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AULA - Direito Civil 1 - Introdução

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Direito civil 
Conceito 
· O Direito Civil é o ramo do direito privado destinado a reger relações familiares, patrimoniais e obrigacionais que se formam entre indivíduos encarados como tais, ou seja, enquanto membros da sociedade.
Princípios
· Princípio da Personalidade – aceita todo ser humano como sujeito de direitos e deveres. 
· Princípio da Autonomia da Vontade – reconhece a capacidade jurídica do ser humano conferindo-lhe o poder de praticar ou abster-se de praticar determinados atos, de acordo com sua vontade. 
· Princípio da Liberdade e da Estipulação Negocial – outorga de direitos e deveres que originam negócios jurídicos. 
· Princípio da Propriedade Individual – o homem, através de seu trabalho e outras formas legais, exterioriza sua personalidade em bens que constituem seu patrimônio. 
· Princípio da Intangibilidade Familiar – reconhece a família como seu “ser” pessoal. 
· Princípio da Legitimidade da Herança e do Direito de Testar – poder de transmitir os bens (total ou parcialmente) aos seus herdeiros. 
· Princípio da Solidariedade – concilia as exigências da coletividade com os interesses particulares (negócios jurídicos).
· Princípio da eticidade – significa a valorização da ética, da boa-fé objetiva, dos bons costumes. Qualquer conduta que viole essa eticidade constitui abuso de direito, nos termos do art. 187 do CC.
· Princípio da socialidade – significa o rompimento com o individualismo anterior. Pelo atual Código Civil, tudo tem função social, característica de todos os institutos privados.
· Princípio da operabilidade – visualizado no aspecto da facilitação do Direito Civil, também denominado princípio da simplicidade, bem como da efetividade ou concretude do Direito Privado, mediante a existência de um sistema de cláusulas gerais. Esse sistema de conceitos abertos, que devem ser preenchidos pelo juiz, é criticado por alguns autores. Assim, há a operabilidade/ simplicidade e a operabilidade/ efetividade, respectivamente.
Da personalidade e da capacidade (art. 1º a 10 CC) 
Da Personalidade (art. 2º CC)
· É a aptidão, reconhecida pela ordem jurídica a alguém, para exercer e adquirir direito patrimoniais (direitos e contrair obrigações) e extrapatrimoniais (direitos da personalidade).
· Nascituro goza de direitos pessoais, os patrimoniais e deveres somente após o nascimento, ainda que venha a falecer instantes depois, seus interesses, retroagem ao momento da concepção (art. 1º CC).
· Direitos de personalidade cessão com a morte (art. 6º CC).
· Prole eventual – embrião que ainda não foi concebido.
Correntes sobre o nascituro:
a) Natalista – ela prevalece entre todos os autores, corrente que considera o nascituro uma pessoa só após o nascimento com vida (art. 1º CC).
b) Da personalidade condicionada – a personalidade se inicia com a vida, mas os direitos do nascituro retroagem a sua concepção.
c) Concepcionista – nascituro é pessoa humana, tem direitos resguardados pela lei (art. 1º CC), direitos extrapatrimoniais (doutrina majoritária).
· A concepção do embrião deve ser dentro do útero em processo de gestação.
Da Capacidade e incapacidade (art. 3º a 5º CC)
Distinções 
· Capacidade - é a medida da personalidade.
· Legitimação - aptidão especial para celebrar determinado ato;
· Legitimidade – aptidão processual para ser parte em uma relação processual; potestativo (direito que independe da outra parte).
Capacidade de:
· Direito - titular de direitos e obrigações.
· Fato – aptidão para exercer atos da vida civil pessoalmente.
· Todos nascem com capacidade limitada (direito), adquirindo a capacidade plena (direito e fato), somente quando atingir a maioridade, salvo exceções previstas em lei.
Incapacidade:
· Relativa: Permite que o incapaz pratique atos da vida civil, desde que assistido, sob pena de anulação (art. 171, I, CC).
· Exceção de assistência: atos sem teor econômico.
· Os pródigos podem exercer atos que não envolvam a administração direta de seus bens.
· Prodigo só será declarado por sentença judicial (art. 1.782 CC).
· Índios são incapazes, até que preencham os requisitos (art. 9 lei 6.0001/73).
· Absoluta: São absolutamente incapazes, os menores de 16 anos, podendo praticar atos da vida civil somente através de representação.
· Escusa de menoridade (art. 180, CC).
· Os menores incapazes estão sujeitos à tutela, e os maiores incapazes, à curatela.
Da cessação da incapacidade (art. 5º CC)
· A cessação da incapacidade pode ser suprida de duas formas: maioridade civil ou emancipação.
Emancipação
· Instituto jurídico civil, que permite a antecipação da capacidade plena, para data anterior aos dezoito anos, através das seguintes formas:
a) Voluntaria;
· Persiste a responsabilidade civil dos pais pelo ato ilícito do menor até os 18 anos, apesar de estar tecnicamente emancipado.
b) Judicial;
c) 
d) Legal 
· 
· Não se admite casamento do menor de 16 anos (art. 1.520 CC).
· União estável não emancipa.
· Somente casamento de boa-fé mantém a emancipação (art. 1.561 §2º CC).
· Não estão inclusos, cargo em comissão, ou temporário.
· A emancipação constitui ato irretratável e irrevogável, salvo existência de fraude, a qual possibilita a revogação (Enunciado n. 397). Desse modo, é possível a sua anulação por erro ou dolo.
· A emancipação serve apenas para o direito privado, não antecipando a imputabilidade penal.
Fim da personalidade (art. 6º a 8º CC)
· O fim da personalidade vem com a morte real, ou seja, com a certidão de óbito (art. 3º , lei 9.434/97).
· Princ. da saisine - a partir da morte do indivíduo, cessa sua personalidade e os seus bens se transferem aos herdeiros.
· Morte presumida – quando o indivíduo se encontra em eminente risco de morte e se esgota as buscas. Deve-se tomar cuidado em decretar morte presumida, em razão do CC não prever o ressurgimento do presumido.
· Retorno do presumido? Ele terá que ingressar com um procedimento para obter a declaração oficial da inexistência do ato que declarou sua morte.
· Morte presumida sem decretação de ausência enseja a abertura de sucessão definitiva
· Morte simultânea ou comoriência (art. 8º do CC) - acontece na hipótese de dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar qual deles morreu primeiro. Não há transferência de bens entre comorientes.
· Morte Civil - existente no direito romano (escravos). Considera morto o indivíduo na seara jurídica, conquanto vivo, há resquício art. 1.816 do C.C., que trata do herdeiro, afastado da herança por indignidade, como se ele “morto fosse antes da abertura da sucessão”.
Registros e averbações (art. 9º, 10 CC)
· É o conjunto de atos autênticos tendentes a ministrar prova segura e certa do estado das pessoas (físicas ou jurídicas), de títulos e documentos, da propriedade imobiliária e do inadimplemento do devedor.
· O homem possui informações que dizem respeito não somente a ele, mas são de interesse coletivo. Registro é informação inaugural.
Princípios Gerais 
· Publicidade - propiciando a publicidade em relação a todos os terceiros, no sentido mais amplo, produz o efeito de afirmar a boa-fé dos que praticam atos jurídicos.
· Autenticidade - é a qualidade do que é confirmado por ato de autoridade. 
· Segurança - como libertação do risco, é, em parte, atingida pelos registros públicos. Aperfeiçoando-se seus sistemas de controle e sendo obrigatórias as remissões recíprocas, tendem a constituir malha firme e completa de informações. 
· Eficácia - é a aptidão para produzir efeitos jurídicos, calcada na segurança dos assentos, na autenticidade dos negócios e declarações para ele transpostos. 
Efeitos
· Constitutivos: sem o registro o direito não nasce (ex.: emancipação); 
· Comprobatórios: o registro prova e existência e a veracidade do ato ao qual se reporta (ex: assento de óbito de pessoa presumidamente morta).
· Publicitários: o ato registrado, com raras exceções, é acessível ao conhecimento de todos, interessados e não interessados (ex.: interdição e declaração de ausência).
Estado 
· Soma das qualificações da pessoa na sociedade, hábeis a produzir efeitos jurídicos.