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Inflamação crônica, doenças reumáticas, coticosteroides- Tutoria 3 abertura

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INFLAMAÇÃO CRÔNICA 
É a inflamação de duração prolongada (semanas ou meses) em que a inflamação, a lesão tecidual e as tentativas de 
reparo coexistem em variadas combinações. Ela sucede a inflamação aguda ou pode se iniciar insidiosamente, como 
uma resposta de baixo grau e latente, sem nenhuma manifestação prévia de uma reação aguda. 
Causas da Inflamação Crônica 
• Infecções persistentes por microrganismos: que são difíceis de eliminar tais como micobactérias e certos 
vírus, fungos e parasitas. Esses organismos frequentemente estimulam uma reação imunológica chamada de 
hipersensibilidade do tipo tardia. Algumas vezes, a resposta inflamatória tem um padrão específico chamado 
de reação granulomatosa. Em outros casos, uma inflamação aguda não resolvida pode progredir para uma 
inflamação crônica, como ocorre na infecção bacteriana aguda pulmonar, que evolui para um abscesso 
crônico. 
• Doenças de hipersensibilidade: a inflamação crônica desempenha papel relevante no grupo de doenças que 
são causadas pela ativação excessiva ou inapropriada do sistema imunológico. Sob certas circunstâncias, as 
reações imunológicas se desenvolvem contra os tecidos do próprio indivíduo, levando às doenças autoimunes. 
Nessas doenças, os autoantígenos estimulam uma reação imunológica autoperpetuante que resulta em 
dano tecidual crônico e inflamação. Ex: artrite reumatoide e esclerose múltipla. Em outros casos, a inflamação 
crônica é o resultado de respostas imunológicas não reguladas contra microrganismos, como na doença 
intestinal inflamatória. As respostas imunológicas contra substâncias ambientais comuns são a causa das 
doenças alérgicas, tais como asma brônquica. Devido ao fato de as reações autoimunes e alérgicas serem 
inapropriadamente deflagradas contra os antígenos que normalmente são inofensivos, estas não atendem 
a propósitos úteis e causam somente doença. Tais doenças podem mostrar padrões morfológicos de 
inflamação aguda e crônica misturados porque são caracterizadas por episódios repetidos de inflamação. A 
fibrose pode dominar os estádios tardios. 
• Exposição prolongada a agentes potencialmente tóxicos, tanto exógenos quanto endógenos. Ex: agente 
exógeno: partícula de sílica, um material inanimado não degradável que, quando inalado por períodos 
prolongados, resulta em uma doença inflamatória pulmonar chamada silicose. A aterosclerose é um processo 
inflamatório crônico da parede arterial induzido, pelo menos em parte, pela excessiva produção e deposição 
tecidual de colesterol endógeno e outros lipídios. 
• Algumas formas de inflamação crônica podem ser importantes na patogênese das doenças que não são 
convencionalmente consideradas distúrbios inflamatórios. Ex: doenças neurodegenerativas como a doença 
de Alzheimer, a síndrome metabólica e o diabetes do tipo 2, além de certas neoplasias em que as reações 
inflamatórias promovem o desenvolvimento de tumores. 
Características Morfológicas 
Ao contrário da inflamação aguda, que é marcada por alterações vasculares, edema e infiltração predominantemente 
neutrofílica, a inflamação crônica é caracterizada por: 
• Infiltração com células mononucleares, que incluem macrófagos, linfócitos e plasmócitos. 
• Destruição tecidual, induzida pelo agente agressor persistente ou pelas células inflamatórias. 
• Tentativas de reparo pela substituição do tecido danificado por tecido conjuntivo, realizadas pela 
proliferação de pequenos vasos sanguíneos (angiogênese) e, em particular, fibrose. 
Células e Mediadores da Inflamação Crônica 
A combinação de infiltração leucocitária, dano tecidual e fibrose, que caracteriza a inflamação crônica, resulta da 
ativação local de vários tipos celulares e da produção de mediadores. 
Função dos Macrófagos 
As células dominantes na maioria das reações inflamatórias crônicas são os macrófagos, que contribuem com a reação 
ao secretar citocinas e fatores de crescimento que agem em várias células, destruindo invasores estranhos e tecidos, 
bem como ativando outras células, em especial os linfócitos T. Os macrófagos são fagócitos profissionais que agem 
como filtros para partículas, microrganismos e células senescentes. Eles também funcionam como células efetoras 
que eliminam microrganismos nas respostas imunológicas e humorais celulares. Mas também desempenham muitos 
outros papéis na inflamação e no reparo. 
 
 
AQUI ELE RELEMBRA O DESENVOLVIMENTO DOS MACRÓFAGOS 
Os macrófagos são células teciduais derivadas 
de células-tronco hematopoiéticas na medula 
óssea, bem como de células progenitoras no 
saco vitelino embrionário e no fígado do feto 
durante o desenvolvimento inicial. As células 
circulantes dessa linhagem são conhecidas 
como monócitos. Os macrófagos estão 
normalmente espalhados de maneira difusa na 
maioria dos tecidos conjuntivos. Além disso, são 
encontrados em locais específicos, em órgãos 
como fígado (onde são chamados de células de 
Kupffer), baço e linfonodos (chamados de 
histiócitos sinusais), sistema nervoso central 
(micróglias) e pulmões (macrófagos alveolares). 
Juntas, essas células compõem o sistema fagocitário mononuclear, também conhecido pelo nome mais antigo (e 
incorreto) de sistema reticuloendotelial. 
Progenitores comprometidos na medula óssea dão origem aos monócitos, que entram no sangue, migram para o 
interior de vários tecidos e se diferenciam em macrófagos. Isso é típico para os macrófagos nos locais de inflamação e 
em alguns tecidos como pele e trato intestinal. A meia-vida dos monócitos sanguíneos é de cerca de 1 dia, enquanto 
a vida dos macrófagos teciduais é de vários meses ou anos. A maioria dos macrófagos residentes nos tecidos, como 
micróglias, células de Kupffer, macrófagos alveolares, macrófagos esplênicos e ainda os dos tecidos conjuntivos, pode 
surgir do saco vitelino ou do fígado dos fetos, bem no início da embriogênese, ocupando os tecidos e permanecendo 
inativos por longos períodos, sendo repostos principalmente pela proliferação das células residentes. Nas reações 
inflamatórias, os monócitos começam a migrar para dentro dos tecidos extravasculares de forma bem rápida e, no 
intervalo de 48 horas, podem constituir o tipo celular predominante. O extravasamento dos monócitos é regido 
pelos mesmos fatores envolvidos na emigração dos 
neutrófilos; ou seja, as moléculas de adesão e os 
mediadores químicos com propriedades quimiotáticas e de 
ativação. 
AQUI ELE RELEMBRA A RESPOSTA DOS MACRÓFAGOS 
Há duas vias principais de ativação dos macrófagos, 
chamadas de clássica e alternativa. Os estímulos que ativam 
os macrófagos por essas vias e as funções das células 
ativadas são bem diferentes. 
• Ativação clássica: pode ser induzida por produtos 
microbianos como a endotoxina, que se liga aos TLRs 
e outros sensores; pelos sinais derivados de células 
T, com destaque para a importância da citocina IFN-γ, nas respostas imunológicas; ou por substâncias 
estranhas incluindo cristais e partículas. Os macrófagos classicamente ativados (também chamados de M1) 
produzem NO e ERO, além de suprarregular as enzimas lisossômicas, resultando no aumento da habilidade de 
eliminar organismos ingeridos e secretar citocinas que estimulam a inflamação. Esses macrófagos são 
importantes para a defesa do hospedeiro contra microrganismos e em muitas reações inflamatórias. As 
mesmas células ativadas são capazes de lesar tecidos normais. 
• Ativação alternativa: é induzida por outras citocinas além do IFN-γ, tais como a IL-4 e a IL-13, produzidas pelos 
linfócitos T e por outras células. Esses macrófagos não são ativamente microbicidas, e as citocinas podem inibir 
a via clássica de ativação; em vez disso, a principal função dos macrófagos (M2) ativados de maneira 
alternativa consiste em atuar no reparo tecidual. Eles secretam fatores de crescimento que promovem a 
angiogênese, ativam os fibroblastos e estimulam a síntese de colágeno. Parece plausível que, em resposta à 
maioria dos estímulos lesivos, a primeira via de ativação seja a clássica,