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tanto causados por animais que 
se alimentam de restos quanto por metais pesados descartados indevidamente, 
podem ser observados no anexo B. 
Contribuindo, o MMA (BRASIL, s.d., p. 114) acrescenta que, além das 
doenças causadas por animais que vivem e se alimentam de resíduos sólidos e da 
contaminação dos elementos naturais, a enorme quantidade de lixo acumulada em 
locais inadequados pode gerar: entupimentos de redes de drenagem da água nas 
cidades, enchentes, depreciação imobiliária e desperdício de matéria-prima, sem 
contar o aumento nos custos para coleta e tratamento dos resíduos sólidos e na 
dificuldade para encontrar locais disponíveis para a disposição final destes resíduos. 
Para melhor gerenciar os resíduos sólidos, prevenindo e orientando a 
redução, reutilização e reciclagem, foi editada a Lei nº 12.305/2010, instituindo a 
Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS). A seguir, serão discutidos seus 
 
 
20 
principais aspectos, bem como a classificação dos resíduos sólidos, os instrumentos 
e os sujeitos e responsabilidades pelo gerenciamento destes resíduos. 
 
 
3.2.1 Política Nacional dos Resíduos Sólidos 
 
 
A PNRS foi instituída em agosto de 2010, pela Lei nº 12.305/2010, após 
muitos anos de esforços no sentido de elaborar diretrizes que pudessem gerenciar 
adequadamente os resíduos sólidos no País. A PNRS veio trazer, de forma moderna 
e participativa, uma organização para o tratamento dos resíduos sólidos, 
estimulando a reciclagem e o desenvolvimento sustentável, como lecionam Lopes e 
Calixto (2012), que também indicam seus três pontos principais: fechamentos dos 
lixões até 2014, somente resíduos sólidos não recicláveis podem ir para os aterros 
sanitários e elaboração, por parte dos municípios, do plano de resíduos sólidos. 
Siqueira (2012, p. 3) comenta: 
 
A lacuna legislativa até então existente em nosso País dava margem a 
grandes distorções na solução deste grave problema. Com efeito, a 
ausência de uma lei, regulando uma política nacional de resíduos sólidos, 
deixava os entes federados com razoável liberdade para definir prioridades, 
estabelecer restrições e incentivos a atividades empreendedoras. Tal 
liberdade acabou por provocar um certo desequilíbrio entre os 
procedimentos adotados em distintos municípios e estados da federação. 
Oportunamente, portanto, foi publicada a Lei n. 12.305/2010, que instituiu a 
Política Nacional de Resíduos Sólidos, dispondo sobre seus princípios, 
objetivos e instrumentos. Foram definidas as diretrizes relativas à gestão 
integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos; às responsabilidades 
dos geradores e do poder público e aos instrumentos econômicos 
aplicáveis. 
 
A disposição acima mencionada está expressa no art. 1º da referida Lei 
(BRASIL, 2010): 
 
Art. 1o Esta Lei institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, dispondo 
sobre seus princípios, objetivos e instrumentos, bem como sobre as 
diretrizes relativas à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos 
sólidos, incluídos os perigosos, às responsabilidades dos geradores e do 
poder público e aos instrumentos econômicos aplicáveis. 
 
No art. 3º, a Lei que instituiu a PNRS (BRASIL, 2010) apresenta alguns 
conceitos fundamentais para que a nova legislação possa ser devidamente 
 
 
21 
entendida, como área contaminada, ciclo de vida do produto, coleta seletiva, 
destinação final, gerenciamento e gestão integrada de resíduos sólidos, logística 
reversa, reciclagem, resíduos sólidos, responsabilidade compartilhada e reutilização, 
dentre outros. 
O art. 6º da Lei nº 12.305 (BRASIL, 2010) informa os princípios1 que 
orientam a PNRS: prevenção e precaução, poluidor-pagador e protetor-recebedor, 
visão sistêmica, desenvolvimento sustentável, ecoeficiência, cooperação, 
responsabilidade compartilhada, reconhecimento do valor econômico e social dos 
resíduos sólidos reutilizáveis e recicláveis, respeito às diversidades, direto de 
informação e controle social, razoabilidade e proporcionalidade. 
Quanto aos objetivos da PNRS, são estabelecidos pelo art. 7º (BRASIL, 2010): 
 
I - proteção da saúde pública e da qualidade ambiental; 
II - não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos 
resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos 
rejeitos; 
III - estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de 
bens e serviços; 
IV - adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como 
forma de minimizar impactos ambientais; 
V - redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos; 
VI - incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de 
matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados; 
VII - gestão integrada de resíduos sólidos; 
VIII - articulação entre as diferentes esferas do poder público, e destas com 
o setor empresarial, com vistas à cooperação técnica e financeira para a 
gestão integrada de resíduos sólidos; 
IX - capacitação técnica continuada na área de resíduos sólidos; 
X - regularidade, continuidade, funcionalidade e universalização da 
prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos 
sólidos, com adoção de mecanismos gerenciais e econômicos que 
assegurem a recuperação dos custos dos serviços prestados, como forma 
de garantir sua sustentabilidade operacional e financeira, observada a Lei nº 
11.445, de 2007; 
XI - prioridade, nas aquisições e contratações governamentais, para: 
a) produtos reciclados e recicláveis; 
b) bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com 
padrões de consumo social e ambientalmente sustentáveis; 
XII - integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas 
ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida 
dos produtos; 
XIII - estímulo à implementação da avaliação do ciclo de vida do produto; 
XIV - incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e 
empresarial voltados para a melhoria dos processos produtivos e ao 
reaproveitamento dos resíduos sólidos, incluídos a recuperação e o 
aproveitamento energético; 
 
1
 Conforme Fiorillo (2010), princípios são os alicerces do ordenamento jurídico, fornecendo as 
diretrizes gerais que orientam os Estados civilizados. 
 
 
22 
XV - estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo sustentável. 
Também é importante destacar o art. 13 da Lei nº 12.305 (BRASIL, 2010), o 
qual dispõe sobre a classificação dos resíduos sólidos, categorizando-os quanto à 
origem e quanto à periculosidade. Em relação à origem, os resíduos sólidos podem 
ser: domiciliares, de limpeza urbana, sólidos urbanos, comerciais, de saneamento 
básico, industriais, de serviços de saúde, da construção civil, agrossilvopastoris, de 
serviços de transporte e de mineração. Quanto à periculosidade, os resíduos são 
divididos em perigosos e não perigosos. A classificação completa é apresentada no 
anexo C. 
Nos próximos tópicos, serão discutidos dois aspectos característicos da 
PNRS, os instrumentos e os sujeitos e responsabilidades. 
 
 
3.2.1.1 Instrumentos da PNRS 
 
 
Os instrumentos são os meios pelos quais a PNRS deve ser efetivada ou, no 
entendimento de Mansor et al. (2010, p. 17), os meios que vão servir de base para a 
“[...] elaboração de políticas públicas que promovam a minimização dos resíduos 
gerados, ou seja, a redução, ao menor volume, quantidade e periculosidade 
possíveis, dos materiais e substâncias, antes de descartá-los no meio ambiente”. 
Dispostos no art. 8º da Lei nº 12.305 (BRASIL, 2010), estes instrumentos 
envolvem: planos de resíduos sólidos, inventários, coleta seletiva, responsabilidade 
compartilhada (logística reversa), estímulo à formação de cooperativas e 
associações de catadores, monitoramento e fiscalização ambiental, cooperação 
técnica e financeira entre os diversos setores sociais, pesquisa, educação ambiental, 
incentivos

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