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Síndrome do impacto

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Síndrome do impacto
Síndrome do impacto
O uso excessivo e repetitivo em atividades vigorosas e traumas constantes podem levar ao surgimento da SIO, um dos problemas mais freqüentes relacionados ao ombro, que causa dor e limitação funcional. Neste contexto, a fisioterapia tem papel importante no programa de reabilitação dos pacientes que procuram atendimento devido ao comprometimento físico associado ao distúrbio de movimento causado pela lesão, a qual interfere diretamente no desempenho durante a realização de tarefas relevantes
A SIO é uma patologia frequente no Brasil. Hebert et al (2009) diz que isso se deve ao aumento da expectativa de vida, grande desenvolvimento dos esportes que utilizam os membros superiores, desenvolvimento de métodos diagnósticos clínicos e radiológicos modernos, maior entendimento da patologia e conhecimento dos métodos de reabilitação.
 Hebert et al (2009) afirma que os fatores desencadeantes para o surgimento da SIO são, didaticamente, dois: 
a) Fator extrínseco: impacto mecânico descrito por Neer. O espaço subacromial parece ser normal e surge em pessoas mais jovens que executam movimentos repetitivos acima da cabeça. O mecanismo dessa lesão parece ser a compressão sobre o manguito rotador contra o lábio glenoidal póstero-superior e a cabeça do úmero durante a elevação e rotação internas forçadas (DUTTON, 2010); 
b) Fator intrínseco: hipovascularização tendínea. Deve-se ao contato anormal entre a superfície inferior do manguito rotador e a borda glenoidal póstero-superior, causando abrasão mecânica levando à irritação, inflamação e ruptura (DUTTON, 2010).
O músculo supra-espinhal é especialmente, predisposto a desgaste e rompimento em decorrência da circundação vigorosa da articulação por causa da sua localização entre a cabeça do úmero e o acrômio da escápula, que comprime o seu tendão durante os movimentos do ombro. Uma das causas mais comuns de perda da função do ombro, em atletas é a SIO. O movimento excessivo, acima da cabeça coloca esses atletas em risco para desenvolver essa síndrome. O pinçamento continuado do tendão do supra-espinhal faz com que ele fique inflamado, o que causa dor. Se a condição persiste, o tendão pode degenerar próximo à inserção no úmero e, por fim, pode ocorrer o seu rompimento.
Hamill e Knuzen (1999), afirmam que a amplitude do movimento do braço é ampla em razão as estruturas já mencionadas, logo, à medida que o braço eleva-se acima da cabeça as estruturas - bolsa e o músculo supraespinal – são comprimidas, podendo ser irritadas se a compressão for de magnitude ou duração suficientes.
A anatomia do suprimento vascular do manguito rotador constitui um dos fatores etiológicos para o aparecimento de lesões nessa região. Existe uma área localizada ligeiramente perto da inserção do músculo supraespinal conhecida como ―área crítica de Codman‖, onde se inicia a degeneração do manguito rotador devido à hipovascularização em decorrência da compressão contínua entre o acrômio e o tubérculo maior. Quando há SIO, três estruturas são comprimidas: o manguito rotador, a cabeça longa do bíceps e a bolsa subacromial
A SIO é uma lesão freqüente em trabalhadores e atletas que realizam movimentos vigorosos acima da cabeça com deslocamentos no ombro de abdução ou flexão associado à rotação medial, ocasionando compressão progressiva, levando à hipermobilidade da cápsula anterior do ombro, hipomobilidade da cápsula posterior, rotação externa excessiva juntamente com rotação interna limitada do úmero e frouxidão ligamentar generalizada da articulação glenoumeral. Pode ocorrer inflamação dos tendões e das bolsas subjacentes, podendo chegar ao extremo da patologia, a ruptura total dos tendões do manguito rotador. Tal condição causa dor e hipersensibilidade nas regiões superior e anterior do ombro, muitas vezes associado à fraqueza muscular deste complexo. Os sintomas são aumentados ao se realizar movimentos rotatórios do úmero, principalmente elevação e rotação interna (HALL, 2000).
 Souza (2001) afirma que a etiologia da SIO se deve ao impacto primário e ao impacto secundário, os quais têm as seguintes características: 
a) Impacto primário: ocasionado pela compressão mecânica do manguito rotador sob a porção ântero-inferior do acrômio. Dependo do tipo de acrômio, a articulação pode estar em risco maior de desenvolver a lesão, sendo que quanto mais curvo for o acrômio, maior será a compressão nas estruturas subacromiais; 
b) Impacto secundário: refere-se à redução do espaço subacromial por causa a instabilidade funcional glenoumeral ou escapulotorácica. Está relacionado à perda de força da musculatura estabilizadora ou afrouxamento dos ligamentos responsáveis pela coaptação do ombro. 
Lima et al (2007) relembra que Neer dividiu a SIO devido ao impacto primário em três estágios específicos: 
a) Estágio I: edema e hemorragia reversíveis. Mais frequente em pessoas abaixo de 25 anos de idade, normalmente ligada à práticas esportivas ou laborais. O tratamento é conservado e tem bom prognóstico; as lesões por esforços repetitivos são incluídas nessa fase; 
b) Estágio II: fibrose e tendinite do manguito rotador. Menos comum que a anterior e costuma acometer indivíduos entre 25 e 40 anos de idade. Está mais relacionada aos esforços repetitivos, gerando inflamação de origem mecânica sobre as estruturas subacromiais de maneira crônica e intermitente. Neste estágio as funções do ombro podem não ser seriamente afetadas. Tem indicação de cirurgia se após dezoito meses de tratamento não ocorrer melhora do quadro; 
c) Estágio III: lesões do manguito rotador e sua ruptura, ruptura de bíceps e alterações ósseas. Ocorre com maior frequência em indivíduos acima de 40 anos de idade, surgindo, a princípio, com lesão do músculo supra-espinhal. No raio X é possível 6 observar redução do espaço articular entre o acrômio e a cabeça do úmero que se eleva. Há risco de esclerose óssea na inserção do músculo supra-espinhal e do acrômio. O tratamento neste estágio é cirúrgico.
Contudo a fisioterapia tem importante papel na reabilitação da SIO, diminuindo a dor e estimulando a independência e funcionalidade do indivíduo. Nas fases I e II a fisioterapia é indicada como tratamento conservador, onde normalmente se tem bom prognóstico. Se não houver melhora após dezoito meses de acompanhamento, é indicada a intervenção cirúrgica. A reabilitação do complexo do ombro pode ser dividida em quatro fases: I controle da inflamação e da dor, II restauração da amplitude articular, III fortalecimento muscular na 9 busca do equilíbrio dinâmico e IV trabalho proprioceptivo da cintura escapular e do membro superior. Desta feita, o fisioterapeuta há de analisar as técnicas mais adequadas à condição atual de seu paciente, respeitando as variáveis do processo de reabilitação e a capacidade criativa do profissional. 
Referencia: Reabilitação fisioterapêutica na síndrome do impacto do ombro: uma revisão de literatura