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caderno_MSE_0712

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infracional. Este 
acompanhamento deve ter frequência míni-
ma semanal visando, desta forma, garantir 
ação continuada por meio de acompanha-
mento sistemático.
Cabe destacar a articulação com a so-
ciedade civil. Sabe-se que, conforme a Ti-
pificação e a Resolução CNAS nº 18/2014, 
o Serviço de MSE em Meio Aberto de LA e 
PSC deve ter caráter público e gestão esta-
tal, no entanto, é importante que se possa 
contar com o suporte das iniciativas da so-
ciedade civil, especialmente na viabilização 
da oferta de serviços, programas e projetos 
complementares, que visem à concretização 
de oportunidades de convivência e fortale-
cimento de vínculos aos adolescentes e suas 
famílias. O Serviço de Convivência e Forta-
lecimento de Vínculos - SCFV, por exemplo, 
em grande parte é executado pela rede so-
cioassistencial privada.
Ainda de acordo com Resolução CNAS 
nº 18/2014, o Serviço de MSE em Meio Aberto 
deve ser ofertado de forma integrada e com-
plementar aos outros serviços do Sistema Úni-
co de Assistência Social, conforme quadro:
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3.1.2.1. Serviço de Convivência e Fortaleci-
mento de Vínculos – SCFV
O SCFV é um serviço da Proteção Social 
Básica que tem caráter preventivo e proativo, 
pautado na defesa e afirmação de direitos e 
no desenvolvimento de capacidades e poten-
cialidades dos usuários. A partir de seu reor-
denamento, disposto na Resolução CNAS nº 
01, de 21 de fevereiro de 2013, adolescentes 
em cumprimento de medidas em meio aberto 
passaram a ser público prioritário do serviço. 
Pode ser ofertado no CRAS ou em entidade de 
assistência social, inscrita no Conselho Mu-
nicipal (ou do Distrito Federal) de Assistência 
Social, localizada no território de abrangên-
cia do CRAS e estando a ele referenciada.
O SCFV oferta atividades de convivência 
e socialização, conforme especificidades dos 
ciclos de vida, por meio de intervenções pla-
nejadas territorialmente considerando as ca-
raterísticas das vulnerabilidades sociais locais, 
objetivando o fortalecimento de vínculos e pre-
venção das situações de exclusão e risco social.
A intervenção social por ciclos de vida 
considera o desenvolvimento de ativida-
des por faixa etária e/ou intergeracionais 
na organização do trabalho e na formação 
dos grupos. Sua oferta parte de públicos 
prioritários, como, entre outros, crianças 
e adolescentes retirados do trabalho infan-
til, fora da escola ou com defasagem esco-
lar superior a dois anos, em acolhimento e 
adolescentes em cumprimento de medidas 
socioeducativas em meio aberto como tam-
bém egressos de medidas socioeducativas 
(meio aberto e fechado).
SERVIÇO CORRELAÇÃO COM MSE EM MEIO ABERTO
I - Serviço de Convivência e Fortalecimento de 
vínculos - SCFV
Prioriza adolescentes em cumprimento 
de medidas socioeducativas, reforçando 
as seguranças de convívio familiar, 
comunitária e social e a autonomia 
individual, familiar e social;
II - Serviço de Proteção e Atendimento 
Especializado às Famílias e Indivíduos - PAEFI
Acompanhamento familiar integrado ao 
Serviço de MSE em Meio Aberto a partir do 
planejamento e avaliação compartilhados, 
estabelecendo interlocução com o Serviço de 
Proteção e Atendimento Integral à Família 
- PAIF e atuando no contexto social de 
violação de direitos;
III - Serviço de Proteção e Atendimento 
Integral à Família - PAIF
Acompanhamento familiar a partir do 
planejamento e da avaliação compartilhados 
com PAEFI e com o Serviço de MSE em Meio 
Aberto, visando o fortalecimento do papel 
protetivo das famílias e atuando no contexto 
de vulnerabilidade e risco pessoal e social 
nos territórios;
IV - Programa Nacional de Promoção do 
Acesso ao Mundo do Trabalho - Acessuas 
Trabalho
Mobiliza, articula, encaminha e acompanha a 
trajetória dos adolescentes a partir de 14 anos 
na condição de aprendiz e partir de 16 anos 
para a profissionalização, bem como de suas 
famílias. Atua em conjunto com os demais 
serviços do SUAS.
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É importante que o SCFV organize a 
oferta de forma a acolher os adolescentes em 
cumprimento de medida socioeducativa em 
meio aberto e egressos, evitando a formação 
de grupos específicos de adolescentes de me-
didas socioeducativas para não suscitar pre-
conceitos e segregação, uma vez que o obje-
tivo do diálogo entre estes dois serviços deve 
ser a ampliação das relações de sociabilidade 
desses adolescentes.
A participação de adolescentes em cum-
primento de medidas socioeducativas no 
SCFV deve ocorrer da mesma forma que a 
dos demais adolescentes prioritários, garan-
tindo-lhes os mesmos direitos e deveres. As 
atividades desenvolvidas pelo Serviço deve 
possibilitar aos adolescentes a construção de 
novos vínculos e a ampliação de suas vivên-
cias, tais como cultura, esporte, retorno à es-
cola. É importante que o encaminhamento 
ao SCFV seja dialogado com o adolescente e 
sua família na elaboração do PIA, levando em 
consideração interesses, aptidões e perspecti-
vas no intuito de evitar evasões e frustrações 
no processo de participação.
O SCFV tem como foco a constituição de 
um espaço de convivência por meio do desen-
volvimento de atividades que estimulem o con-
vívio social, a participação e exercício da cida-
dania visando o fortalecimento dos vínculos 
familiares e comunitários. Desta forma, não se 
trata de um serviço de cumprimento de medida 
socioeducativa de LA ou de PSC, e sim da oferta 
de uma atividade suplementar. As atividades 
do SCFV não possuem caráter sancionatório, 
nem reparador de atos infracionais cometidos 
pelos adolescentes.
3.1.2.2. O trabalho social com famílias no 
Serviço de Proteção e Atendimento Espe-
cializado a Famílias e Indivíduos – PAEFI e 
o Serviço de Proteção e Atendimento Inte-
gral à Família- PAIF 
No processo de planejamento integra-
do e atuação complementar dos serviços do 
SUAS, é fundamental que o Serviço de MSE 
em Meio Aberto estabeleça constante inter-
locução com a equipe do Serviço de Proteção 
e Atendimento Especializado a Famílias e 
Indivíduos – PAEFI, para a realização de um 
trabalho integrado entre os técnicos dos dois 
serviços com objetivo de realizar uma avalia-
ção sobre a necessidade de inserção ou não 
da família do adolescente em cumprimento 
de medidas socioeducativas neste serviço. 
O trabalho social com famílias requer 
a realização de estudos de caso sobre as 
condições de vida e a dinâmica familiar. É 
fundamental avaliar as situações que de-
mandam acompanhamento do PAEFI. A ar-
ticulação se faz necessária também com o 
Serviço de Proteção e Atendimento Integral 
à Família- PAIF, realizando a leitura conjun-
ta da trajetória da família na rede socioas-
sistencial e o planejamento das estratégias 
necessárias ao fortalecimento de seu papel 
protetivo frente as situações de vulnerabili-
dade vivenciadas. 
A articulação dos técnicos dos Serviços 
de Medidas, do PAIF e do PAEFI favorece a 
qualificação do trabalho técnico, ao propor-
cionar a circulação de informações entre as 
equipes, resultando em intervenções mais 
precisas e alinhadas às demandas dos ado-
lescentes e de suas famílias. É importante 
destacar que o trabalho social com famílias, 
realizado tanto pelo PAIF quanto pelo PAE-
FI, deve considerar o contexto de vida dos 
adolescentes e de suas famílias - aspectos 
socioeconômicos, políticos, culturais e am-
bientais – e o território, identificando suas 
vulnerabilidades, riscos sociais, dinâmicas e 
potencialidades.
Em particular, o trabalho social com 
famílias busca fortalecê-las no exercício de 
seu papel de cuidado, proteção, socialização 
e suporte frente a situações de violação vi-
venciada por elas. Deve promover o acesso 
dos seus membros a serviços públicos, visan-
do à garantia dos direitos de cidadania.
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Visando o fortalecimento da articula-
ção entre os Serviços do SUAS, e também do