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Insuficiência Venosa Crônica

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@laryssa.lemosd/@medresidencia23 
CONCEITOS GERAIS 
A Insuficiência Venosa Crônica (IVC) ou varizes de 
membros inferiores é uma queixa comum na 
população em geral, podendo se apresentar desde 
pequenas veias varicosas discretamente 
assintomáticas até insuficiência venosa crônica 
grave. 
 
Mais frequente em mulheres 
 
É um grupo de situações clínicas e anatômicas: 
- Telangiectasias → dilatação de capilares, artérias, 
arteríolas e veias pequenas (< 2mm), disposição 
aracneiformes ou retiformes e são assintomáticas. 
Fator estético causa desconforto. 
 
- Microvarizes → pequenos vasos dilatados situados 
abaixo da pele, entre 2 a 5 mm, tortuosos e 
assintomáticos. 
 
- Varizes → veias dilatas no subcutâneo produzindo 
sintomas (> 3 mm), dilatadas, tortuosas, saculosas e 
sintomáticas. 
 
- Hiperpigmentação 
 
- Úlceras venosas 
ANATOMIA DO SISTEMA VENOSO DOS MEMBROS 
INFERIORES 
- SISTEMA VENOSO PROFUNDO → abaixo da fáscia, 
internamente aos músculos; satélites do sistema 
arterial. 
Tibiais posteriores (2) 
Tibiais anteriores (2) 
Fibulares (2) 
Veia femoral (1) 
Veia poplítea (1) 
 
85% da circulação venoso do MMII retornam pelo 
sistema venoso profundo. 
 
- SISTEMA VENOSO SUPERFICIAL → abaixo da pele, 
subcutâneo e acima da fáscia profunda. 
15% da circulação venosa do MMII retornam pelo 
sistema venoso superficial; 
Veias comunicantes unem as veias do sistema 
superficial. 
Veias perfurantes estão entre as veias superficiais e 
profundas, unem o sistema venoso superficial ao 
sistema profundo (perfurantes de Cockett). 
 
Veia Safena Interna (Magna) → começa no maléolo 
medial e termina na região inguinal, onde desagua 
na veia femoral. 
Veia Safena Externa (Parva) → começa no maléolo 
lateral e termina na veia poplítea. 
 
 
 
Exemplo: 
Trombose no canal de Hunter da femoral → caso 
após o evento trombótico não haja a recanalização 
completa do sistema venoso profundo, as veias 
perfurantes garantem que o fluxo que passaria pelo 
sistema venoso profundo passe pelo sistema 
venoso superficial. Assim, às vezes, a dilatação que 
se observa no sistema venoso superficial pode se 
dar pela impermeabilidade do sistema venoso 
profundo. 
 
Canal de Hunter da Femoral 
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VARIZES DE MMII PRIMÁRIAS 
Não tem relação com outros processos, a doença 
está no sistema venoso superficial; 
O sistema venoso superficial passa a se tornar 
tortuoso pela dilatação e com incompetência 
valvular que colabora para o refluxo sanguíneo. 
 
FATORES PREDISPONENTES: 
 Hereditariedade 
 Sexo feminino → relação hormonal 
 Obesidade 
 
FATORES DESENCADEANTES: 
Longos período em pé 
Obesidade 
Gestações repetidas → aumento da pressão intra-
abdominal e da pressão da cava, encaixe do feto na 
pelve causando uma hipertensão pélvica → 
alteração do retorno venoso. 
 
ESTASE VENOSA CRÔNICA 
O estado de estase crônica contribui para dilatação, 
tortuosidade e insuficiência valvular. 
A veias superficiais e perfurantes comunicantes 
ficam alteradas. 
 
INSUFICIÊNCIA VALVULAR PRIMÁRIA 
Tem relação com a constituição do indivíduo. 
Aumenta de acordo com a idade, quanto mais velho 
menos competente são as veias. 
VARIZES DE MMIII SECUNDÁRIAS 
Podem ter origem por processos adquiridos, como 
por causa da obstrução/fluxo inadequado do 
sistema venoso profundo → recanalização do 
sistema venoso profundo pelas veias superficiais. 
 
SÍNDROMES CONGÊNITAS 
Podem também se originadas por síndromes 
congênitas raras, como a Aplasia ou Hipoplasia do 
sistema venoso profundo. 
 
SÍNDROME PÓS- TROMBÓTICA 
Retorno venoso profundo comprometido após TVP 
e pelas perfurantes há a tentativa de recanalizar o 
sistema venoso profundo para o sistema venoso 
superficial. As veias tornam-se tortuosas e as 
válvulas ficam incompetentes. 
Pode ter dematite ocre e eventualmente úlceras 
(estágio final da insuficiência venosa). 
 
 
VARIZES SECUNDÁRIAS PÓS-TRAUMÁTICAS 
- Varizes secundárias a fístula arteriovenosa → 
comunicação de uma veia com uma artéria por 
traumas. 
Nesse caso o fluxo arterial desloca para o venoso 
porque a pressão do venoso é menor. O sangue 
venoso abaixo da fístula encontra resistência por 
causa dessa pressão. Assim, abaixo da fístula há 
hipertensão venosa que leva a varizes secundária. 
 
- Hipertrofia do sistema nervoso superficial 
- Sobrecarga de pressão 
 
IMPORTANTE! 
- Antes de propor tratamento cirúrgico deve 
certificar que o sistema venoso profundo está 
integro, porque se tirar o sistema venoso superficial 
pode piorar o quadro do indivíduo. 
 
- Varizes secundárias não tem indicação cirúrgica, 
porque essa modalidade de tratamento piora a 
insuficiência venosa crônica, principalmente em 
síndrome pós-trombótica. Não se opera a dilatação 
venosa do sistema superficial, porque ela só é uma 
consequência e é necessário agir no fator causal. 
QUADRO CLÍNICO 
O quadro depende do grau de acometimento, 
dilatação e insuficiência venoso. Pode variar desde 
pouca ou nenhuma sintomatologia. 
 
- Deformidades estéticas 
- Sensação de peso ou desconforto 
- Edema peri-maleolar ou vespertino → mulher em 
fase pré-menstrual pioram essa sintomatologia. 
- Prurido 
- Cãibras 
- Dermatite ocre → hiperpigmentação cutânea pelo 
extravasamento da hemoglobina que sai dos vasos. 
- Úlceras de estase 
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- Claudicação venosa (raro) 
- Dor → insidiosa ou lancinante (pode preceder 
quadro clínico das varicosidades) 
- Desconforto/piora com aumento de temperatura 
 
CLASSIFICAÇÃO CEAP 
Classificação das IVC de acordo com aspecto clínico, 
etiológico, anatômico e patológico (CEAP). 
 
C 
L 
Í 
N 
I 
C 
A 
C0 Assintomática 
C1 Telangiectasias e veias reticulares 
C2 Varizes sem edema 
C3 Varizes com edema 
C4 Alterações da pele 
(lipodermatoesclerose, atrofia 
brance, dertmatite ocre) 
C5 Ulcera varicosa cicatrizada 
C6 Úlcera varicosa ativa 
 
 
ETIOLOGIA 
Congênita 
Primária 
Secundária 
ANATOMIA 
Sistema venoso superficial 
Sistema venoso profundo 
Veias perfurocomunicantes 
PATOFISIOLOGIA 
Obstrução 
Refluxo 
Obstrução e refluxo 
 
DIAGNÓSTICO 
O diagnóstico é clínico e pode ser pautado por 
exames complementares. 
EXAME FÍSICO 
No exame físico, na inspeção, deve-se colocar o 
paciente em posição ortostática. Nessa posição há o 
enchimento venoso e é possível ver as veias 
dilatadas e tortuosas, edemas, alterações tróficas e, 
eventualmente, até úlcera de perna. 
 
MANOBRAS SEMIOLÓGICAS 
Teste de Schwartz → percussão venosa 
Veias superficiais normais: como o fluxo é de baixo 
para cima, ao se percutir a veia safena magna no 
maléolo interno, sente o fluxo nas crossas da safena. 
Se percutir na crossa da safena, como o fluxo é 
ascendente e não volta, não se sente nada no 
maléolo. 
 
Veias varicosas: ao se percutir na crossa da safena, 
se sente a onda de percussão no maléolo. Se faz a 
percussão no maléolo não se sente as ondas na 
crosta da safena, indicando estase venoso. 
 
Prova do Garrote → baseada na inspeção. 
Coloca o paciente com a perna para cima, ainda com 
a perna para cima coloca o garrote em parte 
proximal da coxa do paciente. Em seguida, coloca o 
paciente em pé e solta o garrote. Se a veia encher 
de baixo para cima é normal. Se a veia encher de 
cima para baixo indica insuficiência venosa. 
 
Teste de Brodie-Trendelenburg 
Pede ao paciente para colocar a perna em 45 graus 
e faz a compressão digital na prega inguinal. 
Pode-se fazer esse teste também com garrote no 
cavo poplíteo. 
É possível verificar se o enchimento é de baixo para 
cima (fisiológico) ou de cima para baixo 
(patológico). 
 
Teste de Pertheus 
Utilizado para verificar se a insuficiência venosa é 
primária ou secundária. Assim, esse teste identifica 
se o sistema venoso profundo está competente. 
Paciente fica em pé e é feito um garrote no cavo 
poplíteo. Em seguida, pede para o paciente fazer 
exercício físico (flexão e extensão), pois o exercício 
melhora o retorno venoso profundo

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