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Apostila-Fundamentos-da-Música-1

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humanas que surgiu a 
música instrumental. 
A melodia, por sua vez, é a primeira e imediata expressão de capacidades 
musicais, pois se desenvolve a partir da língua, da acentuação das palavras, e forma 
uma sucessão de notas característica que, por vezes, resulta num padrão rítmico e 
harmônico reconhecível. 
O que resulta da junção da melodia, harmonia e ritmo são as consonâncias e 
as dissonâncias. 
Acontece, porém, que as definições de dissonâncias e consonâncias variam 
de cultura para cultura. Na Idade Média, por exemplo, eram considerados 
dissonantes certos acordes que parecem perfeitamente consonantes aos ouvidos 
atuais, principalmente aos ouvidos roqueiros (trash metal e afins) de hoje. 
Essas diferenças são ainda maiores quando se compara a música ocidental 
com a indiana ou a chinesa, podendo se chegar até à incompreensão mútua. 
Para melhor entender essas diferenças entre consonância e dissonância é 
sempre bom recorrer ao latim: 
 
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Consonância, em latim consonantia, significa acordo, concordância, ou seja, 
consonante é todo o som que nos parece agradável, que concorda com nosso gosto 
musical e com os outros sons que o seguem. 
Dissonância, em latim dissonantia, significa desarmonia, discordância, ou 
seja, é todo som que nos parece desagradável, ou, no sentido mais de teoria 
musical, todo intervalo que não satisfaz a ideia de repouso e pede resolução em 
uma consonância. 
Trocando em miúdos, a dissonância seria todo som que parece exigir um 
outro som logo em seguida. 
Já a incompreensão se dá porque as concordâncias e discordâncias mudam 
de cultura para cultura, pois quando nós, ocidentais, ouvimos uma música oriental 
típica, chegamos, às vezes, a ter impressão de que ela está em total desacordo com 
o que os nossos ouvidos ocidentais estão acostumados. 
Portanto o que se pode dizer é que os povos, na realidade, têm consonâncias 
e dissonâncias próprias, pois elas representam as suas subjetividades, as suas 
idiossincrasias, o gosto e o costume de cada povo e de cada cultura. 
A música seria, nesse caso, a capacidade que consiste em saber expressar 
sentimentos através de sons artisticamente combinados ou a ciência que pertence 
aos domínios da acústica, modificando-se esteticamente de cultura para cultura. 
2.14 A evolução da Música 
A história da música se confunde com a história da humanidade. Desde que o 
homem dá início a sua caminhada em direção ao seu desenvolvimento sapiente, ou 
seja, interagir racionalmente com o meio ambiente, buscando a razão pela qual as 
coisas são manifestas tanto no mundo racional quanto espiritual, o então infante ser, 
em sua ânsia por interagir de forma mais ampla com o meio natural dá início a 
produção sonora, utilizando artefatos encontrados no meio ambiente. Para facilitar a 
compreensão dos fatos ocorridos, vamos dividir a história da música em: 
 
• Primitiva (relativa aos povos primevos) – que compreende os inícios 
das atividades laborais de adaptação da natureza as suas necessidades, realizadas 
pelo homem pré-histórico. 
 
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• Cultural (relativa ao domínio de técnicas rudimentares para 
manipulação dos metais) – que compreende a chamada música antiga realizada por 
povos denominados de média cultura tais como: caçadores, agricultores, pastores e 
etc. E os de alta cultura como os chineses, indianos, egípcios e gregos. 
• Cientifico-cultural – que compreende os períodos medieval, 
renascença, barroco, clássico, romântico, pós-romântico, nacionalismo e 
contemporâneo. Falar de um conteúdo tão extenso, que objetiva esclarecer ao 
estudante como se deu o desenvolvimento da música através das transformações 
sociais vividas pela humanidade, constitui-se um grande desafio. Porém, buscarei 
fazer com que o nosso conteúdo tenha apenas o que seja mais relevante para 
nossos estudos, dando maior ênfase na música popular brasileira, sem deixar de 
lado o acervo histórico que temos resguardado. 
 
3 MÚSICA 
A música, mais do que qualquer outra arte, tem uma representação 
neuropsicológica extensa, com acesso direto à afetividade, controle de impulsos, 
emoções e motivação. Ela pode estimular a memória não verbal por meio das áreas 
associativas secundárias as quais permitem acesso direto ao sistema de percepções 
integradas ligadas às áreas associativas de confluência cerebral que unificam as 
várias sensações. Exemplo pode ser dado referindo-se à sensação gustativa, 
olfatória, visual e proprioceptiva as quais dependem da integração de várias 
impressões sensoriais num mesmo instante, como a lembrança de um cheiro ou de 
imagens após ouvir determinado som ou determinada música. O conjunto dessas 
atividades motoras e cognitivas envolvidas no processamento da música é chamado 
de função cerebral. Tal função exige várias operações mentais tais como 
interpretação de ritmos, harmonias, timbres, expressão motora, processos cognitivos 
e emocionais para a formação de um complexo de interpretação da música 
(MUSZKAT, 2012). 
Nas crianças, a música também exerce grande influência em seu 
desenvolvimento e funcionamento cerebral, sendo entendida pelo cérebro como 
uma forma de linguagem. Assim, à semelhança da linguagem falada, a música 
 
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envolve diferentes entonações, ritmos, andamentos e contornos melódicos. É 
considerada uma arte que se utiliza da linguagem para a comunicação e expressão 
(CUERVO, 2011). 
A partir disso, compreenderam-se aspectos relacionados à dominância 
cerebral na função dos hemisférios cerebrais. O hemisfério esquerdo contém as 
habilidades verbais, enquanto as não verbais dependem do hemisfério cerebral 
direito (SCHMIDEK, 2005). A neurociência mostra que o cérebro de um praticante de 
música em longo prazo, como em músicos profissionais, funciona de uma forma 
diferente do cérebro de um não músico. O primeiro apresenta maior capacidade de 
aprendizado, atenção, concentração, controle emocional e normalmente são 
indivíduos bem-humorados. No desenvolvimento de suas atividades, como executar 
uma peça musical, eles usam os dois lados do cérebro ao mesmo tempo devido o 
desenvolvido das habilidades musicais localizadas em ambos os hemisférios 
indicando mudanças positivamente mensuráveis (TRAVIS, 2011; AAMODT e 
WANG, 2013). 
3.1 Processo de reconhecimento do som 
A música e a linguagem são ferramentas de estudo que exploram funções 
cerebrais. Enquanto a voz falada envolve entonação, ritmo, andamento e um 
contorno melódico, a música utiliza-se da linguagem de símbolos para comunicação 
e expressão. No entanto, ambas dependem de esquemas sensoriais responsáveis 
pela percepção e processamento auditivo e visual para que haja uma organização 
temporal e motora necessárias para a fala e execução musical (MUSZKAT et al, 
2000). 
Ao chegarem aos ouvidos, os sons são convertidos em impulsos que 
percorrem os nervos auditivos até o tálamo, região do cérebro considerada central 
para as emoções, sensações e sentimentos. Os impulsos cerebrais provocados pela 
música afetam todo o corpo e podem ser detectados por técnicas de escaneamento 
cerebral ou neuroimagem (GASPARINI, 2003). 
Quando um som é ouvido, o ouvido externo o capta, transfere e conduz a 
onda de pressão sonora (energia sonora) pelo canal auditivo em direção à 
membrana timpânica a qual vibra. Tal vibração é transmitida aos ossículos do 
 
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ouvido, de modo que martelo, bigorna e estribo oscilam em resposta ao som e, 
através do movimento mecânico, conduzem o som do meio gasoso para o meio 
líquido do compartimento seguinte. O martelo recebe inicialmente o estímulo e o 
estribo empurra a cóclea que se situa numa cavidade no osso temporal (ouvido 
interno) criando pressão sobre o fluido lá dentro. Na cóclea existem células ciliadas, 
que atuam como receptores sensoriais os quais geram estímulos elétricos através 
de sequências de descargas nervosas para o nervo auditivo, que vai transmiti-lo ao 
cérebro, no córtex auditivo,

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