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Oncologia em Pequenos Animais

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flamatórias e proliferativas, aumentando 
a probabilidade de novas mutações1,34. 
Inúmeros agentes podem atuar 
como agentes promotores, como ni-
cotina, formaldeído e fenóis presentes 
no tabaco, hormônios, alérgenos, calor, 
infecções por Helycobacter pylori e 
traumas1,31,34,35.
Progressão
A progressão tumoral é um proces-
so reversível, no qual as células neoplá-
sicas adquirem modificações biológicas 
tendendo para maior agressividade e 
malignidade1. 
A fase de progressão depende, entre 
outros fatores, da ocorrência de muta-
ções sucessivas nas células tumorais, 
com alteração da expressão gênica e do 
fenótipo neoplásico, permitindo o cres-
cimento descontrolado e autônomo (in-
dependente de estímulos aparentes)1,2. 
De uma forma geral, as células neoplá-
sicas apresentam maior 
instabilidade genética, o 
que permite a formação 
de células com fenótipos 
diferenciados e vantagens 
evolutivas36. 
Os tumores são for-
mados a partir de um úni-
co clone celular que sofreu 
alterações fisiológicas se 
desvencilhando dos me-
canismos que controlam 
a proliferação e diferencia-
ção celular1. A maioria ou totalidade dos 
cânceres apresentam ou adquirem, em 
algum estágio de seu desenvolvimento, 
a capacidade de (1) evasão de apopto-
se (tornando-se células imortalizadas), 
(2) autossuficiência na sinalização do 
crescimento celular, (3) insensibilidade 
aos sinais que controlam a proliferação 
celular, (4) replicação ilimitada, (5) an-
giogênese sustentada, (6) invasão teci-
dual e metastização.36,37 
As células tumorais apresentam ain-
da, uma desregulação do metabolismo 
A promoção consiste 
na proliferação das 
células iniciadas 
e é um fenômeno 
indispensável para 
a perpetuação 
da alteração 
genômica e para o 
desenvolvimento de 
uma neoplasia.
23Biologia tumoral
energético celular com maior aptidão 
para a captação de aminoácidos e síntese 
de proteínas, maior eficiência no meta-
bolismo da glicose, maior produção de 
energia e maior tolerância à hipóxia1,36. 
As células do câncer são capazes de 
evadir à resposta imune e provocar in-
flamação contribuindo para a própria 
progressão tumoral36,37. Tudo isso só 
é possível devido à elevada instabili-
dade genética das neoplasias que abre 
precedentes, no princí-
pio da expansão clonal, 
para o surgimento de 
novas linhagens, subclo-
nais, com características 
distintas1,36. 
O câncer é forma-
do, portanto, por uma 
população heterogênea 
de células, resultantes 
de mutações sucessivas 
e aleatórias, com dife-
renças sob os aspectos 
de imunogenicidade, 
velocidade de prolife-
ração, capacidade de 
invasão e disseminação, 
resistência às drogas e 
expressão de receptores 
de fatores de crescimen-
to1,2. Muitos desses clones celulares 
não sobrevivem, pois não reúnem as 
propriedades necessárias1. No entanto, 
as células mais resistentes e mais adap-
tadas, com propriedades que oferecem 
vantagens na proliferação, sobrevivên-
cia e invasão, são selecionadas em um 
processo de seleção natural semelhante 
ao proposto por Darwin1,2. 
As evidências da existência de cé-
lulas-tronco, nos cânceres, ampliam 
ainda mais a possibilidade de heteroge-
neidade nos tumores, mesmo em fases 
iniciais de seu desenvolvimento1. Essa 
população de células, extremamente 
resistente à apoptose e agentes citotó-
xicos, permite a autorreno-
vação do tumor e favorece, 
devido a capacidade de di-
visão assimétrica, o apare-
cimento de linhagens com 
novas mutações e vanta-
gens fenotípicas1,37.
A progressão tumo-
ral, normalmente, resul-
ta na evolução do cân-
cer para um estágio mais 
agressivo, determinando 
maior invasividade local 
e metastização1(Fig.3). 
Mas existem situações, 
extremamente raras, em 
que ocorre a involução es-
pontânea ou aumento da 
diferenciação do tumor, 
favorecendo o tratamento e a cura1,2. O 
ganglioneuroblastoma, por exemplo, é 
uma neoplasia maligna de origem em-
brionária, que se desenvolve em pa-
cientes humanos na infância, mas que 
O câncer é formado, 
portanto, por 
uma população 
heterogênea de 
células, resultantes de 
mutações sucessivas 
e aleatórias, com 
diferenças sob 
os aspectos de 
imunogenicidade, 
velocidade de 
proliferação, 
capacidade de invasão 
e disseminação, 
resistência às drogas 
e expressão de 
receptores de fatores 
de crescimento.
24 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 70 - setembro de 2013
pode se diferenciar em um ganglioneu-
roma, perdendo suas características de 
malignidade, o que favorece a exérese 
cirúrgica1. 
Abordagens terapêuticas, que utili-
zam agentes indutores de diferenciação, 
têm sido propostas para alguns tipos 
neoplásicos, a exemplo do emprego do 
ácido retinóico ou isotretinoína, no tra-
tamento do carcinoma espinocelular e 
lesões pré-neoplásicas em gatos38,39.
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Figura 3. Etapas da carinogênese
Iniciação
Promoção
Células de câncer
Células normais
Metástase
Promoção Promoção
25Biologia tumoral
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