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A Atuação do Psicólogo na Instituição Hospitalar

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A Atuação do Psicólogo na Instituição Hospitalar
INTRODUÇÃO
O presente trabalho irá abordar a atuação do profissional psicólogo no ambiente hospitalar, assim como sua contribuição e desafios no suporte ao processo de minimização do sofrimento frente ao adoecimento, auxiliando o paciente a lidar com as questões emocionais decorrente do seu problema de saúde.
De acordo com Simonetti, a Psicologia Hospitalar corresponde ao “Campo de entendimento e tratamento dos aspectos psicológicos em torno do adoecimento” (2004, p. 15 apud Guerra, 2019). É sabido que a experiência de adoecer e estar hospitalizado representa um momento de grande dificuldade, tanto para o paciente como para todos que estão ao seu redor. Estar inserido em um ambiente hospitalar, causa desconforto e muitas vezes são encontradas pessoas que estão sendo afetadas pela fragilidade que emerge da doença e do mal estar impactados pela ruptura do seu cotidiano.
O estudo contou com a entrevista semidirigida da psicóloga Tatiana de Oliveira Paes, Especializanda em Psicologia Clínica Hospitalar, pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 
Verifica-se a relevância sobre os aspectos emocionais dos pacientes com doenças cardiovasculares (DCV), pois ocupam o posto de principal causa de óbitos no Brasil e em nível mundial. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2008 mais de 17 milhões de pessoas morreram de DCV, o que representa um total de 30% de mortes no mundo. No Brasil, uma média de 33% dos óbitos é constituída por esta causa, sendo que um dos fatores que predispõem as DCV é ser do gênero masculino, ainda que a ocorrência de óbitos seja maior entre o feminino. Para 2030, a OMS (2011) estima que cerca de 25 milhões venham a óbito por DCV, mantendo-se assim, mundialmente reconhecidas como principal causa mortis.
Para o paciente que será submetido a um procedimento cirúrgico, o primeiro grande desafio é a aceitação da patologia que lhe traz a ameaça a vida. A iminência da morte, junto com a incerteza do prognóstico, é causa de grande fragilidade para a fase pré-cirúrgica (Bohachick, 1992 citado por Tavares, 2004).
Mediante a este contexto a psicologia pode intervir nas angústias do paciente, fazendo uma preparação para o procedimento cirúrgico e pós-operatório com o objetivo de trabalhar as demandas da nova etapa de vida do paciente.
Segundo Ruschel 2006 aponta:
A cirurgia é uma variável desconhecida na vida do indivíduo, a qual pode acarretar ansiedade e medos diversos. É comum que o paciente cardíaco com indicação para cirurgia passe por uma regressão a uma etapa anterior do seu desenvolvimento emocional, desencadeando, por exemplo, comportamento de dependência, angústias geradas pela patologia e mecanismos de defesa empregados contra o medo sentido, na tentativa de preservar a sua homeostase (Ruschel, 2006 apud).
É preciso considerar que a ansiedade é um sintoma frequente na hospitalização dos pacientes cardíacos cirúrgicos. É um estado de emoção que se caracteriza por elementos psicológicos e orgânicos, que fazem parte das experiências humanas, fazendo com que os sujeitos se movimentam para tomada de decisão (Andrade & Gorestein, 1998 apud).
Deste modo pode se tornar patológica quando é desproporcional ao episódio que a desencadeia, ou quando não é direcionada a um objeto específico. Segundos os autores Fighera & Viero, 2005; Torratti, Gois, & Dantas, 2010 apud “Se não for um sentimento expresso e conscientizado, pode afetar negativamente a saúde do paciente no processo pré e pós-cirúrgico”. 
De acordo com Nifa e Rudnicki (2010), torna-se fundamental a perspectiva do indivíduo que avalia como vê e sente a interferência da doença na sua vida pessoal, familiar e profissional. Os pacientes durante o tratamento da doença comumente podem apresentar perdas psicomotoras, afastamento social, restrição em papéis sociais e déficits cognitivos, além da perda da autonomia. Dessa forma é possível compreender que se faz necessário uma visão geral dos prejuízos causados pelo adoecer e é importante que o psicólogo não fixe somente na doença em si, mas sim vislumbrar como os pacientes reagem e lidam aos diversos fatores do tratamento.
É possível observar que o papel da psicologia hospitalar é buscar dar voz a subjetividade, aproximando-se do paciente em sofrimento, e favorecendo a elaboração simbólica do adoecimento, atravessando pelo tratamento necessário e atuando no sentido de validar sentimentos que estejam presentes, entrando assim em contato com as dificuldades dos momentos que podem parecer como algo insuportável e infinito.
MÉTODO
O método utilizado na pesquisa foi a entrevista para a coleta de dados a acerca do assunto estudado.
Para Bleger (1998, p.1) “a entrevista é um instrumento fundamental do método clínico e é, portanto, uma técnica de investigação científica em psicologia. Como técnica tem seus próprios procedimentos ou regras empíricas com os quais não só se amplia e se verifica como também, ao mesmo tempo, se aplica o conhecimento científico”.
Para esta pesquisa, o tipo de entrevista elegida como instrumento de análise foi a entrevista semiestruturada, que permite a verificação do tema através de questionamentos básicos relacionados ao objeto de estudo e que possibilitam respostas livres, não condicionadas a uma padronização de alternativas. 
De acordo com Manzini (1990/1991, p. 154), a entrevista semiestruturada está focalizada em um assunto sobre o qual confeccionamos um roteiro com perguntas principais, complementadas por outras questões inerentes às circunstâncias momentâneas da entrevista.
O roteiro da entrevista foi composto por 7 questões direcionadas e exploratórias sobre a atuação da psicologia no contexto hospitalar, com subseções dentro de cada questão para obtermos o máximo de informações dentro do assunto abordado.
A amostra utilizada para a entrevista foi com uma participante que atua na área para evidenciar como acontece na prática a atuação da psicologia na área da saúde.
A entrevistada Tatiana de Oliveira Paes, é formada em Psicologia desde julho de 2019 e atualmente é Especializanda em Psicologia Clínica Hospitalar pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. 
A profissional atua na área de Psicologia Hospitalar desde 03/2020, trabalhando diretamente com o setor de pneumologia do hospital.  
A análise da entrevista serve como ponto comparativo com o referencial teórico sobre a atuação da Psicologia na área da saúde.
OBJETIVO 
O trabalho apresentado tem como objetivo elucidar o papel do psicólogo e sua atuação dentro do contexto hospitalar, sua interação com os demais profissionais da saúde que atuam neste ambiente, bem como seu trabalho com os pacientes que se encontram enfermos, necessitando não só dos tratamentos correspondentes à patologia apresentada por eles, assim como a redução dos prejuízos emocionais causados pelo estado de enfermidade, propiciando assim o trabalho de intervenção do psicólogo neste âmbito.
Trazemos aqui um apanhado de informações recebidas através da profissional entrevistada, que explica os detalhes de sua extensa rotina dentro do hospital, o seu trabalho para com os pacientes que não passa apenas pela modalidade de beira-leito como à própria menciona no decorrer da entrevista, bem como os obstáculos por ela atravessados no que tange ao diálogo com os profissionais, com os quais ela atua no processo interdisciplinar.
 As imposições colocadas ao psicólogo, que é visto muitas vezes como o responsável por estabelecer diálogos com os pacientes, em muitas das ocasiões em que esta tarefa haveria de ser desempenhada pelo médico propriamente dito, que durante a internação do paciente teoricamente deve servir como interlocutor para repassar as informações a respeito do paciente para seus familiares, fato que muitas vezes não ocorre, ficando com o psicólogo à função de estabelecer este vínculo com a família. 
 
ENTREVISTA
Apresentação do profissional:
Tatiana de
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