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A música O Cidadão

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A música O Cidadão, interpretada por Zé Ramalho enfatiza como os interesses capitalistas afetam diretamente a vida do chamado cidadão de baixa renda deixando o mesmo á margem da sociedade. Sociedade essa capitalista e consumista. Que vê o trabalho apenas como uma mercadoria e o trabalhador como um mero executor, ou seja, uma ferramenta da peça de engrenagem utilizada no processo de produção ou de execução, ou de acabamento do serviço executado. Portanto ele não é visto como um Cidadão que tem seus direitos e deveres assegurados na sociedade que está inserido. Pois ser cidadão é ter o direito de gozar de seus direitos civis e políticos do Estado em que nasceu, ou no desempenho de seus deveres para com este. A letra da música deixa bem claro que ele não consegue nem usufruir e consumir do próprio serviço ou produto que produziu ou executou, mostrando que o direito de consumo não é dado na mesma proporção igualitária para todos, sofrendo racismo e preconceito na sociedade onde se encontra inserido e que assim mesmo o intitula como cidadão.
As autoras Suzana da Rosa Tolfo e Valmira Piccinini, enfatiza que o homem reconhecer no trabalho somente algo obrigatório e necessário à sobrevivência e aquisições deixando de perceber esse mesmo trabalho como a categoria integradora, pela qual pode criar e reconhecer-se enquanto indivíduo e ser social. O homem, alienado, torna-se apenas um produtor e consumidor de capital, deixando de buscar sua identidade nas atividades que executa. Deixa, então, de atribuir significados e sentidos positivos ao seu fazer. Na dimensão social, para que o trabalho faça sentido, ele deve ser capaz de contribuir e ser útil para a sociedade, comparando-se com o aspecto de utilidade abordado na dimensão organizacional. Porém, nesta dimensão, ele adquire maior amplitude: o trabalho contribui não apenas para o desenvolvimento do indivíduo, mas da sociedade em geral, os trabalhadores sentem necessidade de realizar uma atividade que agregue valor tanto para eles quanto para a sociedade. No momento em que o trabalho não contribui, deixa de trazer benefícios para alguém e/ou para a sociedade, ele não faz sentido.
Assim, pode se constatar que o trabalho não terá fim, como teorizam alguns autores. Ele sempre irá existir e a gerar riquezas que infelizmente não vão ser apropriada para as minorias que trabalham, pois é lamentável que ainda não se percebam que por trás de um capital há um ser humano que trabalha. Que precisa ter seus direitos respeitados e ganhar oportunidades que possam levá-los a se desenvolverem tanto intelectualmente quanto profissionalmente. 
Lúcio Barbosa, também traz na sua música uma abordagem bastante grave relacionada à educação e de como é difícil o acesso para esses trabalhadores e seus familiares, mostrando que a oportunidade de se escolarizarem são poucas, e por consequência disso os problemas sociais tende a se agravarem cada vez mais na sociedade. Para Paulo Freire (1993), ”cidadão é o indivíduo no gozo dos seus direitos civis e políticos de um Estado, aquele que tem condição de cidadão, quer dizer, com o uso dos direitos e o direito de ter deveres de cidadão. É assim que ele entende a alfabetização como formação da cidadania e como formadora da cidadania”. 
Atualmente estamos convivendo com essa realidade, os profissionais principalmente da construção civil, não estão capacitados intelectualmente em suas profissões, muitos não sabem ler nem tão pouco escreverem, por falta de oportunidade de irem à escola. Muitos trabalham mais de oito horas por dias e devido ao cansaço não conseguem acompanhar o ritmo escolar e desistem de concluir os estudos. Assim o acesso à educação é um direito de todos os trabalhadores, ela qualifica o cidadão para o trabalhado e facilita sua participação na sociedade.