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Apostila-Fundamentos-da-Música-1

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cria formas e estratégias de fazer com que as atividades 
musicais contemplem o paciente. As mais comuns incluem dança, improvisação, 
associação do canto a tons combinados, uso de imagens, o canto, tocar um 
instrumento ou compor uma música. Tais atos ajudam na expressão emocional, na 
melhora das habilidades motoras além de melhorar lembranças associadas 
favorecendo indivíduos portadores de Alzheimer (GOLD et al., 2004), com danos 
cerebrais ou necessidades especiais (COVINGTON, 2001), autistas (CHANDLER et 
al., 2002), indivíduos com síndrome de Down (BROTONS e KOGER, 2000) e 
pessoas que não estão em tratamento, crianças, adolescentes e idosos, sendo seus 
efeitos incontáveis sobre cada indivíduo. 
Muitas pesquisas relatam e apontam a importância da música como um 
elemento de otimização das funções cerebrais com destaque para a memória, uma 
vez que a música A influência da música no comportamento humano envolve 
armazenamento de símbolos organizados estimulando a cognição. Além disso, a 
música apresenta grande importância em distúrbios motores como a doença de 
Parkinson. 
Num estudo recente, idosos após acidentes vasculares encefálicos foram 
submetidos a cinco sessões semanais de 30 minutos de musicoterapia interagindo 
com piano e bateria. Os mesmos foram avaliados antes e após este período quanto 
ao desempenho motor fino (movimento de dedos), movimentos de pulso e 
movimentos mais amplos. A melhora na capacidade motora foi percebida nos 
movimentos e atribuída à plasticidade neural das vias motoras do córtex cerebral 
para a medula espinal a partir da estimulação causada pelos estímulos musicais 
(AMENQUAL et al., 2013). Por isso, Sacks (2007) afirma que a música correta, pode 
orientar o indivíduo quando este não é mais capaz de fazê-lo por si só. 
 
4 A MUSICA COMO FORMA DE COMUNICAÇÃO E EXPRESSÃO HUMANA 
A música se faz presente em todas as manifestações sociais e pessoais do 
ser humano desde os tempos mais remotos. Schaeffner (1958) explica que mesmo 
antes da descoberta do fogo, o homem primitivo se comunicava por meio de gestos 
 
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e sons rítmicos, sendo, portanto, o desenvolvimento da música, resultado de longas 
e incontáveis vivências individuais e sociais. 
Da mesma maneira, ao nascer, a criança entra em contato com o universo 
sonoro que a cerca: sons produzidos pelos seres vivos e pelos objetos. Essa sua 
relação com a música pode ocorrer, por exemplo, por meio do acalanto da mãe ou 
aparelhos sonoros, sons da natureza e outros sons produzidos no seu cotidiano. 
Nesse sentido, a música dialoga com a constituição interna do ser humano. A 
criança estabelece suas primeiras relações com o mundo sociocultural por meio dos 
sentidos sensoriais e de laços afetivos. Segundo a educadora musical brasileira Ilari 
(2003), o primeiro contato do ser humano com a música acontece mesmo antes de 
nascer, na sua vida intrauterina. Ao ouvir o batimento cardíaco da mãe mais 
compassado e mais lento que o seu, como feto toma contato com um dos elementos 
fundamentais da música – o ritmo. 
Os sons que se ouvem, quaisquer que sejam não passam de ritmos. Uma 
melodia, que nos possibilita escutar uma nota ou um “tum” do coração, consolida-se 
pela aceleração de mínimas batidas que compõem o som estável, suficiente para 
que o ouvido humano escute. Já o silêncio, imprescindível para a composição da 
música, é aquele que não conseguimos ouvir, mas que caminha também pelo ar 
como matéria, e que necessariamente selecionamos e relativizamos. 
Além do som organizado – aquele que ouvimos em um instrumento ou de um 
pássaro cantando – existem sons desorganizados, os chamados ruídos, que nos 
rodeiam incessantemente (como o som de um trovão) e aqueles que inserimos na 
música (como os instrumentos de percussão). A música, portanto, é a junção de 
sons, ruídos, silêncios, ritmos e melodias. Enfim, iniciamos o nosso contato musical 
desde quando crescemos no útero materno e por toda a nossa vida. 
Por conseguinte, cada criança traz práticas sociais e tradições culturais 
musicais, historicamente produzidas no seu contexto histórico, e ainda bebê já 
percebe as variações rítmicas e muda seus comportamentos, como por exemplo, ao 
ouvir uma canção de ninar conhecida. O canto é a estruturação musical da palavra, 
portanto, organização temporal de ritmos, frequências e timbres que demonstram a 
profunda tessitura da palavra (SANTOS, 2004). 
Nesse sentido, a música folclórica pode ser usada na Educação Infantil como 
instrumento de valor próprio e significativo, visto que, as canções tradicionais de um 
 
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povo tratam de quase todos os tipos de atividades humanas. Muitas dessas canções 
expressam crenças religiosas ou políticas, ou descrevem a sua história, que são 
passadas de geração em geração por meio da oralidade. 
4.1 Educação na perspectiva histórico-cultural 
Coadunam-se com essas reflexões as teorizações de Leontiev (1978), 
psicólogo russo, quando no texto O Homem e a Cultura ressaltam a importância do 
conhecimento culturalmente construído pelas gerações antecedentes. Segundo este 
autor, 
Cada geração começa, portanto, a sua vida num mundo de objetos e de 
fenômenos criados pelas gerações precedentes. Ela apropria- -se das 
riquezas deste mundo participando no trabalho, na produção e nas diversas 
formas de atividade social e desenvolvendo assim as aptidões 
especificamente humanas que se cristalizaram, encarnaram nesse mundo 
(LEONTIEV, 1978, p.265-6). 
 
Leontiev afirma a necessidade do processo da objetivação e apropriação 
pelas gerações futuras como condição para que ocorra seu desenvolvimento e 
humanização. Esses conceitos são explicados por ele baseados na obra de Karl 
Marx, o primeiro que forneceu uma análise teórica da natureza social do homem e 
do seu desenvolvimento sócio histórico. 
A objetivação consiste na realização material do homem das suas faculdades 
físicas, mentais ou espirituais, ou seja, na produção e reprodução de objetos 
materiais e não materiais que refletem a ação do homem no seu meio sociocultural. 
A apropriação corresponde ao complemento desse processo, significando a 
incorporação pelos indivíduos dos objetos materiais e não materiais produzidos pela 
humanidade. Portanto, ao se apropriar do objeto o sujeito se apropria do 
pensamento que o objetivou. 
De acordo com Leontiev (1978), cada indivíduo aprende a ser homem; 
ninguém nasce personalidade; para viver em sociedade não basta o que a natureza 
lhe dá ao nascer. Tem que se apropriar do que foi produzido pela humanidade no 
decurso do seu desenvolvimento histórico. 
A apropriação enfocada por ele pressupõe três particularidades essenciais: é 
sempre um processo ativo, realizado pelo homem para se apropriar e desenvolver 
novos traços essenciais da atividade acumulada pelo objeto; é sempre um processo 
 
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mediador entre a formação histórica do gênero humano e a formação singular de 
cada indivíduo; é sempre um processo mediatizado pelas relações entre seres 
humanos, numa constante transmissão cultural de geração para geração, dos 
valores, conceitos, aptidões e demais atividades ao longo da história. Dessa forma, 
Leontiev (1978, p.273) chega à conclusão de que “o movimento da história só é 
possível com a transmissão, às novas gerações, das aquisições da cultura humana, 
isto é, com educação”. O autor deixa claro que, quanto mais a humanidade progride, 
mais imprescindível se torna a educação para o seu desenvolvimento, vinculando o 
progresso histórico de uma sociedade ao progresso do seu sistema de ensino. Mas, 
o que vem a ser educação nessa concepção? Leontiev se ocupa ainda de explicar 
que, 
O homem não nasce dotado das aquisições históricas da humanidade. 
Resultando estas do desenvolvimento das gerações humanas, não são 
incorporadas nem nele, nem nas suas disposições naturais, mas no mundo 
que o rodeia, nas grandes obras da cultura humana. Só se apropriando 
delas no decurso

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