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esquizofrenia

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PSIQUIATRIA
ESQUIZOFRENIA 
HISTÓRICO 
Primeira grande doença, responsável pela criação da especialidade psiquiatria.
Desde Hipócrates, em 460 antes de cristo, já se havia falar de paranoia. A teoria dos humores definia que o nosso corpo era constituído por terra, fogo, ar e água e qualquer desequilíbrio desses poderia causar doenças. 
Em 1809, Pinel descreveu casos de “idiotia adquirida”, o termo idiotia, até então se referia a paciente que tinham retardo mental desde o nascimento e não conseguiam se desenvolver. Pinel então propôs que essa idiotia poderia não vir desde o nascimento, mas ser adquirida com o tempo. 
Em 1838, Esquirol referiu-se a pacientes com “quadros demenciais” que se instalam na juventude;
Em 1856, Morel descreveu um paciente jovem, brilhante, que se tornou progressivamente apático e retraído, utilizando a expressão démence précoce pela primeira vez. Sendo o primeiro nome relacionado a esquizofrenia. 
Kahlbaum veio a descrever a hebefrenia em 1863 e, em 1871, Hecker apresentou uma extensa monografia sobre a mesma doença;
Em 1874, Kahlbaum descreveu a catatonia e, em 1891, Pick descreveu a dementia simplex;
Todos, no entanto, ainda descreviam essas doenças como entidades independentes.
O termo dementia praecox, no entanto, não era satisfatório, uma vez que em alguns pacientes a doença se instalava em uma faixa etária superior. Além disso, não havia uma demência em sentido estrito, mas alterações que atingiam principalmente as esferas afetiva da personalidade.
Em 1908, Eugen Bleuler sugeriu a substituição pelo termo esquizofrenia (do grego, schizo= cindido, phrén= mente); 
1911, publicou a monografia Demência precoce ou grupo das esquizofrenias, em que apresenta uma descrição pormenorizada das características da doença;
Classificou os sintomas da esquizofrenia em fundamentais e acessórios:
Fundamentais seriam característicos para a doença e acessórios poderiam ocorrer em outros transtornos mentais.
Como sintomas fundamentais (os 4 As):
· distúrbios da associação do pensamento;
· distúrbios da afetividade; 
· ambivalência da afetividade e da vontade;
· autismo; 
Entre os sintomas acessórios, citou as alterações sensoperceptivas, os delírios, alucinações, os sintomas catatônicos e as alterações de memória e de atenção.
Kurt Schneider (1887-1967) estabeleceu uma hierarquia de sintomas de acordo com sua importância para o diagnóstico da esquizofrenia;
Os 1ª ordem eram considerados bastante sugestivos de esquizofrenia, desde que excluídas outras causas orgânicas;
Os 2ª ordem teria menor valor para esse diagnóstico;
A presença de sintomas de 1ª ordem não era obrigatória para o diagnóstico de esquizofrenia.
Não existe nenhum sinal ou sintoma clinico patognomonico para esquisofrenia, tosos eles podem estar presentes em outros transtornos
Na década de 80, Crow propôs que haveria duas síndromes interdependentes na esquizofrenia: 
· tipo I, caracterizada por delírios e alucinações (chamados sintomas produtivos ou positivos) em surto, fase ativa da doença. Pode ocorrer agressividade, mas não obrigatoriamente. 
· tipo II, em que predominam o embotamento afetivo e a pobreza do discurso (chamados sintomas negativos ou deficitários) face sem expressão, muitas vezes não fala
Podem ocorrer simultaneamente, sendo consideradas como “dimensões” da doença. No curso da doença, os pacientes tenderiam a evoluir de uma síndrome de tipo I para uma de tipo II.
Essa evolução era mais comum no passado devido aos antipsicóticos de primeira geração, pois eles diminuíam a dopamina em todas as vias. Após os antipsicóticos de segunda geração isso tende a ocorrer menos. 
EPIDEMIOLOGIA
A prevalência é de cerca de 1%;
É encontrada em todas as sociedades e áreas geográficas, e as taxas de incidência e prevalência são aproximadamente iguais no mundo inteiro;
Mais incapacitante dentre os transtornos psiquiátricos:
· 25% dos Leitos de hospitais psiquiátricos (Terkelsen et.al.,1995).
· 50% das admissões (Geller,1992).
· Custos econômicos e sociais - dentre as 10 Principais Causas de Incapacidade (Mueser & McGurk, 2004).
· 2,3% dos Gastos em Países desenvolvidos
· 0,8% Em Países Em desenvolvimento.
É igualmente prevalente em homens e mulheres: ambos os sexos diferem, no entanto, quanto ao início e ao curso da doença.
As idades de pico para início da doença são entre 10 e 25 anos para os homens e entre 25 e 35 anos para as mulheres; 
As mulheres exibem distribuição bimodal, com segundo pico ocorrendo na meia-idade. Cerca de 3 a 10% das mulheres apresentam início da doença após os 40 anos;
O início da esquizofrenia antes dos 10 anos ou após os 60 anos é extremamente raro;
Em torno de 90% dos pacientes em tratamento têm entre 15 e 55 anos de idade; 
O paciente esquizofrênico tende a morrer mais cedo, eles têm uma aparência um pouco mais velha. Têm em torno de 10 anos, mais velhos biologicamente, do que a população geral. 
Fatores reprodutivos aumentam a prevalência, pois a maioria casa e tem filhos. O uso de Medicações, política de desinstitucionalização, reabilitação, atendimento comunitário também contribuem.
Doenças médicas diminuem essa prevalência, outras doenças crônicas não são muito pesquisadas, como DM e HAS. Apresentam taxa de mortalidade maior que a população geral e risco de suicídio maior (principalmente se acontecimentos marcantes como rejeição e abandono familiar). Até 80% têm doenças médicas concomitantes e até 50% não são diagnosticadas;
ETIOLOGIA
Modelo do diátese-estresse: uma pessoa pode ter uma vulnerabilidade específica (principalmente genético) que, quando influenciada por um estressor, permite que os sintomas da esquizofrenia se desenvolvam.
1. Fatores de Risco Ambientais
Fatores Biológicos e psicossociais: pré-natais, perinatais, infância, adolescência e juventude considerar o uso de maconha.
Complicações Obstétricas perinatais: hemorragia, hipóxia, etc.
Infecções virais: (1) rubéola pré‐natal: risco 10-20x maior; (2) exposição pré‐natal a Influenza, 1º trimestre = 7x e 2ºtrimestre = 3x; (3) anticorpos maternos para Toxoplasmose (2,5x).
2. Genética
Uma ampla gama de estudos sugere um componente genético para a hereditariedade da esquizofrenia.
Na década de 1930, estudos clássicos mostraram que uma pessoa tem maior probabilidade de ter a doença quando outros membros de sua família são afetados, e que esta probabilidade está correlacionada à proximidade da relação.
Gêmeos monozigóticos têm a taxa mais alta de concordância.
Em estudos sobre gêmeos monozigóticos adotados. (Heston, 1966; Kety et al., 1968)
observou-se que aqueles criados por pais adotivos têm esquizofrenia na mesma taxa que seus irmãos gêmeos criados pelos pais biológicos. Tal achado sugere que a influência genética é mais decisiva que a ambiental.
O fato de gêmeos monozigóticos apresentarem uma taxa de discordância de 50% para esquizofrenia, implica uma interação ainda pouco clara entre o ambiente e o desenvolvimento do transtorno;
Ainda que gêmeos monozigóticos tenham a mesma informação genética, diferenças na regulação genética durante suas vidas talvez permitam que um gêmeo tenha esquizofrenia e o outro não.
FISIOPATOLOGIA
· HIPÓTESE DA DOPAMINA: postula que o transtorno resulta do excesso da atividade dopaminérgica. A teoria evoluiu a partir de duas observações.
1. A eficácia e a potência da maioria dos antipsicóticos estão relacionados à sua capacidade de agir como antagonistas dos receptores de dopamina D2.
2. Os agentes que aumentam a atividade dopaminérgica (anfetamina), são psicotomiméticos.
Via dopaminérgica mesolímbica principalmente envolvidas no delírio
Via dopaminérgica nigrostriada principalmente envolvidas nos sintomas extra-piramidais)
Via dopaminérgica mesocortical principalmente envolvido nos sintomas negativos
Via dopaminérgica tuberoinfundibular principalmente envolvida nos efeitos colaterais de ↑ Prolactina
Essa teoria não diz se é uma hiperatividade da dopamina, liberação excessiva ou excesso de receptores. Sabe-se apenas que é uma alteração da dopamina. 
· OUTROS NEUROTRANSMISSORES
· SEROTONINA
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