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Resumo - Introdução à Pesquisa Científica

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Júlia Figueirêdo – HABILIDADES GERAIS III 
MEDICINA UNIME – 2020.1 
INTRODUÇÃO À PESQUISA CLÍNICA: 
Identificar o tipo de abordagem metodológica 
utilizada para responder à questão proposta 
implica na definição de características 
básicas da investigação. Nesse sentido, as 
etapas da pesquisa clínica são: 
 Pergunta Investigativa: 
o Quantitativo: o que é significativo é 
conhecido precisamente; 
o Qualitativo: a priori tudo pode ser 
significativo. 
 Coleta de Dados: 
o Quantitativo: o pesquisador acaba por 
se distanciar do meio. Há um controle 
inicial das variáveis, mensuradas por 
procedimentos fixados e pré-
estabelecidos. 
 Amostragem: o número de 
entrevistados é maior, e os 
resultados podem ser aplicados a 
toda uma população; 
 Entrevistas; questionários com 
respostas padronizadas, realizados 
individualmente. 
o Qualitativo: há maior interação entre o 
pesquisador e o meio, com variáveis 
controladas posteriormente e 
avaliadas por procedimentos variáveis. 
 Amostragem: "amostra por 
conveniência", há um menor 
número de entrevistados e os 
resultados não podem ser 
extrapolados para a população 
geral; 
 Entrevistas: podem ser realizadas 
em grupo com questionários mais 
subjetivos. 
 Interpretação dos Resultados: 
o Quantitativo: observação de dados 
estatísticos e verificação do 
enquadramento destes dentro dos 
parâmetros definidos; 
o Qualitativo: observação do discurso. 
As formas de pesquisa também podem ser 
classificadas quanto a sua modalidade, a 
saber: 
 Exploratória: seu objetivo é a 
caracterização inicial do problema, 
constituindo a primeira etapa de todo 
processo metodológico; 
 Teórica: tem como objetivo ampliar as 
bases teóricas associadas a um tema, 
relacionando hipóteses e estruturando 
sistemas e modelos; 
 Aplicada: está relacionada à pesquisa 
teórica, pois busca investigar, confirmar 
ou rejeitar as hipóteses postuladas no 
modelo anterior; 
 De campo: visa a observação dos fatos 
e de suas formas de ocorrência, 
permitindo a separação e o controle das 
variáveis, além de favorecer a percepção 
de relações estabelecidas entre eles; 
 Experimental: determina um objeto de 
estudo e as possíveis variáveis capazes 
de influenciá-lo. O pesquisador define as 
formas de controle e de observação dos 
efeitos produzidos por cada um desses 
fatores; 
 Bibliográficas: recupera o 
conhecimento científico sobre um tema. 
De acordo com os objetivos elencados 
pelos pesquisadores, o estudo pode ser 
classificado em: 
 Exploratório: torna o produtor mais 
familiarizado com o problema, sendo 
exemplificado por pesquisas 
bibliográficas, estudos de caso e 
enquetes; 
 Descritivo: os fenômenos são 
observados, registrados, analisados e 
interpretados sem que o pesquisador 
atue ativamente; 
 Explicativo/analítico: visa identificar 
fatores determinantes para a ocorrência 
dos eventos. É um modelo experimental 
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MEDICINA UNIME – 2020.1 
para as ciências naturais e observacional 
para as ciências sociais. 
Os desenhos de estudo quali e quantitativo 
serão descritos em maiores detalhes nos 
próximos tópicos. 
 
PESQUISA QUALITATIVA: 
O objeto de estudo das Ciências da Saúde é 
o ser humano, em todos os seus eventos e 
particularidades. A saúde, nesse contexto, é 
classificada como um fenômeno 
biopsicossocial. 
A epistemologia (estudo do conhecimento) 
coloca em cheque os conceitos de ciência 
positivista, postulada sobre resultados 
universais, com métodos fixos, frente a um 
universo de complexidades, pois o 
surgimento da teoria da relatividade trouxe à 
tona a existência de múltiplos contextos que 
impedem a universalização de métodos e 
resultados. 
A pesquisa qualitativa tem como propósito 
estudar aspectos específicos e particulares 
de um grupo limitado, fazendo uso de 
abordagens amplas. A pergunta a ser 
respondida é, por vezes, “como?”, 
investigando aspectos subjetivos dos 
sujeitos quando inseridos nas situações em 
estudo. 
O observador tem por missão reduzir as 
interferências sobre seu objeto de estudo, 
buscando assim o retrato mais fidedigno 
possível daquele cenário. 
A abordagem compreensivista empregada 
na pesquisa qualitativa tem como principais 
pontos: 
 Experiências e reconhecimento de 
realidades humanas complexas; 
 Contato com indivíduos em seu 
próprio contexto social; 
 Encontro intersubjetivo entre 
observador e pesquisado; 
 Resultado não universalizável. 
As fases de uma pesquisa qualitativa são: 
 Fase exploratória: revisão de materiais 
produzidos previamente sobre o tema em 
análise; 
 Trabalho de campo: observação e 
aplicabilidade do objeto de estudo pelo 
uso de instrumentos diversos; 
 Análise dos resultados. 
Os instrumentos utilizados para a coleta de 
dados são: 
 Roteiro de entrevista (aberta ou semi-
estruturada): não é recomendado limitar 
o escopo de respostas, pois podem ser 
perdidas informações por 
incompatibilidade com as assertivas pré-
definidas); 
 Roteiro para grupo focal: provocação 
de debate sem interferências pelo 
observador num grupo de características 
demográficas compatíveis com o estudo); 
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 Roteiro de observação participante 
("diário de campo"); 
 Roteiro de análise documental. 
 
Os critérios de local e amostra são definidos 
com base no objetivo de estudo e no 
observador. A amostra tende ao 
aprofundamento (menor número de 
pessoas). 
É válido salientar que no processo de 
interpretação dos dados coletados numa 
pesquisa qualitativa geralmente é utilizada a 
hermenêutica-dialética, capacidade de 
extrair não apenas as informações explícitas 
no texto, mas sim as inter-relações entre 
essa produção e o contexto do sujeito que o 
produziu, permitindo a criação de novos 
sentidos e valores para o material em 
questão. 
 
Os principais tipos de estudo em pesquisas 
qualitativas são: 
 Análise documental: é realizada com 
base em documentos contemporâneos 
ou retrospectivos com autenticidade 
científica (ex.: tabelas estatísticas, cartas, 
pareceres, fotografias, atas, relatórios, 
pinturas/desenhos, esculturas, notas, 
diários, projetos de lei, ofícios, discursos, 
mapas, informativos, depoimentos orais e 
escritos, certidões, correspondência 
pessoal ou comercial, documentos 
informativos arquivados em repartições 
públicas, associações, igrejas, hospitais 
ou sindicatos), e pode ser empregada 
como complemento a outras técnicas. O 
trabalho de análise e interpretação 
começa com a coleta dos materiais, não 
sendo esta uma acumulação cega e 
mecânica. À medida que colhe as 
informações, o pesquisador elabora a 
percepção do fenômeno estudado e se 
deixa guiar pelas especificidades do 
material selecionado; 
 Etnografia: analisa as motivações dos 
objetos de pesquisa (grupo de indivíduos 
com características comuns) por meio da 
observação. O pesquisador busca 
compreender o modo de vida daquela 
sociedade, registrando suas formas de 
interação entre si e para com o ambiente 
e seus comportamentos, permitindo que 
sejam extraídos insights importantes 
sobre crenças, valores e perspectivas 
que vigoravam durante o período de 
estudo. As distinções entre momento de 
coleta e análise de dados não são claras, 
permeando todo o processo de 
investigação; 
 Estudo de caso: representa a 
investigação de um fenômeno atual 
dentro do seu próprio contexto de 
ocorrência e submetido às variáveis que 
o influenciam (ex.: experiência de 
usuários de um determinado programa de 
assistência à saúde), sendo empregadas 
múltiplas fontes de evidência. Devem ser 
buscadas as principais marcas 
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identitárias do caso, as características 
dessas identidades, as inter-relações 
entre