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Propulsão e mistura dos alimentos no trato alimentar (Resumo cap 63 - Guyton & Hall)

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pelo sangue para o 
estômago, onde inibem a bomba pilórica, ao mesmo tempo em que 
aumentam a força da contração do esfíncter pilórico. O mais potente 
parece ser a colecistocinina (CCK), que bloqueia a motilidade gástrica 
causada pela gastrina. 
Outros possíveis inibidores do esvaziamento gástrico são os 
hormônios secretina (em resposta ao ácido gástrico que sai pelo 
piloro) e peptídeo inibidor gástrico (GIP). 
 
Movimentos do intestino delgado 
Podem ser divididos em contrações de mistura e contrações 
propulsivas. 
Contrações de mistura (segmentação) 
O estiramento da parede intestinal, com a chegada do quimo, provoca 
contrações concêntricas localizadas, espaçadas ao longo do intestino 
(formando segmentos) e com duração de fração de minuto. Assim, as 
contrações de segmentação ―dividem‖ o quimo - aparência de um 
grupo de salsichas - duas a três vezes por minuto, promovendo, por 
esse meio, a mistura do alimento com as secreções do intestino 
delgado. 
A frequência máxima dessas contrações é determinada pela 
frequência das ondas elétricas lentas na parede intestinal.  12 por 
minuto em situação de extrema estimulação. 
 
Movimentos Propulsivos 
As ondas peristálticas ocorrem em qualquer parte do intestino 
delgado, e se movem na direção do ânus com velocidade de 0,5 a 2,0 
cm/s. São fracas. Por isso o movimento para adiante do quimo é 
lento. Logo com a chegada do quimo no duodeno, as paredes se 
distendem e a peristalse fica intensa. O reflexo gastroentérico, 
causado pela distensão do estômago e conduzido pelo plexo 
miontérico até o intestino delgado, também aumenta a peristalse. 
Os hormônios exercem funções importantes aqui: a gastrina, a CCK, a 
insulina, a motilina e a serotonina intensificam a motilidade intestinal; 
a gastrina, a CCK, a insulina, a motilina e a serotonina, que 
intensificam a motilidade intestinal. 
A função das ondas peristálticas no intestino delgado não é apenas a 
de causar a progressão do quimo para a válvula ileocecal, mas 
também, a de distribuir o quimo ao longo da mucosa intestinal. 
Ao chegar à válvula ileocecal, o quimo, por vezes, fica aí retido até 
que a pessoa faça outra refeição; então, o reflexo gastroileal 
intensifica o peristaltismo no íleo e força o quimo a passar pela 
válvula ileocecal para o ceco do intestino grosso. 
 Os movimentos de segmentação também contribuem para impulsionar 
o alimento ao longo intestino. 
A principal função da válvula ileocecal é a de evitar o refluxo do 
conteúdo fecal do cólon para o intestino delgado. Alguns centímetros 
acima da válvula ileocecal, tem musculatura circular espessada, 
denominada esfíncter ileocecal. A contração do esfíncter e o 
peristaltismo do íleo são controlados por reflexos originados no ceco 
(mediados pelo plexo mioentérico e nervos autônomos extrínsecos). 
Quando o ceco se distende, a contração do esfíncter ileocecal se 
intensifica e o peristaltismo ileal é inibido, fatos que retardam, 
bastante, o esvaziamento de mais quimo do íleo para o ceco. 
 
Movimentos do cólon 
As principais funções do cólon são (1) absorção de água e de 
eletrólitos do quimo para formar fezes sólidas e (2) armazenamento 
de material fecal, até que possa ser expelido. Os movimentos também 
podem ser divididos, mais uma vez, em movimentos de mistura e 
movimentos propulsivos. 
 
Movimentos de mistura (Haustrações) 
Assim como no intestino delgado, ocorrem grandes constrições 
circulares ocorrem no intestino grosso. Ao mesmo tempo, o músculo 
longitudinal do cólon, que se reúne em três faixas longitudinais, 
denominadas tênias cólicas, se contrai. Essa combinação de 
contração circular e longitudinal faz com que a porção não 
estimulada do intestino grosso se infle em sacos denominados 
Unidade XII 
Waleska Maria - Med IX 
haustrações. O material é lentamente revolvido, de forma que todo o 
material fecal fique exposto à superfície mucosa do intestino grosso, 
para que os líquidos e as substâncias dissolvidas sejam absorvidas. 
 
Movimentos propulsivos (movimentos de massa) 
Do ceco ao sigmoide, movimentos de massa podem assumir o papel 
propulsivo. Esses movimentos, normalmente, ocorrem apenas uma a 
três vezes por dia. É um tipo modificado de peristaltismo. Acontece da 
seguinte forma: 
1) Um anel constritivo ocorre geralmente no cólon transverso em 
resposta à distensão ou irritação. 
2) Nos 20 centímetros ou mais do cólon distal ao anel constritivo, as 
haustrações desaparecem. 
3) O segmento passa a se contrair como unidade, impulsionando o 
material fecal em massa para regiões mais adiante no cólon. 
 
O aparecimento dos movimentos de massa depois das refeições é 
facilitado por reflexos gastrocólicos e duodenocólicos. A irritação do 
cólon também pode iniciar intensos movimentos de massa (Ex: colite 
ulcerativa). 
 
Defecação 
A maior parte do tempo, o reto fica vazio, sem fezes, o que resulta, 
em parte, do fato de existir fraco esfíncter funcional a cerca de 20 
centímetros do ânus. Quando o movimento de massa força as fezes 
para o reto, imediatamente surge a vontade de defecar, com a 
contração reflexa do reto e o relaxamento dos esfíncteres anais. 
São dois esfíncteres: 
(1) esfíncter anal interno, espesso músculo liso. 
(2) esfíncter anal externo, composto por músculo estriado voluntário 
que circunda o esfíncter interno - está sob controle voluntário, 
consciente ou pelo menos subconsciente. 
A defecação é iniciada por reflexos: 
 - Reflexo intrínseco, mediado pelo sistema nervoso entérico local. 
Quando as fezes entram no reto, a distensão da parede retal 
desencadeia sinais aferentes que se propagam pelo plexo mioentérico 
para dar início a ondas peristálticas no cólon descendente, sigmoide e 
no reto, empurrando as fezes na direção do reto. O esfíncter anal 
interno se relaxa, por sinais inibidores do plexo mioentérico; se o 
esfíncter anal externo estiver relaxado consciente e voluntariamente, 
ocorre a defecação. 
- Reflexo de defecação parassimpático, envolve os segmentos sacros 
da medula espinhal. Quando as terminações nervosas no reto são 
estimuladas, os sinais são transmitidos para a medula espinhal e de 
volta ao cólon descendente, sigmoide, reto e ânus, por fibras 
nervosas parassimpáticas nos nervos pélvicos. Esses sinais 
parassimpáticos intensificam bastante as ondas peristálticas e 
relaxam o esfíncter anal interno. 
Quando é oportuno para a pessoa defecar, os reflexos de defecação 
podem ser propositadamente ativados por respiração profunda, 
movimento do diafragma para baixo e contração dos músculos 
abdominais. 
OBS.: outros reflexos também interferem na atividade intestinal: 
reflexo peritoneointestinal (resulta da irritação do peritônio e inibeos 
nervos entéricos excitatórios); os reflexos renointestinal e 
vesicointestinal (resultado de irritação renal ou vesical, inibem a 
atividade intestinal). 
Caso clínico 
 
Ficha do paciente 
ACM, 40 anos, feminino, refere que há 5 anos após ingerir um lanche 
iniciou um quadro de diarreia com sangue mais de 5 episódios por 
dia, perda de peso de 5 kg em um mês; após ter utilizado probióticos 
teve melhora do quadro. Dois anos depois passou a ter manchas 
escuras na pele (não sabe definir o aspecto das mesmas) e discreta 
dor em membro superior agravada ao movimento. Nessa época 
procurou um reumatologista, sendo realizados vários exames para 
artrite e todos com resultados negativos. Refere dor sacral a qual 
não acredita ter solução devido aos diferentes medicamentos que já 
utilizou para a mesma. 
No momento apresenta-se com alteração do hábito intestinal 
(diarreia 3 a 4 vezes ao dia) sem sangue, não sabe informar se há 
presença de muco. Está em tratamento de pele por ter acne severa, 
sem melhora e apresenta–se com aftas de repetição. Não há relato 
de perda de peso, porém o paciente não sabe informar quanto havia 
pesado da ultima vez. 
Antecedentes pessoais: 
 Aftas de repetição 
 Dificuldade de engravidar 
Exame físico: 
