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Resumo do livro - Biodisponibilidade dos Nutrientes

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 Definição: a proporção do nutriente que realmente é 
utilizada pelo organismo. 
 
A biodisponibilidade de um nutriente ingerido pode ser 
definida como sua acessibilidade aos processos 
metabólicos e fisiológicos normais. A biodisponibilidade 
influencia o efeito benéfico de um nutriente em níveis 
fisiológicos de ingestão, mas também pode afetar a 
natureza e a gravidade da toxicidade quando a ingestão 
for excessiva. 
 
 
A DRI de cada nutriente refere-se à sua ingestão por 
indivíduos aparentemente saudáveis, ao longo do tempo. 
Podem ser utilizadas para planejar e avaliar dietas, definir 
rotulagem e planejar programas de orientação 
nutricional, entre outras ações. 
Deve-se considerar: 
 A ingestão alimentar com seu erro associado. 
 As interações possíveis nas dietas considerando os 
hábitos alimentares das diferentes regiões. 
 O grau de morbidade da população. 
 As diferentes etnias. 
 Os perfis antropométricos. 
 
 Necessidade média estimada 
(Estimated Average Requirement – EAR) 
É um valor de ingestão diária de um nutriente que se 
estima suprir a necessidade de metade (50%) dos 
indivíduos saudáveis de um grupo de mesmo gênero e 
estágio de vida. 
 
 Ingestão dietética recomendada 
(Recommended Dietary Allowance – RDA) 
É o nível de ingestão alimentar diária suficiente para 
atender às necessidades nutricionais da maioria (97 a 
98%) dos indivíduos saudáveis de um determinado grupo 
de mesmo sexo e estágio de vida. Para a determinação 
da RDA utiliza-se a EAR. 
 Ingestão adequada (Adequate Intake – AI) 
É utilizada quando não há dados suficientes para a 
determinação da EAR e, consequentemente, da RDA. 
Pode-se dizer que é um valor estimado, prévio à RDA. 
Baseia-se em níveis de ingestão ajustados 
experimentalmente ou em aproximações da ingestão 
observada de nutrientes de um grupo de indivíduos 
aparentemente saudáveis. 
 
 Limite superior tolerável de ingestão 
(Tolerable Upper Intake Level – UL) 
É o valor mais alto de ingestão diária continuada de um 
nutriente, que aparentemente não oferece risco de 
efeito adverso à saúde para a maioria dos indivíduos em 
um determinado estágio de vida ou gênero. O UL não é 
um nível de ingestão recomendado. 
 
 
 
 
 
 
Biodisponibilidade de Nutrientes 
DRI’s 
A ingestão excessiva de um nutriente pode 
interferir na absorção, excreção, transporte, 
armazenamento, função ou metabolismo de um 
segundo nutriente. Pode influenciar também o 
estado nutricional do indivíduo e a forma de 
ingestão do nutriente. 
 
EAR – Examina a possibilidade de inadequação. 
RDA – Ingestão habitual acima desse nível tem 
baixa probabilidade de inadequação. 
AI – Ingestão habitual igual ou acima desse valor 
tem baixa probabilidade de inadequação. 
UL – Ingestão habitual acima desse nível coloca o 
indivíduo em risco de efeito adverso à saúde. 
 
 
 
 
Interação nutriente e gene que pode ocorrer de duas 
formas: nutrientes podem influenciar o funcionamento do 
genoma e, da mesma forma, variações no genoma podem 
influenciar a resposta individual à alimentação. 
Essa disciplina científica recente baseia-se em um 
conjunto de princípios: 
 Dietas inadequadas, em determinados indivíduos e em 
determinadas situações, representam fatores de 
risco para doenças crônicas não transmissíveis. 
 Nutrientes e compostos bioativos normalmente 
presentes nos alimentos alteram a expressão gênica 
e/ou a estrutura do genoma. 
 A influência da dieta na saúde depende da estrutura 
genética do indivíduo. 
 Determinados genes e suas variantes comuns são 
regulados pela dieta e podem participar de doenças 
crônicas não transmissíveis. 
 Intervenções dietéticas baseadas na necessidade e 
estado nutricional, bem como no genótipo, podem ser 
utilizadas para desenvolver uma nutrição 
personalizada que otimize a saúde e previna ou 
mitigue doenças crônicas não transmissíveis. 
 
Os efeitos mais importantes dos alimentos no organismo 
ocorrem em nível molecular e podem ser tanto benéficos 
como deletérios, dependendo de quais genes têm a 
atividade alterada. 
 
ASPECTOS MOLECULARES DO CONTROLE 
HOMEOSTÁTICO DE NUTRIENTES 
 
 
Em situações em que as concentrações plasmáticas de 
cálcio se reduzem, o calcitriol (forma ativa da vitamina D) 
atua no enterócito estimulando a absorção de cálcio 
proveniente da dieta. 
No núcleo do enterócito, o VDR (receptores de vitamina 
D), por não estar ativado pelos seu ligante (calcitriol), 
encontra-se associado aos promotores de genes que 
codificam para proteínas importantes para a absorção 
intestinal de cálcio. Exemplos são o TRVP6 e a calbindina, 
responsáveis pela captação e pelo transporte 
intracelular do mineral, respectivamente. Quando o 
calcitriol se liga ao VDR, alterações conformacionais no 
DNA permitirão que a RNA polimerase inicie a 
transcrição, no caso, dos genes para TRVP6 e calbindina. 
A maior síntese dessas proteínas possibilitará que mais 
cálcio da dieta seja captado e transportado no interior do 
enterócito e, então, distribuído no plasma. 
 
Polimorfismos no gene que codifica para VDR poderiam 
estar associados a diferenças individuais quanto à 
absorção intestinal de cálcio. 
 
 
 
Apesar de o ferro ser essencial e ter diversas funções 
nutricionais, seu excesso pode resultar em processos 
deletérios, como o aumento do estresse oxidativo. Seres 
humanos não apresentam mecanismos para eliminar o 
excesso desse micronutriente, sua absorção intestinal 
deve ser muito bem regulada. 
 
Absorção intestinal do ferro não heme: 
 
A DCYTB (citocromo B duodenal) e o DMT1 (transportador 
de metal bivalente) encontram-se na membrana apical 
dos enterócitos. A ferro redutase reduz o Fe3+ 
proveniente da dieta a Fe2+, que será, por sua vez, 
transportado para o interior do enterócito pelo 
transportador em questão. Lá poderá ser armazenado, 
Nutrigenômica e 
Biodisponibilidade 
Cálcio: 
Ferro
: 
ligado à ferritina, utilizado em reações bioquímicas ou, 
ainda, exportado por meio da ferroportina, que é 
encontrada na membrana basolateral, para o plasma, no 
qual será transportado ligado à transferrina e distribuído 
em nível sistêmico. 
 
A hepcidina, hormônio produzido no fígado, tem papel 
central na regulação da absorção intestinal de ferro. 
Quando as concentrações hepáticas de Fe se 
apresentam elevadas, ocorre indução da expressão do 
gene para hepcidina. Esse hormônio, secretado no 
plasma, circulará até os enterócitos e inibirá a expressão 
de ferroportina, impedindo que o ferro seja exportado 
para o plasma. Mais especificamente, a hepcidina induz à 
internalização da ferroportina que é, então, degradada. O 
ferro acumulado nos enterócitos será excretado nas 
fezes à medida que essas células forem eliminadas e 
substituídas no trato digestório. 
 
 
 
Também em âmbito celular, ocorre controle da captação 
e armazenamento de ferro. Assim, quando há excesso 
de ferro na célula, esse nutriente deve ser armazenado 
ligado à ferritina. 
Nesse caso, preferencialmente, deve ocorrer expressão 
do gene da ferritina. Como a célula já apresenta 
quantidades suficientes de ferro, não haverá 
necessidade de captação de ferro plasmático, 
transportado pela transferrina. Desse modo, não deverá 
ocorrer expressão do gene do receptor de transferrina. 
 
Por outro lado, quando as concentrações de ferro se 
encontram reduzidas, o oposto ocorrerá: haverá 
expressão preferencial do gene do receptor de 
transferrina, para aumentar a absorção do nutriente, e 
menor expressão de ferritina. Essa regulação da 
homeostase celular do ferro envolve a participação de 
proteínas reguladoras de ferro (IRP)11,25, que funcionam 
como sensores do mineral. Quando há pouco ferro na 
célula, tais proteínas se ligam à molécula de RNAm para 
o gene do receptor de transferrina. 
 
 
 
Em humanos, diariamente, cerca de 1% da quantidade de 
zinco corporal é reposta pela dieta. Isso é obtido por meio 
do controle estrito de dois processos: absorção intestinal 
de zinco e perda endógena