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Síndromes psicóticas (esquizofrenia)

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Síndromes psicóticas (esquizofrenia)

Síndromes psicóticas:
Introdução:
São síndromes caracterizadas por experiências de alucinações, delírios, desorganização
marcante do pensamento e comportamento e, até, comportamento catatônico e sintomas negativos.
Cursa com mudanças evidentes na vida pessoal, familiar e social.
A psicose pode ser definida como a perda de contato com a realidade e distorções
marcantes na percepção da realidade, ou como alterações básicas na estrutura de experiências
fundamentais (como espaço e tempo) e perda de elementos normalmente compartilhados do senso
comum.
“Normalmente, partimos de nós mesmos para dirigir nossa consciência em direção ao mundo; na
psicose, o mundo é que é percebido como se dirigindo ao sujeito. O mundo invade, por assim dizer, a
consciência”.
Pacientes com psicose, no geral tem insight muito precário em relação aos seus sintomas e
sua condição. É um transtorno quase sempre muito grave e profundamente perturbador para o
indivíduo e pessoas próximas.
Esquizofrenia:
É a principal síndrome psicótica, por sua frequência e importância clínica. Sua incidência
anual no Brasil é de cerca de 14,8 casos por 100 mil habitantes. Geralmente os primeiros sintomas
surgem na adolescência e início da vida adulta. É uma doença crônica, com surtos recorrentes (não
há remissão completa após os surtos), marcada por 3 principais “fases”: fase pré-mórbida, fase de
sintomas psicóticos e fase crônica, com graus variáveis de deteriorações implicadas.
Suas causas não são plenamente conhecidas, mas estudos de neuroimagem revelam
redução do volume cerebral total e do volume de substância cinzenta, alargamento dos ventrículos e
redução de estruturas corticais (como lobos temporais, córtex pré-frontal e tálamo). O componente
genético é muito importante e alguns dos principais fatores de risco são: complicações obstétricas e
perinatais, infecções na gestação, baixo peso ao nascer e uso de maconha na infância e
adolescência.
Desde o fim do século 19 até o DSM-IV, distinguiam-se quatro subtipos de esquizofrenia,
sendo eles a forma paranoide (predomínio de alucinações e ideias delirantes), a forma catatônica
(marcada por alterações motoras e da vontade), a forma hebefrênica (pensamento desorganizado,
comportamento bizarro e infantilizado) e a forma simples (ausência de sintomas característicos,
progressão mais lenta que as demais).
Porém, a partir do CID-11 e DSM-V, esses subtipos foram abandonados, pois não são
estáveis ao longo da evolução da doença, não predizem resposta ao tratamento e ao prognóstico
geral. Atualmente, tem-se dado mais importância em identificar conjuntos de sintomas e
comportamentos, que são agrupados em: sintomas negativos, sintomas positivos, sintomas de
desorganização, sintomas psicomotores/catatonia, prejuízos cognitivos e sintomas de humor.
- Sintomas Negativos:
Se caracteriza pela perda de certas funções psíquicas (vontade, pensamento, linguagem,
etc) e pelo empobrecimento global da vida afetiva, cognitiva e social do indivíduo. Os principais
sintomas são:
- Distanciamento e aplainamento afetivo (ou afeto embotado);
- Retração social ou associalidade (apatia, abulia, redução do “drive” social);
- Empobrecimento da linguagem e do pensamento;
- Diminuição da vontade (avolição que leva ao hipopragmatismo);
- Anedonia (distinta da anedonia da depressão, pois aqui não há desconforto subjetivo
perceptível).
Obs.: os sintomas negativos podem ser primários (decorrentes da própria esquizofrenia) ou
secundários (efeito colateral dos psicotrópicos, da privação de sono e do isolamento social).
Correspondem ao conceito de Eugen Bleuler de “autismo da esquizofrenia”. Não se conhece
exatamente sua causa neurofisiológica, mas sabe-se que são relativamente refratários ao tratamento
farmacológico, são agravantes da doença e contribuem para o empobrecimento da vida social,
laboral e afetiva dos pacientes.
Parte dos pacientes também desenvolve negligência quanto a si mesmo, percebidos pela
higiene pobre, descuido da aparência e cuidados com a saúde
- Sintomas positivos:
São manifestações novas, salientes, do processo esquizofrênico. Os principais sintomas são:
- Alucinações: a mais frequente é do tipo auditiva, com conteúdo de acusação, ameaça ou
pejorativo. Também podem ser visuais, táteis, gustativas e olfativas;
- Delírios: frequentemente de conteúdo persecutório, autorreferentes ou de influência.
- Outras formas de distorção da realidade: presença de ideias muito deturpadas,
marcadamente bizarras, sobre a realidade, fatos do mundo ou história do paciente, embora
não sejam necessariamente delírios.
Alguns sintomas, que estão dentro do subgrupo dos sintomas positivos, têm um peso maior
para diagnóstico de esquizofrenia. São os “sintomas de primeira ordem”, que correspondem à:
percepção delirante, alucinações auditivas características, eco do pensamento, divulgação do
pensamento, roubo do pensamento e distúrbios da vivência do eu (vivências de influência sobre o
corpo e vivências do “fabricado”). Esses sintomas de primeira ordem indicam profunda alteração da
relação eu-mundo, experiência de invasão maciça do mundo externo sobre o seu íntimo.
- Sintomas de desorganização:
Observa-se, na esquizofrenia, pensamento progressivamente desorganizado (de leve
afrouxamento de associações até pensamento totalmente incoerente), tangencialidade e
circunstancialidade, presença de neologismos, comportamentos desorganizados, bizarros e
inadequados, e afeto inadequado, ambivalente e incongruente.
- Sintomas psicomotores e catatonia:
É comum que pacientes com esquizofrenia apresentem lentificação e empobrecimento
psicomotor ou, por vezes, estereotipias de movimentos, maneirismos e posturas bizarras.
A síndrome catatônica é a manifestação psicomotora mais marcante da esquizofrenia. É
caracterizada por diminuição marcante e até ausência de atividade psicomotora, mutismo e
negativismo, porém com retenção do nível de consciência. Em casos graves, impede o paciente de
se alimentar, urinar, defecar, etc. Pode haver catalepsia (paciente fica na posição que o colocam,
mesmo que seja contra a gravidade), ecolalia, ecopraxia e excitação catatônica (episódios de grande
agitação psicomotora alternados a momentos de lentificação).
- Prejuízos cognitivos:
As alterações cognitivas podem preceder até mesmo os sintomas psicóticos. Afetam
marcadamente a evolução funcional dos pacientes. Incluem atenção, memória episódica, memória
de trabalho, velocidade de processamento e funções executivas. Observa-se, também, dificuldades
na percepção e no gerenciamento de emoções (perceber e compreender emoções a partir de pistas
faciais, tom de voz, gestos) e déficit na percepção social.
As alterações cognitivas são fortes preditores de pior evolução na vida social e do trabalho.
Os tratamentos farmacológicos e neuropsicológicos são muito pouco efetivos nesse âmbito.
- Sintomas de humor:
Há redução da experiência e da expressão emocional em muitos pacientes, apesar de um
aumento da reatividade emocional, o que é chamado de Paradoxo emocional da esquizofrenia.
Pessoas com esquizofrenia apresentam taxas mais altas de síndromes ansiosas e
depressão clínica. Os sintomas de humor podem ser concomitantes à esquizofrenia ou podem ser
efeitos colaterais dos antipsicóticos (“disforia dos neurolépticos”).
Os sintomas de humor contribuem significativamente para o sofrimento psíquico e para as
dificuldades pessoais e sociais que a esquizofrenia implica.
- Outras características e sintomas:
- Insight: é comum que o paciente tenha insight parcial ou ausência total dele.
- Sintomas neurológicos inespecíficos: esses pacientes podem apresentar prejuízo na função
olfativa, hipoalgesia, alterações na motilidade dos olhos, entre outros.
Critérios Diagnósticos do DSM-V:
A. Dois ou mais dos seguintes sintomas devem estar presentes com duração significativa de
pelo menos um mês:
a. Delírios;
b. Alucinações;
c. Discurso desorganizado;
d. Comportamento grosseiramente desorganizado ou catatônico;
e. Sintomas negativos
B. Disfunções sociais, no trabalho