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Radioisótopos/ Radiofármacos: apostila completa

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O RIA foi a primeira 
técnica imunológica padronizada capaz de 
detectar e quantificar substâncias da ordem de 
nano a pictogramas. Torna-se possível determinar 
qualquer tipo de molécula biológica, desde que 
haja um receptor específico e que a molécula 
possa ser marcada. 
Radioimunoensaio: ensaios com antígenos 
marcados. 
Ensaio imunorradiométrico: anticorpos marcados 
 O radioimunoensaio possui alta 
sensibilidade e permite dosagem de substâncias 
em baixa concentração, como por exemplo, 
polipeptídeos, esteroides, antibióticos, proteínas, 
vitaminas, drogas, vírus da hepatite B e 
marcadores tumorais. 
 Ocorre uma reação de competição por 
um receptor comum entre uma substância a ser 
determinada e a mesma substância marcada com 
um radioisótopo. Técnica utilizada para 
substâncias em baixa quantidade no plasma. 
Componentes: anticorpo radioativo, antígeno 
radioativo, amostra a ser testada e leitor 
radiométrico. Quanto menor o valor de antígeno 
na amostra do paciente, maior será a 
radioatividade. 
 A primeira coisa a se fazer é uma curva 
padrão feita com quantidade de antígeno 
marcado com composto radioativo fixa, 
quantidade de anticorpo fixa, e antígeno da 
amostra variável. 
EIXO X: Concentração antígeno não marcado na 
amostra 
EIXO Y: Concentração de antígeno ligado ao 
anticorpo/ Total de antígenos radioativos da 
amostra. – Medida de radioatividade 
 
 
 
 
 
 Depois da curva padrão é possível fazer a 
extrapolação dos dados e detecção de antígeno 
na amostra. 
Características gerais RIA 
1. Alta sensibilidade 
2. Elevada especificidade – poucas reações 
cruzadas 
3. Podem acontecer diretamente no líquido 
biológico 
4. Volume pode ser menor 
5. Reprodutibilidade 
 
Vantagens Desvantagens 
Método muito 
sensível, específico e 
alta afinidade 
Instabilidade dos 
radioisótopos 
Risco operacional 
 
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Natalia Petry 
Requer pouca amostra 
Rápido 
Necessidade de 
medidas especiais 
Elevado Custo de 
biossegurança e 
problemas com 
descarte 
 
Características dos marcadores 
Iodo-125: t ½ 60 dias, mais empregado no RIA, 
liga-se facilmente aos resíduos de tirosina das 
proteínas, produz radiação gama (desintegração 
captura eletrônica), dosagem de hormônios 
proteicos. 
Trídio (H³) – t ½ 12 anos, produz radiação beta, 
dosagem de esteroides 
Carbono-14: t ½ 5700 anos, beta emissor. 
 
Tipos de RIA 
1. Competição com antígeno marcado: 
anticorpos específicos adicionados a fase 
sólida (parede do tubo de ensaio) -> 
adição de antígeno marcado com I-125 -> 
adição do soro do paciente -> antígeno no 
soro compete pelos sítios de ligação ao 
anticorpo -> lavagem para eliminar 
antígenos não ligados -> detecção. (+ 
leitura de radioatividade = - antígeno) 
2. Competição com anticorpo marcado: 
fixação de antígeno na fase sólida -> 
amostra do paciente -> adição de 
anticorpos amrcados -> formação do 
complexo Ag/Ac com antígeno do soro -> 
quanto maior a quantidade de antígeno 
na amostra, maior será a ligação destes 
aos anticorpos, formando 
imunocomplexos, que serão retirados por 
lavagem e assim reduzindo a leitura da 
radioatividade (+ leitura de radioatividade 
-> + antígeno) 
3. Sanduíche ou captura de antígeno: 
fixação de anticorpo não marcado na fase 
sólida -> adição da amostra -> adição de 
um segundo anticorpo marcado -> 
lavagem -> detecção (+ leitura de 
radioatividade = + antígeno) 
4. Paper radioimmunosorbent test (PRIST) – 
Anticorpos anti-IgE e não marcados são 
fixados na fase sólida -> acrescenta-se o 
soro. Em caso positivo, haverá a união do 
anticorpo IgE + anti-IgE -> lavagem -> anti 
IgE marcados 
5. Radioallergosorbent test (RAST) – 
alérgeno específico fixado na fase sólida -> 
soro -> anticorpo anti-IgE marcado -> 
lavagem e leitura. 
 
Legislação 
 RDC 50/ 2002 ANISA 
 CNEN – Autorização e fiscalização 
 
Normas para Laboratório de Radioimunoensáios 
(CNEN): Locais de manipulação, estocagem 
exclusivos, aguardar o decaimento em locais 
específicos dos rejeitos inclusive seringas e 
frascos (2% da atividade é adsorvida nos 
materiais). Atividade para descarte 2uCi/kg. 
 
Proteção e segurança radiológica 
 Altas doses de radiação danificam o 
tecido humano, por isso existe uma necessidade 
de regulamentação sob todo uso de radiação 
ionizante e a exposição de pessoas a esta. A 
principal preocupação quanto a is/so são os 
efeitos estocásticos (probabilidade de dano 
relacionada à dose). 
 A radioproteção é um conjunto de 
medidas que visam proteger o homem e o 
ecossistemas de possíveis efeitos indesejáveis 
causados pela radiação ionizante. As normas são 
 
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Natalia Petry 
publicadas pela International Comission on 
Radiological Protection (ICRP). 
 
 
 
Diretrizes básicas de radioproteção (CNEN NE 3.01) 
1. Princípio da justificação – qualquer 
prática envolvendo radiação ionizante, ou 
irradiação de pessoas, deve ser justificada 
em relação a outras alternativas, e 
produzir um benefício que supera 
qualquer possível dano associado ao 
emprego da radiação ionizante. A adição 
de materiais radioativos em produtos de 
uso doméstico ou pessoal, e a importação 
destes produtos é proibida no Brasil. 
 Princípio da otimização – com exceção de 
práticas terapêuticas em medicina, 
quaisquer outras exposições à radiação 
devem ser otimizadas, ou seja, devem ser 
tão baixas e quanto exequível (trabalhar 
com a menor dose e o menor número de 
pessoas expostas possível). 
 Principio da limitação da dose individual 
– nenhum trabalhador sujeito a radiações 
deve ser exposto sem que: seja 
necessário, tenha conhecimento dos 
riscos radiológicos associados ao seu 
trabalho, e esteja adequadamente 
treinado para o desempenho seguro das 
funções. A probabilidade de efeitos 
estocásticos não pode ser eliminada 
totalmente, então a política é evitar 
fontes necessárias de exposição. 
 Atualmente a tendência mundial tem 
sido a de adotar limites ainda mais restritivos. 
Controle de exposição 
Tempo de exposição – prevenção do acúmulo 
desnecessário de dose, pela redução do tempo de 
permanência na proximidade de fontes, uma vez 
que a dose acumulada é diretamente 
proporcional ao tempo de exposição. 
Distância da fonte – atenuação da radiação 
baseada na lei do inverso do quadrado da 
distância. 
Blindagem – atenuação da radiação, por meio de 
anteparos de concreto, chumbo, aço. A 
determinação da espessura e material adequado 
para confecção desses dispositivos depende do 
tipo e da intensidade da radiação. EPIS: jalecos ou 
macacões, equipamento de proteção respiratória, 
biombos, aventais de chumbo e outras 
blindagens específicas para determinados órgãos, 
luvas e sapatilhas. 
 
Treinamento 
 Os programas de treinamento e 
reciclagem devem ser periodicamente 
ministrados em qualquer instalação que utilize 
radiação ionizante. 
 
Gerenciamento de resíduos radioativos 
Coleta, segregação, manuseio, tratamento, 
acondicionamento, transporte, armazenamento, 
controle e eliminação ou disposição final de 
rejeitos radioativos. Liberação de rejeito sólido no 
sistema de coleta de lixo urbano o valor de 
atividade específica de 74 Bq/g (2uCi/kg), 
qualquer que seja o radionuclídeo em questão. A 
excreta de pacientes internados com doses 
terapêuticas pode ser lançada na rede de esgotos 
sanitários. 
 
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Natalia Petry 
 
 
 Os rejeitos devem ser classificados por 
radionuclídeos presentes, meias-vidas, atividade, 
taxa de exposição e tempo necessário, e 
características físico-químicas. 
 Dependendo da quantidade de rejeito a 
ser armazenada, pode-se usar um cofre blindado 
ou uma sala dedicada ao armazenamento.