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Teoria das Penas

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Direito Penal III | Maria Eduarda Q. Andrade 
 
Teoria Geral da Pena 
 
PENA: ASPECTOS GERAIS 
 
® Sanção Penal 
 
É a resposta estatal, no exercício do ius puniendi e após o devido processo legal, ao responsável pela prática de 
um crime ou de uma contravenção penal. 
Divide-se em duas espécies: penas e medidas de segurança. 
¨ Penas: Reclamam de culpabilidade do agente, e destinam-se aos imputáveis e aos semi-imputáveis sem 
periculosidade. O crime é o fato típico e ilícito, e a culpabilidade funciona como pressuposto de aplicação 
da pena. 
¨ Medidas de segurança: Dirigem-se aos inimputáveis e aos semi-imputáveis dotados de periculosidade, pois 
necessitam, no lugar da punição, de especial tratamento curativo. 
 
OBS: Conceitos para relembrar 
 
• IUS PUNIENDI: É o direito de punir do Estado, revelando-se no Direito Penal subjetivo que se compõe 
de três elementos: a) poder de ameaçar com pena; b) direito de aplicar a pena; c) direito de executar 
a pena. 
 
• CULPABILIDADE: ≠ da culpa (Fato típico). É a capacidade que tem o autor de um crime/ contravenção 
de receber a pena prevista em lei. 
 
• IMPUTÁVEL: Aquele que tem a condição de receber a acusação. É a capacidade mental inerente ao ser 
humano de, ao tempo da ação ou omissão, entender o caráter ilícito do fato e determinar-se de acordo 
com o seu entendimento. 
 
• INIMPUTÁVEL: Quando a imputabilidade está ausente. Como doença mental, desenvolvimento mental 
incompleto ou retardado, menoridade e embriaguez completa proveniente de caso fortuito ou força 
maior. Vide art. 26, art. 27 e art. 28 do CP 
 
CONCEITO DE PENA 
 
Pena é a reação que uma comunidade politicamente organizada opõe a um fato que viola uma das normas 
fundamentais da sua estrutura (crime). Logo, a pena é a reação contra o crime. 
 
¨ A pena é a espécie de sanção penal consistente na privação ou restrição de determinados bens jurídicos 
do condenado, aplicada pelo Estado em decorrência do cometimento de uma infração penal, com as 
finalidades de castigar seu responsável, readaptá-lo ao convívio em comunidade e, mediante a intimidação 
endereçada à sociedade, evitar a prática de novos crimes ou contravenções penais. 
 
Direito Penal III | Maria Eduarda Q. Andrade 
 
O bem jurídico de que o condenado pode ser privado ou sofrer limitação varia: 
¨ Liberdade (pena privativa de liberdade); 
¨ Patrimônio (multa, prestação pecuniária e perda de bens e valores); 
¨ Vida (pena de morte, na excepcional hipótese prevista no art. 5ºXLVII, “a”, da CF) 
¨ Outro direito qualquer, em conformidade com a legislação em vigor (penas restritivas de direito). 
 
PRINCÍPIOS 
 
Aplicam-se às penas os seguintes princípios: 
 
¨ PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL OU DA ESTRITA LEGALIDADE 
nulla poena sine lege = somente a lei pode cominar a pena. Art. 1.º do Código Penal: “Não há crime sem lei 
anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.” 
 
¨ PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE 
 A lei que comina a pena deve ser anterior ao fato que se pretende punir. nulla poena sine praevia lege (CF, art. 
5.º, XXXIX, e CP, art. 1.º). 
 
¨ PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE, INTRANSMISSIBILIDADE, INTRANSCENDÊNCIA OU RESPONSABILIDADE 
PESSOAL 
A pena não pode, em hipótese alguma, ultrapassar a pessoa do condenado (CF, art. 5.º, XLV). É vedado alcançar, 
portanto, familiares do acusado ou pessoas alheias à infração penal. A pena de multa não poderá ser cobrada 
dos sucessores do condenado. 
 
Atualmente não é assim, pois há o julgamento social de que “mãe de preso, preso é” ou “esposa de preso, preso 
é”. 
Porém, é possível que a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento dos bens, compreendidos 
como efeitos da condenação, sejam estendidas aos sucessores e contra eles executadas até o limite do valor do 
patrimônio transferido. 
 
¨ PRINCÍPIO DA INDERROGABILIDADE OU INEVITABILIDADE 
 Sustenta que a pena, se presentes os requisitos necessários para a condenação, não pode deixar de ser aplicada 
e integralmente cumprida. (consectário ao princípio da reserva legal) 
 
¨ PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA 
 A pena é legítima unicamente nos casos estritamente necessários para a tutela de um bem jurídico penalmente 
reconhecido. Ultima ratio: ultimo recurso a ser utilizado, à falta de outros recursos menos lesivos. 
Dele resultam dois outros princípios: fragmentariedade ou caráter fragmentário do Direito Penal e 
subsidiariedade. 
 
¨ PRINCÍPIO DA HUMANIDADE OU HUMANIZAÇÃO DAS PENAS 
A pena deve respeitar os direitos fundamentais do condenado enquanto ser humano. O art. 5º, XLIX, da CF dispõe 
que: não pode violar a integridade física ou moral do condenado, assim como, nenhum tipo de tratamento cruel, 
desumano ou degradante ao preso. 
 
¨ PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE 
 A resposta penal deve ser justa e suficiente para cumprir o papel de reprovação do ilícito, bem como para 
prevenir novas infrações penais. Dosimetria da pena. 
Direito Penal III | Maria Eduarda Q. Andrade 
 
 
¨ PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO 
 Eleger a justa e adequada sanção penal, quanto ao montante, ao perfil e aos efeitos pendentes sobre o 
sentenciado, tornando-o único e distinto dos demais infratores, ainda que coautores ou mesmo corréu. Sua 
finalidade e importância residem na fuga da padronização da pena. 
 Princípio expressamente indicado no art. 5º, XLVI da CF 
¨ A pesquisar: Reincidência (resumo específico) 
 
TEORIAS E FINALIDADES 
 
O estudo das teorias relaciona-se intimamente com as finalidades da pena e com a própria origem do Direito 
Penal. 
 
Teoria Absoluta e finalidade retributiva 
 
A pena desponta como a retribuição estatal justa ao mal injusto provocado pelo condenado, consistente na 
prática de um crime ou de uma contravenção penal (punitur quia peccatum est). 
¨ Chamada de absoluta porque esgota-se em si mesma = independe de qualquer finalidade prática, pois não 
se preocupa com a readaptação social do infrator da lei penal. Pune-se simplesmente como retribuição à 
prática do ilícito penal. 
¨ A pena atua como instrumento de vingança do Estado contra o criminoso, com a finalidade única de 
castigá-lo. 
¨ Finalidade retributiva (castigo para o condenado) 
 
Teoria relativa e finalidade preventiva 
 
A finalidade da pena consiste em evitar a prática de novas infrações penais (punitur ne peccetur). 
¨ Caráter preventivo. 
 
A prevenção de novas infrações penais atende a um aspecto Dúplice: geral e especial. 
 
¨ Prevenção geral é destinada ao controle da violência, na medida em que busca diminuí-la e evitá-la. Pode 
ser negativa (contraestimular potenciais criminosos) ou positiva (demonstrar a vigência da lei penal). 
Dirigida aos demais membros da sociedade 
 
1. Prevenção geral negativa, é coação psicológica, tem o propósito de criar no espírito dos potenciais 
criminosos um contraestímulo suficientemente forte para afastá-los da prática do crime. Dizendo que “o 
crime não compensa, uma vez que será inevitavelmente punido por isso”. 
 
2. Prevenção geral positiva consiste em demonstrar e reafirmar a existência, a validade e eficiência do DP. 
Almeja-se mostrar a vigência da lei penal. 
 
¨ Prevenção especial é direcionada exclusivamente à pessoa do condenado. Subdivide-se em positiva e 
negativa. 
 
1. Prevenção especial negativa busca evitar a reincidência. O importante é intimidar o condenado para que 
ele não torne a ofender a lei penal. 
 
Direito Penal III | Maria Eduarda Q. Andrade 
 
2. Prevenção especial positiva preocupa-se com a ressocialização do condenado. 
 
Teoria mista ou unificadora e dupla finalidade: retribuição e prevenção 
 
A pena deve, simultaneamente, castigar o condenado pelo mal praticado e evitar a prática de novos crimes, tanto 
em relação ao criminoso como no tocante à sociedade. 
 
¨ A pena assume um tríplice aspecto: retribuição, prevenção geral e prevenção especial. 
 
Foi a teoria acolhida pelo art. 59, caput, do Código Penal, quando dispõe que a pena será estabelecida pelo juiz: 
“conforme seja necessário e suficiente