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Obstetrícia e fertilidade em bovinos

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cerca de 13-16 dias após a fertilização como
uma evaginação da vesícula ectodérmica. Torna-se um "saco" de
parede dupla que contorna completamente o embrião/feto, excetQ no
anel umbilical (Fig. 2.2).
O âmnio é uma membrana transparente consideravelmente re.
sistente.
22
(a)
Corioalantóide
Fig. 2.2.
(a) e (b) Membranas fetais de 1 bezerro, mostrando os cotilédones.
(Diagrama (a) reproduzido de Steven D.H. (1982) Placentation in
the mare. Journal of Reproduction and Fertility, Suppl. 31, 41-5.)
23
o alantóideaparece 14-21 dias após a fertilização como uma
protuberância do intestino embrionário posterior. A parte externa
funde-se com o trofoblasto coriônico para formar o alantocórion, que
é estrutura altamente vascularizada e está envolvida na formação da
da placenta. A parte interna recobre o âmnio. (Fig. 2.2.)
2.5 Fluidos fetais
o âmnio envolve o fluido amniótico o qual protege o em-
brião/feto de injúrias mecânicas, possivelmente infecções e propor-
ciona um veículo de excrção. No final da festação, torna-se viscoso,
atuando como lubrificante na parição e facilitando a expulsão do
bezerro.
O fluido alantóide é aquoso. Protege o embrião/feto de trau-
mas mecânicos e proporciona espaço para deposição da urina fetal
via úraco.
Os volumes aproximados de fluidos fetais durante a gestação
são dados na Tabela 2.2. abaixo.
Tabela 2.2.
Volume aproximado dos fluidos fetais durante a gestação
O volume total d::: fluidos fetais aumenta progressivamente ao
longo da gestação, com rápido aumento aos 70-80 dias. Durante o
1.° terço da gestação o volume de fluido alantóide é maior que
o amniótico; durante o 2.° terço o volume de fuido amniótico é
maior que o alantóide; enquanto durante o último terço, o vo-
lume do fluido alantóide é maior que o amniótico. Existem conside-
ráveis variações individuais nos volumes de fluido associados a fe-
tos na mesma idade de gestação.
24
Estágio de gestação Fluido amniótico Fluido alantóide
(dias) (m1) (ml)
30 0-5 55
35-45 21 140
46-60 96, 202
61-90 375 415
91-120 1450 1170
121-150 3026 1417
151-180 2544 2638
181-210 1541 4672
211-240 2028 4893
241-Termo 2272 9862
2.6 Crescimento fetal e comprimento crânio-caudal
Médias de peso embrião/feto em gestação com um único be-
zerro são mostradas na Tabela 2.3. abaixo:
Tabela 2.3.
Peso médio de bezerros (embrionário/fetal) *
* Bezerros gêmeos serão relativamente menores e haverá consideráveis
variações individuais e de raça em bezerros únicos.
2.7 Estimativa da idade fetal
Várias fórmulas têm sido obtidas para estimar a idade fetal,
desde que o comprimento crânio-caudal (CRL) é medido.
Fórmula para estimar a idade letal em dias
Assim, se CRL
idade do feto em dias
= 2.5 x (C~Lcm + 21)
= 10cm
= 2.5 x (10 + 21.)
= 2.5 x 31
= 77.5 dias
ou, com menos precisão
Fórmula para estimar a idade letal em meses
Assim se CRL
idade do feto
= Y2X CRL paI.
= 4.5 paI.
= v2 x 4.5
=-.[9
= 3 meses
25
Estágio de gestação Peso Comprimento
(diaS) embrionário /fetal (cm)
30 0,3-0,5g 0,8-1,0
40 1-1,5g 1,75-2,5
50 3-6g 3,5-5,5
60 8-30g 6-8
70 25-100g 7-10
80 120-200g 8-13
90 200-400g 13-17
120 1-2kg 22-32
150 3-4kg 30-45
180 5-lOkg 40-60
210 8-18kg 55-75
240 15-25kg 60-85
270 20-50kg 70-100
2.8 Placenta
A placenta da vaca é classificada como cotiledonária ou múl-
tipla, porque é confinada em restritas áreas ovais bem definidas
ou áreas circulares do alantocórion - os cotilédones (vide Fig.
2.2b). Estes desenvolvem-se naquelas partes adjacentes a áreas' es-
pecíficas do endométrio - as carúnculas.
A placenta também pode ser classificada de acordo com a es-
trutura microscópica e em particular pelo número de camadas de
tecidos que separa a circulação materna e fetal - é classificada
como epiteliocorial.
2.9 Reconhecimento matemo da gestação
Sea vaca não estiver gestante, ela voltará ao estro no inter-
valo interestro normal após o serviço ou IA (vide seção 1.3).
A presença de embrião em desenvolvimento impede a regres-
são do corpo lúteo, que assim persiste. O embrião em desenvolvi-
mento ou concepto produz substância - fator precoce da ges-
tação (EPF) - o qual é provavelmente produzido no período de
expansão do blastocisto e impede a regressão do CL (vide seção 2.3).
E
C)
.5
Progesterona
Ovulação
10r~
IV
5 5
2!'"
CII
C)
on:
Fig. 2.3.
Concentrações hormonais na circulação periférica da vaca durante
a gestação e parto. (Reproduzido de Arthur G.H., NOakes, D.E. &
Pearson, H. (1982). Veterinary Reproduction anel Obstetrics, 5th ed.
. Bailliere Tindall, Eastbourne.)
26
Parturição
400 -,8000 E
C)
.9-
E 111o
C) c:
c CII
200 -;;; 4000.g' ...c: 1;1.;;u CII
IV CII
Õ "a
n: ãi..
o I
2.10 Endocrinologia da gestação
o hormônio mais importante é a progesterona, que suprime
a atividade dclica normal via seu efeito de "feedback" negativo
sobre a hipófise anterior (vide seção 1.7).
A progesterpna também estimula alterações no endométrio que
conduzem para a nutrição e desenvolvimento do embrião. Ao final
da gestação há um dec1ínio na progesterona (Fig. 2.3).
A progesterona é sintetizada pelo corpo lúteo e pela unidade
feto-placentária. Após cerca de 150 dias de gestação, o corpo lúteo
não é necessário para a manutenção da gestação porque já não é
a principal fonte deste hormônio.
2 . 11 Métodos de diagnóstico de gestação
1 . 18-24 dias. Falhas em retomar ao estro, o que é dependente
da detecção do mesmo (seções 1.8 a 1.9). Algumas vacas mos-
tram estro durante a gestação, especialmente mais tarde.
2. 18-24 dias. Persistência de CL na palpação reta!. Não é pos-
sível distinguir entre um CL ou diestro e gestação.
3. Medida de concentração de progesterona no leite ou no plasma
através de radioimunoensaio, ou ELISA (Enzyme-linked-imunosor-
bent assay). As concentrações no leite seguem aproximadamente as
ca 30
c:
o
ai
'li!Q)::-
0)'
E E,20
CoO)
Q) c:,,-
o!
.ca 'Qj
~~ 10
E c:
Q)
(.)
c:
o
U
Inserminado Amostra de leite
o 9
I.
21
24 dias
33
~
42
Dias
Fig. 2.4.
Concentrações de progesterona no leite durante o ciclo estral, para
mostrar um falso positivo para gestação devido a uma IA em
momento errado.
27
mudanças que ocorrem no plasma embora os valores absolutos se-
jam mais elevados (Fig~ 2.4), porque a progesterona é solúvel na
gordura do leite.
O teste do leite é usualmente realizado com amostra de leite
de uma vaca, sendo o ideal realizar o teste com 24 dias após a
IA ou cobertura, embora possa também ser feito mais precocemen-
te. Se um tablete preservativo contendo dicromato de potássio ou
cloreto de mercúrio é adicionado à amostra, esta pode ser mantida
à temperatura ambiente por vários meses sem nenhuma perda signi-
ficativa de progesterona.
O teste de progesterona do leite é cerca de 85 % preciso para
diagnóstico positivo de gestação e quase 100% para identificar uma
vaca não-prenhe.
Razões para falso positivo:
. IA em momento errado quando a vaca é inseminada no diestro
(Fig. 2.4).
. Morte pré-natal após a colheita da amostra.
. Cisto luteínico (vide seção 7.6).
. CL persistente associado à infecção uterina crônica (vide se-
ção 11.10).
. Intervalo entre estros mais curto que a média.
Razões para falso negativo:
. Mistura inadequada da amostra inicial do leite.
. Exposição da amostra a calor excessivo ou luz U.V.
. Incorreta identificação do animal ou amostra.
4. 28 dias. Usando um real-time ultra-som (B mode) e uma in-
vestigação retal, é possível identificar o saco amniótico deste estágio
de gestação. O equipamento é caro.
5 . 30 dias. A vesícula amniótica pode ser palpada como um
objeto pequeno, túrgido, de "tamanho de ervilha", de 1cm de diâ-
metro aos 30 dias, pressionando delicadamente os cornos uterinos
entre o polegar e os dedos. Aos 35 dias tem 1.7cm de diâmetro.
Há perigo de trauma ao coração embrionário.
6. 30-35 dias. Existe certa assimetria de tamanho dos cor-
nos uterinos, àquele adjacente ao ovário que contém o CL tor-
nando-se maior. Há evidência de flutuação do como ligeiramente
distendido, devido à presença do líquido alantóide (vide seção 2.5)
e adelgaçamento da

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