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RESUMO - GOVERNOS COSTA E SILVA (1964-69) E EMÍLIO MÉDICI (1969-74)

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CURSO: HISTÓRIA, GESTÃO PÚBLICA E DIREITO 
DISCIPLINA: HISTÓRIA DO BRASIL CONTEMPORÂNEO 
RESUMO 06 – DITADURA MILITAR II. COSTA E SILVA (1967-69) E EMÍLIO G. MÉDICI (1969-74) 
 
Alexandre Alves 
GOVERNO ARTUR DA COSTA E SILVA 
 O primeiro presidente militar, Humberto de Alencar Castelo Branco, morreu no dia 18 de julho 
de 1967. O avião em que o presidente estava se chocou com outro pouco antes de pousar em 
Fortaleza. Dessa forma, era preciso escolher um novo nome para ocupar o cargo de presidente. Nesse 
momento, ainda se falava em transição dos poderes para os civis assim que a “casa estivesse 
arrumada”. O próximo presidente que assumisse estaria com essa missão. Lembrando que a escolha 
cabia ao Alto Comando das Forças Armadas. Esse militar, sempre general de quatro estrelas, era 
escolhido e a ordem vinha de cima para que o Congresso aprovasse. Aparentemente era o legislativo 
que escolhia o presidente, mas na prática, o poder legiferante apenas sacramentava a ordem superior. 
 O grupo castelista ou moderado não foi capaz de eleger seu sucessor e foi escolhido presidente 
o General Artur da Costa e Silva. Costa e Silva havia sido Chefe do IV Exército com sede no Recife, 
era militar treinado nos Estados Unidos e fora Ministro de Guerra de Castelo Branco. Diferentemente 
de seu antecessor, o novo presidente não era uma figura representativa da Sorbonne. Pelo contrário, 
Costa e Silva estava bem distante da figura intelectualizada que representava esses militares. Para 
Vice-Presidente da República, mais uma vez foi escolhido um civil, Pedro Aleixo, político udenista. 
 
IMAGEM 01 – Primeira Dama Iolanda da Costa e Silva e o Presidente do Brasil, General Artur da Costa e Silva durante 
visita oficial ao Japão. Fonte: CPDOC FGV. Disponível em: http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/arquivo-
pessoal/CS/audiovisual/visita-oficial-do-presidente-costa-e-silva-ao-japao Acesso em 16 de fevereiro de 2021. 
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/arquivo-pessoal/CS/audiovisual/visita-oficial-do-presidente-costa-e-silva-ao-japao
http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/arquivo-pessoal/CS/audiovisual/visita-oficial-do-presidente-costa-e-silva-ao-japao
CURSO: HISTÓRIA, GESTÃO PÚBLICA E DIREITO 
DISCIPLINA: HISTÓRIA DO BRASIL CONTEMPORÂNEO 
RESUMO 06 – DITADURA MILITAR II. COSTA E SILVA (1967-69) E EMÍLIO G. MÉDICI (1969-74) 
 
Alexandre Alves 
Costa e Silva condessava em si as esperanças de nacionalistas e da chamada Linha Dura. 
Grupo que estava menos disposto ao diálogo com as oposições e tendia a posições contrárias a 
reabertura política, pelo contrário, eram mais próximos de um endurecimento ainda maior e 
permanência dos militares do poder. Contudo, normalmente associado a linha-dura, por conta de suas 
medidas que veremos mais adiante ainda nesse resumo, Costa e Silva é uma figura singular que atuou 
jogando com as pressões existentes durante seu governo. O presidente não pode ser classificado 
perfeitamente como Linha Dura, mas também não pode ser enquadrado como castelista, pois estava 
longe das figuras intelectualizadas da Sorbonne. Por exemplo, Costa e Silva ouviu políticos 
discordantes durante seu governo, mas também atuou de forma incisiva nos sindicatos, apoiando a 
liderança de sindicalistas de confiança do governo. 
Tanto nacionalistas, como a Linha Dura estavam insatisfeitas com o Governo de Castelo Branco. 
Além disso, a popularidade de Castelo entre a população era baixa, por conta da política econômica 
que deixou boa parte do ônus de sua implantação com os trabalhadores. Dessa forma, quando 
assume, Costa e Silva muda completamente o ministério castelista e aumenta a participação de 
militares no governo. A exceção fica por conta de Antônio Delfim Netto no Ministério da Fazenda e 
Hélio Beltrão no Ministério do Planejamento. Delfim Neto será muito comentado, pois o ministro estará 
presenta não só no Governo Costa e Silva como também no Governo Emílio Garrastazu Médici. 
Antes de tratar do Governo Costa e Silva propriamente dito, é interessante analisar brevemente 
o cenário internacional. Nesse sentido, o ano de 1968 é marcante. Isso porque, ocorreram na Europa 
e nos Estados Unidos importantes movimentos sociais que vão influenciar a juventude brasileira que 
será bastante atuante na oposição ao regime durante todo o período ditatorial. Nesse ano, jovens em 
diversos locais do mundo vão manifestar por diferentes demandas. Esse período também marcado por 
toda uma revolução no controle de natalidade, com o advento da pílula anticoncepcional. Essa 
descoberta permitiu as mulheres um maior controle de seus corpos e maior poder de decisão sobre 
engravidar ou não e mesmo escolhendo ser mãe, o melhor momento para isso. É também o momento 
do questionamento do negro e de seu lugar na sociedade, dos jovens que não querem ter uma vida 
como a dos seus pais e questionam as convenções sociais. 
Na França esses eventos ficaram conhecidos como os Acontecimentos de Maio de 1968. Uma 
manifestação pequena se iniciou na Universidade de Nanterre e se espalhou para outras universidades, 
chegando a famosa Sorbonne. Os estudantes tinham diversas reivindicações que abrangiam desde 
melhorias pontuais até a própria posição dos diplomados na divisão capitalista do trabalho. O 
movimento dos estudantes não se limitou as universidades e em pouco tempo alcançou a rua e os 
espaços públicos. Alcançou ainda os intelectuais e os operários insatisfeitos com sua situação no 
cenário francês daquele período. Esse grupo começou a realizar greves que rapidamente se alastraram 
chegando a parar uma grande parcela de trabalhadores franceses. O movimento tomou tamanha 
dimensão que o Governo Conservador de Charles de Gaulle chegou a ser ameaçado. 
Nos Estados Unidos esse momento também é marcado por forte contestação de jovens. Nesse 
momento, o movimento de Contracultura ganha força. Surgido em 1966, o Movimento Hippie como 
ficou conhecido atraia jovens entre 17 e 25 anos principalmente, e que contestavam os valores que 
eram tidos como absolutos por seus pais. Dessa forma, questionavam a forma de se vestir, de se 
portar, se agir e como pensar o futuro pessoal e profissional. Esse grupo vai de encontro com todas 
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DISCIPLINA: HISTÓRIA DO BRASIL CONTEMPORÂNEO 
RESUMO 06 – DITADURA MILITAR II. COSTA E SILVA (1967-69) E EMÍLIO G. MÉDICI (1969-74) 
 
Alexandre Alves 
essas premissas, uma vez que propunha toda uma nova forma de viver, contrária a ideia de emprego 
fixo, morada fixa e regras rígidas. Eram contra a ideia de fronteira entre países e propriedade privada. 
Defendiam o amor a natureza e seguiam líderes espirituais. 
Ainda nos Estados Unidos, a juventude vai se rebelar fortemente contra a Guerra do Vietnã em 
curso desde 1959. A Guerra do Vietnã é o nome dado ao conflito bélico entre o Vietnã do Sul 
(capitalista) e o Vietnã do Norte (socialista). Lembrando que esse é um período de Guerra Fria. Os EUA 
entram na guerra sobre a alegação que a embarcação USS Maddox teria sido alvo de ataques de 
vietnamitas do norte. Dessa forma, os americanos, que já haviam participado com disponibilização de 
armamentos para os vietnamitas do sul, entram de fato no conflito. Contudo, os vietcongues (como 
foram chamados a população do norte) utilizaram uma tática de guerrilha com base no conhecimento 
da mata local que fez o conflito se tornar extremamente desgastante para os estadunidenses. Os 
americanos recorrem ao uso de armas químicas, atacam civis inocentes e realiza um conflito bastante 
violento. Esses eventos, noticiados pela mídia, levam a uma série de campanhas para a saída da 
Guerra. Isso ocorre em 1973. A Guerra, no entanto, só acaba em 1976 quando o Norte unifica o país 
sob o regime socialista. 
Além disso, nesse mesmo momento ocorre a Morte de Martin Luther King nos EUA, o que 
provoca intensas manifestações em solo estadunidense. Na extinta Checoslováquia, ocorre a chamada 
Primavera de Praga.