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SENTENÇA

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19/02/2021
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PROF. ISABELA DAKKACH BARROS
PROCESSO CIVIL II
FACULDADE CATUAÍ | 2021
AULA 01
A persistência é o caminho 
do êxito.
Charles Chaplin
18.02.2021
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SENTENÇA
 De acordo com o art. 203, § 1º, do CPC, a sentença é o pronunciamento por meio do
qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do
procedimento comum, bem como extingue a execução”.
 Para que possamos definir o pronunciamento judicial como sentença, precisamos
observar dois aspectos:
a) Conteúdo: Deve estar consonância com o disposto nos arts. 485 e 487 do CPC;
b) Aptidão ou de pôr fim ao processo - nos casos de extinção sem resolução de
mérito ou em que não há necessidade de execução ou ainda nos processos de
execução por título extrajudicial - ou à fase cognitiva - nos casos de sentença
condenatória, que exige subsequente execução.
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Código de Processo Civil
Art. 203. Os pronunciamentos do juiz consistirão em sentenças, decisões
interlocutórias e despachos.
§ 1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é
o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487,
põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a execução.
§ 2º Decisão interlocutória é todo pronunciamento judicial de natureza decisória
que não se enquadre no § 1º.
§ 3º São despachos todos os demais pronunciamentos do juiz praticados no
processo, de ofício ou a requerimento da parte.
§ 4º Os atos meramente ordinatórios, como a juntada e a vista obrigatória,
independem de despacho, devendo ser praticados de ofício pelo servidor e revistos
pelo juiz quando necessário.
 Existem outros pronunciamentos judiciais em que o juiz pode resolver o mérito, mas
que não possui natureza de sentença, como no julgamento antecipado parcial de
mérito, onde ele julgará, em cognição exauriente e com força definitiva, um ou alguns
pedidos que sejam incontroversos ou independam de prova.
 No caso do julgamento antecipado parcial do mérito o processo, o processo
prosseguirá com relação aos demais pedidos e acaso a parte não concorde com a
decisão, poderá interpor Agravo de Instrumento.
 Assim, o pronunciamento judicial só será sentença se contiver uma das matérias
previstas no CPC 485 ou 487 (CPC 203, § 1º) e, cumulativamente, extinguir a fase
cognitiva do processo comum ou a execução (CPC 203, § 1º). Afora isto, será decisão
interlocutória.
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 Da leitura do § 1º do Art. 203 do CPC, podemos concluir que temos duas espécies de
sentença: As que extinguem o mérito sem resolução do mérito (hipóteses do art. 485)
e as que o juiz resolve o mérito, pondo fim ao processo ou à fase cognitiva (hipóteses
do art. 487).
 Somente a sentença com resolução do mérito faz coisa julgada material, mas ambas
ensejam a interposição de Recurso de Apelação.
 Embora em algumas hipóteses do art. 487 não haja exame de mérito propriamente
dito, o legislador as considerou como de mérito, para que pudessem tornar-se
definitivas, revestidas da autoridade da coisa julgada material. Daí alguns
doutrinadores as considerarem “falsas sentenças de mérito”.
ESPÉCIES DE SENTENÇA
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RelatórioRelatório
FundamentaçãoFundamentação
DispositivoDispositivo
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 Antes de passar à exposição dos fundamentos que o motivaram a tomar a decisão, o
juiz deverá fazer um relatório, contendo os nomes das partes, a identificação do caso,
resumo do pedido e da contestação, bem como o registro das principais ocorrências
havidas no andamento do processo (saneamento, provas, audiência, preliminares, etc.).
 O relatório evidencia que o juiz conhece a causa, transmitindo segurança para o
jurisdicionado e também para o provimento jurisdicional.
 O relatório também é importante para que a decisão possa ‘virar um precedente’. Ou
seja, o relatório faz um delimitação pormenorizada do caso, possibilitando que ele seja
usado como parâmetro de julgamento de questões semelhantes (paradigma).
 Se presta também ao controle da atividade jurisdicional.
 Exceção: JEC – Os Juizados Especiais estão dispensados de apresentar relatórios nas
suas decisões judiciais.
RELATÓRIO
 A fundamentação da decisão judicial é um direito fundamental, garantido pela
Constituição Federal (Art. 93, IX da CF). Também consta nas normas fundamentais do
CPC (Art. 11).
 Trata-se da correta aplicação do princípio do contraditório, onde todos os argumentos
lançados na discussão são devidamente considerados pelo juiz.
 Na fundamentação, o juiz deve expor as razões pelas quais acolhe ou rejeita o pedido
formulado na petição inicial, apreciando os seus fundamentos de fato e de direito
(causas de pedir) e os da defesa.
 A falta de fundamentação tornará nula a sentença, cabendo ao juiz pronunciar-se
sobre todas as questões essenciais que possam repercutir sobre o resultado, sob pena
de ser citra petita.
FUNDAMENTAÇÃO
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Código de Processo Civil
Art. 489. São elementos essenciais da sentença:
(...)
§ 2º No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios
gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a
interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a
conclusão.
§ 3º A decisão judicial deve ser interpretada a partir da conjugação de todos os
seus elementos e em conformidade com o princípio da boa-fé.
 O § 1º do art. 489 do CPC enumera as hipóteses em que não se considera
fundamentada a decisão judicial (rol exemplificativo).
1) a decisão que se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo,
sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida - Ao proferir a sentença, o
juiz desenvolve um raciocínio dedutivo, enquadrando a norma ao caso concreto. É
preciso que a sentença indique com clareza em que medida aquela norma invocada
pode funcionar como premissa maior, aplicável ao caso concreto sub judice.
2) a decisão que empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo
concreto de sua incidência no caso – Ex.: Dignidade da Pessoa Humana. É preciso que
fique claro àquele que lê a sentença ou a decisão a razão pela qual determinado
conceito jurídico foi invocado e de que forma se aplica ao caso concreto.
FUNDAMENTAÇÃO
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3) a decisão que invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão –
quando a decisão se vale de um molde ou modelo genérico, que possa servir de forma
geral. Fórmulas genéricas do tipo “foram preenchidos os requisitos”, sem a indicação
concreta das razões pelas quais o juiz assim o considera, não são admissíveis. Lembre-
se que não cabe ao judiciário criar regras gerais de conduta, mas aplicar a lei ao caso
concreto.
4) a decisão que não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de,
em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador - nem sempre será necessário que
o juiz se pronuncie sobre todas as causas de pedir e fundamentos de defesa. Se uma
das causas de pedir ficar demonstrada e for suficiente para o acolhimento do pedido, o
juiz proferirá sentença, sem precisar examinar as demais. Ex: anulação de contrato
porque firmado por incapaz sem assistência e mediante coação. Um só pedido, mas
duas causas de pedir, cada qual suficiente, por si só, para o acolhimento do pedido.
FUNDAMENTAÇÃO
5) a decisão que se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar
seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta
àqueles fundamentos - da mesma forma que é preciso que o juiz, ao aplicar
determinado ato normativo (item 1, supra), esclareça a pertinência daquela regra em
relação ao caso concreto, ele deverá fazê-lo quando invoca precedente ou enunciado
de súmula. É preciso que o julgador explique ao leitor por que o precedente ou a
súmula podem ser aplicados naquele caso concreto que ele está julgando.
6) a decisão que deixar