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Fibromialgia
I N S T I T U T O
ANA PAULA PUJOL
2
6 Diagnóstico
7	 Critérios	da	fibromialgia
11 Doenças associadas
14	 Conduta	nutricional
 15 Estratégias nutricionais
 17 Dieta IGUBAC®?
 18 Alimentos permitidos e ali-
mentos proibidos na dieta Igubac
22 Micronutrientes, nutracêuti-
cos,	fitoterápicos		e	compostos	
bioativos
 23 Ferritina e ferro
 24 Selênio e magnésio
 26 Iodo
 28 Vitamina D
 30 Cúrcuma
 31 Psyllium
 32 Modulação intestinal
 34 Aminoácidos
 35 Triptofano
 36	 Griffonia	simplicifolia*
 38 Chlorella pyrenoidosa
 39 Coenzima Q10
 40 Creatina Monohidratadaa 
41 Mudança	no	estilo	de	vida
 42 Exercício físico
 43 Estratégias para melhorar 
o sono
 45 Receita de chá para melho-
rar o sono
 46 Gerenciamento do estresse
 49 Chás
53 Exemplos	de	planos	alimentares
62	 Protocolos	de	suplementação
 63 Protocolo para Fibromialgia 
 65 Protocolo para Fibromialgia 2
67 Considerações	finais
68 Referências
Índice
3
A compreensão da Síndrome de Fibromial-
gia (SFM) mudou consideravelmente nas últi-
mas décadas. O que antes era considerado um 
transtorno discreto, passou a ser visto como o 
fim	de	um	continuun (de um ciclo vicioso), em 
um quadro que engloba aspectos clínicos como 
a dor crônica e generalizada, acompanhada de 
fadiga,	alterações	no	sono,	dificuldades	de	me-
mória, alterações no humor, sintomas somáti-
cos e outros1,2.
A prevalência da SFM na população em ge-
ral varia de 0,2% a 6,4%, já na população femini-
na esse achado é ainda maior, podendo variar 
de 2,4% a 6,8%3.
 
Fisiopatologia
4
Acredita-se que o componente mais proe-
minente	do	quadro,	a	dor,	é	justificado	por	anor-
malidades no Sistema Nervoso Central (SNC), 
com	menor	influência	de	alterações	periféricas2. 
Além disso, o estresse oxidativo e uma bai-
xa capacidade antioxidante podem também 
ser um desencadeador da SFM. Isso ocorre pelo 
fato de que alguns radicais livres, como radi-
cais superóxido induzem alteração da nocicep-
ção (percepção da dor) e sensibilidade através 
do sistema nervoso periférico e central.
 Os radicais superóxido estão implicados 
na ativação de várias citocinas, como TNF-α e 
IL-1β que estão envolvidos na dor causada pela 
inflamação.	Adicionalmente,	o		aumento	do	es-
tresse oxidativo resulta em disfunção mitocon-
drial e redução da produção de ATP no músculo 
e células neurais, e isso pode levar à dissemina-
ção crônica da dor em pacientes com SFM4.
 Os fatores de risco mais comum para a 
fibromialgia	são:	obesidade,	depressão,	soma-
tização, ansiedade, sensação de derrame arti-
cular, parestesia, rigidez matinal, alteração do 
sono, fadiga, Síndrome do Intestino Irritável1,4.
A	 fisiopatologia	 da	 SFM	 ainda	 não	 está	
completamente compreendida, mas hipóteses 
sobre anormalidades neuroendócrinas do eixo 
hipotálamo-hipófise-adrenal	 (HPA)	 e	 deficiên-
5
cias no sistema endógeno de modulação da dor 
têm sido levantadas. Cita-se também baixos ní-
veis de serotonina e altos níveis de “Substância 
P” encontrados no líquido cefalorraquidiano de 
pacientes com SFM, sugerindo alterações em 
neurotransmissores excitatórios e inibitórios do 
Sistema nervoso central (SNC), variando assim 
as respostas à dor central5,6,7,8,9.
Estudos têm relacionado que TNF-α, CoQ10 
e níveis mitocondriais de espécies reativas de 
oxigênio	(ERO)	indicaram	que	a	inflamação	em	
vários pacientes com SFM pode depender da 
disfunção	mitocondrial,	 identificando	um	novo	
subgrupo de pacientes. EROs mitocondriais au-
mentados na SFM resultariam de fosforilação 
oxidativa aumentada. Recentemente, demons-
traram que o estresse oxidativo poderia estar 
implicado na gravidade dos sintomas clínicos 
na SFM, portanto, a terapia com antioxidantes 
deve ser examinada como possível tratamento 
na SFM. O bloqueio da produção de EROs pelas 
mitocôndrias proporcionaria uma nova estra-
tégia terapêutica para diminuir os sintomas na 
SFM	 e	 em	 outros	 estados	 inflamatórios.	 Além	
disso, o tratamento com CoQ10 pode ser usado 
como uma terapia alternativa na SFM.10
6
Diagnóstico
Em 1990, o Colégio Americano de Reumatologia 
(ACR)	primeiro	aprovou	os	critérios	para	fibromialgia,	
“The American College of Rheumatology 1990 crité-
rios	para	a	classificação	da	fibromialgia”.	Em	2010,	o	
ACR endossou o “Critério Preliminar de Diagnóstico 
para a Fibromialgia e a Mensuração da Severidade 
dos Sintomas do Colégio Americano de Reumatolo-
gia” como “um método alternativo de diagnóstico”, 
mas indicou que “este conjunto de critérios foi apro-
vado pelo Conselho Diretor de Reumatologia (ACR) 
do American College como provisório.
Desde a publicação dos critérios de 2010/2011, 
vários estudos foram realizados com relação à vali-
dação. Além disso, a extensa pesquisa e o uso clínico 
dos	 critérios	 identificaram	 áreas	 para	 atualização.	
Wolfe et al. (2016)11 revisaram e validaram dados clí-
nicos, combinando os critérios de 2010/2011 em um 
único	conjunto,	fornecendo	modificações	esclarece-
doras aos critérios e descrevem como os novos crité-
rios combinados (2016) devem ser usados (abaixo)11.
7
Critério
Um	 paciente	 satisfaz	 os	 critérios	modificados	
de	fibromialgia	de	2016	se	as	3	condições	a	seguir	
forem	atendidas:
1. Índice	de	dor	generalizada	(WPI)	≥	7	e	escore	
de	gravidade	dos	sintomas	(SSS)	≥	5	OU	WPI	
de	4–6	e	escore	SSS	≥	9.
2. A	dor	generalizada,	definida	como	dor	em	pelo	
menos 4 das 5 regiões, deve estar presente. 
Mandíbula, tórax e dor abdominal não estão 
incluídos	na	definição	de	dor	generalizada.
3. Os sintomas estão geralmente presentes há 
pelo menos 3 meses.
4. Um	diagnóstico	de	fibromialgia	é	válido	 in-
dependentemente de outros diagnósticos. 
Um	 diagnóstico	 de	 fibromialgia	 não	 exclui	
a presença de outras doenças clinicamente 
importantes.
Apuração
1. WPI:	observe	o	número	de	áreas	em	que	o	pa-
ciente teve dor na última semana. Em quantas 
Critérios da fibromialgia
8
áreas o paciente teve dor? A pontuação será 
entre 0 e 19.
Região	superior	esquerda	(região	1)
• Mandíbula, esquerdaa
• Cinta de ombro esquerda
• Braço superior esquerdo
• Braço inferior esquerdo
Região	superior	direita	(região	2)
• Mandíbula, direitaa
• Cinta de ombro direita
• Braço direito
• Braço inferior direito
Região	inferior	esquerda	(região	3)
• Quadril (nádega, trocânter), esquerda
• Perna superior esquerda
• Perna inferior, esquerda
Região	inferior	direita	(região	4)
• Quadril (nádega, trocânter), direita
• Perna superior, direita
• Perna inferior, direita
Região	axial	(região	5)
• Pescoço
• Parte superior das costas
• Abdômena
• Parte inferior das costas
• Peitoa
9
2. Escala de gravidade dos sintomas (SSS)
• Fadiga
• Despertar sem descanso
• Sintomas cognitivos
Para cada um dos 3 sintomas acima, indique o 
nível de gravidade na última semana usando a se-
guinte	escala:
0 - Sem problema
1 - Problemas leves ou leves, geralmente leves 
ou intermitentes
2 - Problemas moderados e consideráveis, mui-
tas vezes presentes e / ou em um nível moderado
3 -	Grave:	problemas	difusos,	contínuos	e	per-
turbadores da vida
Escore	 da	 gravidade	 do	 sintoma	 (SSS): é a 
soma dos escores de gravidade dos 3 sintomas (fa-
diga, despertar não-aliviado e sintomas cognitivos) 
(0–9) mais a soma (0–3) do número dos seguintes 
sintomas o paciente foi incomodado pelo que ocor-
reu	nos	6	meses	anteriores:
1. Dores de cabeça (0-1)
2. Dor ou cãibras no baixo ventre (0–1)
3. Depressão (0-1)
O	escore	final	de	gravidade	dos	sintomas	está	
entre 0 e 12.
10
A	escala	de	gravidade	da	fibromialgia	(FS)	é	a	
soma do WPI e SSS.
A escala FS também é conhecida como a escala do so-
frimento polissintomático (PSD).
aNão	incluído	na	definição	de	dor	generalizada.
Fonte: WOLFE, Frederick et al. 2016 Revisions to the 
2010/2011	 fibromyalgia	 diagnostic	 criteria.	Seminars	 In	 Ar-
thritis	And	Rheumatism, [s.l.], v. 46, n. 3, p.319-329, dez. 2016. 
11
Doenças associadas
Hashimoto: vários estudos mostram que pa-
cientes	que	continham	Hashimoto,	também	mostra-
ram ter a SFM. A presença de anticorpos