A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
28 pág.
TRABALHO FARMACO (1)

Pré-visualização | Página 2 de 6

para adsorver o receptor e separá-lo de outras substâncias no extrato de tecido muscular, posteriormente o receptor pôde ser eluído da coluna por lavagem com uma solução contendo um antagonista (p.ex., galamina). Atualmente, abordagens semelhantes vêm sendo utilizadas para purificar diferentes tipos de receptores. 
		Essas proteínas sendo isoladas e purificadas houve a possibilidade de analisar a sequência de aminoácidos de um fragmento curto destas proteínas, concluindo que a sequência correspondente de bases de RNA mensageiro (mRNA), no prosseguimento foram sintetizadas sondas de oligonucleotídeos, utilizadas para extrair a sequencia de DNA total por métodos convencionais de clonagem de DNA complementar (cDNA), começando a partir de uma biblioteca de cDNA obtido de uma fonte tecidual rica no receptor de interesse. Assim atingindo os primeiros clones de receptores. 
		Através dessa investigação, muitas informações foram adquiridas ao introduzir o DNA clonado que codifica receptores individuais em linhagens celulares por transfecção, produzindo células capazes de expressar os receptores estranhos a elas, numa forma funcional. Desenvolvidas por engenharia genética, estas células permitem um controle mais rigoroso dos receptores expressos do que o possível com células naturais ou tecidos intactos, auxiliando nos estudos referentes a estes receptores.
TIPOS DE RECEPTORES
Receptores metabotrópicos 
		Esta família de receptores acoplados à proteína G engloba a maioria dos receptores do corpo humano, sendo que mais de 30% dos fármacos usados na clínica exercem seus efeitos por interagirem com os mesmos. Dentre os receptores que pertencem a esta família podemos citar como exemplos: os receptores  muscarínicos, receptores adrenérgicos, receptores serotoninérgicos (com exceção apenas do receptor 5-HT3, que é ionotrópico) receptores de dopamina, receptores opioidérgicos, receptores do hormônio anti-diurético (ADH) e muitos outros. Os receptores metabotrópicos são formados por 7 domínios transmembrana, que possuem forma α-helicoidal, com uma porção N-terminal extracelular e uma porção C-terminal intracelular. Os receptores metabotrópicos atuam em escala de segundos após serem ativados por um ligante endógeno ou um fármaco.
    Figura 1. Receptor Metabotrópico (heptahelicoidal)
		Dizer que estes receptores são acoplados à proteína G ou são metabotrópicos, na prática, significa que seu funcionamento é dependente da ativação da proteína G. A proteína G é formada por três subunidades (uma α, uma β e uma γ) que em estado de repouso permanecem como um trímero, com o GDP ocupando o sítio da subunidade α. Quando um receptor acoplado à proteína G é ativado por um agonista (ex., acetilcolina), ocorre uma mudança conformacional em seu domínio citoplasmático, levando-o a adquirir uma alta afinidade pela proteína G. 		A associação do receptor com a proteína G força a dissociação do GDP ligado e sua substituição pelo GTP, o que causa a dissociação do trímero da proteína G, liberando suas formas ativas α-GTP e βγ, as quais podem se associar à diversas enzimas e canais iônicos, desencadeando diferentes respostas celulares. Dependendo do subtipo de proteína G envolvido, pode-se ter uma resposta excitatória ou inibitória. Os principais subtipos de proteína G e suas funções são:
- Gαs: estimula a atividade enzimática da adenilil-ciclase, aumentando a formação de AMPc, com ativação da proteína quinase A (proteína quinase depende de AMPc) e aumento dos íons cálcio intracelular. Receptores acoplados incluem: β-adrenérgicos (β1, β2 e β3), da histamina (H2) e serotonina (5-HT4, 5-HT6 e 5-HT7). Exemplos de drogas que atuam em alguns destes receptores são: terbutalina, salbutamol, salmeterol (agonistas β2-seletivos), que atuam como broncodilatadores e por isso são utilizadas no tratamento da asma e do broncoespasmo; ranitidina (antagonista H2), utilizada no tratamento de úlcera, gastrite e esofagite; propranolol (antagonista β1), utilizado no tratamento da hipertensão arterial.
- Gαi: inibe a atividade enzimática da adenilil-ciclase, diminuindo a formação de AMPc, assim reduzindo a ativação da proteína quinase A e também os íons cálcio intracelular. Exemplos de receptores acoplados incluem: colinérgicos M2 e M4, α2-adrenérgico e, além disso, os receptores opióides (δ, κ, μ e NOP). Exemplos de drogas que agem sobres alguns destes receptores são: clonidina (agonista α2-adrenérgico),  utilizada no tratamento da hipertensão arterial; morfina (agonista dos receptores μ e κ), um potente analgésico.
- Gαo: seu mecanismo de ação está menos esclarecido. Acredita-se que seus efeitos estão relacionados principalmente às subunidades βγ. Receptores acoplados incluem: colinérgicos M2 e M4, α2-adrenérgico e opióides, por exemplo. Uma droga que age sobre esse mecanismo de ação é a morfina (agonista do receptores μ e κ), um potente analgésico, conforme dito no acima.
- Gαq: ativa a fosfolipase C, aumentando a produção dos segundos mensageiros inositol trifosfato e diacilglicerol. O diacilglicerol, juntamente com os íons cálcio, ativa a proteína quinase C (PKC, proteína quinase dependente de íons cálcio). Exemplos de receptores acoplados são: colinérgicos M1, M3 e M5, α1-adrenérgico e o receptor  5-HT2 (5-HT2A, 5-HT2B e 5-HT2C). Exemplos de drogas que agem em alguns destes receptores são: escopolamina (antagonista M3), utilizada no caso de cólicas menstruais e desconfortos abdominais; prazosina, terozosina (antagonistas α1-adrenérgico), utilizadas no tratamento da hipertensão arterial.
	Por fim, as subunidades βγ, as quais estão presentes em todos os receptores acoplados à proteína G (GPCRs), atuam ativando canais de potássio, inibindo canais de íons cálcio regulados por voltagem, promovendo a ativação de GPCR quinases e a ativação de proteínas quinase ativadas por mitógenos.
Figura 2. Controle dos sistemas efetores celulares pela proteína G e segundos mensageiros. Fonte: Rang & Dale, 2011.
Receptores ionotrópicos
		Os receptores ionotrópicos ou canais iônicos dependentes de ligante são formados por proteínas que se organizam na membrana formando um poro transmembrana central. Tais receptores controlam eventos de permeabilidade a certos íons na membrana celular. Quando ativados por um ligante difundem o sinal alterando o potencial de membrana ou a composição iônica do citoplasma. Os receptores deste tipo controlam os eventos sinápticos mais rápidos do sistema nervoso (escala de milissegundos) como, por exemplo, quando um neurotransmissor age na membrana pós-sináptica de um nervo e aumenta de modo transitório sua permeabilidade ao íon sódios.
		O receptor nicotínico da acetilcolina constitui um exemplo clássico deste tipo de receptor. O mesmo é formado por cinco subunidades (duas α, uma β, uma γ e uma δ) que formam um agregado circundando um poro transmembrana central, cujo revestimento é formado pelos segmentos helicoidais M 2 de cada subunidade. Estes segmentos contêm um predomínio de aminoácidos carregados negativamente, o que torna o poro seletivo para cátions. Existem dois sítios de ligação para acetilcolina na porção extracelular do receptor, na interface entre a subunidade α e as subunidades adjacentes. As cinco unidades M2 que formam o poro são deformadas para dentro formando uma constrição. Quando duas moléculas de acetilcolina se ligam, as subunidades α rotacionam, fazendo com que os segmentos M2 abaulados afastam-se uns dos outros, promovendo assim a abertura do canal e, consequentemente, o aumento da permeabilidade ao Na+, que despolariza a célula e aumenta a probabilidade de geração de um potencial de ação. Exemplos de fármacos utilizados clinicamente que atuam sobre os receptores nicotínicos são os bloqueadores neuromusculares não-despolarizantes como a tubocurarina, o pancurônio, o vecurônio e o atracúrio, os quais são utilizados como adjuvantes anestésicos.
Figura 3. Receptor nicotínico da acetilcolina. Fonte: Rang & Dale, 2011.
		O receptor GABAA e o receptor NMDA do glutamato também são receptores ionotrópicos.  O receptor