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Radioisótopos/ Radiofármacos: apostila completa

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não são conjugados e 
são excretados para os canalículos biliares. 
 
Sistema Esquelético 
Cintilografia óssea: busca de metástases ósseas, 
detecta lesões ósseas e malignas com 4 a 6 meses 
de antecedência do que estudos radiológicos 
convencionais. 
 
MDP / MDP-Tc99m 
Via de administração endovenosa; indicado para 
cintilografia óssea. 
Mecanismo de captação: MDP é adsorvido na 
fase mineral óssea através de uma ligação 
covalente entre o fosfato da molécula com os 
cristais de cálcio dos ossos. 
 
Sistema Nervoso Central 
 Através de exames de imagem é possível 
avaliar o metabolismo da glicose, perfusão 
cerebral e biocinética de receptores específicos. 
Exames indicados para localização de foco 
epileptogênico, avaliação de doenças cérebro 
vasculares, avaliação de tumores, recidiva 
tumoral, determinação da atividade metabólica 
de tumores, e diagnosticar morte cerebral. 
 
ECD 
 Radiofármaco lipofílico, captação de primeira 
passagem em poucos minuto. Acumula-se em 
regiões que são focos de epilepsia, Alzheimer, 
morte cerebral. 
 
Sistema urinário 
 Cintilografia renal dinâmica: Avaliação das 
funções renais. 
 DTPA-Tc99m – Agente de filtração 
glomerular 
 MAG³-Tc99m – Agente de secreção 
tubular 
 
Sistema respiratório 
MAA 
 Radiofármaco utilizado para diagnosticar 
principalmente a embolia pulmonar. 
 
Oncologia 
Pesquisa de linfonodo sentinela – Linfonodos 
que primeiramente recebem a drenagem de um 
tumor, sendo, portando, o local mais provável de 
disseminação linfática das células neoplásicas. 
 
Coloides marcados com Tc99-m 
FITATO, Dextran, Enxofre coloidal 
 O sistema linfático drena a água e solutos de 
baixo peso molecular. Os radiofármacos devem 
possuir a molécula fria com baixo peso molecular, 
para que sejam drenados por capilares linfáticos 
e não pelos capilares sanguíneos. 
 
Radiofármacos para tratamento 
 Iodoterapia 
 Terapia com Lu-177 
 Radioimunoterapia 
 
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Natalia Petry 
 Braquiterapia 
 Teleterapia 
 
Iodoterapia 
 Utilizada principalmente em 
hipertireoidismo causado por doença de graves, 
ou nódulos que aumentam a produção de t3 e t4. 
A finalidade dessa terapia é destruir células da 
tireoide, e o tempo de ½ vida do iodo-131 é de 8 
dias. 
 A captação do iodo é influenciada pelo TSH 
plasmático e pela quantidade de iodo no 
organismo. A dieta do paciente deve ser pobre 
em iodo para que a captação do radiofármaco 
não seja prejudicada. O tratamento consiste em 
administração via oral em dose única, raramente 
é necessária uma segunda administração. 
 
Radioimunoterapia 
 Anticorpo ligado a um radionuclídeo, podendo 
potencializar os efeitos citotóxicos do anticorpo. 
Um exemplo é o Zavallin (Y-90), utilizado no 
tratamento de linfoma não-hodkin. 
 Os efeitos secundários da radioimunoterapia 
envolvem anemia, imunossupressão, infecções 
graves, trombocitopenia e tumores malignos 
secundários (pelo uso do material radioativo). 
 
Radioterapia 
 Emprego da radiação para tratamento, 
utilizando vários tipos de energia que podem 
atingir o local dos tumores ou áreas do corpo 
onde se alojam as enfermidades, com a finalidade 
de destruir suas células, de modo a melhorar a 
qualidade de vida, e diminuir o tamanho dos 
tumores. 
 A radioterapia vem sendo usada a pelo menos 
um século, e começou com a utilização do 
elemento rádio. Na década de 30 as doses de 
radiação já eram quantificadas, e foi possível 
estabelecer a relação entre quantidade e efeito 
biológico. Quando se descobriu uma forma de 
produzir o cobalto-60 no reator nuclear, este 
radioisótopo se tornou o principal elemento 
utilizado, pois este elemento permite a emissão 
de grandes doses de radiação em um volume 
alvo. Atualmente os principais equipamentos de 
radioterapia utilizam Co-60 e Cs-137. 
 Em adultos a radioterapia pode ter finalidade 
paliativa (tratamento de dor com doses 
menores), pré-operatória (diminuição do tumor 
pré retirada), pós-operatória (possíveis focos 
restantes), curativa (dose máxima), anti-álgica 
(tratamento da dor) e finalidade anti-
hemorrágica. 
 
Radiosensibilidade e radiocurabilidade 
 Todos os tumores são radiossensíveis, mas só 
são radiocuráveis se a dose necessária para o seu 
controle não for demasiado nociva. 
Lei de Tribondeau-Bergonier: As células mais 
sensíveis à radiação ionizante são aquelas que se 
dividem mais rapidamente (células pouco 
especializadas). Via de regra células tumorais são 
mais atingidas pela radiação pela alta taxa de 
divisão celular. 
Aporte de oxigênio às células malignas: o 
oxigênio pode se ligar aos elétrons livres gerados 
pela ionização o DNA, causando danos a esta 
molécula. 
 
Formas de radioterapia 
 Radioterapia externa/ Teleterapia – 
indivíduo fica deitado com o 
equipamentos uma distância de 1cm a 
1m, a sessão dura poucos minutos, não 
causa dor, pode ser feita com 
aceleradores lineares (feixe de elétrons – 
radiação de frenamento), aparelhos de 
raio x ou equipamentos de raio gama 
(fonte radioativa de Cs-137 ou Co-60, 
filtração e direcionamento ao tumor). 
 Por via interna/ Braquiterapia: fonte em 
contato com o paciente (punção, 
 
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Natalia Petry 
implantes cirúrgicos e cavidades do 
corpo), fonte temporária ou permanente. 
Diminui a radiação nas células saudáveis. 
 
 
Eventos adversos da radioterapia 
Imediatos: relação direta com a região irradiada. 
Tecidos com maior capacidade proliferativa são 
mais sensíveis, em geral não são graves. 
Tardios: Problemas raros, atrofias e fibroses. 
Ocorrem quando as doses de tolerância foram 
ultrapassadas. 
 
Legislação dos Radiofármacos 
Regulamentação 
 Até 2006 os radiofármacos eram 
monopólio da união, e apenas o CNEN podia 
produzir radiofármacos. Com a EC 49/2006 foi 
possível haver unidades de produção de 
radiofármacos no país, com regulamentação da 
ANVISA. Em 2006 foram publicadas a RDC 63 
(boas práticas de fabricação) e a RDC 64 
(registro). 
 
RDC 64/2009 
Trata do registro de radiofármacos prontos pra 
usos, componentes não radioativos para 
marcação, e radionuclídeos. O relatório técnico 
deve possuir: 
 Atividade total (radioatividade/massa) 
 Atividade específica 
(radioatividade/massa do elemento) 
 Concentração radioativa 
(radioatividade/mL) 
 Pureza radionuclídica (radioatividade do 
RN/ radioatividade total) 
 Pureza radioquímica (radioatividade do 
RN/ Radioatividade total da preparação) 
 Comprovação de segurança e eficácia. 
Irradiação dos alimentos 
Irradiação de alimentos: Exposição direta de um 
material a uma fonte radioativa, para irradiar 
alimentos utilizam-se radiações ionizantes. O 
alimento recebe a radiação gama e beta, mas não 
se torna radioativo porquê o material está 
recebendo a radiação e não os nuclídeos. 
 Em 1997 a OMS permitiu a radiação nos 
alimentos com duas finalidades: diminuir as 
intoxicações alimentares, e inibir o brotamento 
de raízes e tubérculos (prolongar o processo de 
maturação). 
 
Fontes de radiação autorizadas pela Comissão 
Nacional de Energia Nuclear 
 Isótopos radioativos emissores de 
radiação gama: Cobalto-60 e Cesio-137. 
 Raios X gerados por máquinas que 
trabalham com energia até 5 MeV – 
energia baixa, pouca penetração. 
 Elétrons gerados por máquinas que 
trabalham com energias de até 10MeV. 
 
Como funciona? 
 A radiação gama do cobalto-60 pode ser 
utilizada em vários produtos devido a sua alta 
capacidade de penetração. Já a radiação 
produzida pelos feixes de elétrons e raios X 
apresenta baixo poder de penetração o que 
dificulta seu emprego na área de alimentos. 
 Quando a radiação penetra o alimento 
ocorre a interrupção dos processos orgânicos que 
levam ao apodrecimento e eliminação de 
microrganismos. Os produtos que foram 
irradiados podem ser transportados, 
armazenados ou consumidos imediatamente 
após o tratamento,