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Hemostasia e Coagulação

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Hemostasia e Coagulação
Devido a sua natureza fluida, o sangue flui 
livremente por todo o sistema circulatório. 
Contudo, se há uma ruptura na “tubulação” 
do sistema, o sangue se perderá, a não ser 
que alguns passos sejam dados. Um dos de-
safios para o corpo é fechar orifícios nos 
vasos sanguíneos danificados ao mesmo 
tempo em que mantém o fluxo sanguíneo 
pelo vaso. 
Seria simples bloquear completamente um 
vaso sanguíneo danificado, do mesmo 
modo que se coloca uma barreira em uma 
rua cheia de buracos. Contudo, da mesma 
maneira que os lojistas daquela rua perdem 
negócios se o tráfego for bloqueado, as cé-
lulas irritadas por esse vaso, situadas após 
o ponto do dano, morreriam por falta de 
oxigênio e nutrientes se o vaso fosse com-
pletamente bloqueado. A tarefa do corpo é 
permitir o fluxo sanguíneo pelo vaso en-
quanto repara simultaneamente a parede 
danificada. 
Esse desafio é complicado pelo fato de que 
o sangue no sistema está sob pressão. Se o 
“remendo” do reparo for muito fraco, ele é 
rompido pela pressão sanguínea. Por essa 
razão, interromper a perda de sangue en-
volve diversos passos. Primeiro, a pressão 
no vaso deve ser diminuída por tempo sufi-
ciente para criar um tampão mecânico se-
guro na forma de um coágulo de sangue. 
Uma vez que o coágulo está no lugar e a 
perda de sangue foi interrompida, os meca-
nismos de reparo do corpo podem assumir 
o controle. Então, enquanto a ferida é repa-
rada, as enzimas gradualmente dissolver o 
coágulo enquanto leucócitos fagocíticos in-
gerem e destroem os detritos. 
 
A hemostasia evita a perda de sangue 
dos vasos danificados 
A hemostasia é o processo de manter o 
sangue dentro de um vaso sanguíneo dani-
ficado. (O oposto de hemostasia é hemor-
ragia.) A hemostasia possui três passos 
principais: 
• Vasoconstrição; 
• Bloqueio temporário por tampão pla-
quetário; 
• Coagulação. 
O primeiro passo na hemostasia é a cons-
trição imediata dos vasos danificados, a fim 
de reduzir o fluxo sanguíneo e a pressão no 
vaso temporariamente. Se você aplicar 
pressão sobre um ferimento que está san-
grando, você também diminuirá o fluxo 
dentro do vaso danificado. A vasoconstri-
ção normalmente é causada por moléculas 
parácrinas liberadas do endotélio. 
A vasoconstrição é rapidamente seguida 
pelo segundo passo, o bloqueio mecânico 
do orifício por um tampão plaquetário 
solto. A formação do tampão inicia com a 
adesão plaquetária, quando as plaquetas 
aderem ou são exportas ao colágeno na 
área danificada. As plaquetas aderidas tor-
nam-se ativar, liberando citocinas na área 
ao redor da lesão. Esses fatores plaquetá-
rios reforçam a vasoconstrição local e ati-
vam mais plaquetas, que se agregam ou se 
ligam umas às outras para formar um tam-
pão plaquetário solto. As plaquetas ati-
vando mais plaquetas são um exemplo de 
alça de retroalimentação positiva. 
Simultaneamente, o colágeno exposto e o 
fator tecidual (uma mistura de proteínas e 
fosfolipídeos) iniciam o terceiro passo, a 
formação de uma rede de proteína fibrina, 
que estabiliza o tampão plaquetário para 
formar um coágulo. A fibrina é o produto 
final de uma série de reações enzimáticas, 
denominada cascata da coagulação. Al-
guns fatores químicos envolvidos na cas-
cata da coagulação também promovem a 
adesão e a agregação plaquetária na região 
danificada. Por fim, quando o vaso danifi-
cado é reparado, o coágulo retrai quando a 
fibrina é lentamente dissolvida pela enzima 
plasmina. 
O corpo deve manter o equilíbrio adequado 
durante a hemostasia. Pouca hemostasia 
permite sangramento excessivo; muita cria 
trombos, coágulos sanguíneos que aderem 
a paredes de vasos não danificados. Um 
trombo grande pode bloquear o lúmen do 
vaso e interromper o fluxo sanguíneo. 
Embora a hemostasia pareça fácil de se en-
tender, algumas questões permanecem sem 
resposta nos níveis molecular e celular. A 
coagulação sanguínea inapropriada tem um 
importante papel em acidentes vasculares 
encefálicos e cardíacos. Mutações herdadas 
que afetam a função das plaquetas podem 
levar a coágulos inapropriados ou sangra-
mento excessivo, devido a falhas na he-
mostasia. 
Um estudo detalhado da hemostasia en-
volve diversos fatores químicos, alguns dos 
quais desempenham muitos papéis e pos-
suem múltiplos nomes. Assim, aprender 
sobre a hemostasia pode ser especialmente 
desafiador. Por exemplo, alguns fatores 
participam da coagulação e da formação 
dos tampões plaquetários, e um fator da 
cascata ativa enzimas tanto para a forma-
ção quanto para a dissolução do coágulo. 
Devido à complexidade da cascata de coa-
gulação, somente discutimos alguns aspec-
tos da hemostasia em detalhes. 
A ativação das plaquetas inicia o pro-
cesso da coagulação 
Quando um vaso sanguíneo é inicialmente 
danificado, o colágeno exposto e substân-
cias químicas provenientes das células en-
doteliais ativam as plaquetas. Em geral, o 
endotélio dos vasos sanguíneos separa as 
fibras de colágeno da matriz do sangue cir-
culante. Todavia, quando o vaso está dani-
ficado, o colágeno é exposto e as plaquetas 
rapidamente começam a aderir nele. 
As plaquetas aderem ao colágeno com a 
ajuda de integrinas, proteínas receptoras de 
membrana que são ligadas ao citoesque-
leto. A ligação ativa as plaquetas e elas li-
beram o conteúdo de seus grânulos intrace-
lulares, incluindo seratonina (5-hidroxi-
triptamina), ADP e fator de ativação pla-
quetária (PAF). O PAF inicia uma alça de 
retroalimentação positiva, ativando mais 
plaquetas. 
O PAF também inicia vias que convertem 
os fosfolipídeos de membrana em trombo-
xano A2. A serotonina e o tromboxano A2 
são vasoconstritores. Eles também contri-
buem para a agregação plaquetária, junta-
mente com ADP e PAF. O resultado final é 
o crescimento de um tampão plaquetário 
que sela a parede do vaso danificado. 
Se a agregação plaquetária é um evento de 
retroalimentação positiva, o que impede 
que o tampão plaquetário continue se for-
mando e se espalhe além do local da lesão 
para outras áreas da parede do vaso? A está 
no fato de que as plaquetas não aderem ao 
endotélio normal. As células endoteliais 
vasculares intactas convertem seus lipídeos 
de membrana em prostaciclina¸ um eico-
sanoide que bloqueia a adesão e agregação 
plaquetárias. O óxido nítrico, liberado pelo 
endotélio normal e íntegro, também inibe a 
adesão das plaquetas. A combinação da 
atração das plaquetas para o local da lesão 
e a repulsão da parede normal do vaso cria 
uma resposta localizada que limita o tam-
pão plaquetário à área danificada. 
A coagulação transforma o tampão 
plaquetário em um coágulo 
O terceiro principal passo na hemostasia, a 
coagulação é um processo complexo, no 
qual o fluido sanguíneo forma um coágulo 
gelatinoso. 
A coagulação é dividida em duas vias que, 
eventualmente, convergem a uma via co-
mum. Uma via intrínseca inicia quando o 
dano aos tecidos expõe o colágeno. 
 
 
Por isso, a via intrínseca é também conhe-
cida como via de ativação por contato. A 
via intrínseca usa proteínas já presentes no 
plasma. O colágeno ativa a primeira en-
zima o fator XII, iniciando-se a cascata. 
Uma via extrínseca inicia quando os teci-
dos danificados expõem o fator tecidual, 
também chamado de tromboplastina teci-
dual ou fator III. A via extrínseca é tam-
bém chamada de via de lesão celular ou via 
do fator tecidual. O fator tecidual ativa o 
fator VII, iniciando a via extrínseca. 
As duas vias unem-se na via comum, pro-
duzindo trombina, que é a enzima que 
converte o fibrinogênio em polímeros in-
solúveis de fibrina. Essas fibras de fibrina 
se tornam parte do coágulo. 
A coagulação foi incialmente considerada 
como uma cascata similar à cascata de se-
gundo mensageiro da transdução de sinal. 
Em cada passo, uma enzima converte um 
precursor inativo em uma enzima ativa,