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Apostila-Fundamentos-da-Música-1

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da sua vida ele adquire propriedades e faculdades 
verdadeiramente humanas (LEONTIEV, p.282-3). 
 
 
A educação como se pode perceber tem como principal objetivo possibilitar a 
apropriação das criações humanas. É também, uma atividade social e histórica que 
se realiza nos múltiplos espaços da sociedade. No entanto, Leontiev (1978) 
complementa que não é qualquer tipo de educação que preconiza esses objetivos, e 
sim o ensino sistematizado, por possuir um nível de elaboração mais complexo do 
que aprendizagens espontâneas e não dirigidas. 
Neste sentido, Vygotsky (2001, p. 77) pontua que “a educação só pode ser 
definida como ação planejada, racional, premeditada e consciente e como 
intervenção nos processos de crescimento natural do organismo”. Portanto, na 
perspectiva enfocada pelo autor, para ter validade, deve ser implementado um 
modelo educacional que vise à apropriação da cultura material e intelectual, com 
vistas à superação das formas primitivas de pensamento e desenvolvimento da 
consciência, bem como com ênfase na formação dos processos psicológicos 
superiores. 
Nessa perspectiva de educação, é importante não perder de vista que, o que 
determina o desenvolvimento da inteligência, do raciocínio, da consciência é a 
própria vida, ou seja, a atividade que o ser humano desenvolve, seja externa, por 
 
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meio da interação, ou interna. Dessa forma, quanto mais diversificada for à 
atividade, mais se abrem possibilidades de desenvolvimento para as referidas 
funções. 
Nesse processo de aprendizagem enfatizado pelos psicólogos russos, será 
que as crianças aprendem alguma coisa por meio das cantigas de acalanto, das 
advinhas ou das danças folclóricas? Será que a música folclórica possui valor 
educativo? Poderá contribuir de alguma forma para o desenvolvimento das funções 
psíquicas? 
4.2 Música e influência no humor 
A música é descrita como tendo um papel envolvente na vida das pessoas, 
podendo causar aproximação e atração entre indivíduos melhorando assim sua 
socialização. 
 
 
Fonte: oplanetaalternativo.com 
 
Em relação à influência da música sobre o humor e a despeito da preferência 
musical de cada pessoa, nem todos os indivíduos poderão se beneficiar dos efeitos 
positivos da música sobre o humor. Este fato foi demonstrado em pesquisas feitas 
sobre determinados estilos musicais os quais mostraram correlação entre os traços 
de personalidade, valores humanos, risco de suicídio, uso de drogas e outros 
http://www.oplanetaalternativo.com/
 
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comportamentos antissociais, no comportamento pró-social, nos pensamentos e 
sentimentos agressivos e no comportamento do consumidor. 
Alguns estilos musicais como heavy metal e o rap preocupam os 
pesquisadores devido à forte frequência de comportamentos de risco em suas letras. 
Ao contrário, a música clássica tem efeitos relaxantes e positivos sobre o humor, 
mesmo que não sejam as músicas preferidas ou habitualmente ouvidas. Assim, 
estudos demonstraram significativa redução nos níveis de estresse após quatro 
meses de sessões semanais de música clássica. 
Altshuler, um psiquiatra americano, durante suas experiências clínicas 
verificou que a música cujo caráter e andamento coincidiam com o tempo mental do 
paciente, influenciava seu humor. Este médico tratava um paciente depressivo com 
músicas de caráter triste e em tonalidade menor ao passo que, para pacientes 
maníacos, empregava música de tempo “allegro” ou “vivace” devido seu tempo 
mental se apresentar disperso e rápido. Com o andamento adequado para cada um 
dos pacientes, o tempo mental era estimulado ao entrar em contato com a música. 
 
5 MÚSICA E EDUCAÇÃO 
A música tem um grande poder de interação e desde muito cedo adquire 
grande relevância na vida de uma criança despertando sensações diversas, 
tornando-se uma das formas de linguagem muito apreciada por facilitar a 
aprendizagem e instigar a memória das pessoas. 
Desde o nascimento que o ser humano mostra suas necessidades de 
comunicação, interagir com a sociedade e meio envolvente. Essa necessidade se 
inicia no ventre da sua mãe, onde é criada uma relação de afeto, estabelecendo 
formas de comunicação entre a mãe e a criança, através de simples gestos. 
Segundo Morris (1975, p. 235): 
 
Tudo que é caracteristicamente humano depende da linguagem. O ser 
humano é, em primeira instância, o animal falante. O discurso representa o 
mais essencial – mas não o único – papel no desenvolvimento e na 
preservação da identidade humana e de suas aberrações, assim como faz 
no desenvolvimento e na manutenção da sociedade e de suas aberrações. 
 
 
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A cultura vem acompanhando as gerações e sua importância é incontestável. 
A necessidade de comunicação ente os povos tornaram a música uma marca vital 
de identificação de cada comunidade e sua cultura. Segundo Oliveira (1999, p. 42), 
“é a necessidade de comunicação que impulsiona, inicialmente, o desenvolvimento 
da linguagem”. A música é a forma de expressão artística, tanto no campo popular 
quanto no erudito. As comunidades podem ser identificadas pela música que 
escutam. 
Como podemos definir taxar ou estimar o gosto musical, a cultura, classe 
social, se a criança não tem opção de aprofundar seu conhecimento nos diversos 
campos culturais oferecidos pelas artes? A música proporciona uma forma de 
expressão e contribui para buscar a identidade de um povo, mas, isso não quer dizer 
que se devem privar o mergulho em outras culturas, pois a igualdade implica no 
direito de não haver discriminação, sendo assim a escola tem obrigação de oferecer 
essa cartela de opções a seus alunos. 
Charles Husband (1998, p. 139) afirma: 
 
No reconhecimento de nossa individualidade está a possibilidade de 
assumirmos a identidade da comunidade que fazemos parte, aquilo que nos 
une e nos solidariza. Consequentemente, os direitos individuais não podem 
ser inteiramente usufruídos ou garantidos, na ausência do respeito para 
com a dignidade, a integridade, a igualdade e a liberdade daquelas 
comunidades com as quais nos identificamos, incluindo a comunidade 
étnica a qual pertencemos. Na busca do reconhecimento de quaisquer de 
nossas comunidades [...] nós devemos reconhecer reciprocamente a 
legitimidade da existência e da integridade de outras comunidades, inclusive 
suas diferenças em relação a nós. 
 
No Brasil ainda temos pouco incentivo para pesquisas sobre educação 
musical enquanto em outros países a música já é vista como obrigatória nas 
escolas. A finalidade da inclusão da música na escola não é tanto transmitir uma 
técnica particular, mas sim trazer para o aluno opções de expressão e linguagens 
que o ajudarão a desenvolver o gosto pela cultura e assim futuramente expressar-se 
através dela. 
Dessa maneira, é possível afirmar que no Brasil já temos uma trajetória 
histórica, educativa e cultural que nos permite uma reflexão crítica acerca de 
perspectivas e caminhos concretos que possam subsidiar a inserção da educação 
musical nas escolas. 
 
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Sabendo que as aulas de educação artística, onde a música está inserida, 
não tem um papel de grande destaque no currículo escolar uma vez que as 
disciplinas seguem uma regra hierárquica, onde as que são tidas como as mais 
importantes para o desenvolvimento escolar do aluno tem um enorme destaque e 
são consideradas como as de mais necessidade para a vida escolar e social do 
aluno, enquanto as demais disciplinas que estão presentes no currículo são levadas 
em “banho-maria” nas salas de aula como é o caso da disciplina de Artes. 
As aulas de educação artística há muito tempo vêm sendo relegadas ao 
segundo plano, os alunos só se dedicam as atividades artísticas dentro da escola 
apenas quando o professor ou a instituição tem atividades específicas ou projetos, 
apresentações, amostras, recitais, encontros, etc. Assim não sendo a arte fica 
sempre em segundo plano. 
Para as escolas ainda é mais importante

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