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Ano 1 nº 2 - novembro/dezembro de 2013 www.atlanticaeditora.com.br estética 14 anos TrATAmenTo dA pele • Acne: peeling ultrassônico e a fotobioestimulação com led • preenchimento facial e hidratação estética em portadores do vírus HIV/AIdS • dermatite seborréica inflamatória do couro cabeludo profISSão • migração de profissionais da saúde para a área estética r evista B rasileira de estética < Volum e 1 < n úm ero 2 < n ovem bro/d ezem bro de 2013 revista Brasileira de pSIcologIA • Simetria facial natural e percepção da beleza • Avaliação da satisfação da imagem corporal em estudantes de estética AlopecIA • Aplicação transdermal de d-pantenol e laser de baixa potência © ATMC - Atlântica Multimídia e Comunicações Ltda - Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida, arquivada ou distribuída por qualquer meio, eletrônico, mecânico, fotocópia ou outro, sem a permissão escrita do proprietário do copyright, Atlântica Editora. 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Profa. Dra Jeanete Moussa Alma Assim sempre foi a carreira Estética, não poderia ser diferente com nossa primei- ra Revista Cientifica. Começamos a receber trabalhos de outros Estados, é o caso do Espírito Santo, Minas Gerais e Maranhão. Nosso sonho é que em poucas edições tenhamos trabalhos de todos os estados brasileiros. Vocês poderão notar que nos- sos artigos são bastante ecléticos, vão dos relatos de casos aos que se preocupam com as questões legais da profissão. Essa diversidade é extremamente salutar. Mos- tra que as esteticistas estão preocupadas com o aprimoramento de suas técnicas, mas também não esquecem das questões legais e políticas. Alias, a Editora Atlântica e nosso corpo científico estão elaborando uma edição extra ou especial com as melhores profissionais do país, de todas as regiões, com protocolos super bem elaborados e em- basados na ciência. A nova era da Estética chegou e a Revista Brasileira de Estética se coloca absolutamente a disposição. Boa leitura a todos, e, não se esqueçam, estamos a disposição para publicar bons artigos. Mande o seu, e um grande abraço. EDITORIAL Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 77 ARTIGO ORIGINAL Acne vulgar: avanços na técnica combinada de limpeza de pele associada ao peeling ultrassônico e a fotobioestimulação com LED Acne vulgaris: advances in the combined technique of facial skin cleansing associated with ultrasonic peeling and LED photobiostimulation Denise Brega Alvares*, Valeria Brega Alvares Taborda**, Jeanete Moussa Alma, D.Sc.*** *Pós-Graduanda em Estética da Universidade Gama Filho, São Paulo/SP, Esteticista do Centro de Dermatologia Estética e Laser de Bauru (Delcentro), **Dermatologista, Doutoranda em Biologia Oral, Diretora do Centro de Dermatologia Estética e Laser de Bauru (Delcentro), ***Esteticista, Fundadora do Primeiro Curso Superior em Estética no Brasil, Fundadora do Primeiro Curso de Pós Graduação em Estética no Brasil, Coordenadora do programa de Pós Graduação da Universidade Gama Filho, Coor- denadora do programa de Pós Graduação da Universidade Estácio de Sá, Supervisora de Estágio do Curso de Estética e Cosmética da Universidade Santana/Unisantanna - Artigo originalmente publicado em Salusvita 2012;31(1) Endereço para correspondência: Denise Brega Alvares, Rua Saint Martin, 18-19 Bauru SP, E-mail: alvaresdenise@hotmail.com | Resumo A limpeza de pele é um procedimento comum na prática diária em estética. Algumas das técnicas difundidas de forma empírica entre os profissionais da área de estética não são padronizados e nem estão descritas na literatura científica; outras técnicas estão descritas na literatura científica descon- examente. Os autores propõem uma técnica combinada que busca associar práticas de domínio público a novas opções tecnológicas. Com o objetivo de padronizá-la como opção mais abrangente e avançadado que a limpeza de pele tradicional, a técnica combinada foi otimizada pelo uso de micropipetas de vidro em associação ao peeling ultrassônico e a fotobioestimulação com LED, visando a aumentar sua eficiência e proporcionar melhores resultados. Palavras-chave: acne vulgar, higiene da pele e métodos. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 201378 | Introdução A acne vulgar, considerada a doença mais comum de pele, manifesta-se pela presença de comedões abertos e fechados (grau I) (Figura 1), e um número variável de lesões inflamatórias, como pápulas e pús- tulas (grau II), como nódulos e pseudocistos (grau III) ou como abscessos e fístulas (grau IV) [1] que indubitavelmente afetam a autoimagem e a autoestima dos indiví- duos [2,3]. O tratamento medicamentoso da acne deve ser orientado por um médico dermatologista; complementarmente à extração dos comedões geralmente se faz necessária e deve ser realizada por uma esteticista habilitada. Na prática, a limpeza de pele pode ser indicada em todos os graus de acne [4], pois tem ação importante no esvaziamento de lesões inflamatórias (pústulas) e princi- palmente nas lesões não inflamatórias (co- medões abertos), evitando a evolução para pústulas [5]. Procura-se, portanto, eliminar com traumas mínimos as lesões pustulo- sas e comedogênicas, preservando a pele normal ao redor. A remoção dos comedões promove melhoria imediata e acentua a satisfação do paciente, pois a extração com princípios de antissepsia elimina as lesões inflamatórias da acne e reduz o grau de comprometimento clínico [6]. Atualmente a desvantagem evidente é que a extração da forma mais comumente realizada, através da expressão digital, pode proporcionar danos na pele normal contígua dos comedões [7], com o risco de prejudicar a cicatrização ou geração de cicatrizes inestéticas. Modelos distintos de extratores de comedões metálicos utilizados amplamente durante a limpeza de pele mantêm o risco de traumas, bem como reduzem a eficiência da limpeza de pele, aumentam o tempo e o custo do pro- cedimento [6]. Figura 1 - Comedões abertos de acne vulgar grau I (videodermatoscopia). O objetivo dos autores é apresentar uma opção mais abrangente e avançada do que a limpeza de pele tradicional, a técnica combinada, que foi otimizada pelo | Abstract The facial skin cleansing is a common daily procedure in aesthetics practice. some of the techniques empirically widespread among professionals in aesthetics are not standardized and are not described in literature. Other techniques are described separately in the literature. The authors propose a combined technique that seeks to involve practices in the public domain to new technological options. Aiming to standardize it as a most comprehensive and advanced option than the traditional skin cleansing, they combine technique and optimize them by using glass micropipettes in association with ultrasonic peel and LED photobiostimulation in order to both increase efficiency and provide better results. Key-words: Acne vulgaris, skin cleansing and methods. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 79 uso de micropipetas de vidro em associa- ção esfoliação (peeling) ultrassônico e a fotobioestimulação com LED, visando a aumentar sua eficiência e proporcionar melhores resultados. | Material e métodos Descrevemos a técnica combinada no tratamento complementar da pele com acne vulgar que usa aparelhos e dispositivos para extração de comedões, microdrena- gem de pústulas, esfoliação ultrassônica e fotobioestimulação com LED, conforme as fases abaixo: • 1ª fase: Inicia-se a técnica com an- tissepsia da pele com sabonete an- tisséptico, gel de limpeza ou espuma (Dermotivin Salix foam, Galderma, Hortolândia/SP). � 2ª fase: Após a antissepsia da pele, realiza-se o peeling ultrassônico, (TriaSystem, Industra Mecânica Fina, Indústria e Comércio Ltda, São Carlos/ SP), que através do transdutor ultras- sônico flexional, com frequência de 25.000 vezes por segundo (25 kHz), promove a dilatação dos óstios foli- culares (poros), fluidifica a secreção sebácea (sebo), estimula a atividade hipersecretora e sudorípara (Figura 2). O aparelho é composto por cerâmicas piezoelétricas que são responsáveis pela conversão de energia elétrica suprida pelo gerador no ultrassom que irá promover a cavitação e a limpeza [8,9]. A cavitação acústica é o fenô- meno explorado pelos sistemas de limpeza ultrassônicos [10] e refere-se à formação de cavidades vazias ou preenchidas com gazes ou vapores em meio líquido. Figura 2 - Aparelho de peeling ultrassô- nico utilizado na fase 2. • 3ª fase: A seguir, aplica-se uma loção adstringente e emoliente (loção hipo- alergênica facial de trietanolamina, Vitaderm Hipoalergênica, São Paulo/SP) e um creme amolecedor de comedões (Payot, Melfe Cosméticos Indústria e comércio Ltda, São Paulo, SP, Brasil). Utiliza-se o tradicional vaporizador- -umidificador de ozônio (DGM Eletrôni- ca, Santo André/SP), que além de ser bactericida, umedece a pele e evita a pressão excessiva ao remover [11], na próxima etapa, os comedões, com micropipetas extratoras descartáveis. No caso da face, protegem-se os olhos previamente com algodão embebido em soro fisiológico e direciona-se por 15 mi- nutos o jato do aparelho vaporizador de ozônio ao centro da área a ser tratada. � 4ª fase: Para facilitar a extração dos co- medões utiliza-se um dispositivo alterna- tivo que aumenta a eficácia da limpeza de pele estética tradicional, melhora os resultados e diminui o risco de traumas imediatos e hipercromias indesejáveis. Uma técnica ainda não publicada, mas desenvolvida pelos autores adapta tu- bos capilares descartáveis como micro- pipetas extratoras de comedões (tubos capilares de vidro para microhematócrito Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 201380 sem heparina, Perfecta Ind. e Com. de Lâminas de Vidro Ltda, São Paulo/SP) de 75 mm de comprimento,1mm diâ- metro interno, 1,5mm diâmetro externo (Figura 3 e 4). Um dos autores (VBAT) padronizou em sua clínica há 15 anos o uso de micropipetas descartáveis (tubos de vidro capilares para microhe- matócrito)como o um instrumento para extração de comedões e microdrenagem de pústulas durante procedimentos de limpeza de pele, por ser prático, leve, de fácil manuseio, acessível, de baixo cus- to, descartável e com menor chance de traumatizar a lesão tratada e menor ris- co de disseminar uma possível infecção. Figura 3 - Extração de comedões aber- tos com tubos capilares descartáveis (técnica de micro - drenagem de Tabor- da). Fase 4 da técnica combinada. Figura 4 - Representação da retirada do comedão aberto com micropipeta extratora descartável (tubo capilar de vidro) na técnica de microdrenagem de Taborda. � 5ª fase: Na finalização utiliza-se a fotobioestimulação com aparelho de LED, Multiwaves, Industra Mecânica Fina, Indústria e Comércio Ltda, São Carlos/SP) (Figura 5). No tratamento coadjuvante da acne associa-se a fo- tobioestimulação com LED de 405nm (aplicação de cabeça azul), com ação bactericida, seguida da fotobioesti- mulação com LED de 940 nm (cabeça infravermelha) de ação anti-inflama- tória e cicatrizante, efeitos descritos na literatura internacional [12-18]. O espectro de luz utiliza uma baixa intensidade de energia, o q uegarante um tratamento não-ablativo. Diferen- temente dos lasers, que utilizam um processo fototérmico, a fotobioestimu- lação com LED atua em um processo fotobioquímico, onde os resultados ocorrem como efeito direto da irradia- ção luminosa (fotobioestimulação) e não por conta do aquecimento. A tera- pia com luz azul (405 nm) atua através da fotossensibilidade das porfirinas produzidas pelo Propionibacterium acnes, a principal bactéria causadora da acne vulgar [19]. A ativação da pro- toporfirina IX, absorvida através da luz azulna presença de oxigênio, produz oxigênio atômico, que destrói as bac- térias do P. acnes [20,21]. O pico de absorção de protoporfirina IX acontece em 410 nm, ou seja, comprimento de onda do LED azul, explicando sua ação bactericida, importante no tratamento da acne. Indica-se a aplicação da luz azul durante 10 minutos (efeito bacteri- cida) e 15 minutos da luz infravermelho (efeito anti-inflamatório e cicatrizante). Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 81 Figura 5 - Fotobioestimulação com apa- relho de LEDs (luz azul, 405nm) na fase 5 da técnica combinada. � 6ª fase: Segue-se uma máscara suavi- zante (Adcos Clean Solution de endorfina e arnica, Indústria e Comércio Ltda, Serra/ES) que contribui para diminuir o eritema e atua em sinergismo com os LEDs. Para prevenir infecções contíguas, aplica-se uma solução tópica de eritro- micina 2% (Stiefel, Guarulhos/SP) nas áreas das extrações dos comedões [22]. Para finalizar aplica-se um protetor solar físico-químico com amplo espectro (UvA e UvB) em veículo apropriado ao tipo de pele tratada, preferencialmente em gel ou emulsão (oil free) não comedogênica. | Discussão Existem três formas de extração dos comedões e drenagem de pústulas: manual (por expressão digital), com agulhas descar- táveis e com dispositivos metálicos (dife- rentes modelos patenteados de extratores metálicos de comedão). A forma de extração mais comumente realizada é a extração manual com as pontas dos dedos envoltos em algodão ou gaze, onde a força ao ser exercida em apenas 2 pontos, traumatiza excessivamente a pele normal ao redor do comedão ou pústula, o que aumentar o des- conforto e a dor, e aumenta o risco de infec- ções, discromias e cicatrizes indesejadas. Os extratores metálicos são dispositivos reutilizáveis disponíveis para a extração de comedões abertos cuja superfície metálica de contato com a pele ao redor do orifício extrator causa um trauma que é rapidamente percebido através do eritema resultante. Ao contrário, utilizando-se a micropipeta de vidro extratora descartável proposta pelos autores o trauma é consideravelmente reduzido, já que se trata de um dispositivo tubular, leve e com superfície mínima de contato com a pele normal para exercer pressão circular limita- da a pele justaposta ao comedão, portanto preservando a integridade da pele sadia. A micropipeta extratora descartável preserva a pele normal ao redor das lesões dos comedões, sendo mais seguro e evitando complicações como inflamações, infecções, escoriações, hemorragias, hipercromias e cicatrizes na pele tratada. | Conclusão Após o exposto acredita-se que se trata de uma técnica para limpeza de pele menos agressiva e potencialmente mais segura, onde o profissional preocupa-se com a integridade da pele sadia otimizando os resultados. O peeling ultrassônico já prepara a pele para continuidade do trata- mento, fluidificando o sebo e retirando os restos celulares que normalmente obstruem os óstios foliculares. O dispositivo extrator descar- tável para extração não traumática de comedões e microdrenagem de pústulas apresenta como maior vantagem, sobre os já existentes, exercer o mínimo trauma so- bre a pele ao redor dos comedões, evitando efeitos indesejáveis como infecção, discro- mias ou formação de cicatrizes inestéticas indesejáveis. Adicionalmente, o aparelho de Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 201382 LED utilizado, potencialmente, tem efeito bactericida e anti-inflamatório. | Agradecimentos Ao Dr. Paulo Taborda, dermatologista, sempre me orientando em todos os mo- mentos com muito saber. | Referências 1. Goldsmith L et al. Fitzpatrik’s Dermatology in General Medicine, 8ª ed. McGraw-Hill; 2012. 2. Layton AM. Acne scarring: reviewing the need for early treatment of acne. J Dermatol Treat 2000;11:3-6. 3. Schuster S, Fisher GH, Harris E, Binnell D. The effect of skin disease on self image. Br J Dermatol 1978;99:18-9. 4. Dreno B. Acne: physical treatment. Clin Dermatol, 2004;22:429-33. 5. Lowney ED, Witkowski, Simons HM, Zagula ZW. Value of comedo extraction in treatment of acne vulgaris. JAMA 1964;189:1000-2. 6. Taub AF. Procedural treatments for acne vulgaris. Dermatol Surg 2007;3:1005-26. 7. Gollnick H, Cunliffe W et al. Managent of acne. 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Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 83 ARTIGO ORIGINAL Aplicação transdermal de D-pantenol e do laser de baixa potência no tratamento da alopecia androgenética Transdermal application of D-panthenol and low power laser therapy in androgenic alopecia Vera Lucia Amengol de Lima, M.Sc.*, Luciano Júlio Chingui, M.Sc.** *Mestre em Saúde Pública, Universidade Americana em Assunção. Pós Graduada em Reabilitação do Sistema Músculo Esquelético, Especialista em Dermoestética e Cosmética Aplicada pela Universidade Ceuma/MA, Coordenadora do programa de Pós Graduação em Dermoestética e Cosmética Aplicada na Universidade Ceuma/MA, Doutoranda pela Universidade Americana em Assunção, **Mestre em Fisio- terapia pela Universidade Metodista de Piracicaba, especialista em acupuntura pela ABA (Associação Brasileira de Acupuntura), doutorando em Fisioterapia pela UFSCar, docente do curso de Fisioterapia da Faculdade Anhanguera e do programa de pós-graduação em Dermoestética e Cosmética Aplicada da Universidade Uniceuma/MACorrespondência: Vera Lucia Amengol de Lima, E-mail: veraamengol@yahoo.com.br | Resumo A ciência tem se preocupado em compreender os diferentes eventos fisiológicos envolvidos na queda de cabelo, e assim desenvolver terapias capilares mais efetivas. No decorrer dos anos, a indústria de produtos cosméticos, através de pesquisas, vem buscando alternativas para o tratamento de alopecia procurando entender as causas que levam à queda do cabelo, e consequentemente desenvolvendo produtos cujos princípios ativos se apliquem a esses fenômenos de forma eficiente, dentre estes res- saltamos o D-pantenol. O Laser de baixa potência vem sendo utilizado para tratamento da alopecia androgenética desde 2003, são estimulantes metabólicas que atuam no interior das células e au- mentando sua atividade por conta de uma maior produção de Adenosina Trifosfato (ATP), componente responsável pela maior energia celular. Por meio de pesquisa do tipo exploratória descritiva avaliam-se os efeitos da aplicação do laser de baixa intensidade no tratamento de alopecia androgenética no processo de crescimento capilar com comprimento de onda entre 660 a 690 nm (laser vermelho) e Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 201384 | Introdução O cabelo é a única estrutura corpórea capaz de se renovar completamente, sem deixar cicatrizes. Os cabelos são estetica- mente importantes na harmonia facial em todas as fases da vida. De modo geral, também oferece outras possibilidades ao indivíduo, como mostrar sua personalidade, seu estilo de vida, um determinado padrão de comportamento que ele está adaptado às tendências da moda. Do ponto de vista funcional eles conservam o encargo de emoldurar o rosto, servindo como um car- tão de apresentação pessoal de todos os indivíduos [1]. Para Dawber [2], os cabelos têm como função a proteção do couro cabe- ludo contra agressões diversas, é con- siderado um complemento estético com potencial de influenciar a autoestima e aspectos psicológicos inclusive os se- xuais das pessoas. Diante disso, as preocupações com as características da beleza estética têm crescido intensamente nos últimos anos, observando-se grandes mudanças com os efeitos do envelhecimento sobre os diversos sistemas, entre eles o sistema tegumentar onde se encontram a pele e os pelos. Entre os grandes alvos das interven- ções estéticas está a pele da facial. Nesse mesmo contexto a perda de cabelos, tem se configurado atualmente como um dos maiores problemas estéticos tanto para homens como para mulheres. A alopecia é o nome dado à queda temporária ou definitiva, de forma geral ou parcial do cabelo [3]. De acordo com pon- derações de Sucar et al. [4], é importante elucidar que existem vários tipos de alope- cia, entre os quais os mais frequentes são: androgenética, areata, eflúvio telógeno, uni- versal, por tração, por produtos químicos, carência nutricional dentre outras. O seu desenvolvimento gera um distúrbio psicos- entre 790 a 830 nm (laser infravermelho), com potencia real do emissor de 100 mW, e da aplicação transdermal de D-pantenol. Palavras-chave: laser, d-pantenol, tratamento da alopecia. | Abstract The science has been concerned with understanding the different physiological events involved in hair loss, and thus develop more effective therapies. The cosmetics industry over the years, through research, is looking for alternatives for the treatment of alopecia, seeking to understand the causes that lead to hair falling, and consequently developing products whose active ingredients are applied efficiently to these phenomena. Among these we emphasize D-panthenol. The low-intensity laser has been used for treatment of androgenic alopecia since 2003. They are metabolic stimulants, acting within the cells and increasing their activity because of an increased production of Adenosina Trifosfato (ATP), a component responsible for most cellular energy. Through exploratory research descriptive we assessed the effects of applying low-intensity laser in the treatment of androgenic alopecia in the process of hair growth: energy (LILT - Low Intensity Laser Treatment), wavelengths between 660-690 nm (red laser) and between 790 to 830 nm (infrared laser), with real power of the transmitter de 100 mW, and the application of transdermal D-panthenol. Key-words: laser, D-panthenol, alopecia therapy. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 85 social que leva os pacientes a busca de alternativas para reverter esta alteração [1]. Conforme estudo de Pereira [5], entre todas as formas de alopecia, a androgené- tica é a mais comum e se manifesta tanto nos homens como nas mulheres, apesar de ser relativamente menos comum no sexo feminino. Nesse sentido a alopecia androgênica se constitui como uma grande preocupação para a beleza tanto masculina como feminina [6]. Nesse sentido, a cosmetologia e a biofísica têm desenvolvido recursos eletro- -foto-térmicos que possam influenciar o crescimento capilar. Dentre eles encontra- -se os lazeres que são fontes únicas de luz estabelecidas no processo de emissão estimulada. Existe um arsenal de trabalhos publicados, que comprovam o potencial de regeneração tecidual nos tratamentos de patologias consideradas insolúveis dentre elas podemos citar a calvície androgenética conhecida como calvície [7-9]. Associados a esses recursos encon- tra-se os princípios ativos utilizados em cosméticos como o D-pantenol que se destinam a auxiliar na redução da queda do cabelo [2]. Esta pesquisa teve como objetivo ava- liar os efeitos da aplicação laser de baixa intensidade, de energia (LILT – Low Intensity Laser Treatment) com o comprimento de onda entre 660 a 690 nm (laser vermelho) e entre 790 a 830 nm (laser infraverme- lho), com uma potencia real do emissor: 100 mw, e da aplicação transdermal de D-pantenol nos tratamentos de alopecia androgenética através da corrente galvâ- nica, no processo de crescimento capilar. Revisão de literatura Quando se ouve comentar a respeito de laser, ficamos a imaginar a eficiência da luz, como também as amplas possibilidades de tratamentos tanto para intervenções médicas quanto para estética, odontologia, fisioterapia, dentre outros seguimentos que tem relação com a biomedicina. O uso da luz como agente terapêutico vem desde a antiguidade. Ela foi usada no Egito, Índia e China para tratar doenças da pele, como a psoríase, vitiligo e o câncer com a exposição do paciente ao sol [10]. Os lasers são definidos como fontes de luz coerente que podem ser focalizadas em pequenas áreas de tecido e fornecem grande intensidade de energia. Segundo o autor, é uma luz comum de alta intensidade com características diferentes, pois apre- sentam as seguintes propriedades: coerên- cia, monocromaticidade e colimação [10]. A luz coerente permite aos lazeres sejam focados no local marcado, ou seja, apresentam todos os feixes de luz na mes- ma fase no espaço e tempo, monocromá- tica, a luz laser é pura e composta de uma única cor, e o efeito colimado apresenta todas as ondas sempre paralelas entre si, não havendo dispersão, ou seja, são capazes de percorrer longas distâncias sem aumentar seu diâmetro [6,7,9]. Os precursores dos lasers foram os MASERs (Microwave Amplication by Sti- mulated Emission of Radiation), que são lasers que funcionam no intervalo de ondas do micro-ondas. Os cientistas Charles H. Townes (Estados Unidos) e Alexandre M. Prokhorov (União Soviética), ganharam o Premio Nobel na década de 50 utilizando a teoria da mecânica quântica, ao explicar a interação da energia radiante [7]. Einstein, em 1917 apresentou em seu trabalho Zur Quantum Thoria der Strahing (a teoria quântica da radiação) e teorizou a possibilidade da emissão estimulada da radiação. Todavia a aplicabilidade deste fato só veio ocorrer em 1951 com a am- Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembrode 201386 plificação de micro-ondas descritas por Townes [9]. Daí o surgimento do primeiro laser, em julho de 1960, por Theodore H. Maiman, depois que Townes e Arthur L. Schawlow seguiram o mesmo princípio utilizado no desenvolvimento do MASER, estenderam- -na para o espectro visível da radiação. Dessa forma, Theodore H. Maima encontrou as condições físicas ideais para o funcio- namento do primeiro laser, que foi um de rubi [11]. Tal fato ocasiona vários efeitos como: efeito energético que é explicado pelo fator anti-inflamatório a nível local reduzindo a inflamação, provocando a reabsorção de exsudatos e favorecendo a eliminação de substâncias alógenas; efeito anti-inflama- tório, produzido pelo estimulo à micro cir- culação, garantindo um aporte eficiente de elementos nutricionais e defensivos para a região lesada; anti-edematoso, se dá pela ação fibrinolítica: proporciona a resolução efetiva do isolamento causado pela coagu- lação do plasma, que determina o edema duro [12]; e efeito cicatrizante, incremento á produção de adenosina trifosfato (ATP): o laser eleva a produção de ATP [13], proporcionando um aumento da atividade mitótica e aumento da síntese de proteína, por intermédio da mitocôndria [11]. Laser terapia Como o próprio nome diz, é uma tera- pia, e como qualquer tratamento terapêuti- co, a reação dos organismos varia muito de pessoa para pessoa. A terapia com luz laser de baixa intensidade deve seguir os seguin- tes parâmetros: escolha do comprimento de onda adequado, densidade de energia, densidade de potência, tipo de regime de operação do laser, número de sessões e características ópticas do tecido [14]. A associação do laser a quaisquer téc- nica preconizada é a mais nova proposta para os tratamentos capilares. Tal afirma- ção tem fundamentação científica levando- -se em conta cinco efeitos do laser nestas terapias: a) Incremento energético para a célula geradora do cabelo; b) Desgranula- ção do mastócito cuja função específica é a ativação do folículo pilo sebáceo; c) Otimização [11]. Grandezas físicas dos lasers Irradiância é o termo definido como densidade de potência (DP), que é definida como sendo a potência óptica útil do laser em Watts, dividida pela área irradiada ex- pressa em cm2 [15]. A fluência é definida como quantidade de energia necessária para ativar um deter- minado número de moléculas, essa porção estimula o tecido cada vez que o excitem com uma dose satisfatória de laser [16]. O comprimento de onda é uma caracte- rística extremamente importante, pois é ela quem define a profundidade de penetração no tecido alvo [9]. Dosimetria Almeida e Figueiredo [17], explicam que, a aplicação da radiação infravermelha próxima é sua maior penetração nos teci- dos; e que o laser infravermelho é seguro e eficiente, emitindo comprimentos de onda entre 700 e 900 nm, sendo geralmente usa- do comprimentos de 820 nm e 830 nm na banda infravermelha, portanto invisível, sua potência de pico varia entre 20 e 100mw e contínuo em seu método de operação. A incidência deve ser sempre perpendicular para diminuir a reflexão e a região irradiada deve estar isenta de barreiras como suor, cremes, entre outros. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 87 Dentre as contra indicações do uso do laser, estão: região dos olhos, pelo risco de lesões à retina; pacientes com carcinoma ativo ou suspeitado, tecidos tumorais ou pré-tumorais não podem ser irradiados, gestantes (profissionais e pacientes), im- plantes eletrônicos (marca passo) [7]. Aspectos anatomo-funcional do cabelo Segundo Peyrefitte, Chivot e Martini [18] e Harrison [19], os cabelos são inva- ginações do epitélio superficial formada por uma massa de queratina constituída por três camadas de células; cutícula, córtex e medula, a cutícula que é a camada mais externa formada por escamas com as bor- das voltadas para cima. A segunda camada que é o córtex, esse é o componente de maior importância para o cabelo, pois é no córtex onde se localiza a matriz, estrutura responsável pela síntese proteica. O córtex representa 90% do peso do cabelo, e é constituído por fibras longas de queratina pigmentada. Por último encontra- -se uma camada bem mais interna com função pouco esclarecida [18]. Dawber e Vanneste [2] afirmam que: A estrutura que forma o cabelo no ser humano é chamada folículo piloso ou pilos sebáceos, em quantidade aproximada de cinco milhões. Um aspecto relevante a ser observado é o fato de que cada folículo piloso obedece a seu próprio ciclo de desenvolvimento, nasce, cresce, executa sua função e morre este fato ocorre em 3 fases claramente definidas, aná- gena, catágena e telógena. Segundo Kede e Sabatovich [21], a fase anágena (fase de crescimento) é a fase mais longa do ciclo. Nesta fase os ceratinócitos proliferam rapidamente devido à intensa atividade mitótica, e o folículo anágeno penetra mais profundamente, no nível subcutâneo. A duração desta fase é de 2 a 7 anos. Normalmente cerca de 80 a 85% dos folículos estão nessa fase A segunda fase, catágena (fase estacio- nária), cerca de 2% dos fios dos cabelos do couro cabeludo estão nesta fase. É a fase da regressão. A atividade celular é reduzida e o bulbo entra em processo de atrofia as mitoses na matriz param de proliferar e o folículo mais inferior entra em regressão e o cabelo deixa de ser produzido. Esta fase dura cerca de três semanas. Nesta etapa há o rompimento da ligação papila-bulbo [19]. A fase elógena (fase terminal, de queda) é um estado terminal onde os fios finalmente se desprendem do folículo já completamente atrofiado se desintegra do folículo e cai. Dura cerca de 3 a 6 meses, a papila se reconstitui formando uma nova base germinal [20]. Na parte inferior do folículo piloso encontra-se o bulbo que é a parte mais espessa e profunda. O bulbo contém a matriz germinativa chamada papila dermal altamente vascularizada, responsável pela transmissão de toda informação necessária para a multiplicação e diferenciação das células da matriz, desta forma regulando o ciclo de vida do cabelo [2]. Vale ressaltar, que toda vez que o folículo piloso retorna à fase anagena, as células da papila dérmica (os fibroblastos especializados) que se encontram nessa área formam uma nova matriz extracelular, que dá inicio a formação de um novo fio [5]. Tratamento O objetivo do tratamento de alopecia é cuidar do foco do problema utilizando o tratamento adequado dependendo do diag- nóstico clinico para avaliação das causas que desencadearam o problema [21]. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 201388 Pantenol O pantenol, quimicamente conhecido pelo nome de d-pantenol, é um álcool. Ele é um precursor da vitamina B5, conhecida pelo nome de ácido pantatênico, quando aplicado topicamente, penetra na pele e nas unhas, transformando-se em ácido pantatênico e regenerando as células epite- liais com rapidez. Sua absorção cutânea é rápida, atinge o sangue e liga-se às proteí- nas séricas (beta-globulinas). Além de sua ação cicatrizante, tem ação anti-seborréica para o folículo piloso e ação umectante e estimulante do metabolismo epitelial [22]. | Indicações Segundo o autor, a provitamina de ácido pantatênico (Vitamina B5) é utilizada em formulações cosméticas especialmente para o tratamento de cabelos, pele e unhas. Irritações, fissuras, estrias cutâneas em rosto, mãos e abdome, dermatite actínia, escaras por decúbito. Iontoforese A aplicação transdermal de drogas é uma técnica não invasiva que permite que os princípios ativos sejam transferidos para o interior do tecido subcutâneo garantindo uma ação controlada, precisa e localizada [23]. Com o advento da eletroterapia di- versos métodos de permeação cutânea foram desenvolvidos, entre os quais pode se destacar a iontoforese, técnica que utiliza corrente contínua com intensidade em miliampère(mA) e a iontoforese, que utiliza ondas ultrassônicas com a mesma finalidade [24]. Nesse sentido, pode-se conceituar a Iontoforese como sendo [...] a transmissão iônica pela pele intacta, possibilitando introdução de substâncias tera- pêuticas para o interior da pele por intermédio de corrente elétrica contínua. Dessa maneira, trata-se de uma técnica de aplicação tópica, cujos efeitos podem ser locais, minimizando efeitos indesejáveis e ou sistêmicas [25]. De acordo com Barry [26], a relevante vantagem da iontoforese em relação à absorção cutânea passiva é o fato de que com a ionização além da difusão passiva, simultaneamente há um incremento na penetração da droga em decorrência dos mecanismos de eletro pulsão, eletrosmo- se e pelo aumento da permeabilidade da cutânea. O mecanismo de eletro pulsão decorre da interação entre droga e o campo elétrico, sabe-se que o campo elétrico gerado pela corrente promove repulsão iônica impul- sionando íons de polaridade semelhante a do eletrodo sob o qual são colocados; a eletro osmose é o movimento intradérmico de água que ocorre do ânodo em direção ao cátodo, esse movimento promove arraste componentes neutros e iônicos nele diluí- dos; o aumento da permeabilidade intrínse- ca da pele é outro relevante efeito gerado pelo campo elétrico da corrente [27]. Sendo a eletro repulsão o principal fenômeno responsável pela transferência do princípio ativo para interior da pele, essa técnica permite a transferência tanto de drogas com valência tanto positiva quanto negativa. Evidentemente a eletro repulsão só ocorre quando a droga é colocada sob o eletrodo que apresente a mesma polaridade. Assim, drogas de valência positiva devem ser exclusivamente colocadas sob ânodo, ao passo que as de valência negativa, devem ser aplicadas no cátodo [26]. Dessa maneira, a iontoforese constitui- -se com alternativa viável para transferência Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 89 de princípios ativos pela pele. Para tanto se elege a corrente contínua, cujo efeito de eletro repulsão é superior às correntes pulsadas, como a melhor alternativa para realizar a ionização. Esse fato decorre do fluxo eletrônico unidirecional e constante no decorrer de todo o período de aplica- ção. Contudo, a aplicação da iontoforese deve obedecer a critérios racionais para a escolha dos parâmetros físicos durante a aplicação, em especial a amplitude, que deve ser de no máximo 5 mA [28]. A iontoforese é evidentemente uma técnica eficaz e muito utilizada na prática da estética. Seus efeitos têm trazido melho- rias no tratamento do Fibro Edema Gelóide (celulite) e da lipodistrofia localizada, rugas, flacidez e outras doenças relacionadas à estética [27]. Considerando esses importantes achados científicos, a iontoforese com D- -pantenol pode ser um importante recurso no tratamento de alopecia [23]. | Material e métodos A pesquisa foi do tipo descritiva explo- ratória. O estudo foi realizado no período de janeiro a dezembro de 2010, baseado no levantamento de aplicação transdermal do princípio ativo cosmético de D-pantenol em associação da irradiação de laser de baixa potência entre 660 a 690 nm (laser vermelho) e entre 790 a 830 nm (laser infravermelho). Programa Tricoterapêutico a Laser da paciente foi efetuado conforme o questioná- rio detalhado da Anamnese em 24 sessões e foi dividido em três fases. Na 1ª fase do tratamento intensivo foram realizadas 24 sessões, uma vez por semana, com duração de 6 meses (janeiro a junho de 2010). O protocolo consistiu na lavagem do cabelo com xampu de jaborandi. Em seguida foi efetuada alta frequência com intuito de estimular a circulação sanguínea, posteriormente foi aplicado um ionto pré-laser (D-pantenol), seguida da irradiação com laser vermelho com comprimento de onda de 660- 690 nm cuja dosimetria nas três primeiras aplicações foi de 4 J (joule), Fluência 140 J/ cm2 logo após 2 J, Fluência 70 /cm2, por fim, aplicou-se um tônico com D-pantenol. A segunda fase foi a de manutenção imediata para o processo de recuperação capilar dos novos fios. Esta fase iniciou- -se após 4 meses (novembro de 2010 a janeiro de 2011), perfazendo um total de 12 sessões. Realizou-se uma aplicação a laser uma vez por semana, com duração, em média, de 30 minutos, sendo que a dosimetria utilizada foi a mesma da pri- meira etapa. Finalmente, a última etapa. Após o estabelecimento do processo de recupera- ção capilar, entrou-se na manutenção em caráter definitivo, sendo que uma vez por ano o cliente comparecerá a clínica para reavaliação e manutenção mínima de 12 sessões a cada 15 dias. | Resultados e discussão Figura 1 - Antes Fonte: arquivo pessoal Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 201390 Figura 2 - Depois Fonte arquivo pessoal Figura 3 - Antes Fonte arquivo pessoal Figura 4 - Depois Fonte: arquivo pessoal Figura 5 - Antes Fonte: arquivo pessoal Figura 6 - Depois Fonte: arquivo pessoal A análise fotográfica, bem como a inspeção visual in loco revelam diferenças significativas entre as condições antes e depois das aplicações. Nesse sentido, esses resultados comprovam que a asso- ciação de D-pantenol e do laser de baixa potência leva a uma diminuição percentual elevada da queda de cabelo se comparada aos demais tratamentos capilares. Esses achados são ratificados em recentes publicações que descrevem com clareza que a radiação a laser gera aumento significativo na síntese de ATP, importantes efeitos relacionados ao incremento de sín- Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 91 tese proteica, além de melhora importante na vascularização [29-31]. | Conclusão Apesar do pequeno número de publica- ções existentes sobre os lasers de baixa intensidade no tratamento das quedas capilares, estudos têm provado cada vez mais que este tipo de método pode ser um excelente complemento para os trata- mentos convencionais da queda de cabelo. Nesse sentido, esse trabalho conclui que a associação entre a permeação transcutâ- nea de D-pantenol e a irradiação com laser de baixa intensidade é de relevante valor cientí- fico, à medida que propõe uma maneira não invasiva para o tratamento desse distúrbio capilar com base nas ponderações anteriores o presente trabalho teve como objetivo ava- liar os efeitos da à aplicação dos efeitos do laser de baixa intensidade, de energia (LILT – Low Intensity Laser Treatment) e aplicação transdermal de D-pantenol nos tratamentos de alopecia androgenética. Os resultados obtidos neste estudo demonstraram que a terapia a laser cons- titui uma alternativa importante para o crescimento capilar. Evidentemente faz-se necessária a realização de outros estu- dos, principalmente in vivo, para melhor compreensão dos efeitos inerentes às respostas aqui encontradas. Ainda, vale elucidar que esta técnica aliada a um diagnóstico correto pode pos- sibilitar um aumento da cura da calvície an- drogenética com maiores taxas de adesão ao tratamento pelos pacientes. | Referências 1. Gomes RK, Gabriel M. Cosmetologia: descomplicando os princípios ativos. 2 ed. São Paulo: LMP; 2006. 2. Dawber R, Vanneste DV. Doenças dos cabelos e do couro cabeludo. Rio de Janeiro: Manole; 1996. 3. Borges F. Dermato-funcional: modalidades terapêuticas nas disfunções estéticas. São Paulo: Phorte; 2006. 4. Sucar DD et al. Surto psicótico pela possível interação medicamentosa de sbutramina com finasterida. Rev Bras Psiquiatr 2002;24(1):29-35. 5. Pereira JM. Propedêutica das doenças dos cabelos e do couro cabeludo. São Paulo: Atheneu; 2001. 6. Pereira JM. Alopecia androgenética (calvície na mulher). São Paulo: Editora Di Livros; 2008. 7. Baxter GD. Laserterapia de baixa intensidade, eletroterapia: prática baseada em evidências. 11 ed. São Paulo: Manole; 2003. 8. Machado AEH. 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Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 93 ARTIGO ORIGINAL Fenômeno migratório de profissionais da saúde para a área estética na cidade de Campo Grande/MS Migration of health workers to aesthetics field at Campo Grande/MS Joana Aguirre do Amaral*, Jeanete Moussa Alma, D.Sc.**, Andreia Gomes Candido*** *Esteticista, Presidente da Associação de Profissionais Esteticistas de Mato Grosso do Sul, Presiden- te do Sindicato Laboral de Mato Grosso do Sul, Pós Graduada em Estética Integral pela Universidade Gama Filho, **Esteticista, Fundadora do Primeiro Curso Superior em Estética no Brasil, Fundadora do Primeiro Curso de Pós Graduação em Estética no Brasil, Professora Doutora pela UNIFESP/Escola Pau- lista de Medicina, Coordenadora do programa de Pós Graduação da Universidade Gama Filho, Coorde- nadora do programa de Pós Graduação da Universidade Estácio de Sá, Supervisora de Estágio do Curso de Estética e Cosmética da Universidade Santana/UNISANTANNA, ***Tecnóloga em Estética, Docente do Curso de Maquiagem do Centro Técnico Mesame, Técnica da Linha Fenza, Docente do Curso de Estética da Universidade Gama Filho Endereço para correspondência: Jeanete Moussa Alma, E-mail: contato.especiariascosmeticas@gmail. com, drajeanetemoussaalma@gmail.com | Resumo Bastante procurada nos últimos anos, a prática estética, desenvolvida por esteticistas, preenche uma lacuna importante entre saúde e beleza, Igualmente tradicional a outras profissões da saúde, nota-se que, empiricamente, há uma migração crescente de profissionais da área da saúde para a área estética. Praticas profissionais que classicamente eram atribuídas as profissionais esteticistas agora são desem- penhadas por vários outros segmentos. O presente estudo investigou 140 questionários aplicados as profissionais da área da saúde durante um evento de estética e constatou que na realidade não esta havendo um fenômeno de migração e sim uma invasão, uma tentativa de desconstrução do perfil da profissional esteticista com a finalidade de se apropriar de suas atribuições. Praticas historicamente Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 201394 | Introdução Segundo a Enciclopédia e Dicionário Porto editora, Fenômeno é uma ocorrência que se observa em uma determinada si- tuação. Já o sentido de migração está em trocar de região, país, estado ou até mesmo domicílio. Migrar faz parte do direito de ir e vir. Logo quando se aplica a expressão Fenômeno Migratório em relação à prática profissional, nos referimos ao ato de deixar a atividade que se exerce e abraçar um novo exercício profissional [1]. E é isso que o pre- sente estudo busca mostrar a forma pela qual a estética tem recebido profissionais de várias áreas, em especial os da saúde e analisar a forma pela qual essa transição ocorre e quais os fatores possíveis que levaram a esta situação. A carreira Estética tem recebido uma grande projeção nos últimos anos, em parte devido às mudanças ocorridas na sociedade com relação à forma pela qual as pessoas interagem umas com as outras e com os diversos ambientes, sejam eles profissionais ou pessoais [2]. O advento da internet, dita e muda comportamentos, as pessoas estão mais visuais, as informações circulam com uma velocidade maior. Além disso, o aumento da longevidade faz com que as pessoas pleiteiem viver mais e melhor [3]. Neste contexto o Esteticista recebe posição de destaque, as técnicas e práticas estéticas, preenchem uma lacuna importan- te entre a área da saúde e da beleza [4]. Os profissionais da saúde possuem uma busca incessante na manutenção da vida e no res- gate de pessoas que por diversos motivos tem seu estado geral comprometido. No que se refere à área do embelezamento, o foco da cura não é observado, visto que os clientes buscam serviços de beleza para se sentirem mais jovens e mais bonitos [5]. Os procedimentos estéticos não invasivos, desenvolvidos pelas Esteticis- de responsabilidade da esteticista vem sendo desenvolvida com outras nomenclaturas por profission- ais de áreas correlatas. Além disso, utiliza-se do escudo da estética para desenvolver procedimentos invasivos o que caracteriza uma ilegalidade e um possível problema de saúde publica. Palavras-chave: estética, fenômeno migratório, invasão. | Abstract Searched a lot in the last years, the aesthetics practice, developed for beauticians, fills an important blank between beauty and health, also traditional as other health professions. Empirically we can observe that there is a migration of people working in the health area to aesthetics working area. The professional practice that classically was tribute to beauticians, now are developed for several others working correlated areas. This study investigated 140 questionnaires, applied to health area profes- sionals during an aesthetics event and concluded that: there is not a migration phenomenon but yes, an invasion, a tentative of deconstruction of aesthetics professional profile, intending took off their attributions. Practices which was historically beauticians responsibility, noware being developed with other nomenclature, for other correlated professional areas; even, they use the protection of aesthetics to invasive proceedings, which characterize an illegality and a possible public health problem. Key-words: aesthetics, migration phenomenon, invasion. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 95 tas, cumprem um importante papel, pois permitem a promoção do embelezamento alicerçado em preceitos que privilegiam a saúde [4]. Posto isso, podemos afirmar que para atender essa demanda de embelezamento preocupada com a saúde, o perfil da pro- fissional Esteticista precisou se aprimorar, abandonando seu caráter de formação “aprendiz” para uma formação sistemati- zada no âmbito acadêmico e à luz da lei, tornando-se definitivamente encarada como profissão [5-7]. A estética como a conhecemos hoje, existe no Brasil há apenas 63 anos [8], tal pratica trazida por Anne Marie Klotz (1950) que também fundou a primeira escola de curso livre sofreu varias alterações. Atual- mente, contamos com cursos de nível mé- dio, superior e pós-graduação lato sensu, reconhecidos em nível federal, estadual e municipal [8-13]. Torna-se necessário lembrar que antes de Madame Klotz, há registros desde 1920 de práticas profissio- nais estéticas que podem ser encontradas no artigo de Natalia Barros, onde se evi- dencia que a profissão de estética existe há tanto tempo quanto muitas carreiras consideradas clássicas na área da saúde, e em alguns casos há mais tempo [14]. A exemplo disso citamos trecho do arti- go publicado no site do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional 3 que textualmente expressa [15]: “...No Brasil, a Fisioterapia iniciou-se dentro da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, em 1929, mas foi só em 1951 que foi criado o primeiro curso para formação de fisiotera- peutas, na época denominados técnicos, com duração de um ano....” Tão tradicional quanto qualquer outra carreira, as profissionais Esteticista, fazem parte de um mercado ascendente em âm- bito mundial, sendo que para bem desem- penhar essa profissão torna-se necessário não somente um bom treinamento sobre a utilização de equipamentos e produtos, mas também um grande embasamento teórico que justifique as aplicações de suas técnicas [16,17]. Todas estas constatações seriam absolutamente normais em qualquer seg- mento profissional que pretende crescer e evoluir. Mas na carreira estética o que se pode notar, empiricamente, é uma migra- ção crescente de profissionais da área da saúde para a área estética, observa-se que práticas profissionais que classicamente eram atribuídas as profissionais esteticis- tas agora são desempenhadas por vários outros segmentos, que reivindicam a ex- clusividade destes procedimentos [18,19]. A exemplo disso podemos citar a dre- nagem linfática, um dos procedimentos mais populares e procurados nos centros estéticos, trazida para o Brasil em 1969 pela esteticista Waldtraud Ritter Winter, que aprendeu com o próprio criador da técnica, Dr. Emil Vodder, e que hoje a fisioterapia insiste em pleitear sua exclusi- vidade tentando impedir que profissionais esteticistas a desempenhem [15,20,21]. Segundo a própr ia Professora Waldtraud Ritter Winter, em entrevistas e em sua publicação Drenagem Linfática Manual [21]: “O primeiro grupo de profissionais a interes- sar-se pela drenagem linfática de Vodder não foi o dos fisioterapeutas, nem o dos médicos. As palestras de Vodder chamaram a atenção das esteticistas que viram no método um meio para potencializar seus tratamentos estéticos. Provavelmente porque as esteti- cistas tinham menos preconceitos e mais intuição....” Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 201396 Outra prática comum adotada por pro- fissionais da saúde, segundo Dra Jeanete Moussa Alma em entrevista concedida a essa pesquisadora é: “.....uma tentativa clara de desconstrução do perfil profissional da Esteticista, pois não se contentam em atribuir uma nova nomencla- tura para o que fazemos a dezenas de anos, mas querem nos impedir de exercer nossa profissão, ora nos chamam de leigas, ora dizem que nossa formação superior não é suficiente...” Descrito e pontuado este cenário, po- demos observar que a carreira estética não é nova, quanto a sua existência, mas é rela- tivamente jovem quanto a sua organização e legalização. E é a partir desta constatação que podemos observar mais um fator que merece nota quando se pretende entender o motivo pelo qual tantas outras carreiras se interessam e migram para a estética, este quesito é justamente a questão da organização política da carreira e da capa- cidade de aglutinação das lideranças. Segundo Esteticista Dra Jeanete Mous- sa Alma: “existem pessoas com muita vontade e pou- co conhecimento e pessoas completamente despreparadas para defender a questão da esteticista. Há também um pequeno gru- po, graças a Deus, que infelizmente criam notícias, arrumam processos, mentem sobre questões legais e fazem com que a confu- são se instale no meio da estética. São pes- soas que prestam um desserviço a profis- são, mas tenho certeza que estas entrarão sim para a historia mas de forma negativa, serão sempre lembradas como as deturpa- doras da estética, aquelas que atrapalharam nossa evolução” O presente estudo buscou levantar as opiniões de profissionais antigas da área por meio de entrevistas, cruzar os dados obtidos de questionários aplicados a profissionais da área da saúde e assim iniciar a discussão sobre esse fenômeno de migração de profissionais da saúde para a área estética na cidade de Campo Grande em Mato Grosso do Sul. | Material e métodos Coleta de dados O presente estudo foi elaborado a par- tir de levantamento histórico bibliográfico, em literatura pertinente, entrevistas com lideranças de instituições representativas das esteticistas do Estado do Mato Grosso do Sul/Campo Grande, e questionário com 16 perguntas fechadas, entregue a 140 profissionais de distintas áreas da saú- de e que declaradamente atuam na área estética, presentes no 12º Congresso da Beleza e Saúde, promovido pela APECSUL (Associação Profissional dos Esteticistas e Cosmetólogos do Mato Grosso do Sul) entre os dias 17 a 20 de maio de 2013 no Pavilhão de Exposições Albano Franco. Todos os participantes das entrevistas e questionários foram devidamente esclare- cidos sobre o cunho cientifico da pesquisa e aceitaram participar após assinado termo de consentimento e esclarecimento. Organização dos dados Após aplicação do questionário, todos os dados foram organizados em tabelas e posteriormente transformados em gráficos para analise à luz da estatística, fornecendo subsídios para a discussão e conclusão. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 97 | Resultados Os 140 entrevistados, foram dividi- dos em 12 grupos, sendo 10 carreiras da área da saúde, um grupo que ainda esta cursando e outras profissões da saúde que não se enquadram nas 10 carreiras elencadas. Abaixo tabela com o total de entrevistados. Tabela I - Formação profissional dos en- trevistados que atuam na área Estética oriundos de cursos na área da saúde. Formação na área da Saúde % Valor absoluto Fisioterapeuta 15% 21 Nutricionista 1% 2 Biomédico 0% 0 Odontólogo 11% 15 Fonoaudiólogo 4% 6 Médico Dermatologista 6% 9 Educador Físico 1% 1 Terapeuta Ocpcacional 19% 26 Enfermeiro 19% 26 Psicólogo 9% 12 Cursando 7% 10 Outros 9% 12 Podemos observar na tabela II, que 26% das profissionais pesquisadas estão formadas a menos de dez anos. Tabela II - Tempo de formação dos pro- fissionais pesquisados Tempo de Formado % Valor abso- luto Não respondeu à pesquisa 9% 12 até um ano 21% 29 de 1 a 3 anos 16% 22 de 3 a 6 anos 12% 17 de 6 a 9 anos 26% 37 mais de 10 anos 16% 23 Quanto a atuação profissional em sua área deorigem, pode-se observar que mais de 50% das profissionais jamais atuaram. Tabela III - Atuação na área de forma- ção. Atuou em sua área de formação % Valor absoluto Não respondeu 16 22 Sim 17 24 Não 67 94 Quando inquiridas sobre o motivo pelo qual migraram para a área estética respon- deram o contido na tabela IV. Tabela IV - Motivo pelo qual migraram para a área da Estética. Motivo da migração % Valor absoluto Não respondeu à pesquisa 5% 7 sempre gostou da área da estética 75% 105 Facilidade e flexibilidade de horário 1% 1 Remuneração satisfatória 10% 14 Responsabilidade é menor 0% 0 Possui familiares que já atu- am na área da estética 9% 13 Muito embora 85% das entrevistadas declararam possuir formação na área estética, contra 12% que declaram não ter formação alguma e 3% se negaram a responder, pode-se observar que esta formação é bastante inespecífica, como demonstrado na tabela V. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 201398 Tabela V - Tipo de curso declarado como formação na área estética. Tipo de curso % Valor absoluto Não respondeu à pesquisa 1% 1 curso livre 43% 60 curso técnico regular 8% 11 Tecnólogo 7% 10 pós graduação em dermato funcional 36% 50 pós graduação em área correlata 1% 1 pós graduação em estética 0% 0 treinamento de empresas 5% 7 pequenos cursos específicos 0% 0% Das que fizeram algum tipo de curso, 75% declaram ter feito mais de 100 horas sendo que 12% fizeram cursos entre 30 e 100 horas, 12% se recusaram a responder e 1% cursos com até 10 horas. Visto que mais de 50% declaram atuar em sua área de formação e na área esté- tica, e se apresentar aos pacientes como sendo profissional de ambas as profissões, quando perguntados sobre sua participação em organismos e instituições de defesa, regulamentação e normatização da profis- são os resultados se mostram bastante discrepantes, como se pode observar na tabela VI. Tabela VI - Demonstrativo acerca das profissionais da área da saúde inscritas em seu conselho de origem e no conse- lho de Biomedicina. Inscrição no conse- lho profissional Área de forma- ção na saúde Área estética Não respondeu 1% 1% Sim 65% 35% Não 34% 64% Quanto aos procedimentos desenvol- vidos por esses profissionais da área da saúde que migraram para a área estética, solicitou-se que respondessem quais eram comumente empregados pelos mesmos e o resultado encontra-se resumido na tabela VII. | Discussão Muito embora o respeito e limite entre as atuações pareça ser um comportamento esperado e desejável entre profissionais, sobretudo com nível superior, tal postura nem sempre é observável. Investigando a literatura cientifica pertinente, não se encontrou estudos que discutam a questão da migração ou inva- são, de uma forma racional e honesta, há vários artigos informais, em revistas e sites da internet que versam sobre o assunto. Um que nos chamou atenção, entre muitos que refletem queixas de profissio- nais médicos, é o texto do Dr Carlos Bayma que publica em seu blog um artigo intitulado “Limites entre profissões da saúde: ética e profissionalismo são básicos”, no referido artigo o que se destaca é a questão da ética, ou da falta dela, quando algumas profissões, segundo ele, fazem uso de termos que podem confundir ou induzir os pacientes a erro, sobre isso Bayma diz [22]: “É curioso observar a proliferação de vários termos combinados, às palavras estética e dermatologia como dermaticista® - “titulo exclusivo e registrado por uma escola técnica que atua em estética facial/corporal, pré e pós operatório”, dermatofuncional – “área de atuação do fisioterapeuta no campo da estéti- ca”, “biomédico estético”- “área da biomedici- na que atua nas disfunções na estética facial, corporal e no envelhecimento”, e enfermagem em dermatologia – “profissionais da enfer- magem que atuam no segmento da estética e da dermatologia. O direito de divulgar uma habilitação e a capacitação para o trabalho, Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 99 Tabela VII - Resumo dos procedimentos reconhecidos pelos Conselhos Federais dos profissionais oriundos da área da saúde, e aqueles desenvolvidos mesmo sem aval do Conselho Profissional. Procedimento Reconhecido pelo Conselho profissional de origem Procedimentos desempenha- dos independentemente do aval do Conselho % Valor absoluto % Valor absoluto limpeza de pele 24% 34 87% 122 drenagem linfática 70% 98 81% 114 massagem relaxante 54% 75 82% 115 massagem redutora 25% 35 67% 94 depilação com luz pulsada 5% 7 48% 67 aplicação de botox 2% 3 36% 50 aplicação de preenchimento 4% 5 19% 27 carboxiterapia 6% 8 39% 54 mesoterapia 21% 29 31% 44 bandagem corporal quentes e fria 29% 40 38% 53 gessoterapia 21% 29 51% 71 radiofrequência 24% 33 63% 88 peelings superficiais e médio 19% 26 64% 89 esclerose de vasos 1% 2 2% 3 intradermoterapia 1% 2 6% 23 micropigmentação 5% 7 1% 1 tratamento de estrias 35% 49 79% 110 microdermoabrasão 12% 17 18% 25 tratamentos voltados a acne 22% 31 84% 118 queimados 47% 66 30% 42 argiloterapia 15% 21 64% 89 maquiagem 12% 17 51% 71 eletrolipoforese com agulhas 5% 7 16% 22 ionização de grandes superfícies 37% 52 16% 22 ultra som 46% 65 26% 36 eletrocoagulação 4% 5 1% 1% peelings de cristal e diamante 31% 43 72% 101 vácuoterapia 25% 35 46% 65 endermologia 21% 30 16% 23 laser de baixa potência 7% 10 32% 45 laser de alta potência 0% 0% 44% 62 entre outros aspectos, não pode ultrapassar os limites éticos, seja entre profissionais mé- dicos ou entre as outras categorias da saúde. E para o médico é vetada a divulgação de es- pecialidades ou área de atuação não reconhe- cida pelo CFM (Conselho Federal de Medicina) ou pela Comissão Mista de Especialidades, que é o caso de Medicina Estética”.... Bayma mostra certa perplexidade e faz alusão a aplicação da expressão der- maticista. Além disso, também critica o exercício da chamada Medicina Estética, reiterando que não é uma especialidade médica reconhecida. Em nosso questionário, várias pro- fissões parecem estar envolvidas com o Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013100 Fenômeno Migratório para a área da es- tética. Dos 140 questionários 19% foram respondidos por Enfermeiros e 19% por Terapeutas Ocupacionais; 15% fisioterapeu- tas; 11% Odontólogos; 9% Psicólogos e 9% de indivíduos de diversas carreiras da área da saúde, mas que não identificaram sua carreira de origem; 6% Dermatologistas; 4% Fonoaudiólogos; 1% de Educadores Físicos; 1% de Nutricionistas; e o que nos chamou muito atenção foram os 7% ainda estão cursando alguma profissão da área da saúde mas que já desenvolvem praticas das Profissionais Esteticistas. Do total de entrevistados, 26% estão formados entre 6 e 9 anos, seguidos dos 21% que se formaram a menos de 1 ano, tal fato nos chama a atenção pois pessoas que estão a muito tempo ou a pouquíssimo tempo formados migram praticamente da mesma forma e na mesma proporção , mos- trando que a Carreira Estética atrai aqueles que já atuam a tempo significativo na área e aqueles que sequer tentaram atuar em sua área de origem. O que mais intriga é a resposta quanto à atuação em sua área profissional de origem, 67% jamais atuou em sua carreira e 75% declara ter migrado por sempre ter gostado da área estética, no entanto não encontramos a resposta do mo- tivo pelo qual esses indivíduos escolheram outras áreas da saúde para se formar sendo que o curso de estética existe desde 2001. Quando questionados sobre sua for- mação na área estética 85% declara ter formação especifica em estética, mas ao averiguarmos o questionamento seguinte que é sobre qual seria esta formação 43% possuem cursos livres. Segundo site da Secretaria de Educa- ção do Estado de São Paulo [24], que se ba- seia Lei nº 9.394/96 Decreto nº 5.154/04; Deliberação CEE 14/97 (Indicação CEE 14/97)Parecer 285/04 cursos livres são: “É uma modalidade de educação não-formal de duração variável, destinada a proporcio- nar ao trabalhador conhecimentos que lhe permitam reprofissionalizar-se, qualificar-se e atualizar-se para o trabalho. Não há exigên- cia de escolaridade anterior. De acordo com LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional , os cursos livres enquadram-se na categoria de educação profissional de nível básico, esses cursos não têm regulamenta- ção, sendo livres sua oferta e sua organiza- ção. Não existe a obrigatoriedade de carga horária, disciplinas, tempo de duração, diplo- ma ou certificado anterior. Os cursos livres não conferem títulos, isto é, os órgãos que regulamentam profissões não reconhecem os cursos livres como habilitação para tal.” Muito embora se baseie em um decreto e em uma lei, os cursos livres não possuem validade no âmbito da legalidade, quer dizer existe uma lei que diz que tal modalidade existe, mas não conferem titulo, ou seja, não possui validade para prestar concursos ou pleitear a execução de procedimentos [24]. Não é incomum encontrarmos esco- las e sites das mesmas defendendo os cursos livres inclusive citando a Lei por nos discutida. É interessante se observar como as profissionais esteticistas acabam não se apercebendo das manobras que utilizam este expediente. Talvez pela falta de experiência em pesquisar aquilo que é vinculado. Além dos cursos livres, as profissionais da saúde indicam como formação em Estéti- ca a Pós-Graduação em Dermato-Funcional. Neste caso especifico podemos afirmar que apenas 21 das 140 entrevistas, o que representa 36% das respostas, recorreram a este tipo de curso, pois invariavelmente a Dermato-Funcional não aceita alunos que não sejam fisioterapeutas para tal pós-graduação, obrigando os interessa- Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 101 dos a entrarem com recursos legais afim de se matricularem nestes cursos. Aqui possuímos duas questões que merecem nota; a primeira é o fato do impedimento que alguns conselhos Regionais impõe as instituições de ensino, mesmo não respal- dadas legalmente, pois a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira é clara [25]. Segundo o site posgraduando.com [26,27], a pós-graduação garante alguns direitos desde que observadas as peculia- ridades da área: “O termo pós-graduação é utilizado nos cursos realizados após o término da graduação, seja esta um bacharelado, um tecnológico ou uma licenciatura. Lato sensu designa todo curso que se segue à graduação e destinado ao aper- feiçoamento e a especialização em uma área certa e limitada do saber ou da profissão. Com um curso de pós-graduação loto sensu não se pode atuar em uma área diferente da qual o individuo se formou. O que determina a área de atuação é a graduação. A pós-graduação não irá autorizar você a exercer funções que dependam de habilitação por meio da gradua- ção. Qualquer pessoa portadora de um diploma de graduação (bacharelado, licenciatura ou tecnológico) pode cursar uma pós-graduação lato sensu (especializações) e/ou stricto sensu (mestrados e doutorados) em qualquer área, quantas vezes quiser. Para exercer as atividades de uma profissão de nível superior regulamentada por lei é preciso ser portador de diploma de graduação naquela área e registro no conselho regional daquela profissão”. A segunda questão é que Dermato- -Funcional não é Estética, mesmo que na pratica os profissionais desta área se for- mem e atuem como Esteticistas as próprias resoluções n°. 394/2011 e 362362, de 20 de maio de 2009 publicada no DOU nº. 112, Seção 1, em 16/6/2009, páginas 41/42 e que Reconhece a Fisioterapia Dermato-Funcional como especialidade do profissional Fisioterapeuta, delimita o caráter reabilitativo de tal especialidade [28]. Nos chama a atenção que mesmo levantadas as questões quanto a legalidade de se formar em uma determinada área e atuar em outra, as profissionais procuram fazer uma pós-graduação em sua área de formação original com um conteúdo idêntico as praticas estéticas. Mesmo declarando apreciar a área estética para a sua atuação profissional, apenas 8% cursaram o técnico em estética e 7% o tecnólogo. Por estarmos discorrendo sobre especia- lidades e formação, é interessante observar que no caso da fisioterapia se tem resolu- ções para se tentar justificar a migração, já a carreira de terapia Ocupacional não possui nenhuma resolução especifica e mesmo as- sim encontramos profissionais que atuam na área. O mesmo se observa com Psicólogos e Nutricionistas cujos conselhos não reco- nhecem qualquer prática na área estética. A Conselho de Nutrição [29] fala sobre dietas e controles no âmbito alimentar, já o Conselho de Psicologia [30] é claro quanto a atuação do psicólogo que de maneira alguma é no tratamento direto da pele ou qualquer outra parte estética do corpo . No caso de profissionais de fonoaudio- logia, o Conselho Federal, admite por meio da Resolução CFFa nº 352, e dispõe sobre a atuação profissional em Motricidade Orofacial cm finalidade estética, para seus inscritos, literalmente o conselho delibera que [31]: “...Art. 1º - A atuação em Motricidade Oro- facial com finalidade estética é campo da fonoaudiologia; Art. 2º - A atuação fonoaudiológica em Motri- cidade Orofacial com finalidade estética visa Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013102 avaliar, prevenir e equilibrar a musculatura da mímica facial e/ou cervical, além das funções orofaciais, buscando a simetria e a harmonia das estruturas envolvidas, do movimento e da expressão, resultando no favorecimento...” Quanto a enfermagem, o Conselho Federal, por meio do parecer COREN-SP 038/2012 – CT PRCI no 98.430/2012 Tickets nºs 256.706, 256.845, 259.895, 277.900, 278.088, 280.659, 281.486, 281.868, 283.018, 283.449, 286.285, 287.406, 289.704, 93.250, 293.651, 296.235 e 300.125, cujo assunto é a reali- zação de depilação com luz intensa pulsada ou com laser de alta potência; peeling facial com laser de alta potência; esclerose de microvarizes com laser de alta potência ou luz intensa pulsada e carboxiterapia aplica- da por profissional cabeleireiro Enfermeiro, conclui [32]: ....”Diante do exposto, não cabe ao Enfermei- ro e aos demais profissionais de Enfermagem a execução da depilação com luz intensa pulsada ou com laser de alta potência, bem como realizar peeling facial com laser de alta potência, esclerose de microvarizes com laser de alta potência ou luz intensa pulsada e carboxiterapia.Os profissionais de Enferma- gem que atuam na área de estética poderão desenvolver os procedimentos relacionados aos cuidados dos clientes/pacientes no pré, intra e pós-procedimento, de acordo com a Le- gislação Profissional e Código de Ética de En- fermagem, não devendo assumir a aplicação dos métodos de intervenção em estética, pois a técnica de realização desses procedimentos está diretamente ligada à responsabilização pelos resultados e atividade fim da profissão do executor, no caso do médico. Além disso, a Portaria CVS-15/99 determina de forma clara que os “procedimentos em estética constituem-se em intervenções, executadas por profissional médico...” Alem deste parecer o COREN, possui questões pontuais quanto a drenagem linfática, aplicável quando o paciente se encontra em leito hospitalar, e outros pro- cedimentos que se assemelham aos que a esteticista desempenha, mas sem sombra de dúvida não com a mesma finalidade. Ao procurarmos nas paginas eletrônicas do Conselho Federal e dos Regionais de Enfer- magem, notamos que tais órgãos não estão propensos a liberar os seus profissionais para a prática. O mesmo observamos no Conselho Federal de Odontologia, que passou por vá- rios momentos de liberação e impedimento para que os seus profissionais atuassem na áreaestética minimamente invasiva, e não faz menção a nenhuma pratica que seja desenvolvida pelo profissional esteticista. Por meio da resolução CFO-112/2011 resolve [33]: “...Baixa normas sobre a utilização do uso da toxina botulínica e ácido hialurônico Art. 1º. Proibir o uso do ácido hialurônico em procedimentos odontológicos até que se tenha melhores comprovações científicas e reconhecimento da sua utilização na área odontológica. Art. 2º. Proibir o uso da toxina botulínica para fins exclusivamente estéticos e permitir para uso terapêutico em procedi- mentos odontológicos. Art. 3o. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação na Imprensa Oficial, revogadas as disposições em contrário...” O Conselho Federal de educação física em sua Resolução CONFEF nº 201/2010 dispõe sobre o Pilates como modalidade e método de ginástica e dá outras provi- dências. Rio de Janeiro, 18 de maio de 2010 [34], e esta é a única menção que Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 103 se encontra nos sites da Educação Física ao pesquisar por estética, que a nosso ver é um equivoco chamar a pratica de Pilates de pratica Estética. Recentemente, mais precisamente em 22 de maio de 2013, o Conselho Federal de Farmácia publica a Resolução Nº 573 que dispõe sobre as atribuições do farmacêuti- co no exercício da saúde estética e da res- ponsabilidade técnica por estabelecimen- tos que executam atividades afins. O texto causa espanto, pois quase a totalidade que é pleiteada como atividade do farmacêutico pertence ao profissional esteticista. O que se afirma pode ser observado no texto da referida resolução [35]. “...Art. 1º – Reconhecer a saúde estética como área de atuação do farmacêutico. Parágrafo único – Na área de saúde estéti- ca, o farmacêutico poderá ser o responsável técnico por estabelecimentos nos quais se utilizam técnicas de natureza estética e recur- sos terapêuticos para fins estéticos, desde que não haja a prática de intervenções de cirurgia plástica, devendo estar regularmente inscrito no Conselho Regional de Farmácia de sua jurisdição...” Não satisfeitos em determinar que a responsabilidade do oficio da esteticista passe a ser de sua responsabilidade, o Conselho de Farmácia vai além em seu ar- tigo II, como se pode observar no parágrafo abaixo [35]: “...Art. 2º – Constituem técnicas de natureza estética e recursos terapêuticos utilizados pelo farmacêutico em estabelecimentos de saúde estética: I – avaliação, definição dos procedimentos e estratégias, acompanhamento e evolução estética; II – cosmetoterapia; III – eletroterapia; IV – iontoforese; V – laserterapia; VI – luz intensa pulsada; VII – peelings químicos e mecânicos; VIII – radiofrequência estética; IX – sonoforese (ultrassom estético). Parágrafo único – O farmacêutico deve certi- ficar-se de que o estabelecimento pelo qual assumirá a responsabilidade técnica encontra- -se legalmente constituído e autorizado para o desempenho de suas atividades, especial- mente junto ao Sistema Nacional de Vigilância Sanitária (SNVS). Art. 3º – Caberá ao farmacêutico, quando no exercício da responsabilidade técnica em estabelecimentos de saúde estética: I - atuar em consonância com o Código de Ética da Profissão Farmacêutica; II – apresentar aos órgãos competentes a documentação necessária à regularização da empresa, quanto à licença e autorização de funcionamento; III - ter conhecimento atualizado das normas sanitárias vigentes que regem o funcionamen- to dos estabelecimentos de saúde estética; IV – estar capacitado técnica, científica e pro- fissionalmente para utilizar-se das técnicas de natureza estética e dos recursos terapêuticos especificadas no âmbito desta resolução; V – elaborar Procedimentos Operacionais Pa- drão (POPs) relativos às técnicas de natureza estética e recursos terapêuticos desenvolvi- dos, visando garantir a qualidade dos serviços prestados, bem como proteger e preservar a segurança dos profissionais e dos usuários; VI – responsabilizar-se pela elaboração do pla- no de gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, de forma a atender aos requisitos ambientais e de saúde coletiva; VII – manter atualizados os registros de calibração dos equipamentos utilizados nas técnicas de natureza estética e recursos terapêuticos; Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013104 VIII – garantir que sejam usados equipamen- tos de proteção individual durante a utilização das técnicas de natureza estética e recursos terapêuticos, em conformidade com as nor- mas de biossegurança vigentes; IX – cumprir com suas obrigações perante o estabelecimento em que atua, informando ou notificando o Conselho Regional de Farmácia e o SNVS sobre os fatos relevantes e irregula- ridades que tomar conhecimento. Art. 4º – Consideram-se para os fins desta resolução as definições de termos (glossário) contidas no Anexo. Art. 5º - Esta resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário... Ora, não bastasse uma simples ob- servação do conteúdo programático do curso de Graduação em Farmácia, que não contempla disciplinas que tratem da aplicação de eletroterapia, o que já compromete os itens III a VI , e VIII e IX da resolução, também podemos observar que no item II, que versa sobre a chamada “cosmoterapia”, que segundo o anexo contido na resolução é definido como aplicação de cosmético. Aqui há uma cla- ra deturpação do oficio do Farmacêutico que classicamente é o responsável pela manipulação de cosméticos. Ressaltamos aqui que não somente o Farmacêutico pleiteia uma atividade que não foi devidamente aprendida em sua graduação, como também alertamos para o fato de que cursos como Psicologia, Fonoaudiologia, Enfermagem, Nutrição, Educação Física, Terapia Ocupacional, Odontologia e Medico Dermatologista, igualmente não possuem em sua grade curricular de Graduação disciplinas que ensinem a prática estética. Algumas carreiras como Odontologia e Médico dermatologista, não pleiteiam propriamente o ofício estético, mas acabam por fazer uso das práticas profissionais das esteticistas sem o devido preparo. Muito embora entre nossos pesquisa- dos não haja nenhum Biomédico, julgamos importante discutir a nova especialidade reconhecida pelo conselho que é a Biome- dicina Esteta por meio da resolução 197 de 21/02/2011 e 214 [36]. Tal especialidade reconhece que seus profissionais poderão fazer uso de técnicas minimamente invasi- vas com finalidade estética. Observamos também que na normativa 01 de 10 de abril de 2012, além dos procedimentos invasivos há algumas práticas também de- senvolvidas pelas esteticistas, no entanto precisamos ressaltar que estes não refle- tem sequer 1% dos procedimentos que a mesma normativa atribui aos Esteticistas. E finalmente, deixamos para discutir as questões de numero 15 e 16 de nosso questionário, que nos causam bastante preocupação. As questões versam sobre o tipo de procedimento desenvolvido pelos pro- fissionais com e sem o aval de seus respec- tivos conselhos. Não iremos nos aprofundar quanto a procedimentos como limpeza de pele, massagem relaxante e redutora, ban- dagem corporal quentes e fria, gessoterapia, tratamento de estrias, tratamentos voltados a ácne, argiloterapia, eletrocoagulação, vácuoterapia e endermologia que muito em- bora sejam reconhecidos pela normativa 01 do conselho de Biomedicina como práticas desempenhadas pelas esteticistas; apre- sentam declaradas nas respostas muitos profissionais que mesmo não possuindo em seu conselho nada que os respalde para o desempenho destas práticas declaram de forma muito tranquila que o fazem. No entanto as práticas acima citadas podem ate ser encaradas como menos pre- judiciais aos pacientes, por não possuírem caráter invasivo.Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 105 O que nos causa muita preocupação, são os procedimentos invasivos tais como o laser de alta potência desempenhado por 62 dos entrevistados, eletrolipoforese com agulhas por 22 profissionais, intrader- moterapia por 23, carboxiterapia por 54, preenchimento com acido hialurônico por 27, aplicação de botox por 50 indivíduos. Nota-se que não somente há uma apropriação indébita dos procedimentos das Profissionais Esteticistas, como tam- bém atrás desta invasão se esconde uma pratica profissional altamente perigosa, com procedimentos invasivos que não são praticas da profissional esteticista. Entre as carreiras pesquisadas somente o Medico Dermatologista e os Biomédicos possuem formação e resoluções que respaldem es- sas técnicas, além de possuir disciplinas no roll de sua graduação que apresentam de forma cientifica e segura a execução destes procedimentos. Observe no Gráfico 1 a declaração das profissionais sobre procedimentos invasivos. Gráfico 1 - Representação sobre os pro- cedimentos invasivos declarados como aceitos pelos conselhos profissionais de origem e aqueles desempenhados independentemente do reconhecimento do Conselho. Afim de respondermos nossa hipótese, que é sobre a existência do chamado Fenô- meno Migratório por parte de profissionais da área da saúde para a área estética, concluímos que tal fenômeno não existe. O que pode-se observar é a INVASÃO da área estética promovida por outros profissionais da área da saúde. Não reconhecemos que a aplicação das praticas descritas em nossas entrevis- tas como uma migração, o que se observa é uma apropriação das técnicas estéticas de forma indébita, pois os profissionais pesquisados tentam através de semântica disfarçar e renomear procedimentos classi- camente de responsabilidade da esteticista e desenvolver outros procedimentos que não são respaldados legalmente para as profissionais desta área. Poderíamos chamar de Fenômeno Migratório, o fato de possuirmos vários outros profissionais interessados em se formar no bojo da estética em seus cursos de nível médio, superior e pós, o que não observamos. Muito embora a questão do ingresso ao Conselho de Biomedicina por parte das profissionais esteticistas ainda seja polemico, pois não é apoiada por todas as profissionais, é ele que ora vigora para nossa carreira e em sua normativa é clara sobre nosso exercício profissional. Por outro lado, o Conselho não tem se mostrado eficaz em coibir essas praticas e fazer valer sua normativa e a legislação que nos regulamenta. Quanto a legislação que regulamenta a carreira estética, notamos que também não há consenso entre as profissionais. De forma equivocada algumas lideranças insistem em dizer que a carreira estética não esta regulamentada, pois a falta de especificidade na determinação do roll de atividades causa um sentimento de falta de limite. Esse limite talvez seja dado pelo Conselho de Biomedicina, que tem tentado regulamentar nossa atividade, mas essa inclusão também é polemica. Observamos que a invasão é sus- tentada por falta de uma legislação mais específica, a existência de um conselho pro- fissional mais atuante e pela falta de união entre as profissionais. Talvez esta falta de união esteja respaldada na deficiência que possuímos de lideranças. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013106 | Conclusão Não existe um fenômeno migratório para a Carreira Estética, o que constatamos é uma invasão da área estética. | Referências 1. Amor im C , Cos ta V . In fopéd ia , Enciclopédia e dicionário Porto Ferreira. h t tp ://www. in foped ia .p t/ l i ngua - portuguesa/migra%C3%A7%C3%A3o. Lisboa; 2013. 2. Almeida AL. Dicas e Cuidados Na Contratação De Profissional Autônomo. [citado 2013 set 20]. Disponível em URL: http://www.artigos.com/artigos/ admin is t racao/d icas -e -cu idados - na - c on t r a t a cao - de - p r o f i s s i o na l - autonomo-309/artigo/. 3. Firpo SP, Narita R, Decomposição da Evolução da Desigualdade de Renda no Brasil em Efeitos Idade, Período e Coorte. Revista Brasileira de Economia 2011. Fundaçao Instituto de Pesquisas (FIPE). 4. Narita R, Fernandes R Instrução superior e mercado de trabalho no Brasil. Estudos Economicos 2001;5(1). 5. Veloso EFR, Dutra JS. 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Disponível em URL: http://www. cfbiomedicina.org.br/ Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013108 ARTIGO ORIGINAL Correlação entre simetria facial natural e percepção da beleza e impressões pessoais Correlation between facial symmetry and natural perception of beauty and personal impressions Maria Eugênia Mayr de Biase, M.Sc.*, Michele Figueira Nunes**, Jeanete Moussa Alma*** *Especializanda do Curso de Pós Graduação em Estética da Universidade Gama Filho, Mestre em Ciên- cias da Saúde – FMUSP, **Fisioterapeuta, docente do curso de Tecnologia em Estética e Cosmetologia do Centro Universitário Sant’Anna, ***Esteticista, Funadadora do Primeiro Curso Superior em Estetica no Brasil, Fundadora do Primeiro Curso de Pós Graduaçao em Estetica no Brasil, Professora Doutora pela UNIFESP/Escola Paulista de Medicina, Coordenadora programa de Pós Graduação da Universidade Gama Filho, Coordenadora programa de Pós Graduação da Universidade Estácio de Sá, Supervisora de Estagio do Curso de Estética e Cosmética da Universidade Santana/UNISANTANNA Correspondência: Maria Eugênia Mayr de Biase, Rua Voluntários da Pátria, 421, 02011-000 São Paulo SP, E-mail: mariamayr1@hotmail.com | Resumo A estética facial e corporal ainda é uma área de pesquisa pouco explorada no Brasil, poucos artigos se preocupam em fazer um levantamento das características estéticas da população brasileira. A per- cepção de beleza e atratividade ainda é pouco estudada. O objetivo deste estudo é verificar a relação entre a percepção de beleza, expressão facial e simetria facial natural. Participaram da pesquisa 308 pessoas, sendo 197 (64%) do sexo feminino e 111 (36%) do sexo masculino, com idade média de 30,1, moda 25 e mediana de 28 anos. Na primeira etapa do projeto foram selecionados 21 modelos, escolhidos por conveniência numa turma de alunos do curso de Tecnologia em Estética e Cosmética do Centro Universitário Sant’Anna. Todos foram fotografados no mesmo ambiente e horário com ilumi- nação natural. Na segunda etapa do estudo cada um dos 308 participantes recebeu um questionário estruturado e uma cópia das fotos para responder sobre suas impressões a respeito de cada uma das modelos identificadas apenas pelo número. A caracterização da amostra é demonstrada por estatística descritiva e os dados analisados através do programa Bioestat 5.0 com testes escolhidos pelas Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 109 | Introdução A Frase “A beleza está nos olhos de quem vê” citada por Rodrigues [1] dá o tom em qualquer discussão sobre beleza e mos- tra o quão complicado será tentar definir o que é ou não belo. Para Camargos, Duarte e Mendonça [2] a beleza provavelmente não é apenas questão de opinião. Del Campo apud Rodrigues [1] aler- tou sobre o caráter de mutabilidade dos padrões de beleza. Não há segundo ele um padrão clássico de beleza ideal ou um padrão único que sempre esteve em voga. O padrão de beleza vigente nos planos de tratamento e diagnósticos estéticos é resultado de referências e normas advindas desde a era grega aos tempos atuais [1]. Segundo Silva [3] vivemos atualmente uma cultura fitness que muito se asseme- lha aos conceitos de eugenia, do início do século passado. Atualmente velhice, obesidade e feiura devem ser, no mínimo, atenuadas, enquanto a beleza se torna a representação máxima de positividade, um imperativo para as mulheres. Atualmente dá-se muita importância à beleza e aparência das pessoas. Cada vez mais os traços externos influenciam características da amostra, número e tipo de variáveis. Após a análise dos dados verificamos que as fotos mais simétricas não foram as mesmas classificadas como bonita/muito bonita, as fotografias ranqueadas nas posições de 1 a 6 como sendo as mais simétricas foram apontadas como pouco bonitas/não bonitas. Os resultados apontam claramente a relação entre as impressões negativas e a percepção das fotos como pouco bonitas ou não bonitas. Especialmente as fotos que provocaram a impressão de tristeza foram associadas a menos beleza. Palavras-chave: simetria facial, beleza, imagem. | Abstract The facial and body aesthetic is still an unexplored area of research in Brazil, few surveys of the aes- thetic characteristics of the population are performed. The perception of beauty and attractiveness is still poorly studied. The aim of this study was to investigate the relationship between the perception of beauty, facial expression and facial symmetry natural. 308 people participated in the survey, with 197 (64 %) females and 111 (36 %) male, mean age 30.1, 25 fashion and median of 28 years. In the first stage of the project were selected 21 models, chosen for convenience in a class of students of Technology in Aesthetic and Cosmetic Sant’Anna University Center. All were photographed in the same environment and time in natural lighting. In the second stage of the study each of the 308 participants received a structured questionnaire and a copy of the photos to answer about their impressions of each face identified only by number. The sample and data was analyzed using by the BioStat 5.0 with tests chosen by the characteristics of the sample, number and type of variables. After analyzing the data we found that the pictures were not more symmetrical classified the same as pretty/beautiful, photographs ranked matches in positions 1-6 as the most symmetrical been identified as some beautiful/not beauti- ful. The results clearly indicate the relationship between the perception of negative impressions and photos as less beautiful or not beautiful. Especially the photos that caused the impression of sadness were associated with less beauty. Key-words: facial symmetry, beauty, image. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013110 julgamentos e regras de comportamentos, inclusive podendo levar a discriminações e problemas de não aceitação daqueles que não se enquadram nos padrões ditados pela sociedade [4]. Möbius e Rosenblat apud Camargos, Duarte e Mendonça [2] demonstraram que indivíduos mais belos obtinham mais sucesso, num experimento que simulava o mercado de trabalho. Enquanto Kleidler [5] afirma que a aparência facial tem forte influência na formação da auto-estima do indivíduo, e é determinante para o desenvol- vimento de relações interpessoais positivas e para imprimir uma imagem profissional de sucesso e competência. O rosto é o primeiro foco de contato entre duas pessoas, e transmite não apenas beleza ou falta dela, mas também oferece informa- ções sobre a identidade individual – sexo, etnia, juízo de idade [juventude e velhice], semelhança e estética, sua interação [hostil – amistosa],desejos e estados emocionais [raiva, tédio, aversão, tristeza, alegria etc] [2]. Camargo, Duarte e Mendonça [2] afirmam ainda que o rosto não pode ser destacado de seu tempo e espaço, “O rosto fala apenas aquilo que é autorizado a falar”. Dentro de um contexto cultural. Como observamos previamente atualmente a beleza é um imperativo para o sucesso social e até profissional. Um dos vieses de avaliação da beleza é a simetria. Silva [3] em seu ensaio sobre a cultura fitness coloca a mulher como alta, magra, bronzeada, sarada, sendo a beleza um imperativo para corpos que respiram magreza, juventude e simetria. “O olho prefere a simetria” afirmava Darwin citado por Camargo, Duarte e Mendonça [2]. Biólogos evolucionistas contempo- râneos também predizem que a simetria facial deve ser atraente, já que representa qualidade genética [6]. Os rostos são mais atraentes quanto mais simétricos, livres de imperfeições e com expressão agradável [7]. Assim a simetria facial aparentemente é um fator importante para determinar a percepção da beleza. Embora Camargo, Duarte e Mendonça [2] afirmem que os primeiros experimentos realizados para determinar a influência que a simetria pode exercer sobre os julgamen- tos foram decepcionantes e Ferrario et al apud Santos e Ferraz [8] avalie que a ana- lise da estrutura craniofacial humana seja naturalmente assimétrica em alguns graus. Carvalho et al. [9] num estudo para analisar a assimetria nasal em pacientes de pré-operatório de rinoplastia, com 100 pacientes e 101 controles encontraram assimetrias em até 99% dos controles. A ausência de simetria não significa necessariamente ausência de beleza e isso é verdadeiro em cenários naturais, na arte ou até mesmo em rosto humanos [6]6. Não só a simetria é preditor de beleza, também sua textura e padrão. Um dos prin- cipais ingredientes da beleza é uma pele impecável [2]. Estudos sobre quais as características e relações faciais são importantes nos jul- gamentos da atratividade são essenciais, pois podem elucidar elementos básicos a serem trabalhados quando se pretende intervir na aparência facial, seja em nível estético ou funcional [4]. No entanto a estética facial e corpo- ral ainda é uma área de pesquisa pouco explorada no Brasil, poucos artigos se preocupam em fazer um levantamento das características estéticas da população bra- sileira. A percepção de beleza e atratividade ainda é pouco estudada. O objetivo deste estudo é verificar a relação entre a percepção de beleza, expressão facial e simetria facial natural. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 111 | Material e métodos Participaram da pesquisa 308 pes- soas, sendo 197 (64%) do sexo feminino e 111 (36%) do sexo masculino, com idade média de 30,1, moda 25 e mediana de 28 anos. Os participantes são estudantes do Centro Universitário Sant’Anna, escolhidos aleatoriamente, foram abordados em diver- sos ambientes da instituição, tais como portaria, laboratórios, salas de aula etc. Como critério de exclusão os participantes não poderiam reconhecer e/ ou identificar nenhuma das modelos analisadas e idade menor de 16 anos. Na primeira etapa do projeto foram selecionados 21 modelos, escolhidos por conveniência numa turma de alunos do curso de Tecnologia em Estética e Cosmética do Centro Universitário Sant’Anna. Cada modelo apresenta características fenotípicas dife- rentes, entre os modelos há loiras, morenas de pele clara e escura, negras e orientais. To- dos foram fotografados no mesmo ambiente e horário com iluminação natural. As fotos foram obtidas com uma máquina profissional com os modelos sentados numa maca com uma cortina preta ao fundo. Nenhuma das fotos sofreu qualquer tratamento. As ima- gens obtidas foram impressas em grupos de 4 fotos por página, em papel A4 com impressão colorida, na impressão cada foto recebeu um número de 1 a 21. Na segunda etapa do estudo cada um dos 308 participantes recebeu um ques- tionário estruturado e uma cópia das fotos para responder sobre suas impressões a respeito de cada uma das modelos identi- ficadas apenas pelo número. Na análise dos dados cada foto foi co- locada teve suas duas hemifaces medidas digitalmente, foram estabelecidas as medi- das bilaterais de acordo com o esquema da figura 1, após foi estabelecida a simetria entre as duas hemifaces de cada modelo, através do cálculo da razão entre elas e do cálculo da correlação entre essas razões, assim se pode determinar o quanto cada modelo apresentava de simetria entre suas hemifaces e estabelecer um ranking entre as modelos de 1 a 21. A caracterização da amostra é de- monstrada por estatística descritiva e os dados analisados através do programa Bioestat 5.0 com testes escolhidos pelas características da amostra, número e tipo de variáveis. O teste do qui-quadrado foi escolhido por ser um teste não paramétrico aplicável a variáveis qualitativas e amostras grandes. A correlação de Pearson foi aplicada para estabelecer o nível de simetria entre as duas hemifaces, sendo um teste adequado para estabelecer a relação entre diferentes razões, nesse caso a razão entre cada uma das medidas avaliadas em cada hemi-face. Esquema das medidas analisadas: Figura 1 Figura 2 Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013112 | Resultados Após a análise dos dados verificamos que as fotos mais simétricas não foram as mesmas classificadas como bonita/ muito bonita, as fotografias ranqueadas nas posições de 1 a 6 como sendo as mais simétricas foram apontadas como pouco bonitas/não bonitas. Como é possível ve- rificar na Tabela I. Os resultados apontam claramente a relação entre as impressões negativas e a percepção das fotos como pouco bonitas ou não bonitas. Especialmente as fotos que provocaram a impressão de tristeza foram associadas a menos beleza. Enquanto as impressões positivas, es- pecialmente a simpatia foram associados à percepção das fotos como bonitas ou muito bonitas. O teste do χ² resultou nos valores expostos na tabela, com grau de liberali- dade igual a 2, portando rejeita H0, com p = 0,0001 para todas as fotos. A simila- ridade entre as hemifaces é descrita pela correlação de Pearson, todos os valores de r com p = 0,0001. O ranking de posições das fotos em relação a simetria aparece na segunda coluna indicando a posição de cada uma delas. O teste do χ² resultou nos valores ex- postos na tabela, com grau de liberalidade igual a 3, portando rejeita H0, com p = 0,0001 para todas as fotos, exceto foto 19 que tem p = 0,0118. | Discussão As variáveis analisadas nesse estudo foram qualitativas, obtidas através da res- Tabela I - Percepção da beleza x simetria. foto Simetria/Ranking bonita/muito bonita pouco boni- ta/não bonita não respon- deu total χ² r de Pearson F % F % F % F % 1 7ª. 0.9968 191* 62.01 96 31.17 21 6.82 308 100 141,396 2 4ª. 0.9972 96 31.17 189* 61.36 23 7.47 308 100 134,851 3 9ª. 0.9935 26 8.44 258* 83.77 24 7.79 308 100 352,545 4 5ª. 0.9972 36 11.69 246* 79.87 26 8.44 308 100 300,649 5 18ª. 0.9922 181* 58.77 103 33.44 24 7.79 308 100 120,045 6 15ª. 0.9936 68 22.08 238* 77.27 2 0.65 308 100 288,805 7 10ª. 0.996 148** 48.05 136 44.16 24 7.79 308 100 91,117 8 8ª. 0.9965 142** 46.10 145 47.08 21 6.82 308 100 97,487 9 3ª. 0.9976 95 30.84 211* 68.51 2 0.65 308 100 213,591 10 9ª 0.9962 27 8.77 260* 84.42 21 6.82 308 100 361,838 11 6ª. 0.9969 56 18.18 229* 74.35 23 7.47 308 100 238,487 12 1ª. 0.9987 42 13.64 247* 80.19 19 6.17 308 100 306,942 13 11ª. 0.9953 45 14.61 240* 77.92 23 7.47 308 100 277,916 14 19ª. 0.9902 80 25.97 206* 66.88 22 7.14 308 100 172,39 15 21ª. 0.9858 10 3.25 256* 83.12 42 13.64 308 100 348,494 16 3ª. 0.9953 141* 45.78 105 34.09 62 20.13 308 100 30,474 17 20ª. 0.9902 82 26.62 181* 58.77 45 14.61 308 100 96,318 18 14ª. 0.9942 127 41.23 139* 45.13 42 13.64 308 100 54,474 19 14ª 0.9928 159* 51.62 100 32.4749 15.91 308 100 59,032 20 2ª 0.998 21 6.82 239* 77.60 48 15.58 308 100 275,11 21 13ª 0.9947 37 12.01 227* 73.70 44 14.29 308 100 226,097 *Resultado significativo; **Resultado significativo para bonito quando analisadas separadamente as classificações. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 113 posta aos questionários aplicados após a observação das fotos. A aquisição das fotos seguiu metodologia semelhante aquela utilizada por Oliveira [10], em seu trabalho sobre a importância da simetria facial na escolha de parceiros Seres Humanos, como também no estudo apresentado por Coet- zee et al. [11], cujos participantes estavam sentados a uma certa distância da câmera, e foram solicitados para olhar diretamente para a câmera, manter expressão neutra e tiveram o cabelo puxado para trás para revelar características faciais. Tabela II – Impressão sobre a pessoa fotografada. Fo- tos G1 G2 G3 NR To- tal χ² 1 137* 65 63 43 308 66,182 2 62 114* 100 32 308 52,87 3 192* 60 18 38 308 240,468 4 49 149* 71 39 308 96,727 5 166* 27 74 41 308 152,286 6 139* 59 90 20 308 98,519 7 77 70 121* 40 308 43,558 8 117* 52 100 39 308 54,519 9 67 111* 108 22 308 68,078 10 36 86 154* 32 308 126,182 11 38 133* 103 34 308 93,273 12 20 185* 65 38 308 215,299 13 20 193* 55 40 308 241,013 14 66 123* 83 36 308 51,351 15 19 171* 64 54 308 167,506 16 43 74 122* 69 308 42,26 17 191* 29 29 59 308 232,831 18 63 34 154* 57 308 108,753 19 99* 69 80 60 308 10,987 20 38 129* 90 51 308 65,844 21 136* 69 45 58 308 64,026 G1 = características positivas (serena, simpática e alegre); G2 = características negativas (irôni- ca, arrogante, agressiva, antipática, triste); G3 = características neutras (infantil, melancólica, sensual, intelectual, ingênua, indiferente, tímida); *indica os valores significativos. A Tabela I nos mostra sobre a percepcao da Beleza x Simetria, o resultado é signifi- cativo estatisticamente com p = 0,0001 sendo que diferente do que pensavamos a face mais proxima da Simetria nao foi classificada como Bonita ou Muito Bonita. Neste estudo nem todos os participantes responderam sobre todas as modelos isto ocorreu porque quem analisava as fotos das modelos não poderia reconhecê-las. O que mostrou em nosso estudo foi que a face que mais se aproxima da Sime- tria facial na resposta de 247 indivíduos ao questionário foi não percebida como bonita e sim como não bonita e pouco bonita. O resultado da Tabela I concorda com o estudo de Fukusima e Silva [4] que mostrou que a simetria facial pela reflexão das hemi- faces não foi um fator de forte influência na atratividade das faces. Fukusima e Silva [4] sugeriram que a simetria lateral não pode ser um fator de análise isolado da face. Estudos sobre quais as características e relações faciais são importantes nos jul- gamentos da atratividade são essenciais, pois podem elucidar elementos básicos a serem trabalhados quando se pretende intervir na aparência facial, seja em nível estético ou funcional. Os resultados observados nesse es- tudo se alinham a esse pensamento, uma vez que os modelos que nos questionários foram apontados como Bonita ou Muito Bo- nita foram associados a impressões positi- vas, especialmente a expressão Simpática. Mesmo sendo solicitado a cada modelo manter uma expressão neutra, cada rosto transmite impressões diferentes. Ficou demonstrado que rostos que transmitiam expressões faciais mais leves e positivas foram associadas à beleza enquanto os modelos que apresentaram semblantes tristes foram vistos como pouco bonitos. No Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013114 ponto de vista estatístico podemos concluir que expressões tristes, antipáticas, arro- gantes que agrupamos como impressões negativas correlaciona-se com a percepção de ser Pouco Bonita ou não Bonita e estes resultados podem ser verificados na Tabe- la II que nos mostra a Impressão sobre a pessoa fotografada, cada rosto avaliado foi associado a impressões sugeridas, no Grupo 1 características Positivas (alegre, simpática e serena), o Grupo 2 carac- terísticas Negativas (irônica, arrogante, agressiva, antipática e triste) e o Grupo 3 impressão das características neutras (infantil, melancólica, sensual, intelectual, ingênua, indiferente e tímida). Diferente de vários estudos que apon- tam a ligação entre o padrão de beleza e a Simetria Facial. Como mostra o estudo de Senna et al. [12], segundo ele a estrutura da face é complexa. Não é um simples cilindro, tal como o pescoço, ou um he- misfério geométrico. O rosto da juventude é multifacetado, geometricamente falando. Para Koscinski [7] os rostos são mais atraentes quanto mais simétricos, livres de imperfeições e com expressão agradável. Essa ideia de que o rosto mais atraente é não só mais simétrico, mas também possui uma expressão agradável é reproduzida aqui e fica demonstrada na tabela II. Oliveira [10], também pode associar a atratividade com a simetria facial e levanta como fator importante para a percepção de beleza a proximidade da face com a média das simetrias encontradas na própria população. Tendo em vista a pluralidade fenotípica da população brasileira, nossa amostra de modelos cobria a maior parte das possibilidades diante da miscigenação brasileira. Mas cada rosto em si apresenta características únicas e numa população como a nossa a que se pensar como seria a face que mais se aproxima da média? No caso de rosto humanos, a beleza não está somente em, rosto simétricos, mas também em outros aspectos físicos, psicológicos e sociais [7]. A afirmação de Koscinski [7] se alinha com o pensamento de Camargo, Duarte e Mendonça [2] para quem o rosto por sua vez, não se revela apenas como componente de elementos orgânicos: está inserto na vida cotidiana, nas relações de produção e troca, é um meio de comunicação, pois, por meio de signos ligados à linguagem, expressões, sinais, instituições à qual pertence permite sua ligação com outro rosto. O rosto e sua simetria, sua textura e seus padrões se tornam lugares onde se instituem ideias, emoções e linguagens, sendo uma intera- ção sensoriomotora dos sentidos a ação: nesse jogo o rosto fala e é também falado pelos outros, sendo um múltiplo lugar de significações, que a cultura permite revelar. Dessa forma os resultados obtidos aqui refletem de certa forma esse aspecto de interação entre o rosto e a cultura, com sua linguagem, sinais, expressões etc. Uma vez que mesmo utilizando expres- sões neutras ao obter as fotos, cada face suscitou uma serie de impressões sobre a expressão facial e essas impressões se correlacionam com a percepção da beleza e não a simetria por si. | Conclusão Não foi possível estabelecer uma cor- relação entre a simetria facial natural e a percepção de beleza. Verificou-se a relação entre a impres- são passada pelas expressões faciais e a percepção de beleza nas fotografias. Sendo as fotos associadas a impressões negativas associadas a menos beleza, especialmente expressões tristes e aque- Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 115 las associadas a impressões positivas, especialmente a simpatia percebidas como mais belas. | Agradecimentos Às alunas do curso de Tecnologia em Estética e Cosmética do Centro Universitá- rio Sant’Anna por participarem do estudo como modelos e auxiliarem na coleta de dados. | Referências 1. Rodrigues CDT. Avaliação da atratividade do sorriso em função do enquadramento fotográfico, diferença regional, nível de conhecimento e variações das normas estéticas. [Tese]. Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Odontologia de Araraquara; 2008. p. 13. 2. Camargos CN, Mendonça CA, Duarte SM. Da imagem visual do rosto humano: simetria, textura e padrão. Sáude Soc São Paulo 2009;18(3):395-410. 3. Silva ALS. Imperativos da beleza: Corpo feminino, cultura fitnesse a nova eugenia. 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Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013116 ARTIGO ORIGINAL Sustentabilidade estética: impactos produzidos pela atividade do profissional esteticista ao meio ambiente Sustainable aesthetics: impacts of professional activity on environment Silene Mancini*, Silvana Gaiba, D.Sc.**, Jeanete Moussa Alma, D.Sc.*** *Administradora, formada pela Faculdade Campos Salles, Docente de Estética no SENAC - (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), **Bióloga, BSc., MSc., PhD – Professora Colaboradora da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), BA e pesquisadora da Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP, ***Esteticista, Fundadora do Primeiro Curso Superior em Estética no Brasil, Fundadora do Primeiro Curso de Pós Graduação em Estética no Brasil, Professora Doutora pela UNIFESP/Escola Pau- lista de Medicina, Coordenadora do programa de Pós Graduação da Universidade Gama Filho, Coorde- nadora do programa de Pós Graduação da Universidade Estácio de Sá, Supervisora de Estágio do Curso de Estética e Cosmética da Universidade Santana/UNISANTANNA Endereço para correspondência: Silene Mancini, Rua Pirassununga, 681/52, E-mail: silenebmv@bol.com.br | Resumo Introdução: A promoção do consumo sustentável depende da conscientização, e contribuição de todos. O papel do profissional esteticista é prestar serviços de alta qualidade ao público e o aumento da procura de serviços e profissionais dessa área gera maior descarte de produtos recicláveis. Objetivo: Avaliar o conhecimento sobre a sustentabilidade no ramo da estética. Metodologia: Pesquisa bibliográfica junto a diversas fontes e distribuição de questionários contendo dez questões com apenas 2 alternativas (sim e não) no evento Internacional Beauty Fair realizado em São Paulo/SP em Setembro de 2013. Resultados: O conjunto de observações desta pesquisa mostrou que 98,47% dos entrevistados dis- seram conhecer o termo sustentabilidade e 51,9% se consideravam praticantes. Sendo que 51,9% não sabem quantos anos são necessários para o plástico se decompor e 54,97% não observavam quantos produtos descartavam por mês. Verificou-se que 78,62% consideram como lixo hospitalar o lixo descartado pelo profissional esteticista, apesar de 75,57% usavam corretamente seus produtos, 96,18% declararam estarem aptas a promoverem mudanças nos seus padrões de consumo, 89,31% Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 117 | Introdução Após a Revolução Industrial, o aumento na produção de rejeitos pela sociedade, o avanço urbano no mundo contemporâneo associado à força poluidora das atividades industriais, superaram a capacidade de regeneração dos ecossistemas e a reci- clagem dos recursos naturais renováveis, elevando os níveis de exaustão dos demais recursos naturais não renováveis. O meio ambiente demonstra que sistemas susten- táveis são possíveis [1]. Partindo do princípio de que o con- sumo sustentável está de acordo com o desenvolvimento sustentável (que se dá de forma que garanta o atendimento das necessidades das gerações atuais, sem comprometer o atendimento das neces- sidades das futuras gerações) podemos verificar que a nossa responsabilidade ecológica pode constituir tanto um fator de crescimento econômico quanto de queda de uma instituição [2]. Atualmente os consumidores estão rejeitando produtos que utilizam processos nocivos ao meio ambiente, como acontece nos países industrializados (Europa e EUA), aumentando o investimento de produtos eco- logicamente corretos no mercado mundial [3]. Entretanto, não basta apenas dispor de novos produtos e tecnologias, mas, também, de uma reestruturação como um todo, que como prevê a ISO 14000, contemple todas as fases envolvidas na produção desde a concepção, passando pela escolha da matéria acreditam que demonstrar uma “consciência sustentável” as diferencia no mercado e 97,7% estão dispostas a contribuírem com o meio ambiente. Conclusão: Apesar dos profissionais Esteticistas demonstrarem interesse e disposição para contribuírem com o meio ambiente, faz-se necessário o desenvolvimento de projetos de gestão e sustentabilidade para que todos os profissionais que atuam nessa área possam contribuir com o meio ambiente. Palavras-chave: desenvolvimento sustentável, sustentabilidade, meio ambiente, profissional esteticista. | Abstract Introduction: The promotion of sustainable consumption depends on the awareness and contribution of all. The role of the esthetician professional is to provide high quality services to the public. The increase of demand for services and for professionals in this area causes greater disposal of recyclable products. Objective: To evaluate the knowledge of sustainability in the esthetics market. Methodology: Literature from many sources and distribution of questionnaires containing ten questions with only two alternatives (yes or no) in the International Beauty Fair Show September 2013 in São Paulo/SP, Brazil. Results: The number of survey observations showed that, 98.47% of interviewed said that they knew the term sustainability and 51.9% considered themselves practitioners, but 51.9% do not know how many years are required for decomposing plastic, and 54.97% did not observe how discarded products per month. It was found that 78.62% considered as medical waste trash discarded by the professional esthetician, while 75.57% used their products correctly, 96.18% reported being able to promote changes in their patterns of consump- tion, 89.31% believe that demonstrate a “sustainable consciousness” differentiates them in the market and 97.7% are willing to contribute to the environment. Conclusion: Despite Professional Estheticians show interest and disposition to contribute to the environment, it is necessary to develop and manage a sustainability project for all professionals working in this area, so they can contribute to the environment. Key-words: sustainable development, sustainability, environment, esthetician professional. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013118 prima, uso de energia, processo produtivo, em- balagem, até a eliminação pós-consumo [4]. A promoção do consumo sustentável depende da conscientização dos indivíduos da importância de tornarem-se consumi- dores responsáveis e suas ações para alcançar o consumo sustentável devem ser promovidas no nível micro e macro, ou seja, desde o lar ou local de trabalho ou estudo até as empresas e instâncias públicas, nacionais e internacionais[4,5]. Para alcançar esses resultados, o ponto de partida é a conscientização, a sensibilização a respeito da grandiosidade do problema da degradação dos recursos ambientais do planeta e suas consequên- cias sobre a saúde e o modo de vida dos seres humanos. O grande desafio que se coloca para os cidadãos, as empresas e os governos é a busca por ações no sentido de promover o consumo e a produção sustentáveis. Medidas complementares de ordem cultural, política, jurídica, econômica, científica, artística, institucional, dentre outras, devem ser am- plamente promovidas e divulgadas a fim de consolidar no Brasil a consciência e a prática da produção e do consumo sustentáveis [6]. A nova gestão empresarial tem como princípio básico a sustentabilidade e a inovação, por exemplo, produzir o plástico de maneira sustentável é promover a ree- ducação ambiental em nossa sociedade, estimulando a consciência do seu uso correto e manuseio [7]. Uma maneira dos cidadãos participarem desse processo de conscientização é a reciclagem. Trata-se de um comportamento que aumenta a consciência ecológica na comunidade despertando os cidadãos para mudanças de atitudes em prol do meio ambiente [3,5]. É natural que quem começa a reciclar um dado material logo irá adotar a reciclagem de outros materiais contribuindo para a melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida em geral. A reciclagem é também uma atividade que envolve um grande número de pessoas permitindo uma rápida transmissão de ideias e conceitos associados a essa atividade a um grande público em pouco tempo [3,5]. No Brasil, a história da estética ligada a profissão de esteticista teve início na década de 50, pela brasileira Anne Marie Klotz, filha de pais franceses e nascida em Natal/RN. Considerava-se uma precursora de uma importante profissão para o equi- líbrio físico, mental, espiritual e social do indivíduo. Para ela a esteticista enviava energia ao seu cliente em forma de pen- samentos de alegria, paz e gratidão [8]. Atualmente o papel do esteticista é prestar serviços de alta qualidade ao pú- blico, com o objetivo de melhorar e manter a aparência externa e as funções naturais da pele, influenciando-os ao relaxamento e ao bem-estar físico e mental. Hoje a área de atuação profissional da estética é con- siderada integrante da área da saúde. A atenção e a assistência à saúde abrangem todas as dimensões do ser humano como biológica, psicológica, social, espiritual, ecológica e são desenvolvidas por meio de atividades diversificadas, dentre as quais a estética está inserida [8]. Considerando que um único profissio- nal esteticista execute um procedimento de limpeza de pele por semana o descarte aproximado no final do mês seria de 250 g de algodão, 4 pares de luvas, 8 toucas descartáveis, 4 lençóis descartáveis, 4 máscaras descartáveis, gazes e ainda existem os profissionais que agregam ao protocolo chinelos descartáveis. Todo esse material somado aos protocolos corporais que também se utilizam de descartáveis e mais os produtos (embalagens plásticas) Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 119 resultam um montante considerável de um único profissional produzindo um grande impacto ao meio ambiente. O conceito de sustentabilidade cor- porativa vem se agregando a empresas como uma ferramenta indispensável para o equilíbrio econômico e ambiental. Com o au- mento pela procura de cursos em estética e consequentemente aumento no número de profissionais nessa área, prioriza-se a qua- lidade de educação, saúde e orientação a comunidade com foco na responsabilidade sócio ambiental [6]. Sendo assim o objetivo desse trabalho é avaliar o conhecimento sobre a sustentabilidade estética. | Material e métodos Nesse trabalho foi realizado pesqui- sa bibliográfica junto a diversas fontes, incluindo artigos científicos e consulta na web bibliografia e para a obtenção dos dados foram distribuídos 131 questioná- rios contendo dez questões com apenas 2 alternativas (sim e não) distribuidos em um evento Internacional, Beauty Fair, realizado em São Paulo/SP em Setembro de 2013. O público alvo dos questionários foram profissionais de Estética. Figura 1 - Questionário utilizado nessa pesquisa. 1. Você já escutou falar em sustentabilidade? Sim ( ) Não ( ) 2. Você se considera um praticante de susten- tabilidade? Sim ( ) Não ( ) 3. Você já observou quantos potes plásticos de produtos você descarta por mês? Sim ( ) Não ( ) 4. Você sabe quantos anos são necessários para o plástico se decompor? Sim ( ) Não ( ) 5. Quando você pratica um protocolo, usa cor- retamente a quantidade de creme ou sobra na sua cubeta? Sim ( ) Não ( ) 6. A lata de lixo do seu espaço é comum para todo tipo de descarte? Sim ( ) Não ( ) 7. Você acredita que demonstrar uma “consci- ência sustentável”, diferencia você no mercado de trabalho e poderá trazer-lhe mais clientes? Sim ( ) Não ( ) 8. Você sabia que lixo de Estética é considerado como lixo hospitalar ? RSS-RDC 306/04 Sim ( ) Não ( ) 9. Você se considera apta a promover mudan- ças no seus padrões de consumo? Sim ( ) Não ( ) 10. Você esta disposta a contribuir com o meio ambiente através da disseminação e orientação para o uso eficiente de recursos naturais e a proteção da Natureza? Sim ( ) Não | Resultados Figura 2 - Percentagem das respos- tas (Sim e Não) de cada questão dos profissionais de estética entrevistados durante o evento Internacional, Beauty Fair que aconteceu em São Paulo no pe- ríodo de 07 a 10 de setembro de 2013. 89,31 54,245,8 24,43 Questão 1 Questão 2 Questão 3 Questão 4 Questão 5 Questão 6 Questão 7 Questão 8 Questão 9 Questão 10 0 20 40 60 80 100 98,47 1,53 51,9 48,1 45,03 54,97 51,9 48,1 75,57 10,68 78,62 21,38 96,18 97,7 3,82 2,3 Sim Não Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013120 | Discussão O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades [9]. Foi observado nesse trabalho que apesar de 98,47% dos entrevistados responderem que conhecem o termo sustentabilidade apenas 51,9% se consideram praticantes da sustentabilidade. Caminhar para um desenvolvimento susten- tável significa que devemos minimizar os impactos que ocorrem sobre a qualidade do ar, da água e outros recursos naturais, a fim de manter o ecossistema equilibrado [6]. Verificamos também que 51,9% dos entrevistados nem sabem quantos anos são necessários para o plástico se de- compor. Os plásticos constituem uma das classes de materiais com menor índice de reciclagem [10]. Estes materiais são divididos em duas grandes categorias: os termoplásticos que são os que podem ser moldados várias vezes por ação de tempe- ratura e pressão, por isso são recicláveis, e os termofixos que sofrem reações químicas em sua moldagem as quais impedem uma nova fusão, portanto não são recicláveis. Os projetos de reciclagem são muito comuns em países desenvolvidos, mas ainda incipientes no Brasil. e acordo com o Ministério do Meio Ambiente, cerca de um terço do lixo doméstico é composto por embalagens que tiveram vida útil apenas uma vez, já as descartadas pela indústria e comércio estima-se que pelo menos 25 mil toneladas de embalagens são jogadas no lixo sem passar por reciclagem [9]. O polietileno verde é uma resina ter- moplástica produzida a partir do etanol de cana de açúcar brasileiro e foi chamado de plástico verde devido a sua contribuição ao desenvolvimento sustentável uma vez que substitui a utilização de matérias primas fósseis e ajuda na redução das emissões de gases de efeito estufa. Entretanto ainda não existem métodos comprovados que meçam os impactos am- bientais de um produto “verde” ou ecologi- camente correto em relação a outro. Sendoassim, podemos dizer que produto “verde” é aquele que causa menos impacto ao meio ambiente do que seus alternativos [11]. Dentre os entrevistados 54,97% des- conhecem quantos produtos descartam por mês sem reciclar. O grande número de eventos que são realizados em todo mundo alertam as populações sobre a importância da preservação do meio ambiente. Isso faz com que todas as comunidades do nosso planeta tenham consciência de que os recursos naturais são finitos e que sua preservação é necessária [6]. Os profissionais esteticistas colaboram com o meio ambiente, pois observamos nes- sa pesquisa que 75,57% dos entrevistados durante a realização de um protocolo utilizam corretamente os produtos (cremes). Mais da metade da população brasi- leira preocupam-se com sua aparência, e esta preocupação vem crescendo consi- deravelmente nos últimos anos [12]. Com o aumento da procura dos serviços e de profissionais que agregam cada vez mais a área da estética, aumenta também o número de descarte de produtos (potes de cremes) e outros materiais como lixo de estética que 78,62% dos entrevistados consideram como lixo hospitalar. Com o agravamento do acúmulo do lixo urbano nas grandes cidades, é de se esperar que as empresas que fabricam e que compram embalagens auxiliem na resolução do problema. Ao contrário do que muitas pessoas pensam agregar valores sustentáveis ao trabalho do profissional esteticista não ne- cessariamente acresce o custo do produto Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 121 final. Dos entrevistados 96,18% declararam estarem aptas a promoverem mudanças nos seus padrões de consumo e 89,31% acreditam que demonstrar uma “consciên- cia sustentável” as diferencia no mercado. Foi importante verificar que 97,7% dos entrevistados estão dispostos a con- tribuírem com o meio ambiente através de disseminação e orientação para o uso eficiente de recursos naturais e proteção à natureza. Apesar das profissionais este- ticistas demonstrarem mais sensibilidade e disposição a contribuírem com o meio ambiente, faz-se necessário o desenvolvi- mento de um projeto informativo com as normas de biossegurança para que todos os profissionais que atuarem nessa profis- são sejam intermediadores entre a indústria cosmecêutica e o cliente para que atuem como disseminadores desses valores e que esta classe juntamente com seus clientes e as indústrias formem um montante signi- ficativo perante outras industrias de outros seguimentos para que realmente todos juntos haja contribuição ao meio ambiente e redução de resíduos sólidos. | Conclusão Embora as profissionais esteticistas se mostrem dispostas a contribuírem com o meio ambiente, elas não possuem ciência do que é sustentabilidade. | Referências 1. Lustosa MCJ. Inovação e tecnologia para uma economia verde: questões fundamentais. [c i tado 2013 set 18]. 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Sustentabilidade e design como agentes criativos no ponto de venda. [citado 2013 set 18]. Disponível em URL: http://www.congressoits.unifebe. edu.br/congressoits2010/artigos/ artigos/067_-_SUSTENTABILIDADE_E_ DESIGN_COMO_AGENTES_CRIATIVOS_ NO_PONTO_DE_VENDA_.pdf. 7. [citado 2013 set 18]. Disponível em URL: http://www.simplast.com.br. 8. Kahlow A, Oliveira LC. A estética como instrumento do enfermeiro na promoção do conforto e bem-estar. [citado 2013 set 18]. Disponível em URL: http:// siaibib01.univali.br/pdf/Andrea%20 Kahlow,%20Ligia%20Colombo%20 de%20Oliveira.pdf. 9. CMMAD – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Nosso futuro comum. 2a ed. 1a ed 1988. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas; 1991. 10. Santos ASF, Agnelli JAM, Manrich S. Tendências e Desafios da Reciclagem de Embalagens Plásticas. Polímeros: Ciência e Tecnologia 2004;14(5):307-12. 11. Ottman JA. Green marketing: challenges and opportunities for the new marketing age. 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Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013122 ARTIGO ORIGINAL Técnica combinada de preenchimento facial e hidratação estética em portadores do vírus HIV/AIDS, na melhora da qualidade de vida e imagem pessoal Combined technical of facial filling and aesthetic hydration in patients with HIV/AIDS, improving quality of life and personal image Maria Regina Rodrigues da Cruz*, Clementina Michielom de Augusto Isihi, M.Sc.**, Jeanete Moussa Alma, D.Sc.*** *Enfermeira, Pós Graduada em Estetica Integral pela Universidade Gama Filho, **Enfermeira, Mestre e supervisora do ambulatório do Instituto de Infectologia Emilio Ribas, ***Esteticista, Fundadora do Primeiro Curso Superior em Estética no Brasil, Fundadora do Primeiro Curso de Pós Graduação em Estética no Brasil, Professora Doutora pela UNIFESP/Escola Paulista de Medicina, Coordenadora do programa de Pós Gradua- ção da Universidade Gama Filho, Coordenadora do programa de Pós Graduação da Universidade Estácio de Sá, Supervisora de Estágio do Curso de Estética e Cosmética da Universidade Santana/UNISANTANNA Endereço para correspondência: Jeanete Moussa Alma, E-mail: contato.especiariascosmeticas@gmail. com, drajeanetemoussaalma@gmail.com | Resumo O tratamento para o vírus HIV/AIDS, os antirretrovirais, depois de certo tempo, desenvolve no portador lipodistrofia, ou seja, acumulo ou falta de gordura no corpo, em lugares indesejáveis. Para resolução destes problemas são realizados cirurgias plásticas e preenchimento facial. Devido a sua importância, tem se tornado uma grande ferramenta de saúde publica, trazendo benefícios para sociedade e paciente. Com a melhora na qualidade de vida, ou seja, melhorando a autoestima dos portadores do vírus HIV\AIDS e lipodistrofia. O preenchimento facial deverá ser feito pelo profissional médico, que está capacitado a realizar o procedimento, trazendo melhor qualidade de vida, para os portadores de lipoatrofia facial, melhorando o aspecto físico e emocional desses pacientes. Objetivos: Levantar os dados da população estudada; verificar se ocorreu melhora física psíquica dos pacientes que foram submetidos ao preenchimento facial, relacionado com procedimento Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 123 estético, através de um questionário elaborado com nove perguntas fechadas diversas, sobre HIV, preenchi- mento facial e mudança de vida, o grau de satisfação de cada um deles. Metodologia: Trata-se de um estudo prospectivo, com pesquisa de campo exploratória e analítica, com abordagem qualitativa e, levantamento bibliográfico. O estudo foi realizado no ambulatório do Instituto de Infectologia Emilio Ribas (IIER) pertencente a Secretaria de Estado da Saúde.. A população pesquisada foi constituída de sete pacientes (sexo masculino 4/ feminino 3) portadores do vírusHIV\AIDS e lipodistrofia facial, que realizaram preenchimento facial com polimetilmetaclilato no período entre janeiro a abril de 2012. Resultados: Percebemos que 60% dos sujeitos da pesquisa apresentaram idade entre 41 a 50 anos, seguido com a mesma proporção de 20% entre 31 a 40 anos e 51 a 60 anos. Em relação ao estado civil, 42,87% eram casados, 28.57% solteiros, 14,28% viúvos. Quanto ao tempo de diagnóstico de infecção por HIV/AIDS, percebe-se que, com maior proporção 57,14% dos sujeitos tem o diagnóstico de HIV por mais de 15 anos, seguido de 14,85% entre 10 a 14 anos. Quando falamos de tratamento antirretroviral, 42,85%faziam uso de antirretrovirais entre 10 a 14 anos, seguido de 28,57% com mais de 15 anos e de mesma proporção entre 5 a 9 anos. Sabe que ocorrem mudanças em todos os aspectos da vida do indivíduo, com a descoberta de ser portador do vírus HIV. Pesquisamos entre nossa população qual é a maior incidência de alterações desta natureza. Com 57,14% houve mudança física, seguido de 42,57% mudança física e psíquica. Com o advento dos tratamentos estéticos para portadores de lipodistrofia em pacientes HIV/AIDS, pesquisamos qual foi a mudança sentida após o preenchimento facial. Percebemos que a grande maioria sentiu os efeitos benéficos do tratamento com o preenchimento facial. Em relação ao trabalho estético, percebe-se que o número de indivíduos, 42,85% que fez hidratação facial relata que houve uma melhora significativa na aparência. Palavras-chave: metacrilato, estética, creme de ureia, lipodistrofia, HIV/AIDS. | Abstract Treatment for HIV/AIDS, namely the antiretroviral drugs, after a certain time, develops lipodystrophy, i.e., ac- cumulation or lack of body fat in undesirable places. For solving these problems are performed plastic surgery and facial filling. Due to its importance, has become a major public health tool, bringing benefits for society and the patient. The treatment improves lipodystrophy and the self-esteem of patients virus HIV\AIDS. The facial filling should be done by the medical professional who is qualified to perform the procedure, bringing a better quality of life for people with facial lipoatrophy, improving the physical and emotional side. Objectives: To raise the data of the population studied; to verify that physical improvement of psychic occurred patients who underwent facial filler, related to aesthetic procedure, through a questionnaire drawn up with nine closed ques- tions, about HIV, facial filling and change of life, the degree of satisfaction for each of them. Methodology: This is a prospective study, with a qualitative approach and bibliographical survey. The study was performed at the clinic of the Institute of infectious diseases Emilio Ribas (REII) in the Health State Department of São Paulo/ SP. The population consisted of seven patients (male 4 and female 3) virus carriers with facial lipodystrophy, HIV\AIDS, who performed facial filling with polimetilmetaclilato between January and April 2012. Results: 60% of the patients were 41 to 50 years old, 20% 31 to 40 years old and 20% 51 to 60 years old. In relation to marital status, 42.87% were married, 28.57% single, 14.28% widowed. As to the diagnosis of infection by HIV/ AIDS, 57.14% of patients had the HIV diagnosis for more than 15 years, followed by 14.85% between 10 to 14 years. 42.85% made use of antiretroviral drugs between 10 to 14 years, followed by 28.57% with more than 15 years and the same proportion between 5 to 9 years. Knowing that changes occur in all aspects of life of the individual, with the discovery to be with the HIV virus, we researched among our population which is the higher incidence of changes of this nature. For 57.14% there was physical change, followed by the 42.57% physical and psychic change. With the advent of aesthetic treatments to patients with lipodystrophy we observed in our study population which was the change after filling facial. We realized that the vast majority felt the beneficial effects of treatment with facial filling. In relation to aesthetic work, 42.85% who did facial moisturizing reports that there was a significant improvement in appearance. Key-words: methacrylate, aesthetic, urea cream, lipodystrophy, HIV/AIDS. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013124 | Introdução A identificação do Vírus da Imunode- ficiência Humana (HIV) e da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) ocorreu há pouco mais de vinte anos, porém, o número de pessoas infectadas e doentes vem aumentando neste período [1]. Segundo dados da Organização Mun- dial de Saúde (OMS), estima-se que numa projeção global teremos em breve 40 mi- lhões de pessoas vivendo com o vírus [2]. No Brasil, até dezembro de 2002 foram notificados 257,780 casos de AIDS, esti- mando-se que existem aproximadamente de 600,000 portadores do HIV. O HIV é um retrovírus que causa no organismo disfunção imunológica crônica e progressiva devido ao declínio dos níveis de linfócitos CD4, sendo que quanto mais baixo for o índice desses, maior o risco do indivíduo desenvolver a doença. O período entre a aquisição do HIV e a manifestação da doença pode durar alguns anos [3]. A síndrome da imunodeficiência adqui- rida é uma doença como outra qualquer, podendo atingir qualquer ser humano, sendo assim, a população deve permitir ao individuo com HIV a possibilidade de se as- sumir como portador de uma enfermidade, e não decretar sua morte civil [4]. Com a chegada dos antirretrovirais, para o tratamento dos indivíduos com HIV/AIDS, está havendo um consequente aumento no tempo de sobrevida destes, porém, seu alto custo e inúmeros efeitos colaterais associados à inexistência de cura para a doença têm direcionado inves- tigações sobre o impacto qualitativo dessa terapêutica na qualidade de vida [5,6]. Nos últimos anos os estudos sobre qualidade de vida nessa população têm avaliado não só a dimensão física, mas, também, os aspectos psicossociais e emo- cionais, apontando novas estratégias de tratamento que são capazes de atuar em tais aspectos e proporcionar melhoram na qualidade de vida dessas pessoas [7,8]. Acreditava-se que o avanço tecnológico poderia ser uma solução concreta para os principais problemas relacionados às doenças crônicas, tornando a mensuração da qualidade de vida uma tarefa inútil [9]. Todavia, a inexistência de cura para a maioria das doenças crônicas tem mos- trado que a mensuração da qualidade de vida é indispensável para a avaliação de estratégias de tratamento e custo/bene- fício, tornando-se instrumento importante para direcionar a distribuição de recursos e a implementação de programas de saúde, os quais, por sua vez, podem privilegiar não só os aspectos físicos da clientela, mas também aqueles relacionados às di- mensões psíquicas e sociais, permitindo à equipe de saúde apresentar cuidado integral [9,10]. O termo qualidade de vida é bastante abrangente, estando diretamente relacionado às experiências individuais, num dado momento dentro de um contexto sociocultural [10]. Epidemiologia No Brasil, no inicio dos anos 80, a epidemia atingia principalmente indivíduos homo\bissexuais masculino, branco e de classe media alta, habitantes das grandes metrópoles. Progressivamente, homens he- terossexuais, mulheres e crianças de todas as classes sociais foram sendo atingidos. Em dezembro de 2003, estimava a Organização Mundial de Saúde (OMS) haver cerca de 40 milhões de pessoas vivendo com HIV|AIDS em todo o mundo, sendo 37 milhões de adultos e cerca de 2,5 milhões de crianças com menos de quinze anos. Estima-se que no ano de 2003 ocorreram Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 125 aproximadamente cinco milhões de novas infecções, sendo 4,2 milhões de adultos e 700,000 milhões em crianças, estima- -se, também, que em 2003 ocorreram três milhões de mortes em consequência da AIDS, sendo 2,5milhões de adulto e 500,000 milhões de crianças abaixo de quinze anos [2]. Tratamento A carga viral e um predito da probabi- lidade queda de CD4. Beneficio da terapia antirretroviral altamente ativa já foi clara- mente demonstrada em pacientes com doença sintomática avançada e naqueles que, de apesar de assintomáticos, apresen- tam imunodeficiência acentuada expressa na contagem de linfócitos (T-CD4+abaixo de 200\mm³) [4]. Atualmente, em nosso país, estão disponíveis quatro classes de antirretro- virais, mais potente, menos tóxico e com posologia confortável, em esquemas que tornam possíveis apenas uma ou duas doses diárias. Nos primeiros anos de utilização da TARV, apenas 40 a 60% das pessoas em tratamento apresentavam supressão máxi- ma da replicação viral (carga viral inferior a 50 copias\ml) após um ano de tratamento. Estudos mais recentes mostram, indicam que o sucesso vira lógico do primeiro esquema situa-se em torno de 80%, com redução na proporção de falha viro lógica e, por conseguinte, melhoras imunológicas e clínica [4]. Em pessoas assintomáticas com contagem de linfócitos T-CD4+ acima de 350 cel\mm³ não se recomenda iniciar o tratamento, já que os benefícios não estão suficientemente claros para contrabalançar potenciais riscos da terapia antirretroviral [4]. O tratamento deve ser recomendado em indivíduos assintomáticos, com conta- gem de linfócitos T CD4 entre 200 e 350 cel/mm³. Quanto mais próxima de 200 células\mm³ estiver à contagem de T-CD4, maior é o risco de progressão para AIDS. Especialmente se associado à carga viral plasmática elevada (maior que 100.000 cópias mm\³) [4]. A presença de sintomas ou manifesta- ções clínicas associadas á imunodeficiên- cia relacionada ao HIV, mesmo quando não definidoras de AIDS, sugere a necessidade de iniciar o tratamento antirretroviral, inde- pendentemente dos parâmetros imunológi- cos, devendo esta decisão ser considerada individualmente [4]. Lipodistrofia Nos dias atuais, observamos um maior controle do HIV, com o uso de terapia an- tirretroviral, porem os portadores do vírus HIV\AIDS continuam susceptíveis a uma sé- rie de consequências físicas, psicológicas e sociais. Uma delas e a lipoatrofia facial, ou seja, perda de gordura na face, causando enrugamento e envelhecimento precoce, afinamento dos braços e pernas, tornando a pele elástica e permitindo a visualização de músculos e vaso sanguíneo superficiais implica em baixa estima, falta de motivação para o trabalho, afastando estes indivíduos do convívio social [11]. Mudanças na imagem corporal podem ser extremamente perturbadoras em ter- mos de bem estar psicossocial, afetando a qualidade de vida e aumentando o estigma da doença [12]. A patogenia dessa síndrome é ampla- mente desconhecida, embora os efeitos da terapia antirretroviral no surgimento da lipodistrofia têm sido descritos [13]. Adicionalmente, têm sido relatados que a Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013126 adequada adesão à terapia antirretroviral pode estar fortemente associada com o risco aumentado para a ocorrência da lipodistrofia. Acreditando que a aparência é a porta de entrada para a sociedade, foi criado o material metacrilato, [composto de microes- feras de polimetilcrilato suspensos em gel mineral] que é um considerado um preen- che dor definitivo por não ser reabsorvido pelo organismo [14]. Além de ser empregado em correção de rugas e sulcos da face, também e usado para cicatrizes de face. Consiste na inser- ção de substâncias sob a área a ser tratada elevando e diminuindo a profundidade. Creme de ureia E uma substancia própria do organis- mo, que também existe na camada mais externa da pele humana (estrato córneo) e que contribui para a regulação do equilíbrio da água da pele, aumentando a umidade no estrato córneo e diminuindo a perda da água da pele. Quando utilizamos a ureia, tem ação hidratante e estimulante da regeneração celular (cicatrizante). Não é indicada porque atravessa facilmente a barreira placentária e também aumenta a absorção de outras substancias ativas em 3%,porem está libe- rada pela ANVISA. A ureia é um componente essencial a ser incluído na formula de um bom hidra- tante. Há décadas, vem sendo utilizadas para o tratamento cosmético da pele seca. Possui importantes indicações clínicas, como ação antimicrobiana e anti-inflama- tória. As características particulares da ureia lhe conferem a capacidade de gerar um tipo de hidratação denominada ativa, mantendo a pele hidratada por um período mais prolongado. É capaz de se ligar a moléculas de água dentro das células e possibilitar o aumento da hidratação por um tempo mais prolongado. Outro bene- ficio é poder gerar compostos sob a pele que, quando expostos a um ambiente com alta umidade. É importante considerar também que a quantidade de ureia deve ser adequada para cada tipo de pele ou alteração que possa ocorrer. Essa quantidade pode ser apresentada em diferentes concentrações, variando de 3% a 20%. Hipótese de diagnóstico O uso prolongado da terapia antirre- troviral desenvolve no portador de HIV/ AIDS a lipodistrofia, levando o individuo a alterações psicológicas. O objetivo dessa pesquisa é observar o grau de satisfação de clientes, sobre a melhora na qualidade de vida e imagem pessoal com a técnica combinada de preenchimento facial e hidra- tação estética. Justificativa O vírus HIV\ AIDS tem aumentado muito na população em geral, em todas as faixas etárias nos últimos anos. E a adesão ao tratamento também, mas com o uso dos antirretrovirais, cada vez mais acontece a perda de gordura na face desses portadores. Pude perceber que a lipoatrofia facial deixa os indivíduos com baixa estima, falta de motivação para o trabalho e con- vívio em sociedade.Com a pesquisa de campo, através de questionário, respon- dido pelos pacientes, pretendo levantar a importância deste tratamento para eles e o que mudará em suas vidas, através deste método. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 127 Objetivo Identificar a prática e os materiais usados neste procedimento pelo profissio- nal médico, que realizou o preenchimento facial. Avaliar o grau de importância do procedimento para os pacientes lipodis- tróficos. Identificar o grau de satisfação pessoal do paciente após o procedimento. Verificar a melhoraria qualidade de vida na vida destes clientes. | Material e métodos População e casuística A população pesquisada foi constituída de sete pacientes portadores do vírus HIV\ AIDS e lipodistrofia facial, que participaram do preenchimento facial com metametilcli- lato e maiores de idade. Tipos de pesquisa Pesquisa de campo exploratória e analítica, com abordagem qualitativa, atra- vés de questionário com nove perguntas fechadas, sobre HIV|AIDS e lipodistrofia e, revisão literário levantamento bibliográfico compreendeu consulta a livros e bases de dados eletrônicos Literatura latino-ameri- cana e do caribe em ciências de saúde. (LILACS) e Cientifica Eletronic Library Online (Scielo), onde foram selecionados artigos nacionais, utilizando as palavras chaves: HIV\AIDS, doenças crônicas, lipodistrofia, preenchimento facial, metacrilato. Locais de estudo O estudo foi realizado no Instituto de Infectologia Emilio Ribas (IIER), hospital público, em São Paulo, no ambulatório. Períodos de estudo O período compreendido para o estudo foi às quintas férias das onze às treze horas no período de março a abril de 2012. Procedimentos éticos Aos participantes foram fornecido o termo de consentimento livre e esclarecido em duas vias aprovado pelo comitê de éti- ca e pesquisa do Instituto de Infectologia Emilio Ribas.Foram convidados a participar através de convite verbal no prédio dos am- bulatórios do Instituto de Infectologia Emilio Ribas. Onde foi aplicado um questionário com perguntas fechadas (anexo 1). O estu- dofoi realizado pela própria pesquisadora com recursos próprios. Instrumento O instrumento utilizado para coleta de dados foi elaborado pela autora, compreen- dendo um questionário com nove questões, sendo constituído por questões fechadas. com objetivo de verificar a qualidade do preenchimento facial para estes pacientes com HIV\AIDS que desenvolveram lipo- distrofia. As informações do questionário foram codificadas e digitadas pela pesqui- sadora em forma de gráficos. | Resultados Figura 1 - Idade da amostra. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013128 Conforme figura 1, percebemos que a população do estudo atingiu com maior proporção de 60% para pacientes de 41 a 50 anos, seguido com a mesma proporção de 20% para pacientes com 31 a40 anos e 51 a 60 anos. Figura 2 - Estado civil dos participantes. Na figura 2 nota-se que com maior por- centagem de 42,87% pacientes casados, seguido de 28.57% de solteiros, 14,28%e com a mesma proporção para paciente viúvo e outros. Figura 3 - Tempo que esta infectado pelo virus HIV. Quanto ao tempo de descoberta do vírus HIV/AIDS, percebe-se que, com maior proporção de 57,14% dos clientes tem o vírus por mais de 15 anos, seguido de 14,85% de 10 a 14 anos, os demais 0%. Figura 4 - Tempo que o paciente se trata. Quanto ao tempo de tratamento com os antirretrovirais, percebe-se que: com. 42,85% de clientes têm de 10 a 14 anos de uso dos medicamentos, seguidos de 28,57% de 05 a 9 anos e com mesma proporção com mais de 15 anos. Figura 5 - Consequências após a desco- berta da infecção HIV. Quanto ao tempo de descoberta do vírus, 28,57% sofreram preconceito da sociedade, com mesma proporção não trabalhavam, e estão trabalhando, com 14,28% sofreram preconceito de familia- res, com mesma proporção trabalhavam e continuam trabalhando, e 14,28%foram despedido após descoberta do vírus. Figura 6 - Alterações decorrentes da descobertas do vírus HIV. Sabe que ocorrem mudanças em todos os aspectos da vida do indivíduo, com a descoberta de ser portador do vírus HIV. Pesquisamos entre nossa população qual é a maior incidência de alterações desta natureza. Na figura 6 demonstramos quais as principais.Com 57,14% houve mudança física, seguido de 42,57% mudança física e psíquica. 15 Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 129 Quanto ao tempo de tratamento com os antirretrovirais, percebe-se que: com. 42,85% de clientes têm de 10 a 14 anos de uso dos medicamentos, seguidos de 28,57% de 05 a 9 anos e com mesma proporção com mais de 15 anos. Figura 5 - Consequências após a desco- berta da infecção HIV. Quanto ao tempo de descoberta do vírus, 28,57% sofreram preconceito da sociedade, com mesma proporção não trabalhavam, e estão trabalhando, com 14,28% sofreram preconceito de familia- res, com mesma proporção trabalhavam e continuam trabalhando, e 14,28%foram despedido após descoberta do vírus. Figura 6 - Alterações decorrentes da descobertas do vírus HIV. Sabe que ocorrem mudanças em todos os aspectos da vida do indivíduo, com a descoberta de ser portador do vírus HIV. Pesquisamos entre nossa população qual é a maior incidência de alterações desta natureza. Na figura 6 demonstramos quais as principais.Com 57,14% houve mudança física, seguido de 42,57% mudança física e psíquica. 15 Figura 7 - Mudanças após o preenchi- mento. Com o preenchimento facial, feito pelo profissional medico, com 57,14% relataram que melhorou muito a aparência, seguido de 28,57% que houve pouca melhora, se- guido com14, 28% que ficaram confiantes e seguro com a melhora. Figura 8 - Sentimento demonstrado após hidratação facial. Em relação ao trabalho estético, no de- senho da figura 8, percebe-se que o número de indivíduos foi: com 42,85% que fizeram hidratação facial relataram que houve uma melhora na aparência, seguido de 42,85% que não participou da hidratação, somente fez preenchimento facial, 14,28%não senti- ram diferença com a hidratação. | Discussão A participação dos pacientes na pes- quisa foi difícil, pois o preenchimento é realizado uma vez por semana, somente às quinta-feiras. O cliente saia da sua residên- cia somente para fazer este procedimento chegando ao ambulatório no momento do procedimento e alegava não ter tempo para responder o questionário. Devido a isso, o trabalho de campo foi bastante difícil. A pes- quisa só foi possível devido sete pacientes dos trinta abordados aceitaram a participar. O volume de polimetilmetacrilato foi variável de acordo com o sexo, sendo que o volume injetado no sexo masculino foi o dobro do sexo feminino. (10 ml para mulheres e 20 ml para homens). Relacionando o tempo de uso de an- tirretrovirais, evidenciou que, os pacientes que faz uso prolongado destes, são mais propensos a desenvolver lipodistrofia, Os pacientes após 60 dias de preen- chimento facial teve que se submeter a novo procedimento, não sendo suficiente somente uma aplicação, sendo usado me- tacrilato de 30%. O procedimento transcorreu sem nenhuma intercorrências intra ou pós- -operatória. A correção da lipodistrofia facial, mes- mo nos casos de necessidade de reapli- cação, obteve altos índice de satisfação, resgatando a alto estima, tornando-se confiantes e mais seguro. Quanto aos possíveis efeitos os adver- sos do metacrilato, necessitamos de um período mais prolongado para chegarmos a uma conclusão definitiva, porem para corre- ção da lipodistrofia facial nos portadores do vírus HIV/AIDS é uma droga bastante eficaz. O metacrilato feito pelo o medico e a hidratação estética feita pela esteticista relacionado, trouxe bons resultado para os pacientes, ajudando pacientes a con- seguirem mais autoconfiança e melhora da qualidade de vida e imagem pessoal, levando estes indivíduos para melhor con- vívio na sociedade. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013130 | Referências 1. Brasil. Ministério da Saúde. Dados e Pesquisas em DST e AIDS [online]2003. Disponível em URL: http//www.aids.gov. 2. Organização Mundial da Saúde. UNAIDS. AIDS epidemic update: 2003. Disponível em: URL: http:www.unaids.gov. 3. Canini SRMS et al. Qualidade de vida de indivíduos com HIV/AIDS: uma revisão de literatura. Rev Latino-Am Enfermagem 2004;12(6). 4. Brasil. Ministério da Saúde (2008). Doenças sexualmente transmissíveis; 208 [citado 2012 fev 06]. Disponível em URL:http:www.dst.com.br. 5. Bucciardini R, Wu AW, Florida M, Fragola V, Ricciardulli D, Tomino C et al. Quality of life outcomes of combination zidovudine- didanosine-nevirapine and zidovudine-didanosine for antiretroviral- naïve advanced HIV-infected patients. AIDS 2000;14(16):2567-74. 6. Nieuwkerk PT, Gisolf EH, Colebunders R, Wu AW, Danner SA, Sprangers MA. Quality of life in asymptomatic- and symptomatic HIV infected patients in a trial of ritonavir/saquinavir therapy. AIDS 2000;14(2):181-7. 7. Martín SI, Cano MR, Pérez de Ayala P, Aguayo CM, Cuesta Rodriguez P, Pujol de La Lave E. Calidad de vida, aspectos psicológicos y social és em pacientes con infección VIH avanzada. An Med Interna 2002;19(8):396-404. 8. Molassiotis A, Callaghan P, Twinn SF, Lam SW, Chung WY, Li CK. A pilot study of the effects of cognitive-behavioral group therapy and peer support/counseling in decreasing psychologic distress and improving quality of life in Chinese patients with symptomatic HIV disease. AIDS Patient Care STDS 2002;16(2):83- 96. 9. Ramos -Ce rque i r a ATA C r epa l d i AL. Qualidade de vida em doenças pu lmonares c rôn icas : aspec tos conceituais e metodológicos. J Pneumol 2000;26(4):207-13 10. Minayo MCS, Hartz ZMA, Buss PM. Qualidade de vida e saúde: um debate necessário. Ci Saúde Coletiva 2000; 5(1):7- 11. Kotler DP. HIV lip dystrophy etiology and pathogenesis. Body composition and metabolic alterations: etiology and pathogenesis. AIDS Read 2003; 13:5-9.12. Collins E, Wagner C, Walmsley S. Psychosocial impact of the lip dystrophy syndrome in HIV infection. AIDS Read 2000;10:546-50. 13. Viraben R, Aquilina C. Indinavir-associated lipodystrophy.AIDS 1998; 16:37-9 14. Carvalho VLS, Clementino VQ, Pinho MO. Educação em Saúde. Rev Bras Enferm 2008;61(2). Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 131 RELATO DE CASO Uso do equipamento de alta frequência no tratamento da dermatite seborréica inflamatória do couro cabeludo Use of high frequency equipment in the treatment of inflammatory seborrheic dermatitis of the scalp Alexandrina Rubio Barboza*, Aline Lopes da Rocha Tenório*, Juliana Roldi Ramos**, Tatiane Moura da Silva, M.Sc.*** *Tecnóloga em Estética e Cosmética pela Universidade Vila Velha UVV, **Tecnóloga em Estética e Cosmética pela Universidade Vila Velha UVV e esteticista no Bem Estar Pilates, ***Fisioterapeuta, Mestre em Ciências Sociais PUC/UVV e docente da Universidade Vila Velha Correspondência: Juliana Roldi Ramos, Rua Anchieta, 376 Vila Capixaba 29148-001- Cariacica ES | Resumo Diante da inserção dos profissionais de estética em cuidados capilares e a expansão dos estabelecimentos que se dedicam aos seus cuidados e a prevenção de alterações indesejáveis, torna-se relevante conhecer os efeitos de um dos recursos utilizados como um meio para recuperar a saúde do couro cabeludo. Foi re- alizada uma pesquisa experimental em duas pacientes que apresentavam dermatite seborréica inflamatória do couro cabeludo, utilizando o equipamento de alta frequência (baseado na sua ação fungicida), 3 vezes por semana, totalizando 10 sessões de tratamento. A evolução das lesões escamosas e do eritema foi analisada por fotografias semanais, tendo suas características registradas em imagens. Através da análise qualitativa da evolução das lesões no couro cabeludo com a utilização do equipamento de alta frequência, evidenciou-se uma diminuição do eritema e uma significativa diminuição das áreas de escamação. Os resultados, apesar da amostra pequena, revelaram uma ação efetiva do equipamento na diminuição das lesões provenientes da dermatite seborréica, porém são necessárias mais pesquisas para padronização do tempo de aplicação e da potência, tornando o tratamento mais confiável e vantajoso. Palavras-chave: dermatite seborréica, alta frequência, malassezia. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013132 | Abstract Before the insertion of aesthetic professionals in hair care and growth of establishments that are devoted to their care and prevention of unwanted changes, it becomes important to know the effects of a resource used as a means to recover the scalp health. We performed an experimental study in two patients with inflamma- tory seborrheic dermatitis of the scalp, using high-frequency equipment (based on its fungicidal action), three times a week, with a total of ten sessions. The evolution of squamous intraepithelial lesions and erythema was assessed weekly by photographs, with images recorded in its characteristics. Through qualitative analysis of the evolution of lesions on the scalp with the use of high frequency equipment, we observed a reduction of erythema and a significant reduction in the areas of scaling. The results, despite the small sample, showed an effective action of the equipment in reducing injuries from seborrheic dermatitis, but more research is needed to standardize the application time and power, making treatment more reliable and profitable. Key-words: seborrheic dermatitis, high frequency, malassezia. | Introdução Em todos os tempos e em todas as culturas o cabelo foi e é um importante ornamento pessoal. Os cabelos são fundamentais para a imagem pessoal que queremos transmitir. Quando afe- tados por alterações, atingem tanto a auto-estima das mulheres, quanto a dos homens [1]. Um grande contingente da população mundial convive com os sinais e sintomas desagradáveis das dermatoses de natureza inflamatória que afetam o couro cabelu- do, sendo a dermatite seborréica a mais importante, por acometer de 2 a 5% da população geral [2]. Costuma trazer grande desconforto gerado pela associação entre prurido e alteração estética [3]. A apresentação clínica da dermatite seborréica é variada e inclui associação de diferentes quadros, com diversos graus de extensão e severidade. As lesões são papu- loescamosas, eritematosas ou amareladas, com margens bem definidas e distribuição simétrica, recobertas por escamas gorduro- sas, atingindo áreas de maior concentração e atividade das glândulas sebáceas [3]. As leveduras do gênero Malassezia são apontadas como principal agente etiológico da dermatite seborréica, com mecanismo ainda desconhecido [4]. As terapias de tratamento são orien- tadas para a eliminação e remoção de escamas e crostas, inibição da colonização de fungos, controle de infecção secundária e redução do eritema e do prurido [5]. São empregados agentes anti-inflamatórios, antimicrobianos, com tratamento tópico baseado principalmente no uso de antifún- gicos em xampus, pomadas e cremes [6]. A utilização do aparelho gerador de alta frequência tem sido realizada há anos com finalidades antissépticas, bactericidas, fun- gicidas e germicidas pelos profissionais que trabalham com tratamentos faciais de lim- peza e ou tratamento de pele [7]. O primeiro gerador de alta frequência foi desenvolvido por Werner Von Siemens na Alemanha em 1857 e através da utilização deste equipa- mento Kleinmann conduziu seus primeiros estudos sobre a ação do ozônio em bactérias e germes e depois em mucosas de animais e humanos segundo 1ª Conferência [8]. A eficácia do gerador de alta frequência já foi constatada no tratamento da psoría- se, doença que se assemelha à dermatite seborréica [9]. Mas não há relatos na lite- ratura de sua utilização no tratamento da dermatite seborréica. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 133 Diante da inserção dos profissionais de estética em cuidados capilares e a expansão dos estabelecimentos que se de- dicam aos seus cuidados e a prevenção de alterações indesejáveis, torna-se relevante conhecer os efeitos de um dos recursos utilizados como um meio para recuperar a saúde do couro cabeludo. O trabalho objeti- va avaliar se o equipamento emissor de alta frequência promove a redução das lesões desencadeadas pela dermatite seborréica inflamatória do couro cabeludo, baseado na ação fungicida do equipamento no combate ao agente causal da doença. | Material e Métodos Área de estudo O trabalho foi realizado na Policlínica do Centro Universitário Vila Velha, município de Vila Velha, estado do Espírito Santo, em pacientes com dermatite seborréica inflamatória no couro cabeludo. Critério de inclusão dos pacientes Participaram deste estudo duas pa- cientes com idade entre 30 e 60 anos, que passaram por uma triagem com a dermato- logista Juliana Rocha Nogueira, CRM-ES nº 8183. Somente pacientes encaminhados com diagnósticos clínicos de dermatite seborreica inflamatória do couro cabeludo participaram da pesquisa. Após avaliados, tomaram conhecimento sobre o tratamento proposto, objetivos e os riscos e os benefí- cios do tratamento e assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido. Critério de exclusão dos pacientes Não participaram da pesquisa pacientes menores de 30 anos; pacientes que não tinham condições físicas e/ou mentais para o desenvolvimento da pesquisa; aqueles que não passaram pela triagem ou que não tiveram seus diagnósticos compatíveis com dermatite seborréica inflamatória no couro cabeludo, pacientes que estavam em uso de outros recursos cosméticos (como xampus, pomadas e cremes) ou terapêutico para atenuação das lesões e os que apresen- taram as contra-indicações para o uso do equipamento, que são o uso de marca-passo cardíaco, que pode sofrer algum tipode in- fluência em seu funcionamento; gestantes, principalmente nos três primeiros meses, pois pode haver problemas na formação do feto; pacientes com distúrbios de sensibili- dade, pois pode haver lesões pelo fato do cliente não relatar incômodo diante de uma aplicação; pacientes portadores de pinos ou placas metálicas na área da aplicação; diabéticos descompensados; epiléticos e pacientes portadores de neoplasias. Procedimentos realizados na pesquisa O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos da Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP) sob o parecer no H 102/CEP2010. Numa avaliação preliminar, foi levada em conta, principalmente, a existência de dermatite seborréica inflamatória no couro cabeludo. A pesquisa foi conduzida pela metodologia de aplicação do equipamento de alta frequência, modelo Plus fabricado pela Tone Derm®, utilizando eletrodo em forma de pente, com movimentos leves de pentear sobre o couro cabeludo por cinco minutos, com intensidade no nível oito do potenciômetro. O equipamento utilizado na pesquisa foi validado por um técnico autorizado e as monitoras participantes da pesquisa que aplicaram o equipamento foram previamente treinadas para padroni- Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013134 zação da técnica de aplicação minimizando o erro individual. Foi realizada uma avaliação médica com os pacientes, levando em conta pontos como, a existência de eritema e escamas no couro cabeludo. Antes do início do tratamen- to as lesões foram fotografadas, tendo suas características registradas em imagens. Cada paciente foi tratada recebendo três aplicações semanais do equipamento de alta frequência no local da lesão, num período de quatro semanas consecutivas, totalizando dez sessões, com tempo médio de aplicação no couro cabeludo de cinco mi- nutos. Ao longo da realização das sessões foi realizada uma avaliação semanal da evolução do quadro, através de registros fotográficos após o início do tratamento. Avaliação dos resultados A extensão das lesões descamativas e eritematosas foi devidamente fotografa- da para que assim fosse possível realizar uma análise comparativa entre os registros referentes a cada etapa do tratamento. Esta comparação teve caráter qualitativo exploratório [10]. | Resultados A avaliação da percepção visual da evo- lução das lesões permitiu identificar que, após três aplicações do equipamento de alta frequência houve um alívio do eritema em torno das lesões e uma diminuição das escamas, tendo os resultados mantidos até a finalização das dez sessões. Equipamento de alta frequência e o eritema das lesões Voluntária de 33 anos, apresentando lesões decorrentes da dermatite na região retro auricular com psoríase associada. As áreas eritematosas tratadas com o equipa- mento de alta frequência após três sessões (Fig. 1) apresentaram uma diminuição. Figura 1 - Lesão eritematosa tratada com o equipamento de alta frequência: antes do início do tratamento (à esquer- da) e três sessões após (à direita). As áreas eritematosas tratadas com o equipamento de alta frequência após as dez sessões (Fig. 2) apresentaram diminuição, mas ainda nota-se uma pequena hiperemia. Figura 2 - Lesão eritematosa tratada com o equipamento de alta frequência, antes do início do tratamento (à esquer- da) e após dez sessões (à direita). Equipamento de alta frequência e as lesões escamosas Voluntária de 60 anos, apresentando lesões decorrentes da dermatite na região Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013 135 retro auricular com psoríase associada. As lesões escamosas tratadas com o equipamento de alta frequência após três sessões (Fig. 3) e após dez sessões (Fig.4) evidenciaram uma diminuição de área. Figura 3 - Lesão escamosa tratada com o equipamento de alta frequência, an- tes do início do tratamento (à esquerda) e três sessões após (à direita). Figura 4 - Lesão escamosa tratada com o equipamento de alta frequência, an- tes do início do tratamento (à esquerda) e dez sessões após (à direita). | Discussão A dermatite é uma doença inflama- tória, papulodescamativa, eritematosa e gordurosa, que afeta principalmente as áreas ricas em glândulas sebáceas do couro cabeludo, face e tronco. Desenvolve- -se de maneira crônica, com períodos de exacerbação e remissão, relacionados, sobretudo, ao estresse e alterações cli- máticas [3]. Os equipamentos de alta frequência possuem um dispositivo eletrônico que consta de vários circuitos transistorizados que transformam, retificam e posterior- mente produzem correntes alternadas de alta frequência a partir da corrente elétrica de uso doméstico que se é provida através da rede, como relata Winter [11]. Um gerador de alta frequência apre- senta normalmente um porta-eletrodo e diversos eletrodos de vidro que podem conter em seu interior um vácuo parcial (ar rarefeito) ou um gás (Néon, Chenon, Argon). A passagem de ondas eletromagnéticas provoca uma ionização das moléculas de gás, as quais, sobre o forte impacto energé- tico, tornam-se fluorescentes. Uma de suas principais ações é a formação de ozônio sobre a superfície a qual é aplicado [11]. O uso do aparelho de alta frequência na superfície da pele provoca a formação de ozônio (O3), que por ser uma substân- cia instável se decompõe rapidamente em oxigênio molecular (O2) e em oxigênio atômico (O). A ação desinfetante do ozônio reside na grande agressividade do oxigênio nascente, liberado durante a decomposição do ozônio [12]. Lake et al. [13] relatam que o mecanismo antimicrobiano, do ozônio, ocorre por lise da membrana dos agentes após oxidação, que segundo Almeida et al. [14] e Cardoso et al. [15] é devido ao seu alto potencial oxidativo (2,07 V). O ozônio tem sido considerado um microbicida eficaz, agindo sobre vírus, fungos e bactérias [16]. Em um estudo de caso, Moura et al. [9] avaliaram o efeito fungicida do gerador de alta frequência de mesmo modelo sobre lesões de psoríase utilizando eletrodo tipo cogumelo, em um período de 30 dias consecutivos, 2 vezes ao dia por 10 minutos, na intensidade no nível 8 do potenciômetro, onde a paciente foi instruída sobre o manuseio do aparelho. Revista Brasileira de Estética < Volume 1 < Número 2 < novembro/dezembro de 2013136 Após análise, houve diminuição do eritema, descamação e da extensão das lesões. Neste estudo, o equipamento de alta frequência mostrou-se eficaz na diminuição do eritema, um sinal inflamatório da dermatite seborréica. Tendo a atividade anti-inflamatória do equipamento relatada por Borges [12] de- vido a sua ação fungicida. O mecanismo da resposta inflamatória da dermatite seborréica permanece desconhecido, sendo uma das possíveis causas a ativação dos linfócitos T pela Malassezia e seus subprodutos [5]. Também houve uma significativa diminuição das áreas de escamação. Isto sinaliza que o equipamento de alta frequência atuou nos distúrbios de proliferação celular. | Conclusão Os resultados deste trabalho ainda que baseados em amostragem pequena revela- ram que o equipamento de alta frequência propiciou uma melhora significativa nas lesões provenientes da dermatite sebor- réica, entretanto, entende-se que se fazem necessárias novas pesquisas para verificar sua eficácia e utilidade em tratamentos estéticos e assim ampliar e divulgar novas técnicas de tratamento. Estudos são ne- cessários para padronização do tempo de aplicação e potência adequada, para tornar o tratamento mais rápido e vantajoso. | Referências 1. Wichrowski L. Terapia capilar: uma abordagem complementar. 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