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A SECTI - Secretaria da Ciência, Tecnologia, Inovação e 
Educação Profissional através do Programa QualificarES 
ofereci diversos cursos de formação e novas oportunidades e 
formando o cidadão que procura aperfeiçoar seu 
conhecimento melhorando sua vida. O curso de Agente 
Epidemiológico tem o importante papel, de assistir a 
população e a comunidade na promoção e prevenção da 
saúde. 
Este curso está dividido da seguinte forma: primeiramente 
abordaremos aspectos gerais, como a função do Agente 
Epidemiológico, local de atuação na comunidade, história do 
SUS e Vigilância Epidemiológica, assim como conceitos 
importantes relativos a profissão; posteriormente falaremos 
da ética no trabalho juntamente com a pratica e atenção à 
saúde e por fim sobre doenças transmitidas por vetores que 
mais acometem a população. Começaremos com a parte 
mais densa, pois precisamos conhecer o SUS e nossa função.
 Vamos ao estudo!!!
Agente Epidemiológico 
MÓDULO I 
Entre diversas outras abordagens possíveis para se entender o 
conceito de saúde, apresentaremos uma que nos parece mais útil 
à nossa discussão, a qual tem sido defendida por alguns autores 
(NARVAI et al., 2008). Pode-se então descrever a condição de 
saúde, didaticamente, segundo a� soma de três planos: subindividual, 
individual e coletivo,�apresentados a seguir.
O plano subindividual� seria o correspondente ao nível biológico e 
orgânico, fisiológico ou fisiopatológico. Nesse plano, o processo 
saúde-adoecimento seria definido pelo equilíbrio dinâmico entre a 
normalidade – anormalidade/funcionalidade – disfunções. Assim, 
quando a balança pender para o lado da anormalidade/disfunção, 
podem ocorrer basicamente duas situações: a enfermidade e a 
doença. A enfermidade seria a condição percebida pela pessoa ou 
paciente, caracterizando-a como queda de ânimo, algum sintoma 
físico, ou mesmo dor. A doença seria a condição detectada pelo 
profissional de saúde, com quadro clínico definido e enquadrada 
como uma entidade ou classificação nosológica (NARVAI et al., 
2008).
O plano individual entende que as disfunções e anormalidades ocorrem 
em indivíduos que são seres biológicos e sociais ao mesmo 
tempo. Portanto, as alterações no processo saúde-adoecimento 
resultam não apenas de aspectos biológicos, mas também das 
condições gerais da existência dos indivíduos, grupos e classes 
sociais, ou seja, teriam dimensões individuais e coletivas. Segundo 
essa concepção, a condição de saúde poderia variar entre um 
extremo de mais perfeito bem-estar até o extremo da morte, com 
uma série de processos e eventos intermediários.
O plano coletivo expande ainda mais o entendimento sobre o processo 
saúde-adoecimento, que é encarado não como a simples soma 
das condições orgânicas e sociais de cada indivíduo isoladamente, 
senão a expressão de um processo social mais amplo, que resulta 
de uma complexa trama de fatores e relações, representados por 
determinantes do fenômeno nos vários níveis de análise: família, 
domicílio, microárea, bairro, município, região, país, continente etc. 
(NARVAI et al., 2008). Nessa linha, fica mais fácil compreender a 
definição de Minayo (1994 apud NARVAI et al., 2008) sobre saúde: 
“fenômeno clínico e sociológico vivido culturalmente.”
A saúde é silenciosa: geralmente não a percebemos em sua plenitude; 
na maior parte das vezes, apenas a identificamos quando 
adoecemos. É uma experiência de vida, vivenciada no âmago do 
corpo individual. Ouvir o próprio corpo é uma boa estratégia para 
assegurar a saúde com qualidade, pois não existe um limite 
preciso entre a saúde e a doença, mas uma relação de 
reciprocidade entre ambas; entre a normalidade e a patologia, na 
qual “os mesmos fatores que permitem ao homem viver (alimento, 
No Brasil, pode-se dizer que a história da saúde pública foi, em 
grande parte, marcada pela tentativa de eliminar grandes surtos 
epidêmicos desde períodos coloniais, como o de febre amarela, e 
outros que surgiram posteriormente ao longo dos anos, como 
malária, leishmaniose e doença de Chagas (LIMA, 2002 apud 
MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2019a).
Barata (1987 apud Ministério da Saúde, 2019a) acredita que as 
epidemias sempre estiveram presentes na história das 
coletividades humanas. E por isso, os contextos sociais dos 
modos de produção, associados aos fatores econômicos, 
condicionaram modificações no ambiente e nas estruturas 
urbanas e rurais que favoreceram e ainda favorecem a sua 
ocorrência. 
Em períodos recentes, pelo grande impacto na morbidade e na 
mortalidade, além das implicações sobre os serviços de saúde, 
destacam-se especificamente as epidemias de arboviroses 
(doenças causadas por arbovírus, do inglês Arthropod Borne 
VIRUS), como dengue, Zika, febre amarela e Chikungunya 
(DONALISIO; FREITAS; VON ZUBEN, 2017 apud MINISTÉRIO DA 
SAÚDE, 2019a). 
A interação do homem com o meio ambiente é muito complexa e 
dinâmica, envolvendo fatores conhecidos ou não, que podem 
sofrer alterações ao longo do tempo, ou se modificarem no 
momento em que se desencadeia a ação (FUNASA, 2002).
Como o controle das doenças transmissíveis se baseia em 
intervenções que, atuando sobre um ou mais elos conhecidos da 
cadeia epidemiológica, são capazes de interrompê-la, as 
estratégias de intervenção tendem a ser aprimoradas ou 
substituídas, na medida em que novos conhecimentos são 
aportados, seja por descobertas científicas (terapêuticas, 
fisiopatogênicas ou epidemiológicas), seja pela observação 
água, ar, clima, habitação, trabalho, tecnologia, relações familiares 
e sociais) podem causar doença, se agem com determinada 
intensidade, se pesam em excesso ou faltam, se agem sem 
controle”. (Minayo, 1994 apud NARVAI et al., 2008) 
Essa relação é demarcada pela forma de vida dos seres humanos, 
pelos determinantes biológicos, psicológicos e sociais. Tal 
constatação nos remete à reflexão de o processo 
saúde-doença-adoecimento ocorrer de maneira desigual entre os 
indivíduos, as classes e os povos, recebendo influência direta do 
local que os seres ocupam na sociedade. (BERLINGUER. In: 
BRÊTAS; GAMBA, 2006). Canguilhem e Caponi (1995. In: BRÊTAS; 
GAMBA, 2006) consideram que, para a saúde, é necessário partir da 
dimensão do ser, pois é nele que ocorrem as definições do normal 
ou patológico.
O considerado normal em um indivíduo pode não ser em outro; não 
há rigidez no processo. Dessa maneira, podemos deduzir que o ser 
humano precisa conhecer-se, necessita saber avaliar as 
transformações sofridas por seu corpo e identificar os sinais 
expressos por ele. Esse processo é viável apenas na perspectiva 
relacional, pois o normal e o patológico só podem ser apreciados 
em uma relação.
Nessa dimensão, a saúde torna-se a 
capacidade que o ser humano tem de 
gastar, consumir a própria vida. 
Entretanto, é importante destacar que a 
vida não admite a reversibilidade; ela 
aceita apenas reparações. Cada vez 
que o indivíduo fica doente, está 
reduzindo o poder que tem de enfrentar 
outros agravos; ele gasta seu seguro 
biológico, sem o qual não estaria nem 
mesmo vivo (BRÊTAS; GAMBA, 2006).
sistemática do comportamento dos procedimentos de prevenção e 
controle estabelecidos (FUNASA, 2002).
 
A evolução desses conhecimentos contribui, também, para a 
modificação de conceitos e de formas organizacionais dos 
serviços de saúde, na contínua busca do seu aprimoramento 
(FUNASA, 2002).
2
INTRODUÇÃO
No curso de Agente Epidemiológico iremos abordar assuntos 
relevantes para o bom exercício da profissão. Também, 
abordaremos sobre a Saúde Pública, Vigilância Epidemiológica e 
Sanitária, bem como seus conceitos e funções. 
No cenário atual, o desafio de combate endemias é uma forma 
importantíssima para evitar a emergência e reemergência de 
doenças, através das ações que devem ser desenvolvidas com a 
participação da população. Por meio de informações e trabalhos 
educativos praticados pelos agentes de endemias com vistas a 
difundir junto aos moradores e comunidades, tendo como papel 
fundamental o elo entre

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