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Disciplina: Didática
Aula 9: Planejamento didático e a avaliação escolar
Apresentação
Nesta aula, trataremos sobre a avaliação escolar, diferenciando os tipos de
instrumentos, propondo uma reflexão sobre a avaliação nas perspectivas tradicional,
construtivista e progressista da educação.
Deixaremos claro que o instrumento prova, o mais conhecido e aplicado pelas
escolas, não precisa ser, necessariamente, abolido, mas talvez elaborado de forma
mais reflexiva, de modo que o aprendizado não ocorra mecanicamente através da
mera memorização, tornando-se, então, mais significativo para o aluno.
Ressaltaremos também a relação entre a avaliação escolar, fracasso escolar, a
exclusão social e a ideologia dominante que permeia essa relação.
Vamos suscitar um olhar crítico sobre o modelo tradicional de ensino, o que não
significa, também, que não possa ser adotado pelo professor, mas, que não seja o
único caminho a ser trilhado por ele. É fundamental que as ações sejam pensadas,
conscientes, e não aleatórias e sem objetivo.
Objetivos
Distinguir os tipos de instrumentos de avaliação escolar;
Identificar a diferença da avaliação escolar quando respaldada em perspectivas
tradicional e construtivista e progressista da educação;
Identificar as funções que a avaliação escolar exerce;
Avaliar a relação entre avaliação escolar, fracasso escolar e exclusão social;
Reconhecer que o professor pode lançar mão de diversos instrumentos de
avaliação, porém que se faz fundamental ter consciência sobre o que está
fazendo.
Planejamento de Ensino e a
Avaliação Escolar
Definições de avaliação escolar
Falar de avaliação escolar é bastante complexo, pois trata-se de uma ação
pedagógica realizada por uma pessoa, o que faz dessa prática poder se
submeter ao risco da subjetividade, do olhar tendencioso, impreciso e
desatento do professor, principalmente quando se trabalha em diversas
turmas e com um número elevado de alunos.
 Professor. (Fonte: Monkey Business Images /
Shutterstock)
Por mais que o professor seja muito bem formado na ética, é possível cometer
injustiças nas avaliações, ficando evidente que todo instrumento ou modo de avaliar
tem suas fragilidades. Considerando que o tema é polêmico, iniciaremos apontando
algumas definições a partir do olhar de educadores, estudiosos no assunto:
Nérici
É a verificação da aprendizagem, é a parte final do processo de ensino iniciado com o
planejamento do curso e é por meio dela que se chega à conclusão sobre a utilidade
ou não dos esforços despendidos pelo professor e alunos nos trabalhos escolares
(Nérici, 1969).
Piletti
Avaliação é um processo contínuo de pesquisas que visa interpretar os
conhecimentos, habilidades e atitudes dos alunos, tendo em vista mudanças
esperadas no comportamento, propostas nos objetivos, a fim de que haja condições
de decidir sobre alternativas do planejamento do trabalho do professor e da escola
como um todo (Piletti, 2010).

Atenção
Se analisarmos essas duas definições de Nérici (1969) e Pilletti (2010),
percebemos que há diferenças, obviamente, tendo em vista as suas épocas:
enquanto na primeira o autor enfatiza o resultado final, na segunda, a ênfase é
no processo.
Para Haydt (2006), o termo avaliar tem sido constantemente associado a expressões
como fazer prova, fazer exame, atribuir nota, repetir ou passar de ano. Esta
associação, tão frequente em nossas escolas, é resultante de uma concepção
pedagógica arcaica, mas tradicionalmente dominante.
 Aluno é visto como passivo e receptivo. (Fonte:
Monkey Business Images / Shutterstock)
Nela, a educação é concebida como mera transmissão e memorização de informações
prontas, e o aluno é visto como um ser passivo e receptivo. Em consequência, a
avaliação se restringe a medir a quantidade de informações retidas.
Nessa abordagem, em que educar se confunde com informar, a avaliação assume um
caráter seletivo e competitivo.

Comentário
Embora as palavras verificação, exames, resultado, teste, prova, grosso modo,
datem do início do século XX, ainda hoje observamos essas práticas nas escolas.
Mais precisamente a partir da década de 1990 que as palavras teste, prova e
exames foram sendo substituídas por avaliação.
Porém, não se trata apenas de um “jogo de palavras”. É preciso ver se, de fato,
houve mudança no ato de avaliar o educando, pois mudar a palavra não significa
mudar as estratégias, as ações pedagógicas que dependerão da concepção que
o professor tem de educação, assim como também da cultura da escola, se mais
tradicional, mais conservadora ou construtivista e progressista.
Modelos tradicional e progressista
Atividade
1. Vimos, anteriormente, a definição de avaliação escolar segundo Nérici e
Piletti. Você consegue dizer a que modelo cada uma das definições se referem?

Saiba mais
Um exemplo de questão de prova que envolve a memorização é: qual a
diferença entre o morcego e a baleia? E a resposta esperada: “um mamífero que
voa e um mamífero que nada”.
Mas será que essa é a única diferença entre os mamíferos? Pois é, existem
diversas peculiaridades, mas os alunos geralmente não são preparados para
pensar, e sim para responder automaticamente.
O conhecimento é concebido como algo pronto e acabado, verdade absoluta
externa ao aluno que deve ser nele inculcada para depois ser memorizada,
reproduzida e avaliada (Veiga, 2011).
Mas, se perguntássemos sobre o que o aluno poderia dizer sobre a dinâmica da
terra, provavelmente, as respostas seriam diversas, com possibilidades de
qualidade, e não padronizadas. Mas aí, estaríamos respaldando a nossa prática
em modelos mais construtivistas e progressistas da educação.
Observe outra parte da definição de Nérici:
[...] é por meio dela que se chega à conclusão sobre a utilidade ou não dos
esforços despendidos pelo professor e alunos [...].
Segundo essa linha de pensamento, o que o aluno apresenta terá valor ou não;
ele será considerado apto ou inapto. É o resultado final que determinará o futuro
do aluno, se ele será aprovado ou reprovado.
Não se considera, nesse modelo, o que o aluno conseguiu fazer, produzir; não se
consideram “outras” habilidades além do domínio cognitivo da matéria.
No modelo construtivista e progressista, o aluno é avaliado integralmente, por
se entender que não apenas o domínio das ciências é fundamental no processo
formativo, pois de que adianta um aluno de biologia estar em dia com os
conteúdos da matéria e não demonstrar consciência ecológica?
De que adianta um aluno do curso de docência estar em dia com os estágios de
Piaget e não demonstrar atitude diante do outro; não ser participativo, não
demonstrar desejo de crescer pessoal e profissionalmente?
Note como avaliar é complexo.
Também não precisamos escolher um modelo ou outro, pois todos possuem suas
fragilidades, na medida em que uma pessoa avalia outra, conforme mencionamos no
início desta aula; que o processo avaliativo corre o risco da subjetividade; de um
professor criar estereótipos acerca de um aluno ou ficar impressionado com um aluno
que fala o tempo todo querendo participar ou porque tirou uma nota muito boa na
primeira avaliação.
Precisamos ficar bem atentos, pois os fatos não são isolados. Talvez um aluno que
conseguiu aumentar de 4,0 para 7,0 tenha mais impacto na avaliação do que outro
aluno que mantém o seu 8,0 em duas avaliações.
Avaliar integralmente significa trabalhar com o que o aluno
conseguiu produzir, e não apenas com as suas falhas, com o que
ele está devendo ao professor.
Aprender a aprender
Segundo Vasco Moretto (2003), a avaliação não deverá ser um acerto de contas, e
sim um momento privilegiado de estudos. Mas sabemos que nem todas as pessoas
pensam assim.
Normalmente, os alunos não apreciam realizar provas; eles sentem medo de errar e
da reprovação, o que é compreensível. Se observarmos as bibliotecas e filas