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Obstetrícia e fertilidade em bovinos

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o vínculo mater-
nal se estabeleça e que ela não vá atacá-Io ou feri-Io.
. Checar o úbere da vaca para presença de colostro.
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4.4 Problemas após o nascimento
. Ausência de batimento cardíaco e pulso. Realizar massagem caro
díaca externa.
e Trato respiratório obstruído. Usar sugador para aspirar fluido
da cavidade bucal e trato respiratório superior, entubação endo-
traqueal e fonte de oxigênio.
. Estimular reflexo da tosse ou espirro.
. Falha na respiração espontânea. Realizar respiração artificial, com-
primindo o tórax ou imediata entubação endotraqueal. Oxigênio
com máscara facial pode também ser ben~fico. Esfregar ativamente
o tórax e superfície do corpo com palha ou pano.
Podem ser usados estimulantes respiratórios: cloridrato de
dopram via intravenosa, intramuscular, subcutânea ou sublingual,
na dose de 40-100mg (2,0 a 5,Oml). Uma mistura de (crothamide) e
cropropamide ("Respirot", Ciba-Geigy Ltd.) como xarope ou sob
a língua.
. Falha na aceitação do bezerro. Pode-se estimular a lembedura do
bezerro pela vaca espalhando fluido amniótico pelo muflo da vaca
e colocando o bezerro próximo à sua cabeça. Uma vaca indócil
deve ser sedada.
. Ausência de colostro ou falha de ejeção do leite. Usar colostro
estocado ou induzir ejeção com oxitocina seguida de ordenha ma-
nual. Assegurar que o bezerro receba pelo menos 2,5 litros de co-
lastro nas primeiras 6 horas de vida.
. Ferimentos no parto. Tração excessiva e mal-aplicada pode resul-
tar em separação das epifises, fratura de ossos dos membros e para-
lisia do nervo femural, especialmente em raças como Charolês
e Simmental.
4.5 Bezerros debilitados
Ocorrem como resultado de distocia, talvez devido a algum
grau de anoxia cerebral ou possivelmente fatores genéticos e certos
agentes infecciosos. Requerem muito mais atenção na observação
que sejam capazes de mamar. Em caso contrário, o uso de mama-
deira pode ser necessário. Prognóstico mau.
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5 -. PERfODO PÓS-PARTO (PUERPÉRIO)
5.1 Introdução
o período pós~parto, quando o trato genital está retomando
ao seu estado não-gestante normal é conhecido por puerpério. Para
obter ótima fertilidade, com a vaca produzindo um bezerro vivo
a cada 12 meses, é importante que esta fase da vida reprodutiva
seja normal para permitir que a fêmea conceba em torno de 85 dias
pós-parto (vide seções 7.4 e 7.10).
Algumas importantes modificações ocorrem durante o puerpé-
rio, as quais são:
. Retorno à atividade cíclica ovariana normal.
. Diminuição do útero ao seu estado não-gestante normal (involução).
. Regeneração do endométrio.
. Eliminação de contaminantes bacterianos.
.5 . 2 Retorno à atividade ovariana cíclica normal
Durante a gestação o ovário cessa sua atividade cíclica. Após
o parto há um período de 3-4 semanas em vacas de leite (ligeira-
mente mais longo para as de corte) antes que a primeira ovulação
ocorra, invariavelmente no ovário oposto ao corno uterino previa-
mente grávido.
A primeira ovulação ocorre freqüentemente na ausência de
sinais comportamentais de estro; as ovulações seguintes são inva-
riavelmente associadas a sinais comportamentais de cio.
Evidências de crescimento folicular podem freqüentemente ser
detectadas antes da primeira ovulação. Em algumas vacas, estruturas
cheias de fluido de mais de 2,5cm de diâmetro podem ser palpadas
nos ovários; estes não são cistos verdadeiros (vide seções 7.6 e 7.8).
O primeiro ciclo após o retorno da atividade ovariana é muitas
vezes curto (15-16 dias) devido à reduzida fase luteínica. É possí-
vel que alguns desses ciclos estejam associados com a formação de
folículos luteinizados que se comportam de forma semelhante a um
corpo lúteo normal. Estes não são cistos porque são menores que
2,5cm de diâmetro; não persistem ou causam comportamento re-
produtivo aberrante.
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5.3 Métodos para determinar o retorno à atividade cíclica
~ esperado que o retorno à atividade cíclica tenha ocorrido se
um corpo lúteo for palpado com certeza em um dos ovários (o
corpo lúteo da gestação sempre regride antes do parto). Se o cor-
po lúteo não puder ser palpado; então palpações seguidas devem
ser feitas, ou alternativamente pelo menos uma amostra de sangue
ou leite para teste de progesterona deveria ser realizado 10 dias
antes ou após a época da palpação retal.
5.4 Fatores que influenciam o retorno à atividade cíclica
. Problemas durante o parto, tais como distocia, metrite, retenção
da placenta ou mastite, irão retardar o retorno.
. Alta produção de leite pode aumentar o intervalo da primeira
ovulação.
. Nutrição deficiente durante o final da gestação e após o parto
pode retardar o retorno.
. Raça: raças de corte são mais lentas para retomar ao estro que
as de leite, existindo diferenças entre raças..
. Comparativamente as primíparas (novilhas de primeira cria) são
~cíclicas por mais tempo que as pluríparas (mais de uma cria).
. Estação do ano: há boa evidência da influência da duração da
luminosidade.
. Clima: vacas retomam ao estro mais cedo em climas temperados
do que tropicais.
. Mamada e freqüência de ordenha: a rapidez do retorno é elevada
e inversamente proporcional à freqüência de ordenha e intensidade
de mamada. Perda de peso devido à alimentação inadequeda pode
ser importante.
5.5 Involução
Involução ou regressão é o retorno do útero ao seu tamanho
normal, de não-gestante. À medida que o útero diminui, este tor-
na-se mais curvado ou espiralado e retoma para a cavidade pélvica.
A cérvix, e numa proporção menor a vagina, também sofreu in-
volução.
Inicialmente o processo de involução é rápido mas a veloci
dade diminui gradualmente; é completo provavelmente cerca de
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42 dias pós-parto, embora, se for clinicamente avaliado por pal-
pação retal, sejam as alterações após 25-30 dias imperceptí-
veis (Fig. 5. 1). A cérvix também diminui em comprimento e diâ-
metro (largura, extensão) com relativamente pouca alteração ocor-
rendo após 25-30 dias.
A involução uterina é processo ativo onde há redução no
tamanho das fibras musculares do miométrio. Isto pode ser bem
assistido pela persistência de contrações miometrais por vários dias
pós-parto. A prostaglandina F1Xé produzida pelo útero no pós-parto,
alcançando valores máximos 3-4 dias pós-parto e persistindo por
cerca de 2-3 semanas; este hormônio parece estar envolvido no
processo de involução uterina.
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Dia do parto Dias pós-parto
Fig. 5.1.
Diagrama mostrando a taxa de involução uterina no pós-parto.
Fatores que influenciam a taxa de involução
. Comparativamente a involução parece ser mais
para que em pluríparas.
. Estação do ano: a involução é provavelmente
vacas que parem na primavera e verão.
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rápida em primí-
mais rápida nas
. Amamentação: possivelmente acelera a involução.
. Clima.
. Problema de parto e periparto tais como distocia, retenção de
placenta ou infecção.
. Rapidez de retorno à atividade cíclica (vide seção 5.3).
5.6 Regeneração do endométrio
A vaca não possui placenta decídua verdadeira. Entretanto,
após o parto e deiscência placentária, há necrose e descamação do
tecido caruncular, seguido da regeneração do endométrio revestin-
do as carúnculas.
As alterações podem ser resumidas:
. Alterações degenerativas ocorrem 2 dias após o parto, envolvendo
a superfície das carúnculas.
. Cerca de 5 dias após o parto, a carúncula é coberta por uma
camada necrótica de 1-2mm de espessura.
. Dos 5 aos 10 dias há descamação de tecido necrótico o qual tor-
na-se liquefeito e contribui para a evacuação do lóquio ou "2.a
limpeza".
. Por volta dos 15 dias há início de reepitelização da carúncula
desnuda, a qual é completada em torno de 25 dias.
. A completa restauração da estrutura endometrial, inclusive das
glândulas uterinas, é completada provavelmente em 50-60 dias.
Fatores que retardam a regeneraçãodo endométrio
. Problemas durante o periparto, tais como distocia, retenção de
placenta, trauma ou infecção.
. Possivelmente deficiências dietéticas.
5 .7' Contaminação

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