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crime de estelionato ação penal

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QUESTÃO 
CRIME CONTRA O PATRIMÔNIO
Juliana, dona de um hotel de luxo no centro da cidade Beta, esteve em uma locadora de carros pertencente ao senhor Roberto de 69 anos e, fazendo uso de documento falso, preencheu o cadastro e locou vários carros, já com a intenção de não devolvê-los. Nessa situação hipotética, por ter causado à casa comercial prejuízo equivalente ao valor dos carros alugados, Juliana praticou, segundo o Código Penal, o delito de 
A) Uso de documento falso em concurso formal com furto mediante fraude, com ação penal pública incondicionada;
B) apropriação indébita, com ação penal privada;
C) estelionato, com ação penal pública incondicionada;
D) estelionato, com ação penal pública condicionada à representação.
Gabarito: D
Essa questão foi editada a partir de uma questão já cobrada em prova da OAB do Exame 137 da OAB/SP no ano de 2009, tratava-se da questão nº 46. 
A questão tinha uma situação semelhante a essa, só muda a personagem. A questão original não tinha ação penal citada nela e nem concurso de crimes. 
Vamos analisar as alternativas: 
Gabarito D: estelionato, com ação penal pública condicionada à representação, a vítima tem menos de 70 anos de acordo com a recente alteração legislativa. 
Aplica-se aqui o princípio da consunção e a súmula 17 do STJ: Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este absorvido. Ademais , a ação penal aqui é pública condicionada à representação.
Não se trata de furto mediante fraude, porque o agente não usou a fraude para SUBTRAIR os bens da vítima e sim para RECEBER. Em síntese, no furto mediante fraude, a fraude serve como artifício para burlar a vigilância da vítima e subtrair os pertences da vítima, enquanto que no estelionato o agente engana a vítima para que a mesma vítima entregue seus pertences achando que está fazendo um procedimento normal. 
Também não há Concurso de crimes aqui. 
O crime de apropriação indébita se parece em muito com o crime de furto, mas as diferenças básicas entre eles é que no furto o agente não tem a posse do bem da vítima, então o sujeito ativo do crime subtrai, leva os bens da vítima SEM seu consentimento ( diferente do estelionato em que o agente leva COM o consentimento, mas com o uso de artifício enganoso) enquanto que na apropriação indébita o sujeito ativo do crime tem a posse temporária dos bens da vítima, mas acaba por se apropriar-se do bem da vítima, ou seja, passa a se comportar como se fosse dono da coisa. 
Não se usa aqui na apropriação indébita artifício para enganar a vítima e levar os bens, o sujeito ativo já tem a posse dos bens, mas fica com a coisa para si. 
No caso, a Juliana não tinha a posse dos bens, por isso não é apropriação. 
O uso do documento falso aqui ocorreu no mesmo contexto fático e foi um meio para levar os bens da vítima. Trata-se de um crime meio para chegar a um fim específico. Neste caso, ele responde só por um crime que é o estelionato. A lesão ao bem jurídico foi somente contra um bem em específico. 
O interessante que nos três crimes contra o patrimônio já citados aqui há um ponto em comum: inversão da titularidade da propriedade. 
De vez em quando aparece uma questão desta em provas cobrando a Súmula 17 do STJ, então devemos ficar atentos. 
Autor: Klysmam de Sousa Costa