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Manual de Comunicacao Escrita Oficial do Parana

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ilógicas e,
muitas vezes, insinceras. (MEDEIROS,1996, p.61.)
„„„„„ Dicas
• Seja parcimonioso no uso de adjetivos. Use-os sem abuso.
• Substantivo é a palavra cheia, que transmite idéias.
• É muito importante, para aprender a escrever, ser criativo, buscar novas formas de expressão, esquecendo
o que é corriqueiro.
• Use termo técnico somente quando se justificar pelo assunto.
• Evite o abuso de interjeições e exclamações, mas tire proveito delas para evidenciar emoções.
• Para prender a atenção, seja conciso. (KASPARY,1993, p.19-23.)
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COMUNICAÇÃO ESCRITA OFICIAL
Manual de
do Estado do Paraná
2 A CONSTRUÇÃO DA FRASE E DO PARÁGRAFO
2.1 A FRASE
Para Othon GARCIA (1985, p.6) “frase é todo enunciado suficiente por si mesmo para estabelecer
comunicação. Pode expressar um juízo, indicar uma ação, estado ou fenômeno, transmitir um apelo, uma
ordem ou exteriorizar emoções”. As frases, geralmente, integram dois termos, o sujeito e o predicado.
Em MEDEIROS (1996, p.141-145), encontram-se diversos tipos de frases:
Frase arrastada
Constitui uma seqüência de frases independentes muito curtas, que se arrastam atadas por conectivos
coordenativos (e, mas, aí, então, etc.). Esse tipo de frase é cansativo e destituído de beleza.
Ex.: “Fui ver o homem, mas aí encontrei a mulher dele; então falei para ela e não sei o que aconteceu com
a perna dele, e ele entrou e eu fiquei conversando com ela; aí então a mulher quis entrar, mas eu segurei o braço
dela, e então (...)”.
Frase telegráfica
É a frase rápida, muito curta, despida de superfluidade do período clássico. As unidades são breves e os
pontos finais se encontram em todo o período. Seu uso torna clara a idéia do autor, facilitando a compreensão do
texto. Esse tipo de frase, segundo MEDEIROS (1996), é mais indicado para narrações, não para dissertações.
O exemplo selecionado pelo autor é retirado de Graciliano Ramos.
Ex.: “Um dia faltou água em casa. Tive sede e recomendaram-me paciência. A carga de ancoretas chegaria
logo. Tardou, a ponte era distante – e fiquei horas numa agonia, rondando o pote com brasas na língua (...)”.
Frase de ladainha
Nela é abundante o uso da conjunção coordenativa “e”.
Ex.: “Os seus últimos dias foram uma longa e exaustiva luta com a morte; luta que teria sido mais piedoso
não prolongar; mas o pai, que era médico, receava; e a mãe, que era simplesmente mãe, implorava; e Roland,
que não tinha coragem de deixar morrer o condenado, ia para o quarto dele e lutava; e Dolores (...)”.
Frase labirinto
Constitui-se de uma seqüência de orações subordinadas malconectadas, de modo que as idéias se
atropelam, dificultando a rápida compreensão do texto. A idéia principal fica perdida.
Ex.: “Os ferimentos eram mortíferos para os Mouros, porque eles se contentavam em os lavar na água do
mar e diziam, numa maneira de provérbio ou de anexim de seu país, que Deus, que lhos dera, lhos havia de tirar;
isto menos pelo desprezo que pela ignorância dos remédios, pois estimavam bastante um renegado, o seu único
cirurgião, a quem, por uma política excêntrica, a cada ferido de importância, que morria entre suas mãos, davam
primeiro um certo número de bordoadas, para os castigar mais ou menos (...)”.
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Frase fragmentária
Ocorre no processo de subordinação. As frases fragmentárias são bem marcadas com ponto final,
contribuindo, como recurso estilístico, para um texto claro e harmonioso.
Ex.: “Se o amor falasse baixinho. Bem baixinho. Sem igual. Era pôr-se à escuta do coração. Debalde. Tudo
era quase ininteligível. Porque a língua não fala, não gagueja, não enrola a mesma poesia do amor. Porque só na
harmonia. Sem o conflito. O amor aparece!”.
Frase parentética
Seu objetivo é esclarecer algo. As parentéticas caracterizam-se como frases que aparecem no meio de
um período, inseridas como elemento adicional, sem nexo sintático. Podem ser justapostas, intercaladas ou
parentéticas.
Ex.: “E esta reflexão – uma das mais profundas que se tem feito, desde a invenção das borboletas – me
consolou do malefício, e me reconciliou comigo mesmo”. (Justaposta.)
Ex.: “Era ancião de muita bravura, e ainda hoje o é, e não levava desaforo para casa”. (Intercalada.)
Ex.: “Na madrugada daquele dia (em véspera da Paixão), saiu com o semblante carregado, e não voltou
mais”. (Parentética.)
Frase nominal
É a frase que dispensa o verbo. É curta, incisiva, de estilo agradável. A frase fica mais solta sem a presença
do verbo. Trata-se de um estilo difícil, mas muito expressivo. Serve particularmente às descrições e narrações.
Ex.: “A frase sempre límpida, tersa, louçã; o estilo sempre acomodado ao pensamento, modestamente
ataviado, sem arrebiques, sem enfeites pretensiosos e ridículos, sem todas essas lentejoulas tão em voga nas
épocas de decadência literária”.
„„„„„ Dicas
• Escreva sempre dentro do raciocínio lógico. Não invente muitas alterações na ordem das palavras
dentro do período. A inversão muito forte provoca desentendimento e gera incompreensão.
• Não acumular numa só frase pensamentos que não têm muita relação entre si e com os quais se
possam formar algumas frases separadas.
• Evitar digressões e parênteses, pois para ser fiel ao sentido é necessário que os acessórios não
prejudiquem o andamento da construção.
• As idéias de um texto devem ser amarradas de tal jeito que o leitor não possa fugir delas nem abandoná-
las, encontrar buracos ou redundâncias. (MEDEIROS,1996, p.152.)
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2.2 O PARÁGRAFO
Othon M. GARCIA (1985, p.203), conceitua o parágrafo do seguinte modo: “O parágrafo é uma unidade de
composição, constituída por um ou mais de um período, em que se desenvolve ou se explana determinada idéia
central a que geralmente se agregam outras secundárias, intimamente relacionadas pelo sentido e logicamente
decorrentes dela”.
A cada parágrafo do texto deve corresponder uma idéia central a ser desenvolvida. O texto, portanto,
deverá conter, em princípio, tantos parágrafos quantas forem as idéias centrais. O parágrafo comporta, no seu
desenvolvimento, idéias secundárias que deverão estar intimamente relacionadas entre si e com a idéia central.
Em sua estrutura, o parágrafo geralmente apresenta três partes:
a) tópico frasal – consiste, geralmente, na frase inicial que expressa, de maneira geral e sucinta, a idéia
central do parágrafo;
b) desenvolvimento – é formado pelas frases que esclarecem essa idéia central, discutindo-a em detalhes;
c) conclusão – está contida em uma frase final que enuncia a parte mais interessante ou o clímax do
parágrafo, ou, ainda, que sintetiza seu conteúdo.
Veja o exemplo (MEDEIROS,1996, p.170):
Tópico frasal A eletricidade, desde o início da civilização industrial, esteve associada ao
progresso.
Desenvolvimento O cidadão medianamente informado percebe a conexão entre a atividade
econômica de uma comunidade ou país e a disponibilidade de energia.
Já na primeira metade deste século analistas alertavam para a razão,
praticamente constante, que existe entre o consumo de energia e o produto
interno bruto em cada país.
Conclusão Todavia, a eletricidade sempre mereceu um destaque especial, pois está,
objetivamente ou não, ligada a uma aspiração de modernidade e de poder.
„„„„„ Dicas
• Evite iniciar seus parágrafos somente com particípio passado.
• Para prender a atenção do leitor, use frases interrogativas.
• O uso de alusão histórica dá sabor agradável a um texto.
• No uso de definições, tome cuidado com o ridículo: “Turismo é uma atividade econômica de exploração
do gosto pelo lazer”.
• Muito didática é a apresentação de idéias mediante divisões, isto é, dividir o pensamento em partes.
• O desenvolvimento de um parágrafo com declaração inicial é o mais comum e, portanto, o mais
desgastado.
• Seja qual for a forma escolhida

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