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Diarreia

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exceto em pacientes com neutropenia, infecção por vírus da imunodeficiência humana ou sinais 
de infecção entérica. Em pacientes com histórico de uso recente de antibiótico, hospitalização ou periparto, 
deve-se coletar fezes para pesquisa do C. difficile. Organismos que causam diarreia, mas não são 
rotineiramente testados por laboratórios de microbiologia clínica incluem Yersinia, Plesiomonas, entero E. 
coli sorotipo O157: H7, Aeromonas, Cyclospora, microsporidia e Vibrio não colérico. Parasitas como 
Giardia, Cryptosporidium, e Strongyloides podem ser difíceis de serem detectados nas fezes, mas ser 
diagnosticados mediante exame pesquisa do antígeno fecal ou biópsia intestinal. Apesar de todas as técnicas 
de teste disponíveis, 20 a 40% das diarreias agudas infecciosas permanecem sem diagnóstico. 
REFERÊNCIA: Sociedade Portuguesa de Gastroenterologia 
Exames auxiliares de diagnóstico: 
Como a diarreia aguda é habitualmente autolimitada, o pedido de exames de diagnóstico está indicado 
apenas nos casos mais graves, sendo eles: diarreia sanguinolenta, febre > 38,5ºC, mais de 6 dejecções/dia 
ou duração da doença superior a 48h, dor abdominal severa, doentes idosos ou imunodeprimidos. 
1- Exames laboratoriais: O hemograma está indicado para avaliar a presença de anemia e alterações na 
fórmula leucocitária; o ionograma, a ureia e a creatinina permitem avaliar a depleção de fluidos e eletrólitos 
e o seu impacto na função renal. 
2- Exame das fezes: A detecção dos leucócitos fecais é um teste pouco sensível e específico. Pode ajudar 
a selecionar quais os doentes que devem realizar coprocultura. A coprocultura está indicada nos 
imunodeprimidos, nas comorbilidades importantes, na doença severa, diarreia sanguinolenta e na DII. A 
pesquisa de ovos e parasitas nas fezes apresenta uma baixa relação custo benefício, pelo que está indicada 
apenas em viagens recentes a regiões endémicas, crianças em infantários, homossexuais e na diarreia 
sanguinolenta com poucos ou nenhuns leucócitos fecais. Os ovos e parasitas apresentam uma excreção 
intermitente, pelo que a sua colheita deve ser feita em três dias consecutivos. 
3- Exames endoscópicos: A realização de colonoscopia não está indicada na maioria dos casos, mas poderá 
trazer benefício na suspeita de colite pseudomembranosa, colite isquêmica, DII e imunodeprimidos. 
• Tratamento não medicamentoso 
REFERÊNCIA: Cecil 24ª 
→ Prevenção: A vacinação contra o rotavírus (Capítulo 388) reduz o risco de infecção e geralmente resulta 
em sintomas mais leves entre os infectados. Viajantes para países de alto risco (América Central e partes 
da América Latina, África, Ásia, Oriente Médio) devem evitar a ingestão de água da torneira, gelo, carne 
crua, peixe cru e vegetais crus. Uma vacina oral para cólera contra uma subunidade da toxina B 
recombinante e célula total morta (rBSWC) é eficaz na prevenção da infecção pela cepa O1 El Tor e 
parcialmente eficaz contra as cepas de E. coli enterotoxigênicas. A vacinação contra a cólera é recomendada 
para trabalhadores e profissionais de saúde que trabalham nos países endêmicos e para osindivíduos que 
estão imunocomprometidos ou têm doenças crônicas ou hipocloridria. A rifaximina (200 mg por via oral 
por dia durante 2 semanas) é segura e eficaz para prevenir a diarreia dos viajantes, no México, e da 
combinação de rifaximina com loperamida é melhor do que qualquer um deles sozinho. O bismuto 
subsalicilato (525 mg por via oral 4 vezes ao dia por até 3 semanas) também é eficaz. A loperamida e 
AINEs são tomados profilaticamente por muitos corredores suscetíveis à diarreia do corredor, mas não está 
claro se são eficazes. 
As metas para o tratamento da diarreia incluem reposição de líquido, agentes antidiarreicos, suporte 
nutricional e a terapia antimicrobiana, quando indicada. Considerando que a morte de pacientes com 
diarreia aguda é causada pela desidratação, a primeira tarefa é avaliar o grau de desidratação e repor os 
déficits de líquido e eletrólitos. 
REFERÊNCIA: Tratamento da Diarreia Aguda – tese de mestrado em Ciências Farmacêuticas 
→ Reidratação: O uso de soluções de reidratação oral (SRO) tem como objetivo reduzir a morbiletalidade 
por diarreia. Está indicada na prevenção da desidratação e no tratamento das formas leve, moderada, e grave 
sem choque e na continuidade do tratamento iniciado por via parenteral. Os quadros diarreicos com 
desidratação grave devem iniciar a reidratação, preferencialmente por via endovenosa, associando depois a 
reidratação por via oral. No surto de diarreia não se perde apenas água, mas também eletrólitos (sódio, 
potássio e cloro). Por este motivo a ingestão única de água num episódio diarreico será insuficiente. Dever-
se-á oferecer antes líquidos constituídos com SRO equilibradas em água e eletrólitos. 
Os sais de reidratação oral não vão alterar o sintoma diarreia (no início da administração dos sais as perdas 
fecais até poderão aumentar), mas o seu uso vai prevenir/tratar a desidratação. 
As soluções de reidratação oral foram desenvolvidas depois da descoberta do mecanismo de co-transporte. 
A glicose é um açúcar simples que é facilmente absorvido no tubo digestivo. Na sua absorção, a glicose 
arrasta sódio, outros eletrólitos e também a água. 
O uso de outros líquidos como reidratantes (chás, sumos, água de coco, refrigerantes) além de ineficazes 
podem contribuir para o agravamento da doença, por apresentarem elevado teor de hidratos de carbono, 
elevada osmolaridade e baixo teor de eletrólitos (excepto a água de coco que apresenta teor relativamente 
elevado de potássio). O soro caseiro não está indicado no tratamento da desidratação, podendo ser usado 
na fase de manutenção desde que preparado cuidadosamente. 
→ Tipo de dieta alimentar: A alimentação deve ser mantida e não se recomendam pausas alimentares 
superiores a 4h. Deve-se manter a dieta habitual, não se justificando a mudança para dietas especiais, 
nomeadamente com baixo teor de lactose e/ou gorduras ou hidrolisados proteicos. 
Manter a alimentação durante o episódio de doença diarreica aguda garante: manutenção do crescimento e 
minimiza a ocorrência dos défices proteicos e energéticos, reduz as perdas fecais, e reduz a hipotrofia 
funcional e morfológica da mucosa intestinal. 
→ Terapia suplementar: O zinco é um micronutriente essencial na síntese proteica, no crescimento e 
diferenciação celular, possuindo também funções antioxidantes e anti-inflamatórias que favorecem as 
funções imunológicas e de barreira da mucosa intestinal. Embora o seu mecanismo de ação não seja 
claramente conhecido, o tratamento com zinco demonstrou que este apresenta um papel importante no 
aumento da absorção de água e eletrólitos pelo intestino, favorecendo a rápida regeneração do epitélio 
intestinal e aumentando os níveis de enzimas nas microvilosidades. 
As principais fontes de alimentares são as ostras e outros animais marinhos, carnes em geral, cereais, fígado 
de vitela e castanhas. O leite tem baixo teor de zinco contudo os queijos duros apresentam uma concentração 
maior. 
Multivitaminas e Minerais também são aconselhadas, o uso de suplementos multivitamínicos e 
suplementos minerais (inclusive magnésio) diariamente durante 2 semanas de forma a colmatar as perdas 
que ocorrem durante o surto, permitindo deste modo uma melhor e mais rápida reposição dos valores 
recomendados para a saúde humana. No mercado podemos encontrar estes multivitamínicos em diferentes 
formas farmacêuticas, desde ampolas bebíveis aos comprimidos, assim como em injetáveis, xaropes, 
soluções orais e pós para soluções orais (saquetas). Os multivitamínicos devem fornecer a gama de 
vitaminas e minerais mais ampla possível, incluindo pelo menos duas doses diárias recomendadas (RDAs) 
de folato, vitamina A, zinco, magnésio e cobre. 
REFERÊNCIA: Cecil 
→ Reposição dos Fluidos: Pacientes gravemente desidratados devem ser tratados com solução intravenosa