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DIDÁTICA - LIBÂNEO, José Carlos

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com suas próprias palavras.
O Explicar a afirmação: “Não há fato da vida social que possa ser ex-
plicado por si mesmo”.
O Qual é a finalidade social do ensino? Qual o papel do professor?
Quais as relações entre Pedagogia e Didática?
O Por que se afirma que a Didática é o eixo da formação profissional?
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Explicar os vínculos entre a Didática e outras ciências.
Explicar por que existe unidade entre Didática e metodologias espe-
cíficas das matérias de ensino.
Temaspara aprofundamento do estudo
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a
Consultar dois ou três livros indicados pelo professor para obter um
conceito de ideologia.
Após estudo individual, organizar uma discussão em grupo sobre for-
mas assistemáticas e sistemáticas de educação. Discutir as conclusões
com a classe.
Pesquisar livros de Português ou Estudos Sociais e fazer um levanta-
mento de afirmações que expressem pontos de vista que não condizem
com a realidade de vida das crianças. Associar esta tarefa com a 12.
Ler como tarefa de casa o livro Mistificação pedagógica, de Bernard
Charlot (conforme bibliografia), pp. 11-21, e elaborar cinco perguntas
a serem feitas a professores de escolas da cidade. Analisar as respostas
e tirar conclusões.
Temaspara redação
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O Socialização do pedagógico e pedagogização da sociedade.
Relações sociais e educação escolar.
Educação e desigualdade social.
Educação comoato político.
O processo de ensino e a “realidade” do aluno.
À responsabilidade social e profissional do professor.
Bibliografia complementar
CHARLOT, Bernard. A Mistificação Pedagógica. Rio de Janeiro, Zahar, 1979
(cap. 1).
CYRINO,Hélio et alii. Ideologia Hoje. Campinas, Papirus, 1986.
GHIRALDELLI JR., Paulo. O Que é Pedagogia. São Paulo, Brasiliense, 1988.
30
IANNI, Octavio. Dialética e Capitalismo. Petrópolis, Vozes, 1988.
LUCKESI, Cipriano C. Filosofia da Educação. São Paulo, Cortez, 1990.
MEKSENAS,Paulo. Sociologia da Educação. São Paulo, Loyola, 1988.
MELLO, Guiomar N. de. “Educação Escolar e Classes Populares”. Revista da
Ande, (6): 5-9, São Paulo, 1983.
- “Magistério”. Revista da Ande, São Paulo, (7): 41-45, São Paulo, 1984.
PICANÇO, Iracy. “O Professor Frente à Realidade da Escola Pública”. Revista
da Ande, (5): 31-35, São Paulo, 1982.
RODRIGUES, Neidson. “Função da Escola de 1º Grau numa Sociedade Demo-
crática”. Revista da Ande, (8): 17-22, São Paulo, 1984.
SAVIANI, Dermeval. “Sentido da Pedagogia e o Papel do Pedagogo”. Revista da
Ande, (9): 27-28, São Paulo, 1985.
- “Sobre a Natureza e Especificidade da Educação”. Revista Em Aberto
(INEP), (22): 1-6, jul./ago. Brasília, 1984.
SEVERINO,Antonio J. Educação, Ideologia e Contra-Ideologia. São Paulo, EPU,
1986.
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DrPit
Democratização
ODSO 
A preparação das crianças e jovens para a participação ativa na vida
social é o objetivo mais imediato da escola pública. Esse objetivo é atingido
pela instrução e ensino, tarefas que caracterizam o trabalho do professor.
À instrução proporciona o domínio dos conhecimentos sistematizados e
promove o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos. O
ensino corresponde às ações indispensáveis para a realização da instrução;
é a atividade conjunta do professore dos alunosna qual transcorre o processo
de transmissão e assimilação ativa de conhecimentos, habilidades e hábitos,
tendo em vista a instrução e a educação. A Didática e as metodologias
específicas das disciplinas, apoiando-se em conhecimentos pedagógicos e
científico-técnicos, são disciplinas que orientam a ação docente partindo
das situações concretas em que se realiza o ensino.
Ãorealizar sua tarefas básicas, a escola e os professores estão cum-
prindo responsabilidades sociais e políticas. Com efeito, ao possibilitar aos
alunos o domínio dos conhecimentos culturais e científicos, a educação
escolar socializa o sabersistematizado e desenvolve capacidades cognitivas
e operativas para a atuação no trabalho e nas lutas sociais pela conquista
dos direitos de cidadania. Dessa forma, efetiva a sua contribuição para a
democratização social e política da sociedade.
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Entretanto, a escola pública brasileira tem sido capaz de atender o
direito social de todasas crianças e jovens receberem escolarização básica?
Os governos têm cumprido a sua obrigação social de assegurar as condições
necessárias para prover um ensino de qualidade ao povo? O próprio fun-
cionamento da escola, os programas, as práticas de ensino, o preparo pro-
fissional do professor, não teriam também umaparcela da responsabilidade
pelo fracasso escolar? Sabemos que milhares de alunos são excluídos da
escola já na passagem da 1º para a 2º série e apenas cerca de 20% dos
que iniciam a 1º série chegam à 4º. As escolas funcionam em condições
precárias, a formação profissional dos professores é deficiente, os salários
são aviltantes, o ensino é de baixa qualidade. É necessária uma reflexão
de conjunto para uma compreensão mais correta dos problemas da escola
pública. Há um conjunto de causas externas e internas à escola que, bem
compreendidas, permitirão avaliar mais claramente as possibilidades do
trabalho docente na efetiva escolarização das crianças e jovens.
Neste capítulo serão tratados os seguintes temas:
a escolarização e as lutas pela democratização da sociedade;
o fracasso escolar precisa ser derrotado;
as tarefas da escola pública democrática;
o compromisso ético e social dos professores.D
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Aescolarização e as lutas democráticas
Proporcionar a todas as crianças e jovens o acesso e a permanência
na escola básica, de 8 anos, no mínimo, provendo-lhes uma sólida e du-
radoura formação cultural e científica, é dever da sociedade e, particular-
mente, do poder público. A escolarização é um dos requisitos fundamentais
para o processo de democratização da sociedade, entendendo por demo-
cratização a conquista, pelo conjunto da população, das condições materiais,
sociais, políticas e culturais que lhe possibilitem participar na condução
das decisões políticas e governamentais. A escolarização necessária é aquela
capaz de proporcionar a todos os alunos, em igualdade de condições, o
domínio dos conhecimentos sistematizados e o desenvolvimento de suas
capacidades intelectuais requeridos para a continuidade dos estudos, série
a série, e par”. as tarefas sociais e profissionais, entre as quais se destacam
as lutas pela democratização da sociedade.
Âose apropriarem dos conhecimentos sistematizados correspondentes
às disciplinas do currículo do ensino de 1º grau e ao irem formando ha-
bilidades cognoscitivas e práticas (como o raciocínio lógico, a análise e
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interpretação dos fenômenos sociais e científicos, do pensamento indepen-
dente e criativo, a observação, a expressão oral e escrita etc.), os alunos
vão ampliando a sua compreensão da natureza e da sociedade, adquirindo
modos de ação e formando atitudes e convicções que os levam a posicio-
nar-se frente aos problemas e desafios da vida prática. Em um de seus
livros, Guiomar Namo de Mello (1987, p. 22) escreve:
À escolarização básica constitui instrumentoindispensável à construção
da sociedade democrática, porque tem como função a socialização
daquela parcela do saber sistematizado que constitui o indispensável
à formação e ao exercício da cidadania. Ao entender dessa forma a
função social da escola, pressupõe-se que não é nem redentora dos
injustiçados e nem reprodutora das desigualdades sociais e, sim, uma
das mediações pelas quais mudanças sociais em direção da democracia
podem ocorrer. (...) Uma tal concepção sobre o papel da educação
(...) estabelece como objetivo maior da política educacional a efetiva
universalização de uma escola básica unitária, de caráter nacional. Só
essa escola será democrática no sentido mais generoso da expressão,
porque garantirá a todos, independentemente da região em que vivam,
da classe a que pertençam, do credopolítico ou religioso que professem,
uma base comum de conhecimentos e habilidades.
À escolarização tem, portanto, uma finalidade muito prática. Ao ad-
quirirem um entendimento