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Obstetrícia e fertilidade em bovinos

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realizada com equipamento mo-
desto: .
. Volume: pode ser registrado imediatamente se um tubo graduado
for usado.
. Cor: pode ser avaliada e registrada imediatamente. A presença de
coloração de sangue, fezes, urina ou contaminação de pus, deve ser
notada para futuro exame clínico.
. Motilidade da massa (turbilhonamento): deve ser avaliada imedia-
tamente na fazenda. Uma platina de microscópio ou superfície
aquecida deve estar disponível. Uma gota de sêmen colocada numa
lâmina é examinada sob pequeno aumento para sinais de movimen-
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tos ondulatórios vigorosos; isto é avaliado subjetivamente e dada
uma pontuação entre O e 5.
. Mobilidade individual do esperma: pode. ser avaliada usando-se
amostra diluída, aquecida de sêmen (soro fisiológico) sob magnifi-
cação de alta pO,tência.
. Número de espermatozóides vivos: pode ser verificado usando-se
esfregaço corado. Isto é feito com sêmen diluído em corante vital,
como nigrosina-cosina. Espermatozóides mortos ou moribundos são
corados em rosa; espermatozóides vivos não coram e aparecem
brancos contra o fundo azul-escuro. A porcentagem de mortos é
contada; o ideal deve ser menor que 15%.
. Estrutura morfológica do espermatozóide individual: pode ser ve-
rificada usando-se lâmina com ~sfregaço corada com nigrosina-
-eosina. Espermatozóides anormais devem ser notados e o tipo de
anormalidade anotado. Algumas anormalidades podem ser induzidas
pela manipulação do sêmen pós-coleta. A identificação de algumas
anormalidades e seu significado para a fertilidade do touro irão re-
querer a opinião de especialista. Entretanto, touros em centrais de
IA devem ter baixo número de espermatozóides anormais, isto é,
<20%, devido às pequenas doses de esperma usadas, comparadas
com o serviço natural (vide seção 14.4), muitos touros férteis usa-
dos para serviço natural têm maior número de espermatozóides anor-
mais. Grandes percentagens, entretanto, devem ser vistas com cautela.
. A concentração espermática, pode ser verificada aproximadamente
notando-se a cor e densidade do ejaculado. É melhor determinar
usando-se uma câmara de contagem, tal como o hemocitômetro de
Neubauer, juntamente com pipeta de células vermelhas para diluir
a amostra.
13.8 Freqüência de monta natural
Touros jovens com menos de 2 anos de idade devem ser usa-
dos menos freqüentemente que touros maduros; para o 1.°, em
torno de 2 a 4 serviços por semana; para o último 2.° até 12
serviços por semana, desde que não seja toda semana. Touros jo-
vens não devem estar servindo mais do que 10-15 vacas ou novi-
lhas; touros mais velhos podem servir aproximadamente 25. Um
touro jovem pode ficar amedrontado por vacas e novilhas, especial-
mente se ele não for muito dominante.
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14 - INSEMINAÇAO ARTIFICIAL
14.1 Introdução
A inseminação artificial (IA) é extensivamente usada em mui-
tas partes do mundo, particularmente em gado de leite; seu uso
em raças de corte é mais restrito devido a problemas de detecção
de estro (seção 1.8) e manejo.
Vantagens
. Uso extensivo pod~ ser feito com reprodutores genéticamente
superiores.
. Sêmen pode ser estocado, quando congelado, por muitos anos
depois que o touro morreu.
. Sêmen pode ser usado de touros depois que tenham sido testa-
dos para progênie.
. Doenças venéreas podem ser controladas, desde que haja cuida-
dosa seleção e monitoramento dos touros em centrais de IA.
. A segurança da fazenda é melhorada porque touros leiteiros po-
tencialmente perigosos, não precisam ser mantidos na propriedade.
. A necessidade de criar e alimentar touro na fazenda é removida.
Desvantagens
. O estro deve ser detectado, bem como o momento exato da inse-
minação (seções L 8, 1.11 e 14.4), para obter boas taxas de gestação.
. O sêmen de raças exóticas pode causar distocias se usado em
novilhas imaturas.
. Há possibilidade de consangüinidade ocorrer eom o uso extensi-
vo em limitado número de reprodutores.
. Há a possibilidade de extensiva transferência de traços genéticos
indesejáveis se os touros não forem cuidadosamente monitorados.
. Há a possibilidade de extensiva disseminação de doenças vené-
reas e outras doenças infecciosas se a supervisão p~lo pessoal da
IA for inadequada.
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14.2 Coleta de sêmen
É prática padrão usar a vagina artificial (VA) para coleta de
sêmen. Touros são treinados a montar em vacas ou mànequim.
Grande cuidado têm sido tomado para prevenir contaminação do
ejaculado. Cada touro tem sua própria VA.
A fim de aumentar o volume do ejaculado e o número de es-
permatozóide ejaculado, os touros são geralmente excitados antes
da coleta. O procedimento da coleta é descrito na seção 13.5.
14.3 Manipulação e processamento do sêmen - princípios gerais
Sêmen fresco pode ser usado, embora haja o perigo de disse-
minação de doenças; é proibido no Reino Unido.
Praticamente toda IA envolve o uso de sêmen congelado. O con-
gelamento tem vantagens distintas porque o sêmen pode ser esto-
cado por longo período de tempo mesmo depois que o touro
tenha morrido; permite O pronto transporte do sêmen por todo o
mundo; e, desde que se tenha quarentena e manipulação cuida-
dosa, previne-se a disseminação de doenças.
O sêmen deve ser protegido dos efeitos do congelamento e
manipulação, que poderia resultar na morte dos espermatozóides.
Por esta razão, diluente é adicionado ao sêmen. O diluente deve ter
os seguintes constituintes:
. Substrato nutritivo, usualmente um açúcar.
. Substância para proteger espermatozóides de danos no congela-
mento, ou outras alterações de temperatura.
. Tampão para prevenir mudanças no pH e também pressão osmótica.
. Antibióticos para matar bactérias que possam ser transmitidas do
touro e aquelas que possam afetar os espermatozóides.
Diluente também aumenta o número de doses possíveis de sê-
men, já que o touro produz mais espermatozóides que são neces-
sários para fertilização em um ejaculado.
Procedimento
Imediatamente após a coleta, o ejaculado é rapidamente ava-
liado para adequação ao processamento. Os diluentes usados são:
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gema de ovo citrato, ou, mais comumente, leite desnatado com gema
de ovo aquecida, frutose e glicerol (o glicerol permite que o sê-
men seja congelado).
Após a adição de diluente, o sêmen é colocado em pipetas
(polivinil dorado) com capacidade entre 0,25 e 0,5ml. Estas pipe-
tas são coloridas em código para auxiliar a identificação e seÍadas
com tampão polivinílico, que também pode ser colorido para auxi-
liar a identificação da fonte do sêmen. Detalhes do touro e a data
da coleta são registrados ao lado. A maioria das pipetas usadas no
comércio agora contêm 0,25ml de sêmen diluído.
As pipetas preenchidas são então reunidas e resfriadas no va-
por do nitrogênio líquido, antes de serem merguhadas à tempera-
tura de - 196°C. Desde que atenção cuidadosa seja dada para manu-
tenção do nível de nitrogênio líquido num recipiente deestocagem, o
sêmen pode ser estocado por anos a esta temperatura, apenas com
perda mínima da capacidade fertilizante. Pipetas de sêmen também
podem ser transportadas em pequeno frasco de nitrogênio líquido com
capacidade tão pequena quanto 3 litros.
Uma vez que a pipeta tenha sido descongelada, não pode ser
recongelada sem afetar gravemente a capacidade fertilizante dos
espermatozóides, por isso as pipetas devem ser escolhidas no fras-
co de nitrogênio líquido para seleção e só removidas pouco antes
da inseminação.
Descongelamento antes da inseminação
o sêmen na pipeta deve ser descongelado após sua remoção do
nitrogênio líquido, antes da inseminação. Isto é realizado aumentan-
do-se uniformemente a temperatura daquela do nitrogênio (- 196°C)
àquela da temperatura ambiente de 37°C antes de depositá-Io na vaca.
Colocar a pipeta num becker de água a 37°C por 7 a 15s. - depen-
dendo da capacidade da pipeta - é adequado.
14.4 Técnica de inseminação
A pipeta é removida do becker de vidro, seca com papel lim-
op, e a ponta de um dos seus extremos é cortada com tesoura
limpa para remover o tampão. É então colocada na pipeta de in-
seminação de Cassou ou pistola

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