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Princípios da Anestesia

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HM V- UNIME – KATARINA ALMEIDA 
 
 
 
 
O QUE É ANESTESIA? 
A anestesia é um procedimento médico que visa bloquear temporariamente a capacidade do cérebro de 
reconhecer um estímulo doloroso. Graças à anestesia, os médicos são capazes de realizar cirurgias e 
outros procedimentos invasivos sem que o paciente sinta dor. A anestesia pode ter ação local, regional 
ou geral. 
TIPOS DE ANESTESIA 
Como já referido, existem basicamente três tipos de anestesia: geral, regional e local. Vamos falar sobre 
cada uma delas. 
1.Anestesia geral: Os anestésicos gerais são utilizados quando se deseja provocar depressão global do 
sistema nervoso central (SNC), levando a perda da percepção e resposta aos estímulos externos, cursando 
com perda da consciência, amnésia anterógrada, analgesia, inibição dos reflexos autônomos e 
relaxamento da musculatura esquelética. A anestesia geral pode ser feita por via venosa ou inalatória e 
conta com o auxílio de fármacos coadjuvantes, chamados de pré-anestésicos, que servem para abolir a 
dor, gerar sedação, proteger as vias aéreas, bloquear os reflexos vagais e reduzir o metabolismo. As 
classes de medicamentos utilizados como pré-anestésicos são: 
• Anticolinérgicos: esses bloqueadores muscarínicos são utilizados para proteger o coração de uma 
possível parada durante o processo de indução anestésica. 
• Antieméticos: inibem a náusea e o vômito durante a anestesia e no período pós-anestésico. 
• Anti-histamínicos: evitam a ocorrência de reação alérgica e auxiliam na sedação, diminuindo a 
quantidade de anestésico a ser administrado. 
• Ansiolíticos e/ou hipnóticos: aqui são utilizados principalmente os benzodiazepínicos e os 
barbitúricos. Os barbitúricos ajudam na velocidade da sedação, temos como principal exemplo o 
Tiopental, fármaco bastante eficaz neste processo, capaz de tornar desnecessária a fase 
excitatória da anestesia. Já os benzodiazepínicos são utilizados normalmente 24 horas antes da 
anestesia, com o objetivo de controle da ansiedade do paciente. 
• Relaxantes musculares: são utilizados para evitar os reflexos autônomos durante a indução e 
também para facilitar a intubação. Opioides também podem ser utilizadas para controle dos 
reflexos autonômicos, bem como para auxílio na analgesia. 
Estágios da anestesia geral: 
A administração dos anestésicos gerais deve ser guiada pelos princípios de segurança e eficiência, baseada 
na natureza do procedimento a ser realizado, condições fisiológicas atuais do paciente e propriedades do 
fármaco. Com isso, o processo anestésico segue as seguintes etapas: 
Princípios da Anestesia 
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1. Preparação pré-anestésica: neste estágio, são utilizados ansiolíticos, como Midazolam ou 
Diazepam. 
2. Indução anestésica: representa a etapa inicial da anestesia, que consiste no momento de 
transição ente o estado consciente para o estado inconsciente. Como já mencionado 
anteriormente, o Tiopental é o fármaco mais utilizado nesta etapa devido a sua capacidade de 
“pular” a fase de excitação (descrita a seguir). 
3. Bloqueio neuromuscular: pode ser feito com succinilcolina e ou rocurônio para facilitar a 
intubação orotraqueal. 
4. Manutenção: é a fase de ajuste da quantidade de droga inalada e/ou infundida, minuto a minuto, 
seguindo os parâmetros clínicos e os dados fornecidos pela monitorização do paciente. Aqui 
utiliza-se comumente Propofol e outras classes medicamentosas podem ser usados, como 
antieméticos, antiarrítmicos, entre outros, a depender da necessidade clínica do paciente. 
5. Recuperação anestésica: consiste na etapa de retorno da consciência quando é retirado o 
anestésico gradativamente, mantendo apenas a oxigenação. Nessa etapa, faz-se uso de 
Neostigmina, que reverte os efeitos dos bloqueadores musculares, e Atropina, um 
anticolinérgico utilizado para diminuir os efeitos bradicárdicos da Neostigmina, e para diminuir 
as secreções brônquicas. 
2.ANESTESIA REGIONAL 
A anestesia regional é um procedimento anestésico usado em cirurgias mais simples, onde o paciente 
pode permanecer acordado. Este tipo de anestesia bloqueia a dor em apenas uma determinada região do 
corpo, como um braço, uma perna ou toda região inferior do corpo, abaixo do abdômen. 
Os 2 tipos de anestesia regional mais usados são: 
– Anestesia raquidiana (ou raquianestesia). 
– Anestesia peridural. 
2a. Anestesia raquidiana , 
Para realizar a anestesia raquidiana, uma agulha de pequeno calibre é inserida nas costas, de modo a 
atingir o espaço subaracnoide, dentro da coluna espinhal. Em seguida, um anestésico é injetado dentro 
do líquido espinhal (liquor), produzindo dormência temporária e 
relaxamento muscular. 
A presença do anestésico dentro da coluna espinhal bloqueia os 
nervos que passam pela coluna lombar, fazendo com que estímulos 
dolorosos vindos dos membros inferiores e do abdômen não 
consigam chegar ao cérebro. 
A raquianestesia é muito usada para procedimentos ortopédicos de 
membros inferiores e para cesarianas. 
 
 
 
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2b. Anestesia peridural 
A anestesia peridural é muito semelhante a anestesia raquidiana, porém há algumas diferenças: 
 
1- Na anestesia peridural o anestésico é injetado na região 
peridural, que fica ao redor do canal espinhal, e não 
propriamente dentro, como no caso da raquianestesia. 
2- Na anestesia peridural, o anestésico é injeto por um 
cateter, que é implantado no espaço peridural. Enquanto 
na raquianestesia o anestésico é administrado por uma 
agulha uma única vez, na anestesia peridural o anestésico 
fica sendo administrado constantemente através do 
cateter. 
3- A anestesia peridural pode continuar a ser administrada no pós-operatório para controle da dor nas 
primeiras horas após a cirurgia. Basta manter a infusão de analgésicos pelo cateter. 
4- A quantidade de anestésicos administrados é bem menor na anestesia raquidiana. 
A anestesia peridural é comumente usada durante o parto normal. 
3. Anestesia local 
A anestesia local é o procedimento anestésico mais comum, sendo usado para bloquear a dor em 
pequenas regiões do corpo, habitualmente na pele. Ao contrário das anestesias geral e regional, que 
devem ser administradas por um anestesiologista, a anestesia local é usada por quase todas as 
especialidades. 
A anestesia local é habitualmente feita com a injeção de lidocaína na pele e nos tecidos subcutâneos. 
Ela serve para bloquear a dor em uma variedade de procedimentos médicos, como biópsias, punções de 
veias profundas, suturas da pele, punção lombar, punção de líquido ascítico ou de derrame pleural. 
A anestesia local também pode ser feita através de gel ou spray, como nos casos das endoscopias 
digestivas, onde o médico aplica um spray com anestésico local na faringe de modo a diminuir o incômodo 
pela passagem do endoscópio. 
A anestesia local funciona bloqueando os receptores para dor na pele e os nervos mais superficiais, 
impedindo que os mesmos consigam enviar sinais doloroso para o cérebro 
PRINCÍPIOS FARMACOLÓGICOS 
A prática inicial da anestesiologia usava drogas únicas, como éter ou clorofórmio, para abolir a 
consciência, evitar movimentos durante a cirurgia, garantir amnésia e fornecer analgesia. Em contraste, 
a prática atual de anestesia combina vários agentes, muitas vezes incluindo técnicas regionais, para atingir 
pontos finais específicos. Embora os agentes inalatórios continuem sendo o núcleo das combinações de 
anestésicos modernos, a maioria dos anestesiologistas inicia a anestesia com agentes de indução 
intravenosos (IV) e, em seguida, mantém a anestesia com agentes inalatórios suplementados por opióides 
IV e relaxantes musculares. Os benzodiazepínicos são frequentemente adicionados para induzir ansiólise 
e amnésia. 
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AGENTES INALATÓRIOS 
Os anestésicos inalatórios originais - éter, óxido nitroso e clorofórmio - tinham limitações