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Obstetrícia e fertilidade em bovinos

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outro hormô-
nio pituitário, também se eleva na época do estro, mas o seu papel
nesta fase é desconhecido.
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Dias do ciclo estral
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Fig. 1.3.
Alterações hormonais no sangue periférico durante o ciclo estral.
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A progesterona e, portanto, o corpo lúteo, têm o papel princi-
pal no controle da atividade cíclica, já que este hormônio exerce
um "feedback" negativo sobre o eixo hipotalâmico-hipofisário, supri-
mindo amplamente a liberação de gonadotrofinas.
A vida útil do corpo lútero é encerrada pela liberação de
substância luteolítica, a prostaglandinaF2iX (PGF2iX), secretada pelo
útero. Quando o endométrio estiver sob a influência da progeste-
rona por cerca de 14 dias e com ausência de gestação (vide seção
2.9), pulsos d~ PGF2iXsão secretados. Estes chegam ao ovário via
artéria ovariana, tendo passado diretam~nte da drenagem venosa
uterina.
À medida que o corpo lúteo regride, o "feedback" negativo
da progesterona no eixo hipotalâmico-hipofisário é removido. Isto
seguido pela elevação nas concentrações de LH e FSH, que estimu-
la o crescimento folicular e síntese de 17/3-estradiol, e assim dispara
a onda de FSHjLH com a maturação foliculal', ovulação e formação
do corpo lúteo. As alterações hormonais estão ilustradas na Fi-
gura 1. 3 .
1.8 Estro e sua detecção
A duração média doestro é de 15 horas; entretanto existe
uma ampla variação de 2-30 horas. Uma vez que a vaca tenha tido
sua 1.a ovulação pós-parto, é raro que ela não mostre nenhum sinal
de estro, conseqüentemente o "cio silencioso" é uma raridade.
Sinais de Estro
Os sinais de estro são muitos e variados:
. Inquietação e atividade aumentada, o que resulta em agrupamento
de indivíduos sexualm~nte ativos e redução na alimentação e pro-
dução de leite.
. Muge quando isolada.
.. Ligeiro aumento na temperatura corpórea (O,l°C).
. Muco vulvar claro - "mugido característico".
. Marcas de esfregamento e escoriações da base da cauda, manchas
de lama ou sujeira nos flancos.
. Monta em outras vacas, particularmente uma do grupo.
. Aceitação da monta.
Os únicos sinais confiáveis são a aceitação de monta e o ato de
montar a cabeça (característica mostrada por poucas vacas). A va-
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ca pode ser montada uma vez ou mais de cem vezes durante um
único estro; a duração de uma resposta positiva à monta deve ser
de pelo menos 5 segundos.
A razão mais importante para uma baixa eficiência reprodu-
tiva é a dificuldade de detecção de estro, especialmente em grandes
rebanhos. Isto é 'devido às variações entre vacas e porque há mais
manifestações de estro durante à noite.
Métodos de detecção
A detecção depende da observação de resposta tolerante
quando montada, assim, para uma boa detecção, deve haver:
. Identificação individual clara dos animais com marcação a frio,
ferro quente, coleiras e brincos grandes.
. Iluminação adequada para facilitar a identificação.
. Registro permanente da identidade da vaca no momento da
observação.
. Rotina regular de pelo menos 3 períodos de observações de
20-30min, durante 24 horas, em outras horas que não sejam de
ordenha, por exemplo, 8; 14 e 21 horas, sendo a última vez a
mais importante.
. Áreas adequadas com espaço suficiente e boa superfície de piso
para permitir que as vacas expressem comportamento de estro.
. Registrar todos os períodos de estro antes do 1.° serviço ou inse-
minação artificial (IA).
1.9 Métodos auxiliares para melhorar a detecção do estro
. Tinta de cauda, quando aplicada à base da cauda e sacro, é re-
movida por esfregadura quando a vaca fica em estação para ser
montada. Não é específico, mas é barato e um tanto eficaz quando
usado sensatamente, de forma seletiva.
. Detectores de cio e monta KaMaR são ativados da mesma forma
descrita acima. São mais caros e as vacas devem ser identificadas
quando forem afixados, porque em alguns casos a monta desloca
o dispositivo.
. Circuito fechado de televisão com programação de timer pelo ví-
deo é de instalação cara, mas é bem efetivo quando usado seleti-
vamente, por exemplo, durante as horas da noite em que as vacas
não são observadas. Uma boa identificação das vacas é importante.
. Rufiões ou vacas androgenizadas irão identificar vacas que estão
em estro desde que tenham algum tipo de marcador tal como dis.
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positivo de queixo. Existem problemas de segurança e o perigo de
disseminação de doenças venéreas com touros. Alguns adqüirem ha-
rens de vacas específicas.
. Avaliações de certas mudanças fisiológicas, tais como tempera-
tura corpórea aumentada, alterações no impedance elétrica na va-
gina ou muco vaginal, podem ser usados, mas requerem equipa~
mento específico.
. Testes hormonais, particularmente progesterona, podem ser de va-
lia quando testes rápidos se tornarem disponíveis.
. É possível eliminar a necessidade de detecção de cio, sincroni-
zando-se estro e ovulação, seguido por um horário fixo de IA (vi-
de seções 1.12. e 1.13).
1 . 10 Métodos artificiais de controle do ciclo estral
Para controlar artificialmente a atividade cíc1ica, o animal con-
siderado deve ter atingido a puberdade e estar em atividade ovariana
normal. Existem 2 métodos:
. Encurtamento da função do corpo lúteo.
. Uma fonte exógena de progesterona é usada para substituir a fun-
ção do corpo lúteo.
1 . 11 ReduçãQ da vida útil do corpo lúteo
A Prostaglandina F21Xé uma luteolisina natural na vaca e é
responsável pela extinção do CL antes do próximo estro. Assim
se PGF21Xou seus análogos forem administrados paralelamente a
uma vaca com corpo lúteo, irão causar a regressão precoce deste e
retorno ao estro prematuramente. Entretanto, o CL não responde nos
primeiros 4-5 dias pós-ovulação; além disso, uma vez que o CL
tenha iniciado espontaneamente sua regressão nos dias 16 e 17, ela
não pode ser acelerada.
1 . 12 Progestágenos - princípios de uso
Uma fonte exógena de progesterona ou um progestágeno sin-
tético funcionam como um corpo lúteoartificial, exercendo assim
um efeito de "feed-back" negativo sobre o eixo hipotalâmico-hipo-
fisário e suprimindo a atividade cíclica. Quando removida, há um
retorno ao estro e retomada desta atividade.
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Se, num grupo de animais, progestógenos são removidos ao mes-
mo tempo, há uma boa sincronização desde que não haja proges-
tágeno endógeno residual derivado de um corpo lúteo que tenha so-
brevivido à duração do implante. Assim é necessário o uso de algo
que cause luteólise ou suprima a formação de corpo lúteo.
Sincronização com dispositivo intravaginal liberador
de progesterona (PRID)
O dispositivo intravaginal liberado r de progesterona (PRID) é
uma espiral plana de aço inoxidável coberta por um elastômero
inerte incorporando 1. 55g de progesterona juntamente com uma
cápsula de lOmg de benzo ato de estradiol (vide Fig. 1.4).
Fig. 1.4.
Dispositivo intravaginal de liberação de progesterona (PRID).
. A vaca ou novilha deve estar vazia, não deve ter parido nos úl-
timos 20 dias, ou ter qualquer infecção no trato genital e deve
estar em boa condição física.
. Usando uma técnica delicada e limpa, o PRID é inserido no inte-
rior da vagina.
. Após cerca de 12 dias é retirado e o estro ocorre 2-3 dias depois.
A IA pode ser realizada 48 e 72 horas ou somente uma IA após
56 horas da remoção.
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. Animais mostrando comportamento de estro alguns dias após a
remoção do PRID devem ser inseminados normalmente.
O grau de sincronização pode ser variável porque o benzo ato
de estradiol é um ineficiente agente luteolítico e antiluteotrófico.
Melhores resultados podem ser obtidos se PGF2a for injetada 24,
horas antes da remoção do PRID.
Alguns animais expelem o PRID e em muitos há descarga va-
ginal, que é resolvida espontaneamente após a retirada e sem
tratamento.
Sincronização com Norgestamet
Norgestamet é um potente

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