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Pós-datismo (Gestação Prolongada)

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Daniela Carvalho - TLVI 
Pós-datismo (Gestação Prolongada) 
DEFINIÇÃO 
• A gravidez prolongada é definida internacionalmente como aquela que alcança ou ultrapassa 42 
semanas, contadas a partir do 1º dia da última menstruação. 
INCIDÊNCIA 
• A incidência notificada de gravidez prolongada é de 7%. Entretanto, quando se tem como rotina datar 
a gravidez pela ultrassonografia de 1º trimestre, essa incidência se reduz para 2 a 3%. 
ETIOLOGIA 
• A causa mais comum é o erro no cálculo da idade da gravidez avaliada pela última menstruação 
informada. 
• Quando a gravidez prolongada é verdadeira, a etiologia em geral é desconhecida 
• Os fatores de risco mais frequentemente identificados são primiparidade e gravidez prolongada em 
gestação anterior. 
• Raramente a gravidez prolongada pode estar associada à deficiência de sulfatase placentária (doença 
genética ligada ao cromossomo X, caracterizada por baixos níveis de estriol circulante), à insuficiência 
ou hipoplasia da suprarrenal fetal, ou à anencefalia (sem polidrâmnio). Também há associação com o 
sexo masculino do bebê, ou seja, predisposição genética materna (história familiar). 
RISCOS FETAIS 
• A taxa de mortalidade perinatal (natimortalidade + neomortalidade precoce) com gravidez de mais de 
42 semanas é 2 vezes maior do que com gravidez a termo e aumenta para 6 vezes ou mais nas 
gestações que atingem ou ultrapassam 43 semanas. 
• A incidência de macrossomia é elevada (20 a 25%), assim como de suas complicações associadas, 
como distocia de ombros, lesões ortopédicas e neurológicas. 
• Aproximadamente, 20 a 25% das gestações prolongadas evoluem com insuficiência placentária, 
oligoidrâmnia, compressão do cordão umbilical e eliminação de mecônio. 
o O mecônio raramente é eliminado no líquido amniótico antes de 32 semanas de gestação; no 
termo, sua frequência é de 10 a 15%. Com 42 semanas essas taxas ascendem para 25 a 30%, 
e o mecônio associado à oligoidrâmnia forma o “mecônio espesso”, fator agravante da 
síndrome de aspiração de mecônio (SAM). 
• Essas gestações têm maior risco de compressão funicular devido à oligohidramnia e síndrome de 
aspiração meconial. 
• A insuciência útero-placentária, a síndrome de aspiração meconial e a infecção intrauterina 
contribuem para as altas taxas de mortalidade perinatal e óbito intrauterino 
RISCOS MATERNOS 
• Distocia no parto, aumento nas lesões perineais e na incidência de cesárea, todos decorrentes da 
macrossomia fetal. 
DIAGNÓSTICO 
• O diagnóstico de certeza somente pode ser feito com o estabelecimento precoce da idade gestacional. 
O exame ultrassonográco no início da gestação, idealmente entre 9 e 12 semanas, é o método mais 
dedigno para avaliação da idade gestacional, principalmente em gestantes com dúvidas sobre a data 
da última menstruação. 
Daniela Carvalho - TLVI 
o O exame realizado no segundo trimestre não é tão preciso, mas tem valia se há uma diferença 
maior que 10 dias entre a estimativa dessa USG e a data da última menstruação. Nesse caso 
deve-se ajustar a idade gestacional pela USG. 
TRATAMENTO 
As grávidas com condições de alto risco, como diabetes, hipertensão e idade materna avançada (> 35 anos), 
devem ter a gestação interrompida com 39 semanas. 
Na gravidez gemelar, todo o esforço deve ser dirigido para interromper a gravidez com 40 semanas (idade 
considerada prolongada para gemelares) 
 
• Não há diferença no prognóstico fetal em relação à conduta expectante ou intervencionista até 41 
semanas. 
o Nessa fase da gravidez, a única avaliação anteparto pertinente seria a contagem dos 
movimentos fetais 
• Todas as evidências atuais sugerem que a indução do parto com ≥ 41 semanas na gravidez de baixo 
risco apresenta ganho significante para o feto, sem elevar a taxa de cesarianas ou os riscos maternos. 
• Após 41 semanas, os seguintes e sucessivos estágios parecem pertinentes: 
▪ Cardiotocografia (CTG) e volume do líquido amniótico (vLA). O Doppler não tem 
utilidade nesse cenário. 
▪ Exame pélvico. 
▪ Indução do parto. 
o Se os exames de avaliação fetal estiverem normais e o índice de Bishop for ≥ 6 (colo maduro), 
está indicada a indução do parto com ocitocina. 
o Diante de propedêutica fetal normal e índice de Bishop < 6, as opções são o descolamento das 
membranas ou o uso do misoprostol vaginal, visando o amadurecimento cervical. 
o Em caso de sofrimento fetal, identificado por CTG ou vLA, a interrupção da gravidez deve ser 
feita pela operação cesariana. 
 
Se não houver objeção por parte da mulher, deve ser realizado o descolamento das membranas amnióticas, 
entre 38 e 41 semanas, para diminuir a probabilidade de indução do parto. 
 
Daniela Carvalho - TLVI 
A indução do parto deve ser realizada a partir de 41 semanas de gestação, após concordância da mulher. 
Em gestantes que recusam submeter-se à indução, na conduta deverá ser avaliado o bem-estar fetal (duas 
vezes por semana). O parto deve ser realizado se houver oligohidramnio, presença de mecônio à amnioscopia 
ou evidências de comprometimento fetal. 
 
SÍNDROME DE ASPIRAÇÃO DE MECÔNIO (SAM) 
• A insuficiência respiratória que o recém-nascido apresenta na SAM decorre de pneumonite química, 
obstrução das vias respiratórias, disfunção do sistema surfactante e hipertensão pulmonar. 
• A SAM é sempre consequência da hipoxia intrauterina, que aumenta a peristalse, relaxa o esfíncter 
anal e provoca gasping respiratório no feto. 
PÓS-MADURO 
• O recém-nascido, com características de crescimento intrauterino restrito, a atestar o longo processo 
de insuficiência placentária, é dito pós-maduro. Os testes de avaliação da vitalidade fetal anteparto e 
intraparto costumam ser anormais. 
• A caracterização do recém-nascido pós-maduro é feita pela escala de Cliford. Os recém-nascidos do 
grau I de pós-maturidade geralmente apresentam todos ou vários dos seguintes sinais: 
o Pele seca, apergaminhada, com descamação; dobras cutâneas excessivas, principalmente nas 
nádegas e nas coxas, conferindo ao recém-nascido aspecto emagrecido. 
o Unhas longas 
o Cabelo abundante 
o Escassez ou ausência de lanugo 
o Ossos cranianos mais duros do que os do recém-nascido a termo 
o Vivacidade maior do que a esperada para a idade pós-natal. 
• No grau II, além dos sinais clínicos descritos anteriormente, encontram-se líquido amniótico, pele, 
verniz caseoso, cordão umbilical e membranas corados de mecônio. 
• Os recém-nascidos do grau III têm as alterações referidas para os graus I e II, e apresentam pele e 
unhas intensamente coradas de amarelo e o cordão umbilical, de amarelo-esverdeado. 
 
Fontes – resumo baseado em: 
• Rezende obstetrícia fundamental/Carlos Antonio Barbosa Montenegro; Jorge de Rezende Filho. Capítulo 30 – 13. ed. – Rio 
de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. 
• Gestação de alto risco: manual técnico / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações 
Programáticas Estratégicas. – 5. ed. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2012.