A solidariedade : Elo que une ''por dentro'' os seres humanos,marcados por um vínculo oculto que aproxima os homens na unidade da espécie.Desmente a sensação de autonomia abslouta de cada ser,assim como é necessário pelo ou menos dois indivíduos para a reprodução da espécie,médico e paciente são dependentes mútuos um do outro.
XIII) A sujeição tecnológica : A tecnologia não pode substituir o contato médico-paciente,logo os recursos técnicos são na verdade simples instrumentos da vontade humana e da intenção do bem.São acessórios da inteligência e do saber aplicados à prática do bem,destinados a instrumentar e potencilalizar a inteligência a serviço da saúde,mas nunca afastar o meédico de sue paciente.Assim como ''O autor deve ser maior do que sua obra'',o profissional deve estar acima e além da máquina,senhor absoluto dos instrumentos e aparelhos.
XIV) A justiça na RPM : A relação médico-paciente presume uma prestação de serviços proporcional à competência do prestador e,sobretudo, à necessidade do consumidor.O médico é um permanente promotor da justiça,responsável por umm acervo incalculável de merecimentos,seja