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Obstetrícia e fertilidade em bovinos

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parede uterina.
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7. 35-40 dias. É possível palpar o alantocórion neste estágio
(vide seção 2.4) usando a técnica do "beliscamento". O como ute-
rino é delicadamente seguro entre o polegar e indicador e depois
pressionado de modo que o conteúdo do como "escorregue". A pri-
meira estrutura a ser liberada do "aperto" é o fino alantocórion
antes da parede 'uterina mais espessa.
8. 40 dias. Usando investigação retal e detectores ultra-sônicos
de pulso fetal ou analisadores de profundidade ultra-sônicos (A
mode), é possível detectar a gestação tão precocemente quanto
aos 40 dias.
9. 45-50 dias. É freqüentemente possível palpar o feto neste
estágiocomo uma estrutura, quiçá como um pedaço de cortiça flu-
tuando em fluido.
10. 70-80 dias. Os placentonas aumentados podem ser palpados
nesse estágio como pequenas irregularidades na parede do corpo
uterino e base dos cornos. Eles se tomam maiores e mais distintos
com o avanço da gestação.
11. 90-120dias. É possível identificar a alteração do caráter de
pulso da artéria uterina, que causa zumbido ou vibração. É cha-
mado de frêmito. Inicialmente é a artéria que supre o como grá-
vido e subseqüentemente ambos.
12. 105 dias. A identificação do hormônio conjugado sulfato
de estrona na amostra de sangue ou leite, neste estágio gestacional
e posteriormente, serve para diagnóstico de gestação.
2 . 12 Precisão do diagnóstico de gestação por palpação retal
Apalpação retal tem mais que 95% de precisão, desde que
pelo menos um sinal positivo seja identificado.
Falso positivo é devido a:
. O útero não está retraído para permitir palpação detalhada.
. O útero não está completamente evoluído (seções 5.4 e 5.5).
. Há piometra (seção 11. 10).
. Há mucometra.
. Há subseqüente morte pré-natal.
Felso negativo é devido a:
. O útero não está retraído para permitir palpação detalhada.
. A data de serviço não foi corretamente registrada.
. A vaca foi servida ou inseminadaapós o registro de cobertura.
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3 - PARTO NORMAL
3.1 Duração da gestação
A duração média da gestação é de 280 dias; entretanto exis-
tem consideráveis diferenças raciais (vide Tabela 3.1). A influên-
cia do genótipo é observada quando touros de certas raças são cru-
zados c'Om vacas de raças diferentes, c'Om 'Oprol()ngament'O do pe-
rí'Oda de gestaçãa.
Tabela 3.1.
Período de gestação e peso ao nascer de díferentes raças de gado.
Dentr'O da mesma raça, a gestaçãa é um pauca mais l'Onga
(1 'Ou 2 dias) para as c'Oncept'Osmachas em relaçãa às fêmeas.
3.2 Peso ao nascer
Os números médi'Os para diferentes raças são mastrad'Os na
Tabela 3. 1 .
Os fatares que padem influenciar a pes'O aa nascer sã'O as
seguintes:
. Genótipa.
. Duraçãa de gestaçãa - os bezerras sã'O maiares em gestaçãa
mais langa.
. Parta de n'Ovilhas - bezerr'Os menares de navilhas.
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Raça Período de gestação (dias). Peso médío ao
Varíação dada entre nascer (kg)
parênteses.
Aberdeen Angus 280(273-283) 28
Ayrshíre 279(277-284) 34
Pardo Suíço 286(285-287) 43.5
Charolês 287(285-288) 43.5
Holandês 279(272-284) 41
Guernsey 284(281-286) 30
Hereford 286(280-289) 32
Jersey 280(277-284) 24.5
Simmental 288(285-291) 43
South Devon 287(286-287) 44.5
. Estação do ano.
. Nutrição - somente com severa subnutrição da fêmea.
. Gêmeos ou múltiplos.
3.3 Taxa de crescimento fetal
o período de taxa de crescimento mais rápido ocorre por vol-
ta dos 230 dias de gestação com o feto ganhando cerca de 0,25Kg
de peso por dia; depois, então, declina.
3.4 Gêmeos e múltiplos
Gêmeos ocorrem em 1-2% e triplos em 0,013% dos nascimentos.
A taxa de ovulação, e por isso a incidência de gêmeos ou múlti-
plos, não pode ser influenciada pela nutrição. A gemelação é de-
pendente do genótipo. A incidência de ovulação dupla é mais alta
do que a de nascimentos duplos, devido à morte embrionária de
um dos gêmeos.
3.5 Freemartins
Freemartins normalmente ocorrem quando uma bezerra nasce
gêmea de bezerro macho. Isto é devido à fusão placcntária por
volta dos 40 dias de gestação. Noventa por cento de tais bezerras
são freemartins. Entretanto, também, é possível o nascimento de uma
única freemartin quando o feto macho morre e é reabsorvido após
ter coorrido a fusão placentária.
Diagnóstico do freemartins
O uso de prova vaginal ao nascimento, como um estojo
de termômetro, pode evidenciar a profundidade da vagina, quan-
do comparada com bezerra normal da mesma idade. A pro-
fundidade é de cerca de 1/3 de uma bezerra normal, Le., cerca
de 3-5cm. Confirmação precisa pode ser obtida por avaliação cro-
mossômica (carioti pagem) .
À medida que a novilha se aproxima da puberdade, pode ha-
ver evidência de clitórís aumentado e aumento de tufos de pê-
los na comissura ventral da vulva. Apalpação retal revelará a
ausência de estruturas normais do trato genital anterior à cérvix.
Não haverá ovários normais e, portanto, nenhuma atividade cíclica
(vide seção 7.6).
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3.6 Início do parto (desencadeamento)
o feto é responsável pelo início do parto. Ele desencadeia uma
complexa cascata de alterações endócrinas:
. Durante a gestação o hormônio predominante é a progesterona
produzida p~lo corpo lúteo e unidade feto-placentária (seção 2.10).
. A progesterona suprime a atividade cíclica, estimula alterações
no útero que permitem o desenvolvimento do embrião/feto e supri-
me a atividade do miométrio que poderia eliminar o feto.
. À medida que o feto atinge a maturidade, o hipotálamo fetal é
estimulado, ou torna-se capaz de responder a estímulos que acele-
ram a liberação de ACTH da hipófise fetal e subseqüentemente cor-
ticóides da adrenal fetal.
. O aumento dos corticóides resulta numa diminuição na produ-
ção de progesterona e concomitante aumento na produção de es-
trógenos pela placenta, o que leva a um amolecimento ou amadu-
recimento da cérvix.
. Os estrógenos produzidos pela placenta estimulam a síntese e
liberação de prostaglandina F2cx(PGF2CX).
. A PGF2C(causa a lise do corpo lúteo da gestação e estimulam
contrações do miométrio que iniciam a dilatação cervical.
. Contrações uterinas forçam o feto e as membranas fetais adjacentes
contra a cérvix e vagina anterior, estimulando, assim, receptores sen-
sitivos, e, como conseqüência deste fato, ocorre liberação reflexa de
oxitocina (reflexo de Ferguson).
. A ocitocina estimula o miométrio preparado pelo estrógeno a con-
trair, causando posterior dilatação cervical e expulsão do feto.
3.7 Sinais de proximidade do parto
São amplamente dependentes de alterações hormonais; existin-
do consideráveis variações. individuais entre os animais, quanto à
extensão destas alterações e seu momento de aparecimento.
. Aumento de desenvolvimento do úbere e presença de colostro.
. Edema do úbere e da parede abdominal ventral.
. Relaxamento dos ligamentos pélvicos, especialmente sacroisquiá-
tico e sacroilíaco.
. "Afundamento" da área sacroisquiática com aparente elevação da
base da cauda.
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. Relaxamento do períneo e vulva.
. Liquefação do tampão mucoso cervical
mucóide pela vulva.
. Leve queda da temperatura corporal.
com resultante descarga
3.8 1.0 estágio do parto (Duração média de 6 horas; vadação de
1-24 horas)
É difícil determinar em algumas vacas, especialmente naquelas
que já tiveram vários bezerros. Começa com a ocorrência de con-
trações uterinas regulares e coordenadas que aumentam em freqüên-
cia e amplitude à medida que progride este estágio. Os efeitos dessas
contrações são:
. Causam dor e desconforto que resultam em alterações do com-
portamento como inquietação, inapetência, desejo por isolamento,
solidão, movimentos bruscos da cauda e elevação do pulso.
. Estimulação do bezerro a alterar sua situação dentro do útero, de
modo que seja capaz de passar através do canal do nascimento
(vide Fig. 9.1).
. Dilatação da cérvix; o óstio externo precede o interno.
. O feto empurra seus fluidos e membranas fetais adjacentes em
direção à cérvix e canal pélvico.
3.9 2.0 estágio do parto (Duração média de 70 minutos; variação
de 30 minutos a 4 horas)
Este começa quando há contrações regulares e vigorosas,

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