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Radioisótopos/ Radiofármacos: apostila completa

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um íon. Em 
determinado momento a energia da partícula alfa 
é baixa e ela forma um átomo de Hélio e pausa a 
sua trajetória linear. O poder de ionização da 
partícula alfa aumenta conforme ela diminui sua 
velocidade, até que ela atinja seu poder máximo 
(pico de Bragg) e cesse sua energia, fenômeno 
também chamado de Continuous slowing-down 
approximation. 
 
Radiação beta 
 Possui a massa e carga de um elétron, 
quando ela incide em um átomo ela doa parte da 
sua energia e ejeta o elétron do átomo ionizando-
o. No momento que a partícula beta doa energia 
ela sofre um desvio, logo, diferente da radiação 
alfa sua trajetória não é linear. Quando a 
partícula beta passa próxima ao núcleo de 
átomos de elevado número átomo não é 
capturada, mas sofre atração, levando ao desvio 
e perda de energia que é emitida na forma de 
raios-X, esse fenômeno se chama bremsstrahlung 
e é utilizado nos equipamentos de raios-X. 
 
Efeitos biológicos da radiação ionizante 
 Acentuada perda de cabelo em médicos 
que haviam radiografado seus crânios. 
 1896 – Observou-se que a exposição ao 
campo de radiação causava 
avermelhamento da pele, inchaço dos 
tecidos devido ao acúmulo de fluídos e 
perda de pelos. 
 1896 – reportagens sobre o aparecimento 
de queimaduras na pele exposta aos raios-
X. 
 Elihu Thomson expôs seu dedo mínimo 
esquerdo durante meia hora aos raios-X. 
Em uma semana começou a sentir dores e 
notou uma inflamação com bolhas. 
 1911 – Registro de 94 casos de tumor 
gerados por radiação. 
 1922 – 100 radiologistas haviam morrido 
por câncer radio induzido. 
 
8 
Natalia Petry 
 Estatísticas demonstraram a redução do 
tempo de vida dos radiologistas. 
 Estudos com sobreviventes das bombas 
atômicas. 
 
 A extensão dos danos causados depende 
do tipo de radiação, tempo de exposição, forma 
de exposição, órgão irradiado e do intervalo entre 
radiações. 
 
Estágios da ação da radiação 
1. Estágio físico: 10^-15s 
Deposição de energia nos compostos, excitação e 
absorção de energia. 
 
2. Estágio físico-químico: 10^-14s 
Quebra de ligações, transferência de íons ou 
formação de radicais livres. 
 
3. Estágio químico: poucos segundos 
Reação dos radicais livres, formação de produtos 
(estáveis ou tóxicos), dano ao RNA e DNA, 
inativação de enzimas, peroxidação de lipídios, 
dano às biomoléculas, ionização, formação de 
novas ligações químicas. 
Ação indireta: 
 Radiólise da água: formação de espécies 
altamente reativas, como peróxido e radicais 
livres, que podem reagir com outras estruturas da 
célula para danifica-las. 
Ação direta: 
Radiação atinge diretamente a molécula de DNA, 
dependendo da extensão do dano o DNA pode 
ser reparado ou mutado. Quando a radiação 
atinge diretamente o RNA e enzimas pode 
ocorrer perda energética e erro nas sequencia 
dos nucleotídeos. Danos por radiação em 
proteínas da membrana poderá ocorrer perda de 
função, anemia falciforme, alterações em canais 
de íons, danos em receptores e proteínas 
mitocondriais. 
 
4. Estágio biológico: dias, semanas ou anos “mal 
invisível”. 
Reações secundárias continuam; interrupção de 
reações bioquímicas; diminuição da mitose; 
rompimento da membrana celular; sinais da 
exposição (queimaduras, inchaço e câncer); 
 
 Após a exposição à radiação não é 
possível interromper os 4 estágios. Os efeitos da 
radiação podem ser somáticos, como por 
exemplo, irradiação na medula óssea ou outro 
tecido, sendo percebidos no próprio individuo, ou 
hereditários quando ocorre irradiação de células 
dos órgãos reprodutores, o que pode causar más-
formações no feto. 
 Quanto ao tempo de manifestação, os 
efeitos podem ser imediatos (radiodermite; 
queimaduras; síndrome da irradiação aguda), ou 
tardios (câncer). Em função das formas de 
respostas os efeitos são classificados em: 
estocásticos não previsíveis, onde a probabilidade 
de ocorrer aumenta com a exposição (redução na 
expectativa de vida, alterações genéticas e 
câncer), e efeitos determinísticos que quanto 
maior a dose maior o efeito (queimadura). Existe 
um limiar para o efeito determinístico, ou seja, 
em dose baixa o dano não ocorre. 
 
Lei de Tribondeau e Bergonie 
 A radiossensibilidade de uma célula é 
diretamente proporcional a sua atividade 
reprodutora, e inversamente proporcional ao seu 
grau de especialização. 
 
Acidentes com fontes radioativas 
 Goiânia, 1987 – cápsula contendo césio-
137 encontrada em clínica abandonada. 
Estima-se mais de 60 mortes até 2012, 
 Argentina La Plata, 1968 – Soldador 
boliviano encontrou uma fonte de césio 
137 e guardou no bolso do avental 
 
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Natalia Petry 
durante 18h. Região das coxas foi 
necrosadas. 
 Polônia Bialystok, 2001 – Cinco pacientes 
são submetidas à superexposição durante 
radioterapia após uma queda de energia e 
posterior restauração do sistema. 
 
Medidas da radioatividade 
 
Contador de Geiger-Miller 
 Permite a detecção de radiação 
ionizante, tem como parte detectora da radiação 
um cilindro oco, com uma parede externa de 
cátodo e uma estrutura central de ânodo, em 
uma extremidade ele possui uma tela permeável 
(janela) onde a radiação entra, e na outra um 
detector de cargas. A parte oca é preenchida por 
um gás facilmente ionizável, normalmente 
argônio, e quando a radiação ionizante atinge 
esse gás ocorre à formação de cargas que irão ser 
atraídas pelo cátodo e ânion, com isso há 
formação de diferença de potencial, e geração de 
sinal elétrico. 
 
Características: Semi-quantitativo (não fornece 
valor exato); 
Não diferencia entre radiações ionizantes; 
Detecta somente radiações ionizantes; 
Baixa sensibilidade para altos níveis de radiação 
(capacidade de ionização do gás saturada); 
Tempo morto (demora na detecção); 
Calibração; 
Radiação de fundo; 
Alta sensibilidade para baixos níveis de radiação; 
Fácil manuseio; 
Barato. 
 
 Ma
ssa 
C
ar
g
a 
Barreira Alcance 
no ar 
Alcance 
no corpo 
Alfa 4u +
2 
Papel Até 4 cm Poucos 
mm 
Beta =e 
 
-1 Placa Até 4m Poucos 
cm 
Gam
a 
- - 
Blocos de 
chumbo/ 
concreto 
 
 
Ilimitad
o 
 
 
Atravessa Raio
s-X 
- - 
 
 
 Caso o Geiger não diferenciar entre as 
radiações, ainda podemos avaliar quais radiações 
estão presentes com uma folha de papel e uma 
placa de alumínio. O ideal é medir a radiação de 
fundo, a radiação sem barreiras, com barreira de 
papel e com a placa de alumínio. A radiação alfa 
não atravessará o papel, e a placa de alumínio 
apenas a gama e raios-X atravessará. 
 
Limites de doses de radiação 
 
 Unidade de 
Medida SI 
Outras 
unidades 
Atividade Becquerel (Bq) Curie (Ci) 
Dose 
absorvida 
Gray (Gy) Rad/ 
Roentgen (R) 
Dose efetiva Sievert (Sv) 
 
 Atividade: número de desintegrações de 
um material por unidade de tempo. 
 Dose absorvida: quanto um material não 
radioativo recebeu de radiação. 1Gy = 
1J/kg 
 Dose efetiva: quanto de radiação é 
recebido por um tecido vivo. 1Gy= 1Sv 
 
 
 
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Natalia Petry 
 Trabalhador Público 
Limite de dose 
efetiva 
20 mSv/ano 1 mSv/ano 
*Para público em geral a dose de radiação é bem 
menor, pois os trabalhadores fazem exames 
periódicos para controlar os efeitos da radiação. 
*Para finalidades terapêuticas pode ser usado um 
limite maior. 
*Considerando uma região do corpo especifica 
temos a dose equivalente para o cristalino, pele e 
extremidades. 
 
Dosimetria Pessoal Termoluminescente 
 A monitoração da dose recebida por 
trabalhadores expostos à radiação ionizante é 
feita através do uso de um monitor individual, 
usados normalmente na forma de crachá, relógio 
ou anel. Os dosimetros possuem cristais com 
propriedades termoluminescentes que acumulam 
energia para uma posterior medição. 
 Quando os cristais são aquecidos emitem 
luz proporcional à quantidade de radiação à qual 
foram expostos para determinar a dose