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Apostila-Fundamentos-da-Música-1

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apoio em dinâmicas que despertam 
aos alunos motivação, pode encontrar na dinâmica das cantigas de roda, conteúdo 
para incrementar suas aulas e obter resultados nos avanços de ensino e 
aprendizagem da sala de aula. 
A música trabalhada em sala de aula, por meio de brincadeiras ou de outra 
dinâmica escolhida pelo professor, apresenta-se como recurso para a leitura “lúdica” 
e para a introdução da criança no mundo da leitura. Por meio da repetição, a criança 
aprende palavras e sua interpretação. Pode-se nesse momento ainda ser trabalhada 
a sonoridade, o ritmo, e o acréscimo de vocabulário da criança. 
De acordo com Bastian (2009, p. 08) “os estudantes que se submetem a 
experiências musicais, alcançam níveis mais elevados de sociabilidade, sentindo-se 
emocionalmente mais seguros, menos agressivos e integrados em suas salas de 
aula”. A música como ferramenta dinâmica em sala de aula, poderá gerar 
apontamentos que beneficiam o professor e os alunos no processo de ensino-
aprendizagem, pode ainda trazer oportunidades para o professor trabalhar a 
diversificação em sala de aula. 
Prendendo a atenção do aluno, o docente poderá trabalhar a assimilação do 
aluno no conteúdo de histórias inseridas às letras das músicas; utilização de 
exploração de letramento, motivar o aluno a escrever as palavras inseridas nos 
contextos das músicas como meio de conhecimento da elaboração da escrita; e 
 
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ainda pode trabalhar visando promover a interação dos alunos e a formação de novo 
vocabulário para as crianças. 
A música também possibilita a interação com o mundo adulto dos pais, avós e 
outras fontes como: televisão e rádio, que rodeiam o dia a dia das crianças, que vem 
formar um repertório inicial no seu universo sonoro. Brincando fazem demonstrações 
espontâneas, quando em família ou por intervenção do professor na escola, 
possibilitando a familiarização da criança com a música. Em muitas situações do seu 
convívio social, elas vivem ou entram em contato com a música. Em relação a isso o 
RCNEI explica que: 
 
“O ambiente sonoro, assim como presença da música em diferentes e 
variadas situações do cotidiano fazem com que os bebês, e crianças iniciem 
seu processo de musicalização de forma intuitiva. Adultos cantam melodias 
curtas, cantigas de ninar, fazem brincadeiras cantadas, com rimas 
parlendas, reconhecendo o fascínio que tais jogos exercem”. (Brasil, 1998. 
p.51) 
 
Ao trabalhar a música na escola, não podemos deixar de considerar os 
conhecimentos prévios da criança sobre a música e o professor deve tomar isso 
como ponto de partida, incentivando a criança a mostrar o que ela já entende ou 
conhece sobre esse assunto, deve ter uma postura de aceitação em relação à 
cultura que a criança traz. 
Em algumas situações pode ocorrer o fato de o professor, de uma maneira 
despercebida, deixar de lado o meio cultural e social da criança, o que não é bom, 
pois isso pode levá-la ao desinteresse pela educação musical, usar uma 
determinada música na hora de entoar a oração da manhã. Isso pode ser entendido 
como uma forma de expressão e de louvor, porém é necessário ter cuidado, pois 
nem todos têm a mesma religião. A alternativa, neste caso, talvez fosse pedir que 
cada dia uma criança fizesse a oração ou cantasse uma canção, assim, todos teriam 
a chance de expressar sua cultura religiosa na sala de aula. 
Então é preciso mostrar e entender a prática de como a música pode ser 
usada na escola, ou seja, apresentar atividades com música que contribuam no 
desenvolvimento das crianças da educação infantil, bem como atividades musicais 
que possam contribuir no trabalho com o aluno e como pode ser usada. 
 
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5.4 Musicalidade no desenvolvimento infantil 
Desde muito cedo a música tem grande importância na vida da criança, pois 
além de provocar diferentes sensações, também desenvolve capacidades que serão 
importantes durante o crescimento infantil contribuindo para seu desenvolvimento 
neurológico, afetivo e motor. Para isso, ela deve ser estimulada com variadas 
experiências musicais a fim de que perceba diferenças entre os estilos, letras, 
velocidade e ritmos melhorando a atenção, memorização e discriminação auditiva. É 
nesse período que as crianças estão mais receptivas às aprendizagens e que ocorre 
grande parte do desenvolvimento neurológico. Isto porque a fase da infância é 
considerada a fase mais rica para formação das sinapses e conexões dos neurônios 
ampliando a capacidade cerebral. Assim, a música nesse processo é um dos 
estímulos mais potentes para ativar os circuitos do cérebro de forma que, quanto 
mais cedo a criança entrar em contato com o mundo da música, maior será o 
conhecimento armazenado na memória sonora devido assimilação de vários códigos 
sonoros que a música pode oferecer. Tal fato favorece o desenvolvimento de 
habilidades cognitivas, linguísticas e motoras, participando do processo de 
desenvolvimento da sua personalidade, do amadurecimento do caráter e das 
atitudes comportamentais. 
A família pode desempenhar o papel de agente principal de integração do 
indivíduo à iniciação musical despertando o interesse da criança pelo gosto de 
repertórios musicais. Para Fucci-Amato (2008) que analisou e relatou biografias e 
depoimentos de alguns músicos, de fato a família tem grande importância na 
formação cultural do indivíduo. Antônio Carlos Gomes, por exemplo, considerado por 
muitos o maior compositor das Américas no século A influência da música no 
comportamento humano, teve contato com a atividade musical desde cedo uma vez 
que seu pai era mestre de banda e compositor, interpretando tanto música erudita 
como popular. Heitor Villa-Lobos, maestro e principal expoente da música brasileira, 
também revelou a grande influência da cultura familiar, determinante para sua 
incursão ao mundo da música, destacando o papel de seu pai com o qual sempre 
assistia a ensaios, concertos e óperas, a fim de habituar-se ao gênero de conjunto 
instrumental. 
 
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5.5 Lateralização dos hemisférios cerebrais 
Conforme Lent (2008), a neurociência é responsável pelo conjunto de 
disciplinas que compõem o estudo do sistema nervoso e que se tornou um campo 
de investigação do efeito que a música produz no cérebro, utilizando tecnologias 
como a neuro imagem a fim de visualizar regiões envolvidas na audição musical. 
O cérebro, sendo um centro cognitivo de atividades mentais superiores que 
abrange sentimentos, criatividade e inteligência, é separado por uma grande fissura 
que o divide em dois hemisférios cerebrais, hemisfério direito e esquerdo. Um efeito 
muito versado é a contra lateralidade, onde o hemisfério esquerdo cerebral exerce o 
controle do lado direito do corpo e vice-versa. Essa troca de informação entre os 
hemisférios se dá em virtude de algumas estruturas nervosas como o corpo caloso. 
De uma forma geral, o hemisfério cerebral esquerdo contém as habilidades verbais, 
analítica e o controle da linguagem em seus aspectos lógicos, enquanto as não 
verbais, holísticas, afetivas, emoções e intuitiva, dependem do hemisfério cerebral 
direito. 
Existe uma lateralização hemisférica para a música de forma que no 
hemisfério direito ocorre a discriminação do contorno melódico, do aspecto 
emocional da música e dos timbres nas regiões temporais e frontais. No entanto, o 
ritmo, a duração, a métrica e a discriminação da tonalidade ocorrem no hemisfério 
esquerdo do cérebro o qual também processa a altura estando relacionado 
exatamente às áreas da linguagem que reconhecem o arranjo musical. 
Em estudo realizado na universidade de Harvard, o neurocientista Gottfried 
Schaug demonstrou que a região frontal do corpo caloso é expressivamente maior 
nos músicos, em especial naqueles que iniciaram cedo sua formação. Tal fato 
consolida o pressuposto de que as operações musicais se tornam bilaterais com a 
intensificação do treinamento à medida que os músicos passam a coordenar

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