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Obstetrícia e fertilidade em bovinos

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fenda antes dos cornos bi-
furcarem.
Fig. 1.6.
Trato genital da vaca.
Cornos uterinos
Tuba uterina
Ovário
Corpo uterino
Cérvix
. Os cornos uterinos inicialmente se curvam para baixo e para fren-
te e depois para trás e para cima em direção ao ápice, que se situa
a 5-6cm da cérvix (vide Fig. 1.6). O tamanho dos cornos dependerá
do animal estar gestante ou não e do estágio de gestação, pós-parto
ou se está sofrendo alguma condição patológica.
Os cornos do útero não-grávido têm cerca de 35-40cm de com-
primento e 4-5cm de diâmetro; são mais ou menos iguais em ta-
17
manha. Na gestação (vide seção 2.11) e imediatamente após o parto
(vide seção 5.4) há uma assimetria.
A cada gestação sucessivaeles se tornam levemente aumentados.
. Os cornos uterinos sofrem alterações cíclicas, que podem ser iden-
tificadas na palpação. Durante o diestro são flácidos e é difícil idén-
tificar seu contorno ao longo de todo o comprimento do corno. À me-
dida que o corpo lúteo regride e há crescimento folicular 1-2 dias
antes do estro, o tônus uterino aumenta de modo que os cornos tor-
nam-se túrgidos e espiralados, especialmente quando manipulados.
O tônus aumenta durante o estro e persiste por mais 1-2 dias após
o final do estro e ovulação.
. As tubas uterinas (trompas de Falópio) são estruturas convolutas
com cerca de 20-25cm de oomprimento. Quando normais, são difíceis
de identificar na palpação; por isso, se a identificação é fácil, geral-
mente sugere que estejam espessadas.
. A bolsa ovariana é difícil de ser palpada via retal. Deve ser livre
da superfície do ovário (Fig. 1.7).
Fig. 1.7.
Bolsa ovariana.
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. Os ovários são mais facilmente localizados seguindo-se os cornos
uterinos até a grande curvatura e depois gentilmente tracionados para
trás em direção à cérvix com a ponta dos dedos.
. Uma alternativa para se localizar a cérvix e a bifurcação é passar
os dedos para baixo ou para os lados no sentido do assoalho e
borda da pelve. 'Em novilhas elas são normalmente intrapélvicas,
enquanto em vacas multíparas elas estão normalmente localizadas à
frente ou sobre o bordo pélvico.
Com o processo de gestação, os ovários são puxados para baixo
no abdômen, eventualmente tornando-se fora do alcance.
. Na palpação dos ovários, sua posição, tamanho e natureza das
estruturas presentes devem ser avaliadas. As estruturas palpáveis são:
folículos, folículos luteinizados, corpos lúteos e cistos.
. Os folículos variam de tamanho, alcançando um diâmetro máximo
de 2-2,Sem. São preenchidos por fluido, portanto, flutuam na pal-
pação. A facilidade de identificação dependerá de seu tamanho, po-
sição no ovário e presença de outras estruturas. O crescimento foli-
cular ocorre ao longo do ciclo estral e os folículos são de 1,3-1,Scm
de diâmetro na metade do diestro, associados a um corpo lúteo ma-
duro. A identificação de um folículo no ovário de uma vaca é de
pouco valor como método único para avaliar o estágio do ciclo estral.
. Os folículos luteinizados são pouco comuns, ocorrendo mais fre-
qüentemente no período imediatamente pós-parto, antes que a ativi-
dade cíclica normal tenha se estabelecido (vide seção S. 1); eles
decorrem da luteinização de um folículo anovulatório. A identifica-
ção por palpação retal é difícil. Têm cerca de 2-2,Scm de diâme-
tro com uma parede levemente mais espessa que a de um folículo
normal. Funcionam como corpo lúteo, embora sua vida útil seja
provavelmente menor.
. Os corpos lúteos se formam como seqüela da ovulação; conse-
qüentemente, se forem palpados, a única suposição imediata que pode
ser feita é que a vaca ovulou em algum estágio. O corpo lúteo pode
ser associado com diestro, gestação ou ocasionalmente pode ser
persistente.
A identificação positiva de um corpo lúteo nem sempre é pos-
sível;entretanto, desde que o corpo lúteo é a estrutura que leva a
um aumento fisiológico, normal do ovário, sua presença pode às
vezes ser suposta. A confirmação pode ser feita pela presença de
concentração elevada de progesterona no leite ou plasma.
A idade do corpo lúteo pode ser avaliada pelo seu tamanho e
consistência. Imediatamente após a ovulação é igualmente possível
19
palpar uma leve depressão no local da ovulação; haverá também
marcado tônus uterino (vide Tabela 1.1). À medida que o corpo
lúteo cresce, o ovário aumenta e o corpo lúteo usualmente começa
a se projetar na superfície ovariana; é macio à palpação. O corpo
lúteo atinge seu tamanho máximo de cerca de 2,S-3,Ocm em diâme-
tro 7-8 dias após o estro e permanece até 16-17 dias, quando, co-
meça a diminuir e endurecer; ao mesmo tempo há tônus uterino
aumentado (Tabela 1.1). Durante os 7-17 dias do ciclo, as altera-
ções no tamanho ovariano são devidas ao crescimento e regressão
folicular.
A facilidade e exatidão da palpação de um corpo lúteo depen-
dem do seu grau de projeção e de seu formato.
. Cistos são estruturas preenchidas de fluido com diâmetro acima
de 2,Scm, persistentes e usualmente associados a comportamento re-
produtivo aberrante (seção 7.6 e 7.8).
As alterações no trato genital durante o ciclo estral estão rela-
cionadas na Tabela 1. 1.
Tabela 1.1.
Crescimento do Corpo Lúteo
Dia do ciclo Ovário útero Descarga vaginal
O (estro) CL regredindo Tônus evidente Muco claro,
< 1cm, talvez comas espiralados elástico e
folículos de 1cm aumentados copioso
na palpação
1 (ovulação) CL regredindo Bom tônus Algum muco
<lcm, Comas claro ou turvo
depressão espiralados
ovulat6ria macia
3 Desenvolvendo Tônus fraco Muco turvo,
. CL macio de de coloração
1-l,5cm de vermelho-
diâmetro -sangüíneo
brilhante
7-17 CL totalmente útero flácido Sem descarga
formado 2,5-3cm
de diâmetro.
Folículos de até
lcm de diâmetro
17-19 CL duro e Tônus de Sem descarga
regredindo moderado
diâmetro<l,5cm a bom
21 Idem a dia O
20
2 - GESTAÇAO NORMAL
2.1 Ovulação
o oócito ovulado é captado pelas fimbrias da tuba uterina
adjacente, que é intimamente justaposta à superfície do ovário du-
rante e após o estro. O oócito é transportado pela ação dos cílios e
contrações peristálticas, e talvez pelas secreções da tuba, para a am-
pola onde ocorre a fertilização (Fig. 2.1). Transporte prematuro ou
retardado pode afetar sua viabilidade. O oócito é capaz de ser ferti-
lizado por 8-12 horas após a ovulação, embora melhores resultados
sejam obtidos dentro de 6 horas.
--Corno uterino
Ampola
-- Fímbria
Fig. 2.1.
Tuba uterina (Falópio).
2.2 Fertilização
Enquanto pequeno número de espermatozoides tenha alcan-
çado a tuba uterina em uma hora após a cobertura ou IA, são ne-
cessárias pelo menos 6-8 horas pós cobertura natural antes que uma
reserva de espermatozóides suficientemente grande esteja presente no
ístmo da tuba uterina. Isto é provavelmente mais rápido quando o
sêmen é depositado no útero por IA.
Os espermatozóides sofrem processo de maturação antes de
serem capazes de fertilizar. Este processo, chamado capacitação, é
21
estimuladO' por secreções uterinas. O tempo necessário é de 4 hQras.
O sêmen mantém sua motilidade por 15-56 horas. Embora seja fér-
til PO'raté 30-48 horas, há um declínio na fertilidade após 15-20horas.
Quando um espermatQzóide penetra a zona pelúcida (vi-
de Fig. 1.1), QS outrQS sãO' geralmente impedidos de fazê-Io pelo
bloqueio vitelino. Quando vários espermatQzóides penetram O'oócito,
há a chamada poliespermia e O'S embriões em desenvolvimento
morrerão.
2.3 Desenvolvimento embrionário
Vide Tabela 2. 1 abaixo:
Após a formaçãO' dos órgãos (organO'gênese completa, o bezer-
ro é considerado feto.
Tabela 2.1.
Desenvolvimento embrionário
Dias após
a ovulação
Crescimento
do embrião
0-1
1-2
1-2
2-3
3-6
6-9
8-10
12-14
13-16
20-28
24-28
35
(chegada no útero)
1 célula
2 células
4 células
8 células
Mórula
Blastocisto
Blastocisto em eclosão
Blastocisto em expansão
Amnio formado
1.as alterações no trofoblasto
adjacente às carúnculas uterinas
Alantóide completamente formado
Alantóide é preenchido e
distende-se no corno grávido
Organogênese completa
Tuba uterina
45
2.4 ~embranas fetais
O âmniO' forma-se

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