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Farmacocinética

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A velocidade e a eficiência da absorção dependem 
do ambiente onde o fármaco é absorvido, das suas características 
químicas e da via de administração (o que influencia sua 
biodisponibilidade). Excetuando a via IV, as demais podem resultar em 
absorção parcial e menor biodisponibilidade. 
 
Mecanismos de absorção de fármacos 
 
1. Difusão passiva: o fármaco se move da região de concentração alta 
para a de concentração baixa. A difusão passiva não envolve 
transportador, não é saturável e apresenta baixa especificidade 
estrutural. A maioria dos fármacos é absorvida por esse mecanismo. - 
Fármacos hidrossolúveis: atravessam as membranas através de canais 
ou poros aquosos. 
- Fármacos lipossolúveis: movem-se através da maioria das membranas 
biológicas, devido à sua solubilidade na bicamada lipídica. 
 
2. Difusão facilitada: alguns fármacos (moléculas grandes) entram na 
célula por meio de proteínas transportadoras transmembrana 
especializadas. Essas proteínas sofrem alterações conformacionaise 
movem as substâncias de áreas de alta concentração para áreas de 
baixa concentração. Não requer energia, pode ser saturado e pode ser 
inibido por compostos que competem pelo transportador. 
 
3. O transporte ativo: dependente de energia, sendo movido pela 
hidrólise de trifosfato de adenosina. Os transportadores são capazes de 
mover fármacos contra um gradiente de concentração. Esse processo é 
saturável. Os sistemas de transporte ativo são seletivos e podem ser 
inibidos competitivamente por outras substâncias cotransportadas. 
- Alguns fármacos com estruturas semelhantes às de metabólitos de 
ocorrência natural. 
 
4. Endocitose e exocitose: são usados para transportar fármacos 
grandes através da membrana celular. A endocitose envolve o 
engolfamento de moléculas do fármaco pela membrana e seu transporte 
para o interior da célula pela compressão da vesícula cheia de fármaco. 
A exocitose é o inverso da endocitose (liberar substâncias). 
 
Fatores que influenciam na absorção 
 
1. Efeito do pH 
A maioria dos fármacos é ácido fraco ou base fraca. 
Fármacos ácidos (HA) liberam um próton (H+), causando a formação de 
um ânion (A–): 
HA H+ + A– 
 
As bases fracas (BH+) também podem liberar um H+. Contudo, a forma 
protonada dos fármacos básicos, em geral, é carregada, e a perda do 
próton produz a base (B) não ionizada: 
 
BH+ B + H+ 
 
 
@waleska112 
MED IX - UFOB 
 
O fármaco atravessa a membrana mais facilmente se estiver não 
ionizado: 
Ácidos fracos: forma HA (não ionizada) 
consegue permear através das membranas, mas 
o A– não consegue. 
Bases fracas: forma B (não ionizada) consegue 
penetrar através das membranas celulares, mas 
a BH+ protonada não consegue. 
 
A concentração efetiva da forma permeável de cada fármaco no seu 
local de absorção é determinada pelas concentrações relativas entre as 
formas ionizada e não ionizada. A relação entre as duas formas é, por 
sua vez, determinada pelo pH no local de absorção e pela força do ácido 
ou base fracos, que é representada pela constante de ionização, o pKa. 
 
Para ácido: 
 
 
 
Para base: 
 
 
 
Assim em uma situação com fámaco de pKa=6,5: 
 
 
pH 
 
 
 
 
 
Então: 
Ácido fraco em meio ácido: predomina HA  bem absorvido 
Base fraca em meio ácido: predomina BH+  não é bem absorvido 
 
Ácido fraco em meio básico: predomina A-  não é bem absorvido 
Base fraca em meio básico: predomina B  bem absorvido 
 
Quando pH = pKa, [HA] = [A–] e [BH+] = [B] 
 
Assim, concluímos que: 
Fármacos ácidos são bem absorvidos em pH ácido, pois encontram-se na 
forma não ionizada. 
Fármacos básicos são bem absorvidos em pH básico, pois encontram na 
forma não ionizada. 
 
Partição pelo pH e aprisionamento iônico 
Em diferentes compartimentos do organismo (plasma, urina, suco 
gástrico), presume-se que a forma não ionizada possa atravessar a 
membrana e consequentemente alcançar concentrações iguais em cada 
compartimento e que a forma ionizada não consegue atravessar. O 
resultado é que, no equilíbrio, a concentração total (ionizada + não 
ionizada) do fármaco será diferente em cada compartimento, com um 
fármaco ácido sendo concentrado no compartimento com um pH alto 
(aprisionamento iônico) e vice versa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A partição pelo pH tem consequências importantes: 
- O aprisionamento da base livre de alguns fármacos antimaláricos no 
ambiente ácido do vacúolo alimentar do parasita da malária contribui 
para a interrupção da via de digestão da hemoglobina que é a base do 
seu efeito tóxico sobre o parasita. 
- Acidificação da urina acelera a eliminação de bases fracas e retarda a 
de ácidos fracos. 
- Alcalinização da urina reduz a eliminação de bases fracas e aumenta 
ade ácidos fracos. 
- O aumento do pH do plasma (administração de bicarbonato de sódio 
por exemplo) faz com que ácidos fracos sejam extraídos do SNC para o 
plasma e a redução do pH do plasma (administração de acetazolamida, 
por exemplo) faz com que ácidos fracos sejam concentrados no SNC 
aumentando sua neurotoxicidade. 
 
2. Fluxo sanguíneo no local da absorção 
Quanto maior o fluxo, maior e mais rápida a absorção. 
 
3. Área de superfície absorvente 
Quanto maior a área, maior a capacidade de absorção. 
 
4. Tempo de contato com a superfície de absorção 
Um fármaco que se desloca muito rápido pelo TGI (em uma diarreia, por 
exemplo) não é bem absorvido. 
 
5. Número de barreiras a serem transpostas 
É inversamente proporcional à quantidade absorvida e à velocidade de 
absorção. 
 
6. Expressão da glicoproteína P 
A glicoproteína P é uma proteína transportadora transmembrana 
responsável pelo transporte de várias moléculas. Ela “bombeia” 
fármacos para fora das células. Assim, nas áreas de expressão elevada, 
a glicoproteína P diminui a absorção de fármacos. 
 
 
 
Quanto menor o pKa de um 
fármaco, mais ácido ele é. Ao 
contrário, quanto maior o pKa, 
mais básico ele é. 
 
pH = pka 
6,5 
 
2 
 
11 
 
pH < pKa 
Quando o pH é menor do que o 
pKa, as formas protonadas HA e 
BH+ predominam 
pH > pKa 
Quando o pH é maior do que o 
pKa, as formas desprotonadas 
A– e B predominam 
@waleska112 
MED IX - UFOB 
 
Biodisponibilidade 
 
- Fração ou percentual da dose administrada que foi absorvida na forma 
intacta de forma sistêmica, levando em consideração tanto a absorção 
quanto a degradação metabólica local. 
 
Se 100 mg de um fármaco são administrados por via oral, e 70 mg desse 
fármaco são absorvidos inalteradamente, a sua biodisponibilidade é de 
0,7, ou 70%. 
 
A biodisponibilidade é determinada pela comparação dos níveis 
plasmáticos do fármaco depois da administração por alguma via com os 
níveis plasmáticos obtidos por administração IV. 
 
Fatores que influenciam a biodisponibilidade: 
- Biotransformação hepática de primeira passagem: Quando um fármaco 
é absorvido a partir do TGI, primeiro ele entra na circulação portal antes 
de entrar na circulação sistêmica (ver Fig. 1.11). Se o fármaco é 
rapidamente biotransformado no fígado ou na parede intestinal durante 
essa passagem inicial, a quantidade de fármaco inalterado que tem 
acesso à circulação sistêmica diminui. 
- Solubilidade do fármaco: Fármacos muito hidrofílicos são pouco 
absorvidos pois ficam impossibilitados de atravessar membranas 
celulares. Fámacos muito lipofílicos são também pouco absorvidos, pois 
são totalmente insolúveis nos líquidos aquosos do organismo. O ideal é 
que seja um meio termo (ácidos e bases fracas). 
- Instabilidade química: tanto por causa do pH gástrico ou pelas enzimas 
digestivas. 
- Natureza da formulação do fármaco: A absorção do fármaco pode ser 
alterada por fatores não relacionados com a sua estrutura química. 
 
OBS.: Fatores que afetam a absorção no TGI 
(1) Características do fármaco: tamanho da partícula, lipossolubilidade, 
formulação, ionização; fatores físico-químicos;