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Diarreia

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Objetivos 
1. Definir diarreia, e classificar os quadros diarreicos quanto a duração e mecanismos, exemplificando-os. 
REFERÊNCIA: FISIOPATOLOGIA – PORTH 
• DEFINIÇÃO 
A definição comum de diarreia é eliminação excessivamente frequente de fezes moles ou malformadas. 
A queixa de diarreia é inespecífica e pode estar relacionada com alguns fatores fisiológicos e patológicos. 
A diarreia pode ser aguda ou crônica e tem como causa agentes infecciosos, intolerância alimentar, 
fármacos ou doença intestinal. As diarreias agudas com menos de 4 dias de duração são causadas 
principalmente por agentes infecciosos e têm evolução autolimitada. 
→ Diarreia aguda: A diarreia que começa subitamente e persiste por menos de 2 semanas geralmente é 
causada por agentes infecciosos (ver descrição da enterocolite infecciosa nos parágrafos anteriores). As 
diarreias agudas frequentemente são subdivididas em não inflamatórias (volumes grandes) e inflamatórias 
(volumes pequenos) com base nas características das fezes diarreicas. Patógenos entéricos causam diarreia 
por vários mecanismos. Alguns não são invasivos e não provocam inflamação, mas secretam toxinas que 
estimulam a secreção de líquidos. 
Outros invadem e destroem as células epiteliais e, deste modo, alteram o transporte de líquidos, de modo 
que a atividade secretória continua, mas a atividade absortiva é interrompida. 
A diarreia não inflamatória está associada à eliminação de fezes líquidas volumosas, mas sem sangue; 
cólicas periumbilicais, distensão abdominal por gases; e náuseas ou vômitos. Em muitos casos, esse tipo 
de diarreia é causado por bactérias que produzem toxinas (p. ex., S. aureus,94 E. coli enterotoxigênica, 
Cryptosporidium parvum, Vibrio cholerae) ou outros patógenos (p. ex., vírus, Giardia) que interrompem a 
absorção ou o processo secretório normal do intestino delgado. Vômitos abundantes sugerem enterite viral 
ou intoxicação alimentar por S. aureus. Embora geralmente seja branda, a diarreia (que se origina do 
intestino delgado) pode ser volumosa e causar desidratação com hipopotassemia e acidose metabólica (i. 
e., cólera). Como não há invasão dos tecidos, também não aparecem leucócitos nas fezes. 
A diarreia inflamatória geralmente se caracteriza por febre e diarreia sanguinolenta (disenteria). Esse tipo 
de diarreia é causado pela invasão das células intestinais (p. ex., Shigella, Salmonella, Yersinia e 
Campylobacter) ou toxinas associadas às infecções descritas antes por C. difficile ou E. coli. Como as 
infecções associadas a esses microrganismos afetam predominantemente o intestino grosso, as evacuações 
são frequentes, têm volume pequeno e estão associadas a cólicas no quadrante inferior esquerdo, urgência 
para defecar e tenesmo. A disenteria infecciosa deve ser diferenciada da colite ulcerativa aguda, que pode 
causar diarreia sanguinolenta, febre e dor abdominal. Diarreia que persiste por 14 dias não pode ser 
atribuída aos patógenos bacterianos (exceto C. difficile) e o paciente deve ser avaliado quanto a alguma 
outra causa de diarreia crônica. 
→ Diarreia crônica: A diarreia é considerada crônica quando os sintomas persistem por 4 semanas ou 
mais. A diarreia crônica está associada frequentemente aos distúrbios como DII, SCI, síndromes de má 
absorção, doenças endócrinas (hipertireoidismo, neuropatia autônoma diabética) 
ou colite pós irradiação. Existem quatro grupos principais de diarreia crônica: 
conteúdo intraluminal hiperosmótico; aumento dos processos secretórios do 
intestino; doenças inflamatórias; e processos infecciosos. A diarreia factícia é 
causada pelo uso indiscriminado de laxantes ou pela ingestão excessiva de 
alimentos laxativos. 
Com a diarreia osmótica, a água é atraída para dentro do lúmen intestinal pela 
concentração hiperosmótica do seu conteúdo, a tal volume que o cólon não 
consegue reabsorver o excesso de líquido. Isso ocorre quanto partículas 
osmoticamente ativas não são absorvidas. Nos pacientes com deficiência de 
lactase, a lactose do leite não pode ser decomposta e absorvida. Os sais de 
magnésio no leite de magnésia e em alguns antiácidos não são bem absorvidos e 
causam diarreia quando são ingeridos em quantidades expressivas. Outra causa de 
diarreia crônica é a redução do tempo de trânsito, que interfere na absorção. Em 
geral, a diarreia osmótica regride com a suspensão da ingestão alimentar. 
A diarreia secretória ocorre quando os processos secretórios do intestino estão exacerbados. Esse tipo de 
diarreia também ocorre quando ácidos biliares em excesso permanecem no conteúdo intestinal à medida 
que chegam ao cólon. Isso acontece frequentemente com as doenças do íleo, porque os sais biliares são 
absorvidos neste segmento intestinal. Também pode ocorrer quando há proliferação bacteriana excessiva 
no intestino delgado, interferindo na absorção da bile. Alguns tumores (p. ex., síndrome de 
Zollinger-Ellison e síndrome carcinoide) produzem hormônios, que aumentam a atividade secretória do 
intestino. 
A diarreia inflamatória está associada comumente à inflamação aguda ou crônica, ou a uma doença 
intrínseca do intestino grosso, inclusive colite ulcerativa ou doença de Crohn. Em geral, a diarreia 
inflamatória evidencia-se por aumento da frequência e urgência das evacuações e dor abdominal em cólicas. 
Em muitos casos, as evacuações acompanham-se de tenesmo (i. e., esforço doloroso para evacuar), escapes 
de fezes nas roupas e despertamento durante a noite com desejo urgente de evacuar. 
Infecções parasitárias persistentes podem causar diarreia crônica por alguns mecanismos. Os patógenos 
associados mais comumente à diarreia crônica incluem os protozoários Giardia, E. histolytica e 
Cyclospora. Pacientes imunossuprimidos são especialmente suscetíveis aos agentes infecciosos que podem 
causar diarreias agudas e crônicas, inclusive Cryptosporidium, citomegalovírus (CMV) e complexo 
Mycobacterium aviumintracellulare. 
→ Doença diarreica aguda em crianças: As causas da diarreia aguda em crianças variam com a 
localização geográfica, a época do ano e a população estudada. Hoje em dia, há uma percepção crescente 
de que tem ocorrido ampliação da gama de patógenos entéricos que causam diarreia aguda na população 
pediátrica. Os vírus são os patógenos que mais comumente causam doença diarreica na infância. 
Os rotavírus e os norovírus são patógenos isolados frequentemente. Outros vírus detectados nas fezes das 
crianças são astrovírus e adenovírus entéricos. Alguns desses patógenos são transmitidos facilmente pelos 
alimentos e pela água, ou de um paciente para outro. Prevenção ainda é a medida mais fundamental para 
controlar as doenças diarreicas infantis. Entre as medidas importantes para evitar disseminação dos 
patógenos estão técnicas higiênicas adequadas para o processamento e a preparação dos alimentos; 
suprimentos de água tratada; higiene adequada das mãos; afastamento dos pacientes infectados das 
atividades de manuseio de alimentos ou cuidados de saúde; e impedimento de que pacientes com diarreia 
utilizem águas recreativas públicas (i. e., piscinas, lagos e lagoas). 
REFERÊNCIA: Semiologia Médica – PORTO 
A diarreia é a manifestação mais comum das doenças do intestino delgado. 
É conceituada como o aumento do teor líquido das fezes, frequentemente associado ao aumento do número 
das evacuações e do volume fecal em 24 h. Pode ser decorrente dos seguintes mecanismos: 
• aumento da pressão osmótica do conteúdo intraluminal (diarreia osmótica). O acúmulo de 
substâncias não absorvíveis no intestino delgado pode determinar retardo da absorção de água e eletrólitos 
ou passagem de líquidos do meio interno para o lúmen intestinal. Este tipo de diarreia aparece quando há 
defeito na digestão ou na absorção de nutrientes, como se observa na síndrome de má absorção. 
• aumento da secreção de água e eletrólitos pela mucosa intestinal (diarreia secretora). Este 
mecanismo ocorre quando há estímulos

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