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Questões de Direito Penal I Respondidas (2)

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NOTA OBTIDA: 10,00
CURSO: DIREITO
	1ª AVALIAÇÃO PARCIAL (AP1)
	Aluno(a): Bruno Mende Vieira
	
	Disciplina: DIREITO PENAL I 
ESTUDOS DE CASOS (PRÁTICOS E TEÓRICOS)
1. Sobre os princípios do Direito Penal, imagine a seguinte situação: Mévio, criminoso contumaz, foi condenado pelo Juiz ao cumprimento da seguinte pena restritiva de direitos: trabalhar em prol da Santa Casa de Misericórdia para sempre. Pergunta-se: a decisão do magistrado é inconstitucional? Explique, abordando os princípios penais e constitucionais. (2,0 pontos)
R: A decisão é visivelmente inconstitucional, pois trata-se de uma pena de caráter perpétuo e com trabalho forçado, isso fere o princípio da dignidade da pessoa humana. O art. 5º, inciso 47 deixa claro: 
Art.5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: 
Inciso XLVII – não haverá penas: 
a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; 
b) de caráter perpétuo; 
c) de trabalhos forçados; 
d) de banimento; 
e) cruéis;
Aqui conclui-se um ferimento grave a um princípio constitucional onde o direito penal é subordinado e obrigado a seguir pela supremacia constitucional. Portanto a decisão do magistrado é inconstitucional.
2. Imagine a seguinte situação hipotética: Pedro, com o intuito de matar Rafael, desferiu 10 facadas na vítima, o que ocasionou a sua morte. Pergunta-se: Pedro poderá ser condenado por 10 lesões corporais e homicídio? Diante do conflito aparente de normas, justifique. (2,0 pontos)
R: R: O conflito aparente de normas é solucionado pelo princípio da consunção quando um crime é meio necessário para outro crime, a consumação absorve a tentativa. Ou seja, as lesões corporais foram o meio e o resultado foi um homicídio qualificado previsto no código penal. Pedro, com intenção de matar Rafael, se utilizou de meio cruel para cometer o crime, com base no código penal, art.121, p 2º, inciso III- com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum. Podemos fazer uma interpretação analógica, observar as 10 facadas como meio cruel e concluir que houve um homicídio qualificado.
3. Tício, com dezessete anos, 11 meses e vinte e nove dias de idade, era desafeto de Ricardo, o encontrou na “Ponte da Amizade”, fronteira entre Brasil e Paraguai. Tendo ambos entrado em uma calorosa discussão, Tício sacou sua arma e desferiu dois tiros em Ricardo, que ainda ferido, entrou em um carro e fugiu para o Paraguai, local onde veio a falecer três dias depois. Pergunta-se: A lei brasileira aplica-se ao caso? Tício responderá pelo crime ou por ato infracional? Justifique. (2,0 pontos)
R: O artigo 6° do código penal deixa claro: Art. 6º Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. No entanto Tício responderá por ato infracional, pois no momento em que ele cometeu o crime o mesmo era menor, e o art. 4º do CP deixa claro sobre o tempo do crime: 
Art. 4º Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o momento do resultado. 
Portanto Tício ficará sob os cuidados socioeducativos do ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente.
4. Suponha a seguinte situação hipotética: Paul, no dia 30/9/2020 pescou em período proibido por uma lei temporária e cometeu crime ambiental. Após dois meses, a pesca voltou a ser permitida no mesmo lugar onde Paul pescou. Pergunta-se: Paul poderá ser beneficiado pela “abolito criminis”, já que a lei em questão perdeu a vigência? Justifique. (2,0 pontos)
R: O artigo 3º do Código Penal é claro: Art. 3º- A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência. Portanto o senhor Paul será atingido pela lei temporária, pois praticou crime no seu período vigente e nesse caso não se encaixa com “abolito criminis” pois os efeitos penais não foram cessados.
5. Suponha a seguinte situação hipotética: João, brasileiro, desferiu uma facada no presidente Bolsonaro por ocasião de uma visita sua em Lisboa - Portugal. Pergunta-se: tendo João sido punido em Portugal com 5 anos de reclusão, o mesmo ainda poderia ser punido no Brasil pelo mesmo crime? Se sim, em qual situação legal e devido a qual princípio de extraterritorialidade da lei penal brasileira? Justifique. (2,0 pontos)
R: O artigo 7º, no inciso I, alínea (a) e parágrafo 1° deixa claro e garantido: 
Art. 7° Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: 
I – Os crimes: 
a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República;
 Parágrafo 1° Nos casos do inciso I, (aqui eu destaquei somente a alínea (a) que é onde trata em destaque a vida do presidente.) o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro.
Conclui-se que sim, João seria punido pelo mesmo crime, pois aqui observamos o princípio da extraterritorialidade incondicionada, pois se ele cometeu os crimes previstos no artigo acima, ele será punido mesmo que seja absolvido ou condenado no estrangeiro. É importante ressaltar que ele seria punido, mas se ele já estiver sido condenado e cumprido pena no estrangeiro (como os 5 anos), a pena no Brasil seria atenuada. Prevista fundamentada de forma mais clara no art. 8º do Código Penal: Art. 8º A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime, quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. 
“ Assim seja para honra e glória do senhor meu Deus, que o Senhor da justiça e dos exércitos seja louvado por todo o universo e para todo o sempre! ” 
Fontes: Do conteúdo estudado nas aulas;
https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/529748/codigo_penal_1ed.pdf
https://www.stf.jus.br/arquivo/cms/legislacaoConstituicao/anexo/CF.pdf