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DERMATOLOGIA EM CÃES E GATOS

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a identificação do 
animal, resumo da história e sinais clí-
nicos, tratamentos realizados, respos-
tas terapêuticas e a lista dos principais 
diagnósticos diferenciais;
• Que quando tenha dúvidas, entre em 
contato com um patologista para dis-
cutir o caso.
Por outro lado, ao patologista com-
pete: processamento adequado da 
amostra (exame macroscópico da peça, 
secção, inclusão em parafina, corte, colo-
ração), um ótimo conhecimento clínico 
e dermatohistopatológico, capacidade 
de correlação anatomo-clínica, de-
monstre iniciativa para solicitar, quando 
apropriado, colorações especiais e re-
cortes, entre em contato com o clínico 
sempre que necessário, reconheça suas 
limitações e obtenha uma segunda opi-
nião para os casos que assim necessite.
A dermatopatologia possui vo-
cabulário próprio, frequentemente 
específico, porque muitas alterações 
histopatológicas ocorrem apenas no te-
gumento3,4. O melhor entendimento do 
laudo histopatológico está vinculado ao 
conhecimento dos termos e definições 
técnicas. Assim, o leitor é encorajado a 
consultar as excelentes obras relaciona-
das na bibliografia abaixo. 
Referências bibliográficas
1. GROSS, T.L., IHRKE, P.J., WALDER, E.J. 
Veterinary Dermatopathology A Macroscopic and 
Microscopic Evaluation of Canine and Feline Skin 
Disease. St. Louis: MOSBY-YEAR BOOK, Inc, 
1992. 520p.
2. IHRKE, P.J. The Skin in Biopsy: Maximizing 
Benefits. Annual Meeting Proceedings., p.299-301, 
1988.
3. SCOTT, D.W., MILLER, W.H., GRIFFIN, C.E. 
Muller and Kirk’s Small Animal Dermatology. 6.ed. 
Philadelphia: W.B.SAUNDERS, 2001. 1130p. 
4. ACKERMAN, A.B. Histologic Diagnosis of 
Inflammatory Skin Diseases. 2.ed. Baltimore: 
WILLIAMS & WILKINS, 1997. 944p.
5. MEHREGAN, A.H. Pinkus’ Guide to 
Dematohistopathology. 4.ed. Norwalk: 
APPLETON-CENTURY-CROFTS, 1986. 655p. 
6. AUSTIN, V.H. Skin Biopsies: When, Where and 
Why. The Compendium Collection., v.2, p.171-75, 
1980.
7. MORIELLO, K., GALBREATH, E. 
Dermatopathology for the “Pathophobe”. IN: 
MORIELLO, K., MASON, I. Handbook of Small 
44 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 71 - dezembro de 2013
Animal Dermatology. 5.ed. Oxford: PERGAMON 
VETERINARY HANDBOOK SERIES. 
ELSEVIER SCIENCE. 1995. cap.4. p.45-63. 
8. ANGARANO, D.W. Biopsies of the Skin and 
Mucous Membranes. Seminars in Veterinary medici-
ne and Surgery (Small Animal), v.8, p.235-38, 1993.
9. TSCHARNER, C. Skin Biopsy and Histopathology 
of Inflamatory Skin Lesions. In: Fourth world con-
gress of veterinary dermatology, 4., San Francisco, 
2000. Proceedings. San Francisco, 2000, p.26.
10. ELENITSAS, R., HALPERN, A.C. Biopsy 
Techniques. In: ELDER, D., ELENITSAS, 
R., JAWORSKY, C., JOHNSON, B. Lever’s 
Histopathology of the Skin. 8.ed. Philadelphia: 
LIPPINCOTT-RAVEN PUBLISHERS, 1997. 
Cap.2, p.3-4.
11. KUHL, K.A., SHOFER, F.S., GOLDSCHMIDT, 
M.H. Comparative Histipathology of pemphigus 
foliaceus and superficial Folliculitis in the Dog. 
Veterinary Pathology, v.31, p.19-27, 1994.
12. ACKERMAN, A.B. Histologic Diagnosis of 
Inflammatory Skin Diseases. 1.ed. LEA FEBIGER, 
1978. 863p. 
13. DUNSTAN, R.W. A User’s Guide to Veterinary 
Surgical Pathology Laboratories: Or, Why Do I 
Still Get a Diagnosis of Chronic Dermatitis Even 
When I Take a Perfect Biopsy? The Veterinary 
Clinics of North America. Small Animal Practice. 
Advances in Clinical Dermatology, v.20, p. 1397-
1417, 1990.
14. YAGER, J.A., WILCOCK, B.P. Color Atlas and 
Text of Surgical Pathology of the Dog and Cat. 
Dermatopathology and Skin Tumors. London: 
WOLFE PUBLISHING, 1994. 320p.
45Abordagem diagnóstica do prurido em cães
Guilherme De Caro Martins* – CRMV- 10.970,
Adriane Pimenta da Costa Val** – CRMV- 4331
* Mestrando em Ciência Animal, Escola de Veterinária da 
Universidade Federal de Minas Gerais (EV/UFMG) 
E-mail para contato: guilhermedcmartins@hotmail.com
** Professora Associada I, Escola de Veterinária da UFMG.
Abordagem 
diagnóstica 
do prurido 
em cães
bigstockphoto.com
Introdução 
O prurido é uma das razões mais co-
muns pelos quais os proprietários levam 
os animais para a consulta veterinária 
1,2,3. É definido como uma sensação de-
sagradável, semelhante à dor, manifesta-
do por lambedura, mastigação, roçar em 
objetos, arranhaduras, mudanças com-
portamentais e automutilações 4,5.
O prurido pode ser uma manifes-
tação de diversas dermatopatias, sendo 
as principais, relacionadas aos parasi-
tos, principalmente às pulgas, às infec-
ções secundárias, e às alergopatias 6,7. 
Portanto a identificação e controle da 
causa primária são de extrema impor-
tância antes que se realize o tratamento 
sintomático do prurido. Para isso, deve 
ser realizada uma abordagem sistemá-
tica, baseada em provas diagnósticas, 
diagnósticos diferenciais e monitoriza-
ção do paciente7. 
Revisão de literatura
Fisiopatologia
O prurido é um sinal clínico de afec-
ções dermatológicas subjacentes, com 
ou sem lesões primárias, ou de doenças 
sistêmicas, sendo considerado uma das 
queixas mais comuns apresentadas à clíni-
ca veterinária 2,5,8. De forma similar à dor, 
a coceira é um sistema de alarme efetivo 
para remoção de substâncias lesivas à pele, 
e quando ocorre de forma crônica tem 
um impacto acentuado na qualidade de 
vida do animal2. É estimulada, na maioria 
46 Cadernos Técnicos de Veterinária e Zootecnia, nº 71 - dezembro de 2013
A coceira é um 
sistema de alarme 
efetivo para remoção 
de substâncias lesivas 
à pele, e quando 
ocorre de forma 
crônica tem um 
impacto acentuado 
na qualidade de vida 
do animal.
das vezes, por substâncias 
como histamina, proteases, 
neuropeptídeos, opióides, 
mediadores lipídicos e vá-
rias citocinas que se ligam a 
receptores denominados de 
prurireceptores 1, 5,8. Alguns 
fatores podem iniciar, supri-
mir ou exacerbar o prurido1. 
Os fatores mecânicos, como 
esfregar e arranhar a pele, 
por exemplo, suprimem 
brevemente a sensação pruriginosa devi-
do ao desencadeamento de estímulos do-
lorosos, térmicos e táteis que competem 
com circuitos neuronais 5,8.
Questionário dermatológico específico 
1. Identificação do paciente
- Raça
- Idade
2. Qual a idade de aparecimento do prurido?
- Há lesões associadas?
- Como são os aspectos das lesões?
- O que apareceu primeiro: a coçeira ou a ferida?
3. Qual a intensidade do prurido? (utilizar uma escala como padrão)
4. Quais são as áreas do corpo afetadas?
- Lambe as patas? Esfrega o rosto no chão?
5. A quais tratamentos o animal já foi sumetido?
- Qual foi a resposta a cada terapia?
6. Como é o ambiente em que o animal vive?
- Houve alguma mudança ambiental recentemente?
- Convive com outros animais?
- Há algum outro animal apresentando sinais dermatológicos?
7. A que dieta o animal é submetido?
8. Há alguma outra alteração ou problema associado?
Quadro 1- Questionário dermatológico específico para paciente que cursa com prurido
Fonte: Martins et al; 2012
Abordagem do 
prurido
Deve-se buscar ini-
cialmente, uma ana-
mnese meticulosa, 
buscando-se ressaltar 
a identificação precisa 
do paciente. Para isso, 
é importante adotar 
questionários dermato-
lógicos específicos que 
servirão de guia para 
obtenção do histórico 2,3,7. Dentre as 
perguntas presentes no questionário 
(Quadro 1), deve-se ressaltar a im-
portância do padrão de distribuição 
47Abordagem diagnóstica do prurido em cães
das lesões e do prurido, 
pois isso auxilia bastan-
te no direcionamento 
da enfermidade primá-
ria presente (Quadro 2) 
(3,5). Além disso, a uti-
lização de um dermogra-
ma é essencial para mo-
nitorização do paciente 
e comprovação de me-
lhora clínica (Figura 
32)
O ato de se coçar 
está frequentemente 
associado a lesões cutâ-
neas primárias, como 
pápulas (Figura

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